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56ª CNCL: Inovações devem ser acompanhadas por mudanças culturais

Participantes da 56ª CNCL comemoram o sucesso do evento e as palestras de alto nível
José Salibi apresenta o caso da Best Buy, que fez uma mudança radical no propósito e cultura organizacional

Os autores José Salibi e Sandro Magaldi encerraram a programação de palestras da 56ª Convenção Nacional do Comércio Lojista (CNCL), que ocorre em Campos do Jordão desde ontem (13). Eles ministraram o painel “Propósito e o Novo Código da Cultura”, abordando inovação e mudanças culturais dentro do ambiente corporativo. Trouxeram ainda o caso da Best Buy, que se reergueu após mudança cultural da equipe e dos gestores.

Os dois especialistas publicaram juntos sete livros, como do best-seller “Gestão do Amanhã”, obra que alcançou o primeiro lugar na lista dos mais vendidos da Folha de São Paulo. Na 56ª CNCL, Magaldi e Salibi receberam uma placa da Editora Gente por ter vendido mais de 100 mil cópias da publicação.

Também escreveram o “O Novo Código da Cultura”, que dá nome à palestra realizada de hoje (14). Todos os participantes prensenciais da 56ª CNCL ganharam uma cópia autografada desta publicação. Foram distribuídos cerca de 1500 exemplares.

Para viabilizar a inovação dentro do negócio, Sandro Magaldi ensinou que as empresas devem começar por mudar a cultura organizacional. As empresas precisam se alinhar às mudanças culturais, sociais, econômicas e tecnológicas vividas pela sociedade, para se manter lucrativa e viva. “Estas mudanças aceleradas mudam dramaticamente a forma de fazer negócios”, comentou Magaldi.

“As mudanças sempre estiveram presentes, a diferença é que agora elas são mais rápidas e mais profundas. Além disso, a tecnologia cresceu rapidamente, mas a nossa maneira de pensar a gestão ficou parada no tempo”, acrescentou José Salibi.

Segundo Magaldi, o grande impacto das novas tecnologias no comércio foi justamente a ampliação das fronteiras. Antes, os negócios eram locais, concorriam com empresas da cidade ou estado onde estavam sediadas. Hoje, a internet, abriu as portas dos mercados internacionais, inclusive, permitindo a invasão do mercado nacional por empresas com custos mais baixos e altamente tecnológicas, como as chinesas.

“Este ambiente de alta concorrência gera clientes muito poderosos. É uma era do empoderamento do cliente nunca satisfeito”, destacou Magaldi. “Num sistema onde eu tenha clientes muito poderosos, muitas opções e informação, a saída é inovar e se diferenciar”, sentenciou.

E o risco de a empresa não ter um diferencial claro é que o consumidor acaba só tomando a decisão de compra com base no preço.

“As transformações não dizem respeito à tecnologia, mas sim às mudanças comportamentais das pessoas. Por isso, se o negócio precisa se transformar, deve começar pela cultura, pois ‘o jeitão de ser do negócio’ é o fator que realmente influência a tomada de decisão do consumidor”, acrescentou Sandro Magaldi.

Salibi, à esquerda, e Magaldi juntos já escreveram 7 livros sobre gestão e marketing

Os gestores são os grandes responsáveis pelo fortalecimento da cultura corporativa, inclusive, o seu comportamento influencia o desempenho do empreendimento. O líder deve dar o exemplo para inspirar e educar a equipe, ensinaram os palestrantes. Além disso, o propósito do negócio deve ser claro e todas as ações da empresa deve ser voltada para resolver um problema do cliente.

“O que o cliente compra raramente é o que a empresa pensa estar lhe vendendo. O cliente compra o benefício que aquele produto vai lhe oferecer: autoestima, status, acolhimento, facilidade… Se você for vender a coisa, vai ser trocado pela internet, que sai mais barato”, alerta Magaldi.

Best Buy
José Salibi apresentou o caso da empresa norte-americana Best Buy (BB), que após quase decretar falência em 2012 e com um prejuízo de US$ 1,7 bilhão só no primeiro trimestre, transformou completamente o seu propósito e modelo de negócio, migrando do varejo para o ramo da educação tecnológica.

Após várias tentativas de se reerguer, a empresa só conseguiu realmente se salvar após transformar a cultura corporativa e ter propósitos claros. Além disso, ao perceberem que mais de 50% dos seus clientes se sentiam sobrecarregados com a tecnologia, colocou instrutores nas lojas para orientar os compradores a como usar os equipamentos que adquiriam.

“Ao adotar um modelo que foca no propósito e nas pessoas, o negócio teve que transformar as suas principais práticas de gestão. Isso significa alterar o comportamento dos seus colaboradores e gestores”, explicou Salibi.

Magaldi conceituou a importância da inovação ser precedida e acompanhada da mudança cultural no negócio

Para isso, a BB investiu em workshops para preparar e adequar a equipe ao novo propósito, que passou a ser “enriquecer vidas por meio da tecnologia”.

Outra medida foi criar um programa de assinatura por meio do qual instrutores de tecnologia que vão até a casa do cliente para instalar os equipamentos e orientar os compradores sobre o uso. Ainda, sempre que o consumidor precisar, pode chamar este técnico/vendedor.

“A BB não esqueceu do seu papel social para a comunidade, o seu entorno. Criou o Best Buy Teen Tech Center para oferecer programas gratuitos de qualificação em tecnologia para jovens carentes. E trouxe seus parceiros para apoiar, então, a Amazon, a Microsoft e o Google estão dentro”, relatou José Salibi.

Com as inovações, o valor da companhia saltou de US$ 4,4 bilhões de dólares em 2012 para US$ 29 bilhões em 2021, além de passar a ser considerada uma das melhores empresas para se trabalhar.

“Este turn around é possível em todas as empresas, mas para isso a gente precisa mudar a maneira de pensar em gestão, neste mundo voltado para a tecnologia. Tudo isso só foi possível porque houve uma mudança cultura dentro do negócio”, ressaltou Salibi.

Para finalizar a 56ª CNCL, à noite, acontecerá a festa de encerramento, com show da banda Só Pra Contrariar. O evento está marcado para iniciar às 22h. A presença é exclusiva aos inscritos da Convenção.

Confira fotos da palestra:

*Com colaboração de Luís Adolfo Barbosa.

Fotos: Douglass Fagundes e Fábio Machado

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