Empreendedorismo Jovem

O propósito que lhe faz vestir a camisa

O que todos buscam no seu meio profissional é fazer a equipe vestir a camisa. Eu sou sucessora de uma indústria familiar de uniformes e, quando comecei a trabalhar na empresa, há quatro anos, detestava o meu uniforme. Perguntava-me como eu poderia vender algo de que não gostava.

Depois de dois anos usando todas as minhas roupas para trabalhar, perdendo a paciência, escolhendo sempre uma combinação diferente todo dia, descobri que o propósito da minha empresa não era o mesmo que o meu e que acreditávamos e esperávamos coisas distintas do presente e do futuro.

Foi assim que decidimos, minha mãe, irmã e eu, a reformular nosso logo, posicionamento no mercado e até o nome da companhia. Com isso, criamos uma marca que fazia sentido e cabia na nossa vida. Logo depois que estava tudo decidido, minha irmã passou a aplicar a nova marca nas nossas peças e, finalmente, passei a me sentir pertencente àquele projeto.

Percebi que minha dificuldade com os uniformes não eram as roupas, mas, sim, o que a marca me passava. Não sentia prazer em vestir algo em que não acreditava.

Hoje, o uniforme representa algo que chamo carinhosamente de poder de super-herói. É como se fosse o Bruce Wayne. Sem seu uniforme de homem-morcego, ele é uma pessoa comum, mas, quando coloca sua máscara e capa, se transforma no Batman, corajoso, forte e destemido.

Além disso, ter uma roupa especial para trabalhar é diminuir a energia que se gasta escolhendo a maneira adequada de se vestir. É poupar esforços e ser prático sem deixar de se vestir bem e com estilo.

Mais importante que ter é ser e sentir. O uniforme é um símbolo que o liga à tribo a que você se identifica como pessoa e como profissional. O sentimento de pertencimento a um time ou equipe traz conforto e segurança. A Disney chama os seus funcionários de membros do elenco, ou seja, quando eles estão vestidos para trabalhar, podem dizer orgulhosamente que fazem parte de um show de encantamento dos seus convidados. Quem não sonha em vestir um uniforme e poder fazer tudo isso?

Uma peça, além de lhe fazer sentir parte de algo maior, identifica o profissional. Um médico usa jaleco, uma bailarina usa collant e assim por diante. Já pensou em chegar a um estabelecimento e não saber quem trabalha ali? Ir a um restaurante e confundir garçom com cliente? A primeira impressão que fica de um lugar desses é de desorganização e desconfiança.

Steve Jobs usava somente um modelo de roupa, porque acreditava que isso fortalecia a sua marca pessoal, assim como Mark Zuckerberg. Ao trabalhar fortemente na marca profissional, eles fortaleceram a pessoal.

Eu deixo uma pergunta para você: como quer ser lembrado?

Thais Fagotti – Cofundadora da CDL Jovem de Rondonópolis, no Mato Grosso, diretora da FCDL-MT e coordenadora nacional da CDL Jovem do estado.

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