24 maio, 2026
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Frustração vira oportunidade

Conheça a história da empreendedora que criou a primeira loja virtual especializada em sapatos femininos para pés pequenos. Com dois anos, ela já fatura alto […]

Conheça a história da empreendedora que criou a primeira loja virtual especializada em sapatos femininos para pés pequenos. Com dois anos, ela já fatura alto com a ideia

Carolina Laert

Tânia Gomes, da 33e34. 15/06/2016. São Paulo (Cid.) - Brasil. Foto: Julia Rodrigues/ Editora Globo

Tânia Gomes, da 33e34. 15/06/2016. São Paulo (Cid.) – Brasil. Foto: Julia Rodrigues/ Editora Globo

“Infelizmente, não temos mais seu número”. Essa foi a resposta unânime que a empresária Tânia Gomes ouviu por diversas vezes ao procurar um sapato. “Era fim do ano e eu havia decidido que iria passar meu réveillon toda na cor prata. Fui até o shopping e fiquei mais de cinco horas procurando um sapato que fosse prateado e com a numeração 33. Depois de entrar em diversos locais, só encontrei um e em uma loja infantil. Saí frustrada e com um pensamento: como ainda não existe um estabelecimento específico para a mulher que tem o pé pequeno?”.

Essa história ocorreu em 2015, mas se repete entre os empreendedores desde sempre: vislumbrar oportunidade em meio a frustrações. Naquele mesmo dia, Tânia e o marido, Tiago Luz, decidiram procurar na internet algum site que vendesse sapatos femininos de pequena numeração. Não havia. Rapidamente, eles registraram o domínio www.33e34.com.br, dando o pontapé inicial a uma história capaz de pôr fim não só na frustração da empreendedora, mas também na de milhões de brasileiras.

Isso mesmo, você leu certo a palavra “milhões”. Em uma pesquisa de mercado realizada por Tânia, foi constatado que, além de aproximadamente cinco milhões de brasileiras usarem 33/34 – ou seja, duas vezes a população de Belo Horizonte –, o mercado de sapatos é bastante promissor, uma vez que as mulheres brasileiras consomem entre cinco e oito pares de calçados por ano.

 

Desafios iniciais

Como todo início, a história da start-up foi bastante desafiadora. A empresária conta que a indústria calçadista estranhou a solicitação de sapatos específicos 33 e 34. “Foi uma batalha convencê-los”, lembra. Depois, veio uma nova etapa: buscar investidores. “Era algo que eu nunca tinha feito antes, mas, sem aquele primeiro investimento, nada disso existiria, porque o estoque tinha que ser comprado à vista”, explica.

Mas essa etapa foi vencida e o investimento, conquistado. Tânia também recorda a importância que os investidores tiveram na história da 33e34. “Trabalhar com investidor-anjo é muito mais do que buscar um simples financiamento. Isso porque, com o dinheiro, vem uma ampla estrutura para o negócio dar certo, como a network que eles construíram ao longo de muita dedicação, fornecedores de confiança, conhecimento tecnológico e um enorme esforço para que tudo dê certo”.

33e34 - loja 2

Primeira loja física da 33e34, em São Paulo

 

Do on-line para o off-line

 Em 2016, a 33e34 saiu do virtual e ganhou sua primeira loja física, na cidade de São Paulo. “É uma butique para mulheres de pés pequenos”, relata, destacando a ideia de levar a 33e34Experience para outras grandes cidades do país. Outro sonho que também saiu do papel foi a criação de uma coleção própria. Hoje, os sapatos com a grife 33e34 já são responsáveis por 25% do faturamento.

Ao contrário da rota que muitos tomam, a 33e34Experience fez o caminho O2O, ou seja, do on-line para o off-line. “Nossa demanda é bem específica. São mulheres que sofrem para encontrar sapatos elegantes, não infantis. A ideia de criarmos uma loja física veio também das próprias clientes, que queriam um local para experimentar os modelos com tranquilidade. A ideia deu muito certo; já temos um total de 18 marcas e 250 modelos diferentes”, conta.

“Daquela tarde infeliz, nasceu uma boa ideia. O caminho foi longo: pesquisas, busca por investidores, negociação com fabricantes, criação do e-commerce, implantação de loja física e desenvolvimento de uma coleção própria. Contudo, o desejo de não parar só faz crescer. Nunca imaginei que existissem tantas mulheres calçando entre 33 e 34. Ainda bem que tem”, finaliza.

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