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Afif Domingos: economia tem que caminhar, descolada da crise política

O presidente do Sebrae acha que o país deve se sustentar nas bases para retomar o crescimento

Flávia Ribas

Afif Domingos, presidente do Sebrae

Afif Domingos, presidente do Sebrae

Um dos principais parceiros do Sistema CNDL no Brasil é o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Além do Programa Nacional de Desenvolvimento do Varejo (PNDV), diversas Câmaras de Dirigentes Lojistas (CDLs) e escritórios do Sebrae no interior fazem parcerias municipais e regionais para disseminar conhecimento e formação e fortalecer os pequenos empreendedores do comércio. A revista Varejo s.a. realizou uma entrevista exclusiva com o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, sobre o atual cenário econômico e político do Brasil.

Qual é a relevância das Micro e Pequenas Empresas (MPEs) para a retomada do crescimento?

Em qualquer circunstância econômica, seja na crise, seja em tempo de crescimento, as MPEs têm um peso fundamental para a economia, uma vez que representam 98% das empresas no Brasil e respondem por 57% dos empregos. O varejo, que está incluído no setor de comércio e serviços, tem a maior concentração de MPEs do país. Obviamente, existem grandes empresas no varejo, com faturamento colossal, mas o pequeno empreendimento é a grande maioria e o papel não pode ser negligenciado.

Como fazer com que esses pequenos empreendedores cresçam e participem ativamente da guinada econômica que o Brasil busca?

É preciso olhar com atenção para esse empreendedor na crise, que é um ambiente que exige cada vez mais transparência do empresário para alcançar o crescimento. O Simples, que virou lei em 2016, é uma das maneiras que encontramos para dar esse suporte. No ano que vem, entra em vigência o programa Crescer sem Medo. O objetivo é livrar o pequeno empreendedor do manicômio tributário em que vive o pequeno empresário no Brasil. Esse é um dos principais entraves para o crescimento e o sucesso das pequenas empresas.

Quais principais mudanças o novo Simples vai provocar no ambiente de negócios dos pequenos empreendedores?

O programa Crescer sem Medo surgiu com o objetivo de garantir ao pequeno empreendedor que ele cresça e mantenha-se íntegro. Começamos a perceber que, para conseguir sobreviver, muitas vezes, o pequeno empresário acabava abrindo mão de cumprir etapas importantes e regras. Vimos que o Brasil precisava de um grande Simples, que protegesse, sobretudo, os pequenos. Quanto mais simplificadas forem as regulamentações, maior será a chance de o empresário não ter medo de mostrar sua realidade. Não é que o pequeno empresário seja fora da lei, a lei é que é fora dele. Nosso esforço foi trazer a lei para a realidade do micro e pequeno empresário e simplificar os processos tributários, para evitar a informalidade.

Como o senhor enxerga a relação entre o trabalho do Sebrae e o sistema varejista?

O Sistema CNDL é uma das maiores parcerias que o Sebrae tem hoje e se caracteriza pela capilaridade das entidades e CDLs. É fundamental um sistema como esse, que é mais base do que cúpula. O importante acordo que fechamos nessa gestão para o próximo ano tem tudo a ver com o trabalho das CDLs e ajuda a capilarizar as ações do Sebrae. Nossa atuação tem como levar a modernização para o pequeno empreendedor do varejo, como também o crédito orientado, que é sua grande dificuldade.

O que o Sebrae tem feito no sentido de promover o crédito?

Nós desenvolvemos, neste ano, o programa Senhor Orientador. Foram contratados 520 consultores experientes, pessoas com mais de 60 anos de idade, com larga experiência em bancos. Eles vão trazer sua vivência e orientar as MPEs a ter acesso ao capital de giro a um custo mais decente. O programa já está no ar e temos grande expectativa com os resultados dessa iniciativa.

As CDLs e as federações têm visto um grande sucesso do PNDV nos estados onde os eventos estão sendo realizados?

Sim. Esse convênio com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) ajuda-nos a divulgar aos associados os benefícios que o Sebrae pode proporcionar às MPEs; assim, podemos alcançar mais empreendedores. Trabalhar a partir da visão local ajuda os lojistas e empreendedores a planejar ações dentro de seus próprios municípios e dá grande força ao movimento nacional de reorganização da economia.

“O Brasil tem que ser construído de baixo para cima. De cima para baixo, não deu certo”, Guilherme Afif Domingos, sobre a importância de fortalecer ações e iniciativas do empreendedorismo varejista nas bases do Sistema CNDL.

 

Como o senhor enxerga os desafios que o Brasil enfrenta na esfera política? Será possível recuperar a economia ainda neste ano, com tantos altos e baixos e incertezas?

Começamos a perceber sinais positivos na economia, que parou de piorar. Daqui para frente, a tendência é melhorar. Mas, para o pequeno empresário, imaginamos que as melhoras efetivas venham a partir do ano que vem, quando passará a vigorar o novo Simples. Até 2018, a crise política não vai parar. O que estamos vendo é que a sociedade e a economia estão querendo se descolar dessa crise e continuar a trabalhar para se reerguer e reerguer o país. Existe um consenso em relação ao avanço das reformas que o Brasil precisa fazer. A trabalhista é fundamental para os micro e pequenos empresários. A da previdência ainda vai passar por ajustes. É preciso uma mudança mínima para quebrar as baixas de juros. Na economia, o fundamental é que o crédito volte para o mercado. O crédito melhora as condições da base para o consumo e para que os empresários voltem a investir.

Na sua visão, qual pode ser a contribuição do sistema varejista para a retomada econômica?

É fundamental trabalhar com as forças locais, de maneira muito bem organizada. Se o movimento não estiver muito bem organizado nas bases, ele não garante o sustento das ações planejadas. É um sistema fundamental, pois não se trata de política partidária, mas a atuação política das entidades do sistema deve ser cada vez mais firme para ajudar as mudanças no país. O Brasil tem de ser reconstruído de baixo para cima, pois, de cima para baixo, está provado que não deu certo.

 

O Crescer sem Medo, que passa a vigorar em 2018, altera o limite de R$ 3,6 milhões de faturamento anual para que uma MPE saia do Simples e entre o lucro presumido. A medida cria uma faixa de transição de até R$ 4,8 milhões para as empresas que ultrapassam o teto atual.

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