52% dos idosos são os principais responsáveis pelo sustento da casa

Levantamento realizado em parceria com a Offer Wise Pesquisas aponta que 71% dos aposentados que ainda trabalham buscam complementar a renda; 40% dos idosos que se mantêm na ativa enfrentaram dificuldades em conseguir oportunidade no mercado de trabalho

Em muitos lares brasileiros, percebe-se a participação cada vez mais forte dos idosos na renda familiar. Levantamento realizado em todas as capitais pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offer Wise Pesquisas, mostra que 91% dos brasileiros com mais de 60 anos contribuem financeiramente para o sustento da casa, sendo que 52% são os principais responsáveis, um aumento de 9 pontos percentuais em relação a 2018.

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O fenômeno parece ter correlação com a pandemia da COVID-19, que acarretou uma grande crise econômica, afetando a renda dos brasileiros e aumentando o desemprego. Entre os idosos que continuam trabalhando e já estão aposentados, 71% mencionaram a complementação da renda como principal motivo, 56% querem se sentir produtivos e 50% buscam manter a mente ocupada. Entretanto, para 43% o objetivo é ajudar financeiramente familiares. Em 2018, apenas 8,4% apresentavam esta justificativa para seguir trabalhando mesmo aposentado. Além disso, metade (50%) dos entrevistados relatou que tem pelo menos um desempregado em sua casa.

Para o presidente da CNDL, José César da Costa, não é só a crise econômica que explica esses números, mas também uma mudança demográfica e comportamental dessa população.

“Há muitos casos em que a renda do aposentado é a única maneira para sustentar o lar de uma família que perdeu emprego, principalmente nesse momento de crise e de aumento do desemprego, mas o aumento da expectativa de vida dos brasileiros, o avanço da medicina e suas atitudes nesta fase da vida também são fatores importantes. Hoje, os idosos são mais ativos, têm mais autonomia financeira e trabalham por mais tempo, seja por necessidade ou porque se sentem dispostos e mais felizes desenvolvendo alguma atividade produtiva”, explica.

De acordo com o levantamento, 46% dos idosos exercem alguma atividade profissional, um aumento de 10 pontos percentuais em relação a 2018. Em média, estes idosos pretendem trabalhar até os 74 anos. No entanto, 46% não sabem até que idade pretendem trabalhar, uma queda de 15 pontos percentuais em comparação com 2018.

Dificuldade para conseguir oportunidade de trabalho
A pesquisa mostra que 35% dos idosos que exercem atividade profissional atuam como autônomos ou profissionais liberais, enquanto 19% trabalham de maneira informal (sobretudo nas classes C, D e E) e 15% são servidores públicos. Apesar de estarem cada vez mais inseridos no mercado de trabalho, 40% dos idosos que exercem atividade profissional relataram dificuldade para conseguir uma oportunidade de trabalho, sendo o preconceito com a idade o principal motivo identificado (24%).

“Ainda há muito a ser feito para a quebra de paradigmas e de preconceitos no mercado de trabalho em relação à contratação de pessoas mais velhas. O aumento da expectativa de vida faz com que essa parcela da população permaneça por mais tempo no mercado de trabalho e muitas vezes volte a exercer alguma atividade profissional mesmo após a aposentadoria. A discriminação, com certeza, é uma das maiores barreiras a serem trabalhadas e descontruídas, e cabe às próprias empresas, instituições, setores privados e públicos, encontrarem uma melhor forma que valorize o profissional com mais de 60 anos”, afirma o presidente da CNDL.

De acordo com o levantamento, 42% dos idosos estão procurando trabalho, sendo que 16% desejam uma oportunidade como autônomo/freelancer e 13% encaram qualquer oportunidade, independentemente do formato.

A situação de desemprego, falta de oportunidades e insegurança na economia também afeta diretamente os idosos, uma vez que 88% dos que estão em busca de emprego afirmaram que não têm sido chamados para entrevistas, e 53% não acreditam que conseguirão uma oportunidade de emprego nos próximos 3 meses.

Independência financeira
O levantamento reforça ainda a independência financeira de boa parte dos idosos, já que 61% relataram que não recebem nenhum tipo de ajuda financeira. Por outro lado, 35% recebem ajuda de dinheiro ou possui renda complementar.

“A pandemia fez o país alcançar a triste marca de 14 milhões de desempregados. O aumento do desemprego explica a dificuldade dos idosos em conseguir emprego, até pela necessidade de maior isolamento desse público. Mas, uma vez controlada a propagação do vírus, a tendência é que o retorno dessa população ao mercado volte a crescer”, destaca José César da Costa.

A Offer Wise Pesquisas entrevistou, via web, 414 brasileiros com idade igual ou superior a 60 anos, residentes em todas as capitais e pertencentes a todas as classes econômicas e escolaridades. A margem de erro geral é de 4,8 p.p para um intervalo de confiança a 95%. Os dados foram coletados de 10 a 23 de fevereiro de 2021.

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