20 jul, 2024
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Entidades lançam o “Parcelo Sim!”, movimento em defesa do parcelado sem juros

O movimento “Parcelo Sim!” tem como objetivo preservar uma conquista histórica dos consumidores e angariar apoio com o maior número possível de assinaturas.

Foto: Shutterstock
Foto ilustrativa

Um grupo de 11 entidades lança hoje (21/11) um movimento nacional em defesa do parcelado sem juros. O movimento “Parcelo Sim!” tem como objetivo preservar uma conquista histórica dos consumidores e angariar apoio com o maior número possível de assinaturas. O movimento é apartidário, mas pretende sensibilizar autoridades políticas do Executivo e do Legislativo a evitar que a população economicamente ativa e os varejistas sejam vilipendiados pelos grandes bancos.

O parcelado sem juros é uma das mais importantes ferramentas de concessão de crédito do Brasil. Ele ajuda 200 milhões de brasileiros todos os dias: quem precisa trocar o smartphone por um modelo novo para trabalhar, quem precisa comprar móveis e eletrodomésticos novos depois de um imprevisto, quem tem o sonho de dar uma TV nova para a família.

“Sem poder parcelar, classes D e E não compram. É preciso que o governo esteja atento para não permitir essa rasteira no povo brasileiro. Além disso, o parcelamento sem juros é um dos principais aliados dos empreendedores para manterem seus negócios. Qualquer empresa ficaria economicamente inviável sem esse modelo, culturalmente praticado no Brasil, gerando grandes prejuízos à economia do País”, afirma José César da Costa, presidente da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas), uma das entidades que apoiam o movimento.

Mas não é só isso. Muita gente usa o parcelamento sem juros para comprar remédios, uma necessidade que não pode ser adiada. Tem gente que parcela a compra do mercado para levar comida para casa. A compra parcelada sem juros é uma conquista dos brasileiros e faz parte do nosso dia a dia. De acordo com pesquisa da CNC (Confederação Nacional do Comércio), 90% dos varejistas adotam essa modalidade de pagamento e, segundo o Datafolha, 75% da população faz uso dela.

O que pouca gente sabe é que estão tentando mexer nele e limitar esse direito do consumidor. Se isso acontecer, 42% das pessoas reduzirão seus gastos pela metade, segundo o Instituto Locomotiva. A mesma pesquisa mostra que 115 milhões de brasileiros só conseguiram realizar seus sonhos até hoje com ajuda do parcelado sem juros.

“A modalidade de compra parcelada sem juros é essencial para a economia, para o comércio e, principalmente, para as famílias de menor renda. Imagine não poder contar com ela em situações emergenciais. O Movimento ‘Parcelo Sim!’ é propositivo, com a reunião de mais de 10 entidades. Queremos informar a população sobre as consequências nefastas que uma mudança nesse produto, que é o campeão de preferência do consumidor, pode provocar. É muito importante que todos participem do abaixo-assinado para juntos vencermos essa batalha”, explica Paulo Solmucci Júnior, presidente-executivo da Abrasel (Associação Brasileiras de Bares e Restaurantes).

“O parcelado sem juros é bom para quem compra e é bom para quem vende. A maioria dos empreendedores usa essa modalidade para ganhar fôlego no capital de giro. Para a população mais pobre, que precisa comprar comida, remédio ou eletrodomésticos, é uma ferramenta de crédito insubstituível, por ser a única sem juros no país. Por tudo isso, estamos juntos na campanha em defesa do PSJ. Vamos mobilizar a população para participar do abaixo-assinado em defesa desse direito. Ninguém vai mexer no parcelado”, afirma Décio Lima, presidente nacional do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).

“A tentativa dos grandes bancos em eliminar ou limitar o parcelamento sem juros é uma estratégia de compensação pela redução das taxas exorbitantes do crédito rotativo e uma busca desesperada de recuperar vantagens competitivas frente às fintechs. Em vez de disputarem a preferência dos consumidores, desejam apenas manter sua lucratividade. Lembro, contudo, que o Estado (Congresso e Conselho Monetário Nacional) tem obrigação constitucional de defender os consumidores que são os mais vulneráveis agentes de mercado. E estes, que sempre acabam pagando a conta, nunca são suficientemente ouvidos e considerados”, diz Henrique Lian, diretor de Relações Institucionais e Mídia da Proteste.

A campanha está presente no site parcelosim.com.br e nas redes sociais Facebook, Instagram, YouTube e TikTok (@parcelo_sim).

Já fazem parte do movimento “Parcelo Sim!”:
❖ Abad (Associação Brasileira dos Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados);
❖ Abrasel;
❖ ABLOS (Associação Brasileira dos Lojistas Satélites de Shoppings);
❖ ACAD (Associação Brasileira de Academias);
❖ Alobras (Associação de Lojistas do Brás);
❖ CNDL;
❖ FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo);
❖ Parcele na Hora;
❖ Proteste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor);
❖ Sebrae;
❖ UNIVINCO (União dos Lojistas da Rua 25 de Março e Adjacências).

Contexto
No último dia 3 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o Desenrola, programa que prevê renegociação de dívidas e visa a criar solução para baixar os juros do cartão de crédito, o chamado rotativo. Para isso, o Congresso estipulou prazo de 90 dias para que bancos elaborassem uma autorregulamentação para isso. Após o prazo, caso não haja uma proposta viável, a dívida no cartão não pode ser maior que 100% do bem. Para baixar os juros do rotativo, bancos defendem que o PSJ seja limitado ou até extinto. Não há estudos que comprovem qualquer correlação; economistas dizem que não existe.

Números
● 9 em cada 10 varejistas no Brasil adotam o parcelamento sem juros no cartão para efetivar ao menos parte de suas vendas, de acordo com pesquisa da CNC;
● Instituto Locomotiva revelou que quase 115 milhões de brasileiros (78%) só conseguiram conquistar seus sonhos até hoje porque puderam comprar nessa modalidade;
● A pesquisa mostra que 42% das pessoas reduziriam seus gastos pela metade sem o PSJ;
● Segundo o Datafolha, 75% da população fez uso do crédito parcelado sem juros em 2022.