Tendências e Inovação

Como se adequar às novas necessidades dos consumidores

As pessoas estão mais indulgentes consigo mesmas para compensar as dificuldades impostas pela pandemia; pensar em produtos e serviços que promovam pequenos prazeres nos consumidores é uma excelente oportunidade de negócio

O autocuidado é um das formas de compensar
os desafios impostos pela pandemia

Pouco mais de um ano de pandemia, e já há muitas dúvidas sobre o pós-pandemia. Quais comportamentos dos consumidores vieram para ficar? Como as marcas podem se adaptar? Como marcas podem se adaptar usando gatilhos da economia comportamental?

“Estamos vivendo o maior experimento de mudança comportamental da história da humanidade em termos de extensão, duração e envolvimento de milhões de pessoas. Tudo isso em curto espaço de tempo”, afirmou Lígia Gonçalves, sócia-fundadora da Brain Squad, no painel Comportamento do Consumidor, promovido pelo Google Leadership Talks. A Brain Squad é especializada no posicionamento de marca e comportamento do consumidor.

No evento online, que também contou com a participação da Vice-Presidente de Marketing do Google para América Latina, Paula Bellizia, foram abordadas as perspectivas e insights para o momento atual e um olhar mais estratégico sob a ótica da economia comportamental.

“Há uma necessidade de reconfiguração dos compromissos que foram criados entre as instituições, as marcas e as pessoas”, alertou Paula Bellizia.

A equipe da Varejo SA separou as principais dicas dadas pelas especialistas para ajudar a sua empresa a se preparar para o pós-pandemia.

Saiba mais sobre o impacto da pandemia no comportamento do consumidor:

1) Aumento da ansiedade
A adoção de novos hábitos exige muito esforço das pessoas, causando muito cansaço psicológico e ansiedade. Colabora também para que estejam mais impulsivas, agindo no automático, mais sujeitas a vieses e procrastinação. Esta sobrecarga ainda pode levar alguns a buscar a zona de conforto.

Neste cenário, é importante sua empresa ser empático com o consumidor, reconhecendo o quão difícil é realizar mudanças comportamentais e criando soluções para facilitar a sua vida neste novo normal.

2) Interdependência e as desigualdade
Percebeu-se a importância da interconexão entre pessoas, um ajudando ao outro, e aumentou o questionamento sobre desigualdades sociais. “O entendimento é de que só vai ficar bom de verdade quando estiver bom para todo mundo”, destacou Lígia Gonçalves.

3) Líderes inspiradores
Atualmente, há um vácuo de grandes líderes inspiradores, e para a sócia-fundadora da Brain Squad, esta é uma grande oportunidade para as empresas e marcas mostrarem o caminho. “Devem ajudar a trazer o otimismo de volta e a instaurar comportamentos adequados para enfrentar a crise que estamos vivendo. É uma oportunidade para se posicionarem (as empresas) como líderes, e mostrar o caminho (da superação)”, acrescentou Lígia Gonçalves.

As empreas que realizaram ações sociais na
pandemia fortaleceram a marca e a imagem

4) Comportamento by stantard effect
As pessoas são afetadas pelo comportamento by stantard effect, ou seja, quanto mais uma atitude, prática ou máxima é vista ou falada, mais espaço ela ganha. Tem funcionamento similar ao das normas sociais. Esta ressonância de pensamento e atitude pode ser aproveitada pelas empresas para colaborar com o ciclo virtuoso no novo normal, e construir uma imagem positiva entre os consumidores e a sociedade.

5) Empresas que apoiaram a população na crise saem fortalecidas
As empresas que tomaram a dianteira e apresentaram alternativas para a população enfrentarem a pandemia, saíram com a imagem e o caixa reforçado. É o caso das empresas de bebidas que adequaram sua linha de produção para fabricar álcool em gel e as grandes varejistas que auxiliaram os pequenos a ingressar no ecommerce. “Está todo mundo de olho na atitude da empresa em relação aos seus consumidores, funcionários e fornecedores. Estes novos pactos afetam a todos, inclusive os negócios”, explica Lígia.

6) Positivar a pandemia
Levantamento do Google mostra que 43% dos brasileiros alegaram ter tido alterações frequentes de humor durante o primeiro ano de pandemia. Apesar de os altos e baixos serem uma constante na vida de qualquer ser humano durante toda a sua existência, a sócia-fundadora da Brain Squad aconselha as empresas a estudarem e compreenderem melhor o perfil emocional de seus consumidores. Com isso, poderão colaborar para que sua clientela tenha uma experiência menos árdua na pandemia e sintam que estão tirando uma lição de vida desta crise. Além disso, é preciso simplificar os processos e a comunicação da empresa e auxiliar o consumidor em seus desafios diários.

7) Autocuidado, experimentação e indulgência
A pandemia também fez com que as pessoas voltassem o olhar para si mesmas, despertando o autocuidado e as deixando mais abertas a novas experiências e novos conhecimentos. Nas buscas do Google, houve um aumento de palavras-chave referentes a atividades físicas, comida saudável e cozinhar em casa. Tudo isso acompanhado de um pouco mais de indulgência para compensar a dureza do momento atual.

Diante deste quadro, criar produtos e serviços que gerem pequenos prazeres nas pessoas é uma boa oportunidade de negócio. Pense em alternativas que permitam a indulgência mas em pequenas porções, colaborando para a saúde e a diminuição da culpa. Este tipo de estratégia funciona muito bem para quem trabalha, por exemplo, com comida e bebida calórica.

Uso de máscara, distanciamento social, trabalho e estudos remotos e o digital como meio de socialização. Em 2020, a pandemia do coronavírus determinou novos hábitos, necessidades e maneiras de se relacionar com o mundo. Agora cabe aos negócios criar produtos e serviços e estratégias que ajudem os consumidores a superarem à pandemia com mais facilidade, equilíbrio emocional e em busca de uma sociedade mais conectada e menos desigual.

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