Integra CNDL

A diversidade é uma alavanca de negócios, diz Lisiane Lemos

Lisiane Lemos: “Acho que se a gente começar a diversidade através dos indivíduos, vai atingir organizações de todos os tamanhos”
Foto: Divulgação

“Sempre falo que diversidade não é tema para grandes empresas, mas é um tema de pessoas que se preocupam com pessoas”, afirma Lisiane Lemos, uma das principais lideranças jovens do país.

A advogada e especialista em diversidade e tecnologia Lisiane Lemos é uma das palestrantes da 56ª Convenção Nacional do Comércio Lojista (CNCL), que ocorre de 12 a 15 de maio de 2022, em Campos do Jordão (SP).

“(É preciso) entender que a diversidade é uma alavanca de negócio, um diferenciador, e um caminho para fazer com que os nossos clientes se sintam parte, incluídos, presentes e protagonistas desta história”, destaca a advogada, ao comentar sobre a diversidade como um propósito do negócio.

Realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de São Paulo (FCDL-SP), a CNCL reúne, este ano, líderes e empresários do segmento para discutir como os negócios podem cuidar melhor de seus propósitos e usar isso em favor da longevidade e lucratividade da empresa.

A especialista em diversidade e tecnologia participa, na manhã do dia 14/5, de um bate-papo sobre liderança e tecnologia com o publicitário Kenneth Corrêa.

“A gente precisa separar um tempo para aprender novas coisas e ver como que o nosso concorrente e o nosso mercado estão evoluindo e quais as experiências que vai transformar”, ensina Lisiane Lemos, ao ser questionada sobre como as pequenas empresas podem tirar proveito da tecnologia.

Com uma trajetória marcada pelo desafio, Lisiane é membro do conselho consultivo do Fundo de População das Nações Unidas, Kunumi AI e do conselho emérito do Capitalismo Consciente Brasil. É também colunista convidada da MIT Tech Review, Meteora Podcast e Fast Company Brasil.

Foi colíder do Comitê de Igualdade Racial do Grupo Mulheres do Brasil e cofundadora do Conselheira 101, Rede de Profissionais Negros e Blacks at Microsoft Brasil. Trabalhou na Microsoft e hoje é professora do MBA de Big Data da PUCRS.

Em 2017, foi nomeada Forbes Under 30; em 2018, Most Influential People in The African Descent, na área de negócios e empreendedorismo; e em 2020, Linkedin Top Voices.

A equipe da Varejo S.A. conversou com Lisiane Lemos sobre o papel das micro e pequenas empresas na promoção da diversidade e de que forma a problemática impacta os negócios. Também falamos sobre digitalização e o uso da tecnologia para impulsionar a lucratividade.

Confira:

Queria começar falando sobre diversidade no ambiente corporativo. Parece-me que esta é uma pauta que está distante das pequenas empresas, ainda que sejam grandes empregadores de pessoas pardas e negras, por exemplo. De que forma, os pequenos negócios podem se conscientizar a respeito e promover e colocar a diversidade em prática?
Acho que se a gente começar a diversidade através dos indivíduos, vai atingir organizações de todos os tamanhos. É, primeiro, entender que a diversidade é uma alavanca de negócio, um diferenciador, e um caminho para fazer com que os nossos clientes se sintam parte, incluídos, presentes e protagonistas desta história. Isso vai tornar tudo diferente.

Então, é sempre, primeiro, entender qual é o papel que a diversidade tem na nossa jornada individual e, depois, nos nossos negócios, seja mapeando o tamanho dos nossos mercados ou quais são as pessoas pertencentes, seja falando de estatísticas – que até são acessíveis –, como o número de pessoas com deficiência do país, e da questão da representatividade da população negra e das mulheres e como isso se comunica com o nosso negócio.

Sempre falo que diversidade não é tema para grandes empresas, mas é um tema de pessoas que se preocupam com pessoas.

A pandemia fortaleceu a digitalização dos negócios. No entanto, a tecnologia ainda é um desafio para muitos empreendedores, sobretudo os microempreendedores individuais (MEIs) e os pequenos negócios. Como estas empresas podem superar os desafios e tirar proveito das tecnologias?
Eu converso muito sobre tecnologia com microempresa, e o primeiro ponto é sobre o medo do que é novo, do que a gente desconhece. O fato é, primeiro, entender que a maior parte das coisas que a gente faz hoje não sabia a poucos anos atrás, e isso vale para esta digitalização. O segundo ponto é que a tecnologia já está presente nos nossos negócios, a gente que talvez não entenda o quanto é dependente dela no dia a dia.

Então, como que a gente pode superar o desafio? Primeiro, entender que ninguém sabe tudo, inclusive eu que estou em um constante aprendizado. Depois, a gente precisa separar um tempo para aprender novas coisas e ver como que o nosso concorrente e o nosso mercado estão evoluindo e quais as experiências que vai transformar. Terceiro, mapear quais são as tarefas repetitivas que faço e podem ser automatizadas, e buscar no mercado as soluções neste sentido. E quarto, é conversar com esses potenciais fornecedores para entender como eles podem atender a essas necessidades e se é o momento. E se não for o momento, buscar saber como que a empresa pode se planejar. Às vezes, a gente começa a partir de uma planilha, da comunicação através do WhatsApp, de uma presença robusta nas redes sociais e um atendimento ao cliente humanizado. Tudo isso pode ser o primeiro passo para a tecnologia.

E de que forma as empresas podem usar a tecnologia para transformar seus propósitos, inclusive promovendo a diversidade?
A parte boa desta pergunta é que eu não tenho a resposta. Ela é totalmente customizada, depende da empresa, depende da indústria, depende do momento que você está. O primeiro é este mapeamento do momento tecnológico e de qual é o nível de maturidade digital, para que a gente possa pensar em um plano de transformação digital. Depois, o nível de maturidade dos colaboradores para desenvolver.

Promover diversidade é pensar estrategicamente em pontos como etarismo, racismo, homofobia e machismo, que são tão presentes no dia a dia. Mesmo que a gente tenha um aparato legal, são estas microagressões que fazem toda a diferença.

Então, pensando na tecnologia, se eu abrir o site, se eu abrir as redes sociais desta empresa, todo mundo vai se sentir incluído? Se tenho um cliente que é uma pessoa com uma deficiência, ele se sente incluído dentro da minha loja? E na experiência digital?! É ser intencional nesta transformação a partir da liderança, dos colaboradores e das pessoas que prestam serviços.

Você viveu em Moçambique, na África. Que aprendizados você adquiriu lá e podem ser aplicados por aqui para melhorar o propósito dos negócios?
Lá em 2013, já havia tecnologia de pagamento mobile e desenvolvimento de tecnologias com baixa conectividade. No campo do letramento digital, via as “tias da feira” já aceitando um meio de pagamento parecido com o nosso PIX.

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