15 abr, 2024
0 ° C

Comércio, Indústria e o desenvolvimento do Sudeste

Audiência pública discute o papel dos setores para a recuperação econômica da região. Presidente da CNDL aponta políticas públicas regionais como saída para a estagnação.

Audiência pública discute o papel dos setores para a recuperação econômica da região; presidente da CNDL aponta políticas públicas regionais como saída para a estagnação

A região Sudeste do Brasil é reconhecida como uma das mais desenvolvidas do país. Composta pelos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, a região desempenha um papel crucial na economia brasileira, principalmente na Indústria, no Comércio e Serviços. No entanto, nos últimos anos, os quatro estados vêm assistindo à diminuição gradativa da atividade econômica.

Até 2008, o Sudeste respondia por 62% do PIB (Produto Interno Bruto) industrial brasileiro. Desde então, a participação vem caindo, chegando a 52% em 2022. A queda na atividade industrial acaba afetando outros setores, como o de Comércio e Serviços, o que causa uma reação em cadeia que desidrata a pujança econômica da região.

O assunto já começa a preocupar analistas e foi tema, nesta terça-feira (26), de audiência pública na Comissão de Indústria, Comércio e Serviços da Câmara dos Deputados, que mobilizou técnicos, entidades, políticos e agentes de governo para investigar causas e soluções para o problema.

Uma das questões mais importante no debate foi a importância do Comércio e Serviços como alavanca para o desenvolvimento. A Diretora do Departamento de Comércio e Serviços do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Adriana de Azevedo, falou como que o setor influencia na recuperação do estado e da Indústria.

“Não é só a Indústria fraca que afeta o Comércio. Um Comércio e Serviços forte também reverbera positivamente na Indústria. Ela é a porta de entrada dos empregos no Brasil e é fundamental para a qualidade e formação de mão de obra para setores mais sofisticados”, disse.

Falta de qualificação
Nesse ponto, Adriana de Azevedo afirmou que o comércio não vem correspondendo às necessidades de outros setores da economia e mostrou falhas na qualificação da mão de obra, principalmente no que diz respeito à digitalização do varejo.

Ela mostrou um estudo do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) que coloca o Brasil em desnível significativo em relação a outros países no quesito de domínio de ferramentas digitais.

“O crescimento do e-commerce no Brasil só não é maior porque o trabalhador não possui habilidades básicas para operar em ambiente digital”, diz.

Segundo a diretora, é importante que o Brasil se una em torno de políticas públicas que ajudem a criar maturidade digital das pequenas empresas e falou de programas como Brasil Mais Produtivo, do MDIC, que apoia as empresas a adotarem ferramentas tecnológicas mais eficientes.

“Precisamos nos debruçar e refletir sobre o apoio massivo à capacitação da nossa mão de obra”, disse a especialista.

Políticas públicas
Se Adriana mostrou falhas na formação da mão de obra, o presidente da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas), José César da Costa, contribuiu com debate apresentando uma pesquisa, realizada pela entidade, que mostra a atuação institucional do Sistema CNDL na promoção do desenvolvimento econômico e social.

O levantamento apresenta recomendações para as agendas de políticas públicas locais e regionais para o desenvolvimento do Varejo e das comunidades em geral. “Concluímos que algumas ações são decisivas para o estímulo do Comércio e dos Serviços. Ações que impactam nos negócios e na vida das pessoas, como investimento em segurança pública, educação empresarial, mobilidade urbana e infraestrutura”, disse o dirigente.

Para Costa, o estímulo ao desenvolvimento regional deve partir de todos, mas o Estado tem papel importante na proteção da Indústria e das pequenas empresas do varejo, que estão sendo atingidas fortemente, por exemplo, pelas plataformas de e-commerce estrangeiras.

O presidente da CNDL se referiu às isenções de produtos importados de até 50 dólares. “Hoje existe uma concorrência desleal que está sendo provocada pela isenção do imposto de importação. Isso fere nossa Indústria, o Comércio e o desenvolvimento econômico local e regional”.

Outro ponto destacado pelo dirigente lojista foi a importância das políticas de crédito como motor de desenvolvimento econômico. Para ele, é preciso estimular o fomento local por meio do acesso ao crédito subsidiado às pequenas empresas e aproveitou para reclamar da resistência do setor financeiro ao parcelado do cartão de crédito praticado no varejo.

“Medidas como a manutenção do parcelado sem juros no cartão de crédito é vital para o comércio”, disse. “Uma pesquisa da CNDL e SPC Brasil do mês de agosto apontou que o uso dos parcelamentos via cartão de crédito apresentou forte crescimento desde 2021, com avanço de 154% em termos nominais desde o início daquele ano”, demonstrou, criticando a ação das instituições financeiras contra o parcelado.

Grupo de trabalho
O deputado Luis Carlos Gomes (Republicanos/RJ), responsável pelo requerimento da audiência pública, disse que o objetivo da reunião é organizar um grupo de trabalho para debater com governos, entidades e setor produtivo soluções que levem o Sudeste a recuperar seu potencial econômico.

Luis Carlos disse que o presidente da Comissão de Indústria, Comércio e Serviços, deputado Heitor Schuch (PSB/RS), já concordou com a formação do GT

“Vamos fazer um trabalho forte porque temos que trazer soluções para a região mais populosa do Brasil. Vamos mobilizar os parlamentares de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo não só porque o desenvolvimento do Brasil passa pelo crescimento da região Sudeste”, disse.

Revisão: Fernanda Peregrino