Integra CNDL

As Convenções da CNDL – palco de transformação e aprendizado

Ao longo de 60 anos, os encontros dos dirigentes lojistas aperfeiçoaram o varejo brasileiro, criaram tradições e mantiveram a união do Sistema CNDL

No próximo dia 12 de maio, a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas dará início à sua 56ª Convenção. A entidade espera reunir mais de 1500 lideranças do Sistema CNDL em Campos do Jordão (SP) para debater os rumos do setor de comércio e serviços no Brasil. Na pauta, questões como as mudanças culturais que estão impactando o setor e, em especial, a relação das empresas com seus propósitos.

O encontro é aguardado com grande expectativa, uma vez que o evento está sendo encarado como a retomada das Convenções da CNDL. A última edição foi realizada há seis anos, na Praia do Forte (BA). Foi em 2016, em um período em que a CNDL alternava a realização das convenções com as do Fórum Nacional do Comércio.

Em 2018, por uma série de imprevistos, no lugar da Convenção foi realizada o evento Construção de Líderes, na Chapada dos Guimarães (MT). Em 2020, quando aconteceria a 56ª edição, veio a pandemia que adiou mais uma vez a realização do encontro.

Flâmula da primeira Convenção do Comércio Lojistas realizada do Rio de Janeiro, em 1959. Primeiro passo para a criação de uma entidade representativa do varejo

O lapso temporal foi enorme para uma das mais tradicionais arenas de debates corprorativos do país. Com periodicidade quase anual, o evento teve sua semente plantada em 1959, no Rio de Janeiro, na 1ª Convenção do Comércio Lojista, organizado pelo Clube de Diretores Lojistas carioca, um ano antes da formalização do Clube de Lojistas do Brasil (CLB) – a primeira entidade nacional dos lojistas varejo que, mais tarde, se tornaria a CNDL.

O CLB seria criado em 21 de outubro de 1960, durante a 2° Convenção Nacional do Comércio Lojista. Ou seja, as Convenções Nacionais da CNDL são um caso raro de um evento que nasce antes mesmo da entidade que representa. Ou melhor: as Convenções e a CNDL são indissociáveis desde a sua origem.

Espaço de aprendizagem
Foi a partir das reuniões anuais que se deu todo o desenvolvimento institucional do Sistema CNDL. Mais do que isso, as convenções funcionaram como uma grande sala de aula para o comércio varejista nos anos 60, na medida que serviam como troca de experiências e capacitação profissional para os varejistas dos estados mais longínquos.

No livro comemorativo dos 55 anos da CDL Fortaleza é dito que as convenções nacionais possibilitaram aos lojistas da região ter a visão ampla de outros horizontes. “Os diretores que se dispuseram a enfrentar as longas viagens para o Sul do país retornavam empolgados com o que viam e ouviam”, diz Aprígio Coelho, pioneiro do movimento lojista cearense.

Cartaz na 9ª Convenção Nacional do Comércio Lojista, realizado em Goiânia, em 1969

Assim, lojistas de todo o Brasil aprendiam em poucos dias o que levariam anos para assimilar na experiência cotidiana. De técnicas de renovação de estoque à diferenciação de preços, passando pela contabilidade e outras práticas gestão, tudo era ensinado aos diretores lojistas. Logo, as Convenção foram se tornando cada vez mais aguardadas.

Inicialmente restrita às três grandes capitais do Sudeste, especificamente, Rio, São Paulo e Belo Horizonte, foi somente em 1966 que o evento passou a visitar outras capitais. Primeiro em Porto Alegre, seguida por Recife, Goiânia, Petrópolis e Fortaleza, sempre valorizando um tema específico do dia a dia do lojista, contrariando uma lógica de eventos coorporativos que comumente transformavam as reuniões em palco para politicagem.

Isso fica claro quando visitamos os temas das primeiras Convenções: Controle de Estoque, Aspectos Financeiros, Promoção de vendas e técnicas do varejo, O problema do furto em lojas. “Nossas Convenções eram muito menos um espaço de levantamento de teses e reivindicações que palestras sobre como vender melhor”, explicou Jorge Franke Geyer, presidente do CLB nas gestões de 1970/74, em uma antiga edição da revista Diretores Lojistas.

Pelé, em 1974, na posse do dirigente lojista Ricardo Leal de Miranda, durante a 14ª Convenção da CNDL, realizada em São Paulo

Berçário de símbolos e tradições
As Convenções também foram palco para o nascimento de algumas tradições e gestos simbólicos que trariam identidade para o CLB. Durante a 5ª Convenção Nacional do Comércio Lojista, por exemplo, realizada em 1964 em Salvador, a diretoria da entidade passou a adotar a Nau Fenícia como símbolo do movimento lojista. A marca representava os barcos utilizados pelos fenícios, povo da antiguidade, famosos pela cultura comercial e empreendedora.

Nos anos 90, momento de grande expansão do movimento lojista, as convenções adquiriram uma dimensão jamais vista, com grandes espaços, efeitos de luz e o surgimento de símbolos importantes de unidade e representação, como foi na 37ª edição, em 1993, quando foi apresentado o Hino da Nação Lojista, de autoria de Sérgio Gabrielli, presidente da CNDL naquele período.

Também foi nos anos 90 que começou a tradição dos desfiles das bandeiras dos estados brasileiros na solenidade de abertura das Convenções, também uma iniciativa de Gabrielli, que procurava dar um sentido grandioso aos encontros dos lojistas e, com isso, chamar atenção para a importância do setor para o país.

Navio Princesa Isabel, ancorado no Porto de Recife. A embarcação fretada pelos dirigentes lojistas foi a sensação da 8ª Convenção em 1967

Curiosidades e personalidades
As convenções também registraram acontecimentos pitorescos, como na 8ª edição do evento, em 1967, em Recife, quando o espírito de confraternização e camaradagem se sobressaiu, e empresários de vários estados fretaram um navio, o transatlântico “Princesa Isabel”, para chegarem à capital pernambucana em grande estilo. A embarcação e os seus passageiros foram notícia ao longo dos dois dias do evento, e a imagem do navio ancorado no porto de Recife se tornaria um marco do CLB.

Nos anos 70 e 80 as Convenções eram prestigiadas por autoridade e personalidades que eram homenageadas ou simplesmente porque viam no movimento lojista um espaço importante de diálogo e apoio político. Assim, era comum esbarrar em figuras como Pelé, na Convenção de 1974, no Rio de Janeiro, Tancredo Neves, na Convenção de Brasília, em 1994, ou Fernando Henrique Cardoso, ainda como ministro da economia de Itamar Franco, em 1993, em Natal.

Agora, em 2022, as estrelas da Convenção serão as próprias lideranças varejistas, ávidas por viver novamente suas tradições, rever amigos, cantar seu hino e seguir lutando por um varejo mais forte e próspero.

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