24 maio, 2024
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Lições da NRF devem ser aprendidas e compartilhadas

O cenário traçado na NRF prevê de mudanças climáticas a questões políticas e geopolíticas que podem interferir na dinâmica dos negócios.

Foto: Reprodução/NRF

Por José César da Costa
Presidente da CNDL

José César da Costa: “Tempos turbulentos exigem de líderes antecipações e criatividade para manterem seus negócios relevantes, e talvez, isso só seja possível com a revisão dos processos”.

Em nossa última conversa, comentei nesse espaço sobre começos e recomeços. Listei as novidades para 2023, como as obras da nova sede da CNDL, e a retomada de projetos importantes, entre eles a participação da nossa entidade na NRF Retail´s Big Show, a mais importante feira do varejo do mundo. É sobre esse evento, que sempre aponta para o futuro, que eu quero falar hoje.

Como todos sabem, a NRF é mais que uma feira. É uma tradição que já soma 113 edições e que, para além dos encontros e novidades, nos apresenta desafios e nos propõe avançar para além de onde estamos. Avançar, evidentemente, na perspectiva de um varejo cada vez mais inteligente, tecnológico e inovador. E é assim porque essa é a realidade na vida de todos que compram e vendem mercadorias, serviços e facilidades. A evolução é uma condição de existência do próprio mercado.

Quem é do ramo já sabe que nadar contra os desejos e expectativas dos consumidores e clientes é tarefa inútil e mortal. Essa foi uma lição aprendida de maneira dolorosa por aqueles que não deram ouvidos à mudança dos hábitos de consumo e às inovações técnicas do varejo.

Durante a pandemia, quantos varejistas não sucumbiram por não terem a estrutura mínima de atendimento on-line, de serviços de delivery ou simplesmente pela falta de empatia com os clientes? São soluções que foram anunciadas há mais de dez, quinze, 20 anos na NRF. Quem ouviu o recado e saiu na frente, suportou melhor a maior crise da história do setor.

Por essas e outras que é importante chamar atenção para dois sinais que o evento lançou neste ano e que entendemos ser crucial nos próximos anos. Um deles serve bem ao nosso Sistema CNDL: falo da necessidade de melhoria dos processos dentro das organizações, empresas e marcas.

Essa é uma questão importante, porque a ideia aí não está no mero aumento de produtividade, mas na projeção de que haverá um período de sobreposições de crises que exigirá mais agilidade e precisão na tomada de decisões. O cenário traçado na NRF prevê de mudanças climáticas a questões políticas e geopolíticas que podem interferir na dinâmica dos negócios.

De fato, os últimos anos provaram que a mudança tem sido a única constante no comércio. Nesse sentido, a mensagem da NRF é clara: tempos turbulentos exigem de líderes antecipações e criatividade para manterem seus negócios relevantes, e talvez, isso só seja possível com a revisão dos processos.

Outro ponto que merece nota é a ideia de que uma cultura empresarial forte, diversa e com propósitos é essencial para os novos tempos. Consumidores, parceiros e clientes buscam compartilhar os valores que aspiram. Para prosperar, as marcas devem estar em sintonia com seus clientes, agindo de forma que não seja boa apenas para seus parceiros mais próximos, mas também para o planeta e toda a sua diversidade.

Chamo atenção para esses assuntos porque a CNDL vem desenvolvendo um trabalho que converge para as mudanças que a NRF preconiza. Desde o início do ano passado, a Confederação vem discutindo seu modelo de negócio e projetando a evolução e modernização do Sistema CNDL. É um trabalho que vai resultar em melhoria da gestão e eficiência do Sistema, de forma a nos preparar para os próximos anos, sejam eles com ou sem crises de qualquer espécie.

Em outra ponta, estamos fortalecendo aspectos que nunca foram tratados no âmbito da CNDL, como a valorização das mulheres em nosso sistema. Apesar de parecer óbvio, é a primeira vez que a entidade valoriza a diversidade de gêneros e a pluralidade de ideias de forma organizada e sistemática.

É o que temos feito com projetos como o Mulheres que Constroem o Varejo, que dá visibilidade às mulheres empreendedoras, e o Comitê de Mulheres do Sistema CNDL, que discute e estimula a presença e o desenvolvimento das mulheres no varejo. A ideia é que quanto mais plural e diversa, mais rico e forte será nosso Sistema.

Esperamos que essas ideias e muitas outras que foram amplamente discutidas na NRF sejam compartilhadas por cada um dos integrantes da delegação da CNDL. Como foi dito aqui, os conceitos e previsões da maior feira do varejo do mundo costumam se firmar e se concretizar. De nossa parte, podem ter certeza, os ouvidos estão atentos e os olhos bem abertos. Sigamos para o futuro! Sempre juntos e preparados!