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Como as mulheres colaboram com os ambientes disruptivos

Marilyn Hahn: “Mudar a educação e a criação não é o suficiente, mas é o ponto de partida para conseguir uma mudança estrutural”

No Brasil, menos de 10% das startups de inovação foram fundadas por mulheres empreendedoras. Desse universo, somente 4,7% foram fundadas exclusivamente por mulheres. Já o número de startups fundadas por homens é quase 20 vezes superior ao daquelas criadas por mulheres. Os dados são do Female Founders Report, relatório realizado pelo Distrito for Startups em parceria com a Endeavor e a B2Mamy.

Divulgado no ano passado, o estudo também mostra que 65% das startups lideradas por mulheres surgiram nos últimos cinco anos e mais de 50% delas ainda estão na fase de validação do produto. Ainda segundo o levantamento, as mulheres têm presença maior nas fashiontechs. Nesse ramo, mais de 60% das empresas são fundadas por mulheres.

A empreendedora em série Etienne Du Jardin afirma que para mudar o cenário, aumentando a participação feminina no setor tecnológico, é preciso investir em educação e adotar novos parâmetros criar meninos e meninas.

“O processo de criação é muito importante. Eu tive muita sorte: minha mãe me criou para nunca me curvar diante da sociedade patriarcal e sempre acreditar em mim e fazer o que eu queria. Já vi muitas mulheres falando comigo sobre a síndrome da impostora, mas nunca senti isso pela criação que tive”, relata Etienne Du Jardin, que também é consultora, professora e fundadora da startup Mimo Live Sales.

Marilyn Hahn, cofundadora e chefe de operações da Bankly, plataforma de banking as a servisse, também destaca o papel da família na formação de mulheres corajosas e disruptivas.

“A minha família também sempre foi de mulheres fortes, o que respinga nos homens da família. Meu pai nunca me falou que não podia fazer, pelo contrário, sempre me apoiou”, conta Marilyn Hahn, que é formada em Economia pela UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina, pós-graduada em Comércio Exterior pela FGV – Fundação Getúlio Vargas e em dinâmica de negócios pelo MIT – Massachusetts Institute of Technology, nos Estados Unidos. “Mudar a educação e a criação não é o suficiente, mas é o ponto de partida para conseguir uma mudança estrutural”, complementa.

Etienne Du Jardin: “99,4% do dinheiro que rodou no Brasil em venture capital foram destinados a empresas comandadas por homens. A gente tem que se virar sem isso”

As empreendedoras participaram de episódio #48 do Varejo S.A. Podcast, que foi ao ar hoje (24/8). Durante a conversa, falaram sobre os desafios das mulheres no mundo da tecnologia e a importância das empresas se adequarem para criar um ambiente seguro para que elas usarem todo o seu potencial.

“Ultimamente temos visto empresas colocando vagas para mulheres, mas não adianta a vaga se o ambiente é machista, se a mulher não tem liberdade para mostrar o seu potencial. Precisamos prover o melhor para elas, prover um ambiente de igualdade, que é interessante para todos”, lembra a cofundadora da Bankly.

Outro desafio que as mulheres empreendedoras enfrentam é o acesso ao crédito.

“Um dado é que 99,4% do dinheiro que rodou no Brasil em venture capital foram destinados a empresas comandadas por homens e só 0,6% por mulheres. A gente tem que se virar sem isso”, aponta Etienne Du Jardin.

Antes de finalizar a conversa, as duas empreendedoras deixaram dicas para as mulheres que desejam começar a sua própria startup.

“Comece pensando em mudar a sociedade e ao seu entorno, da maneira que for possível. Se alinhe ao ESG – Governança Ambiental, Social e Corporativa e trabalhe com diversidade e inclusão para construir uma sociedade boa para todas e todos.”, ensina Etienne Du Jardin.

“Pense em um passo de cada vez. Os resultados e o crescimento são consequência do bom trabalho. Perceber que está impactando o ecossistema é muito gostoso como empreendedor”, finaliza Marilyn Hahn.

Para ouvir a conversa completa, escute o episódio #48 do Varejo S.A. Podcast:

Colaborou Luís Adolfo Barbosa.
Edição: Fernanda Peregrino

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