Tendências e Inovação

Como o metaverso e novas mudanças de hábitos vão criar um novo varejo?

Por Flávio Rocha*

O mundo e as formas de consumo mudaram consideravelmente nas últimas décadas. O advento da tecnologia tem feito com que o entendimento sobre o funcionamento das redes varejistas mude. Antes, a principal fórmula para ter sucesso nesse ramo se baseava em: buscar boa localização física para ser visto, ter sucesso de negociação com fornecedores e boa capacidade de negociação com os clientes que chegassem. Porém, parte deste entendimento começa a mudar no momento que os hábitos dos consumidores também mudam e quando o espaço de vendas e negociações não se limita somente ao espaço físico e ao olho no olho.

Há um grande desafio de acompanhar as mudanças propostas pelo comportamento dos clientes e pelos hábitos pessoais,
que vêm se transformando dia a dia, da atual e das novas gerações – ao mesmo tempo que é fascinante. Algo que me norteia há 14 anos, quando coloquei em prática o IDV — Instituto para Desenvolvimento do Varejo, com o propósito participar intensamente das mudanças estruturais do Brasil, promovendo o desenvolvimento sustentável do varejo e contribuindo para a melhoria da vida das pessoas.

De 2004 até hoje, muita coisa mudou, e atualmente o metaverso está aí e vem para explorar ainda mais o mundo virtual e o universo digital, que tem ficado cada vez mais entranhado na sociedade. Uma das propostas é explorar novas dinâmicas corporativas e de negócios. Além de possibilitar a criação de cenários que reproduzam, fielmente, no espaço digital, diferentes elementos do mundo concreto/real. Parece até loucura pensar em simulações virtuais que consigam reproduzir, fidedignamente, situações reais de compra, produção, vivências ou o que mais sua imaginação permitir. Parece, mas não é. Isso já é uma realidade.

A possibilidade de usar o metaverso nos processos varejistas, corporativos, industriais e de negócios também vem com a possibilidade de ter benefícios como a economia de tempo, dinheiro e recursos. Além de transformar experiências em sensações únicas.

As novas gerações, em especial os jovens nascidos no pós-internet, entre 1995 e 2009 – a famosa geração Z; e a geração Alpha (os nascidos após 2010), vão (na verdade já estão) conduzir o setor a novas formas de consumo. Eles desejam que suas experiências nas vendas sejam cada vez mais assertivas e simples. Uma geração express, que vai além do fast food, e que não gosta de perder tempo.

Por conta disso, atualmente, o varejo está focado na integração e absorção de novas tecnologias sem jogar por terra o modelo de negócios convencionado no último século: o de chamar o consumidor. De fato, ele continua vindo, mas a forma mudou e o ambiente físico de uma loja pode ser a tela de um smartphone ou de um notebook e, até um óculos de realidade virtual que poderá simular a festa para a qual está comprando aquela roupa, por exemplo. E tudo isso vai além do que, convencionalmente, chamamos de e-commerce.

O advento de novas tecnologias, como a internet 5G e o metaverso vão dar espaço a esse novo varejo: autônomo, eficiente e dedicado a atender toda a experiência dos consumidores de uma nova geração. Uma mudança que já está em andamento. Neste exato momento, grandes empresas de venda on-line têm investido pesado, por exemplo, em robustas cadeias de logística. Tudo para dar mais eficiência às suas entregas, com cargueiros próprios, aviões e novos centros logísticos, para que assim o consumidor consiga receber, quase que em tempo real, o produto que adquiriu de forma virtual.

E as mudanças têm atingido também os espaços físicos, onde muitos devem contar com lojas autônomas, sem vendedor, onde o consumidor consegue comprar seus produtos apenas com poucos cliques no totem do local ou pelo telefone celular.

Que o espaço virtual veio para ficar, isso é um fato. A pergunta então, agora, deve ser: como as empresas vão se preparar para o boom desse novo mundo que deve movimentar US$ 800 bilhões? E a capacitação dos profissionais do varejo? Como será?

Outra incógnita a se desvendar é se os consumidores virtuais serão uma expansão do e-commerce ou uma nova economia baseada apenas em produtos digitais e que hoje já movimenta US$ 18 bilhões em NFT – sigla em inglês para non-fungible token (token não fungível, em uma tradução literal). O desafio é grande, mas se analisarmos que desde a prática do escambo, lá por volta do século XV, muitas mudanças aconteceram e conseguimos nos adaptar e melhorar nossas relações comerciais. Então, os horizontes para essa nova realidade são favoráveis e podemos manter a confiança. Afinal, o “novo” varejo, seguirá centralizado no cliente, com um modelo pensado para atender a demanda do mercado de forma mais rápida e assertiva, possibilitando a redução de custos, oferecendo novas oportunidades e experiências únicas.

*Flávio Rocha é empresário e presidente do conselho do grupo Guararapes.

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