Opinião

O impacto da queda de juros na economia

[sc name=”legenda-foto-nome” nome=”Marcela Kawauti” texto=”Economista-chefe do SPC Brasil”]

[sc name=”img-post-app” caminho=”http://revistavarejosa.com.br/wp-content/uploads/2016/10/2-coluna-marcela.jpg” ]

A inflação medida pelo IPCA terminou 2015 acima de 10%, mas cedeu em 2016 para próximo de 8%. Junto com o ritmo de avanço dos preços, caíram também as expectativas para a inflação futura, abrindo espaço para que o Banco Central reduza a taxa básica de juros, a Selic. A notícia é boa: o arrefecimento da inflação facilita a recuperação do poder de compra das famílias e a queda dos juros é estímulo para a economia. Mas nada disso acontece da noite para o dia.

Para entendermos o porquê, vale a pena olhar para o passado. A última alta de juros foi em julho de 2015, quando a Selic foi de 13,75% para 14,25%. Ou seja, passamos quase um ano e meio com a taxa estável acima dos 14%  a.a.. E o que aconteceu com os juros ao tomador final? Só cresceram. Vamos ao exemplo mais emblemático: as taxas no cartão de crédito para consumidor eram, em média, de 394% ao ano em julho de 2015. Em agosto de 2016, já passavam para 475%. O movimento de alta foi visto também em outros tipos de empréstimo para pessoa física e jurídica. Ou seja, mesmo com a Selic estável, as taxas de juros ao tomador final subiram neste período. Por que isso aconteceu? Entre os fatores  que mais se destacam está o risco de inadimplência. Com medo de não receber o dinheiro de volta, os bancos e financeiras ajustam os juros para compensar o risco ao qual estão expostos.

Voltando ao presente, o risco de inadimplência segue alto. Mesmo com economia se estabilizando, consumidores e empresas ainda se deparam com uma conjuntura desfavorável. Sendo assim, algum tempo será necessário até que o impacto da queda na taxa de juros Selic seja sentido nas taxas de juros ao tomador final. Quanto tempo? O necessário para que observemos uma retomada do consumo, do emprego e da renda e principalmente melhora na capacidade de pagamento de consumidores e empresas.

[blockquote author=”” link=”” target=”_blank”]Com medo de não receber o dinheiro de volta, os bancos e financeiras ajustam os juros para compensar o risco ao qual estão expostos.[/blockquote]

A queda na Selic é um primeiro passo para a recuperação econômica, pois ainda há a necessidade de que outras condições se apresentem para que seu efeito sobre a economia seja pleno. A boa notícia é que, depois de um longo ciclo recessivo, podemos estar às portas de ciclo virtuoso.

Relacionadas
Opinião

A importância de canais efetivos de atendimento

Para aproximar os consumidores de sua loja, é preciso encontrar estratégias que estabeleçam um vínculo com o comprador e o levem a “voltar sempre”, da mesma maneira que costumam fazer no comércio tradicional. Uma delas é ter um Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC).
Opinião

Como o Banking as a Service pode impulsionar ainda mais o varejo?

Empresas de diferentes setores estão acoplando e oferecendo serviços financeiros a seus clientes. Não é um movimento recente, mas está se consolidando em diversos segmentos – a começar pelo varejo.
Opinião

Emissão de nota fiscal pelo Portal do Simples: facilitação ou amarração?

O que parece ser uma facilidade, pode se transformar em problema, pois o procedimento a ser adotado, a partir de janeiro próximo, será mais uma forma de cruzamento de dados, juntamente com a e-Financeira, obrigação acessória dos bancos que fornecem dados da movimentação financeira total dos correntistas.