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Falta de planejamento estratégico prejudica MPEs

O Brasil vive um momento de crescimento no número de empresas abertas. Nunca tivemos tantos CNPJs como agora, a grande maioria de micro e pequenos empresários. Por outro lado, os dados oficiais também mostram uma fragilidade com relação à sustentabilidade dos negócios. Está difícil para o empreendedor manter as empresas abertas.

Levantamento mostra que, para os MPEs – micro e pequenos empresários de todas as capitais do país, o aumento dos preços e do custo da matéria-prima (38%) é o principal desafio para o crescimento da empresa no mercado. Além disso, o alto custo para contratar funcionários (32%), excesso de burocracia (25%) e alta carga tributária sobre as vendas (23%) também são um entrave para os negócios. A pesquisa foi realizada pela CNDL — Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e o SPC Brasil — Serviço de Proteção ao Crédito, em parceria com o Sebrae – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.

“Outro estudo do Sebrae também mostra que só 9% dos MEIs – Microempreendedores Individuais fazem algum tipo de planejamento e apenas 10% dos MPEs. Isso é problemático porque os empreendedores não sabem o que fazer, não sabem nem mesmo dar preço ao seu produto e serviço. Falta capacitação técnica para os empresários. A fórmula do sucesso não é apenas sair vendendo. É preciso se preparar para isso”, afirma Roberto Folgueral, contador, perito judicial e vice-presidente da FCDL/SP- Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de São Paulo.

Para Henrique Freitas Junqueira, advogado e assessor legislativo no Senado Federal, a principal questão é que no Brasil muitas pessoas precisam empreender por necessidade. “A pessoa perde o emprego e decide empreender, e às vezes falta a visão de mercado e o conhecimento do empreendedor. O pensamento é o de empregado e não o de empresário”, ele afirma.

Segundo o estudo da CNDL e do SPC Brasil, 79% das empresas dizem enfrentar problemas de gestão que prejudicam o crescimento da empresa, sendo a principal delas a alta concorrência (23%), seguida da falta de dinheiro para fazer novos investimentos (22%), a captação de novos clientes (19%) e a falta de capital de giro (19%). “A pesquisa mostra que, em um ambiente de forte competição, empresas sem gestão e adequações à tecnologia e à internet dificilmente sobrevivem”, destaca Karoline Lima.

Diante da dificuldade, 9 em cada 10 empresários dizem adotar práticas buscando superá-las, como controle de gastos e pagamentos (59%), gestão de relacionamento com cliente (54%) e controle financeiro de receitas e despesas (46%). “Esses são os principais modelos de gestão adotados”, acrescenta a especialista em RIG.

Apenas 3 em cada 10 empresários fazem gestão de pessoas (32%) e planejamento estratégico (30%). Um número ainda menor utiliza indicadores financeiros e apuração de metas e resultados (23%). “A maioria só analisa tão só e simplesmente o fluxo de caixa, achando que está fazendo o controle de entrada e saída – sem falar que a imensa e esmagadora maioria mistura questões pessoais com as da empresa. Mistura tudo num balaio, e isso fica adorável para um ente só, que é o fiscalizador”, alerta Folgueral.

A pesquisa foi assunto do episódio #59 do Varejo S.A. Podcast. Ouça a conversa:

*Com colaboração de Marina Barbosa e Luís Adolfo Barbosa.
Edição: Fernanda Peregrino

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