16 jun, 2024
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Caio Megale crava decisão do Copom durante evento do SPC Brasil

Economista-chefe da XP Investimentos acredita que Selic deve começar a cair no segundo semestre de 2023. SPC Brasil reuniu, ontem (3/5), clientes estratégicos com grandes nomes do mercado financeiro e do varejo.

Economista-chefe da XP Investimento traça cenário econômico nacional e internacional (Foto: divulgação/SPC Brasil)

Economista-chefe da XP Investimentos acredita que Selic deve começar a cair no segundo semestre de 2023; SPC Brasil reuniu, ontem (3/5), clientes estratégicos com grandes nomes do mercado financeiro e do varejo

Novo arcabouço fiscal x Selic: “Neste equilíbrio de mais despesas e arrecadação em dúvida, a nossa expectativa hoje é de que os juros caiam para 11% e a inflação fique rodando em torno de 5%”, disse Caio Megale
Foto: reprodução/LinkedIn

Na manhã de ontem (3/5), durante evento realizado pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos, acertou qual seria a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária): manutenção da taxa Selic – juros básicos da economia – em 13,75% ao ano. O Copom se reuniu nesta quarta-feira e só divulgou no fim do dia a sua decisão.

“A inflação vai entrar nos eixos gradativamente no mundo todo, e no Brasil, isso vai abrir espaço para o Banco Central começar a cortar os juros, gradativamente, a partir do segundo semestre. Ainda mantém os juros em 13,75% hoje e em junho, mas aí começa a sinalizar um corte e aí vai recuando. Acho que faz -0,25 em agosto e depois segue assim”, cravou Caio Megale.

O SPC Brasil realizou, em São Paulo, o Encontro de Clientes Estratégicos. O evento reuniu empresários e diretores de crédito e de cobrança de empresas nacionais de grande e médio porte para debater temas como inovações no varejo, tendências do mercado de crédito, inteligência de dados, open finance e o cenário econômico do país.

Para o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, o encontro foi uma oportunidade para a troca de experiências entre grandes clientes do SPC Brasil e especialistas que são referência no mercado. “Somos um setor em constante transformação e o desenvolvimento das empresas que atuam conosco é fundamental para o crescimento sustentável do país”, afirmou.

Cenário econômico
Megale disse que as economias ainda vivem reflexos colaterais da pandemia da Covid-19, mas estão em recuperação, mostrando força e resiliência. Apesar de estar em desaceleração, em razão das altas taxas de juros e da inflação no mundo, o Brasil tem sido beneficiado pelo aumento da demanda por comodities, movimentando não só o setor agropecuário, como também gerando fluxo para o segmento de Serviços. Diretamente, a agricultura e a pecuária respondem por 4% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional, mas ao todo impacta 1/3 do PIB, sustentando o ritmo mais forte da economia brasileira.

“A recuperação da economia foi rápida no mundo todo, mas aqui houve crescimento em 2021 e 2022. No ano passado, o PIB cresceu 3%, contrariando as previsões do início do ano, que era de 1,5%, e mostrando força”, afirmou o economista-chefe da XP Investimentos. “É claro que isso também foi puxado pelas comodities – o mundo favorável ao Brasil –, mas em parte também o país fez reformas importantes nos últimos anos no mercado de trabalho. Ainda tem a taxa de desemprego que caiu de 14% para algo em torno de 8%. É a economia voltando a funcionar e dando sinais de resiliência”, acrescentou.

No mercado de crédito brasileiro, há uma pequena desaceleração, um movimento natural, dada a alta de juros e outros fatores, como o problema das Lojas Americanas. Quando separados os créditos destinados à pessoa física (PF) e pessoa jurídica (PJ), o primeiro ainda está relativamente positivo; e o para PJ está começando a cair mais fortemente.

“Na nossa avaliação, o grosso disso é juros alto. E se é uma resposta aos juros altos, então, está ótimo, porque estamos induzindo a desaceleração necessária. Isso significa que mais adiante vem o corte de juros para reequilibrar. Parece-me que é o ciclo normal do crédito, alinhado com o que está acontecendo no resto do mundo”, afirmou o Caio Megale.

Com relação ao novo arcabouço fiscal e a tentativa do governo de corrigir o crescimento dos gastos públicos, o economista avalia a iniciativa como positiva, mas tem dúvidas se realmente a arrecadação irá subir o necessário, fator essencial para dar sustentabilidade ao projeto. “Se de fato as despesas crescerem de forma controlada e a arrecadação subir, a dívida pelo menos equilibraria. Mas tenho dúvidas se a arrecadação vai subir tanto, e o nosso resultante ainda seria um endividamento em ascensão. Esta é a grande incerteza”, disse.

“Se não conseguirmos equilibrar essa dinâmica da dívida (pública), mesmo que o Banco Central faça o seu trabalho de manter os juros onde tem que manter, a inflação não vai cair de forma sustentável, e poderemos voltar a ter aquele ambiente no qual o equilíbrio é garantido por juros e inflação um pouco mais altos”, destacou Megale.

“Neste equilíbrio de mais despesas e arrecadação em dúvida, a nossa expectativa hoje é de que os juros caiam para 11% (Selic) e a inflação fique rodando em torno de 5%, ou seja, uma taxa de juros real de 6% no primeiro semestre de 2024. E aí, depois, o Banco Central vai tatear se consegue cortar um pouco mais, o que ocorrerá se o governo tiver sucesso na aprovação de um arcabouço fiscal que controle as despesas e consiga a arrecadação tributária para fechar a conta”, conclui.

O aumento da inadimplência também deve fazer com que, este ano, o crescimento do PIB seja mais baixo, perto de 1,5%. Para Megale, este também será o resultado do PIB em 2024, apesar de todo o cenário internacional favorável ao país.