Economia e Finanças

Começa nova fase do open banking no país

A segunda fase do open banking no Brasil começará a ser implementada na próxima quarta-feira (15). Com ela, os clientes poderão solicitar, nas instituições participantes do sistema, o compartilhamento de se as dados cadastrais e informações sobre transações em contas, cartão de crédito e produtos de crédito contratados.

Regulado pelo Banco Central, o open banking é o compartilhamento de informações bancárias entre as instituições financeiras. O objetivo é aumentar a concorrência, oferecendo ao correntista a possibilidade de barganhar melhores taxas, prazos e serviços financeiros.

O compartilhamento de dados só poderá ser feito com a autorização expressa do cliente e sempre para finalidades determinadas e por um prazo específico. O cliente também poderá cancelar essa autorização a qualquer momento.

Segundo o Banco Central, o principal benefício nessa nova fase será a oferta de produtos e serviços mais adequados ao perfil de cada cliente, a custos mais acessíveis e de forma mais ágil e segura.

“Também poderão surgir soluções mais personalizadas de gestão e de aconselhamento sobre finanças pessoais. Além disso, o ecossistema financeiro como um todo também ganha com mais inovação, maior competitividade e com a racionalização de processos”, afirmou a autarquia em nota.

Para Thiago Alvarez, presidente do Guiabolso e membro do conselho deliberativo do open banking no BC, no entanto, ainda deve demorar um pouco para os consumidores sentirem os efeitos e benefícios trazidos pela nova etapa.

“A segunda fase começará a ser implementada de maneira gradativa. Isso serve para sentir o sistema, ver se existe algo que precisará de atenção ou reparo, para, só então, ganhar escala. Estamos testando esse grande encanamento que é o open banking, e a previsão é ter um fluxo mais aberto apenas em setembro”, disse.

O BC estabeleceu um escalonamento para implementar o sistema. Esta segunda fase terá quatro ciclos, cada um com duração de duas semanas.

O primeiro, de 15 de julho a 1° de agosto, terá um limite de consentimento para apenas 0,1% da base de clientes das instituições financeiras e funcionará apenas em dias úteis, das 8h às i8h.

Nele haverá a disponibilização de APIs e recursos necessários para a criação, consulta e revogação de consentimento, bem como para o compartilhamento de dados cadastrais de clientes e representantes.

APIs são conjuntos de protocolos que permitem a um sistema se conectar com outro para consumir dados de maneira padronizada. Será por meio deles que funcionará o compartilhamento de dados do open banking.

O segundo ciclo, de 2 a 15 de agosto, terá o limite de consentimento ampliado para 0,5% da base de clientes dos bancos, mas ainda funcionará apenas em dias úteis, das 8h às i8h. Nele, além dos APIs anteriores, poderá ser feito o compartilhamento de informações de transações relacionadas às contas de depósito à vista, de poupança e pré-pagas.

O terceiro ciclo, de 16 a 29 de agosto, terá o consentimento ampliado para 1% da base e funcionará 24 horas por dia nas quintas e sextas-feiras e das 8n às i8h nos demais dias da semana, inclusive sábados e domingos. Nele serão acrescentados APIs para o compartilhamento de dados referentes a cartão de crédito e operações de crédito.

O quarto e último ciclo, cuja previsão é disponibilizar todas as APIs previstas na segunda fase, acontecerá de 30 de agosto a 12 de setembro, terá o consentimento ampliado para 10% da base e funcionará 24 h por dia, sete dias por semana.

Segundo o professor de economia e finanças da Unicid (Universidade Cidade de São Paulo) Walter Franco, apesar dos efeitos positivos esperados com a implementação do openbanking, a maior competitividade também dependerá dos bancos.

“Assim como o cliente pode optar por compartilhar ou não seus dados, os bancos com os quais ele busca relacionamento também podem decidir por acompanhar ou não as taxas menores. O spread [diferença entre a taxa de juros pela qual o banco capta dinheiro e a taxa de juros cobrada nos empréstimos] deve cair, mas ainda existe toda uma análise de risco e de crédito que fica a critério da instituição financeira”, disse.

Para os especialistas entrevistados pela Folha, o sistema é seguro, mas o consumidor precisa ficar atento às plataformas que acessa -se são, de fato, do banco com o qual tem relacionamento- e tomar cuidado com ataques e fraudes feitos por meio de engenharia social, que é quando criminosos manipulam a vítima para que passe informações confidenciais.

O BC disse que o open banking é um ecossistema que estará em constante evolução e que os benefícios devem ficar visíveis com o tempo, a partir de soluções de mercado e dos novos modelos de negócios que serão desenvolvidos.

“O ecossistema está sendo desenvolvido para permitir o surgimento de, por exemplo, comparadores de tarifas e serviços financeiros e aplicativos de aconselhamento e planejamento financeiro. Esperamos que diversos outros se desenvolvam nos próximos anos, a partir do maior amadurecimento dos processos das instituições e das novas demandas de serviços financeiros.”

Fonte: Folha de S. Paulo

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