24 maio, 2024
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Pandemia mudou modo como pessoas dão ‘match’, diz Tinder

Em entrevista exclusiva à BBC, Jim Lanzone, diretor do aplicativo explica reformulação do aplicativo — que busca contemplar novas tendências trazidas pela pandemia e pela Geração Z.

Deslizar para esquerda ou para a direita, o gesto típico de quem usa o aplicativo Tinder, parece não ser mais suficiente para os solteiros vivendo no contexto de isolamento durante a pandemia de coronavírus.

O “match”, a confirmação de que os dois lados se interessaram reciprocamente, era antes apenas um pontapé para o encontro presencial — mas isso mudou com o novo cenário de intensas interações virtuais, disse à BBC o diretor do aplicativo, Jim Lanzone.

“Como sabemos, nos últimos 15 a 18 meses, as pessoas realmente se abriram para se conhecer virtualmente antes de definirem relacionamentos offline; ou se abriram até para ter relacionamentos virtuais”, afirmou o diretor do Tinder.

“A maior tendência aqui é que as pessoas no Tinder, saindo da pandemia de covid… elas só querem desacelerar as coisas e se conhecer muito mais antes de decidirem ‘dar o match’ e de encontrar alguém offline.”

Chat antes do ‘match’
Os dados do aplicativo indicam que o número médio de mensagens enviadas por dia aumentou 19% em comparação com o período anterior à pandemia, e as conversas são 32% mais longas.

Metade dos usuários da Geração Z, como são normalmente classificados aqueles nascidos entre 1997 e 2015, teve encontros por conversa de vídeo e um terço fez mais atividades virtuais em conjunto, diz a empresa.

A decisão do Tinder de se concentrar mais em vídeos vem em um momento em que a popularidade do TikTok continua a crescer. ByteDance, a empresa chinesa por trás do aplicativo de vídeo de grande sucesso, viu seus lucros dobrarem no ano passado.

Lanzone disse que os jovens da Geração Z, hoje cerca de metade dos usuários do Tinder, “vivem de vídeos, e por isso espera que estes usuários do Tinder atualizem constantemente seu perfil — em vez de ficar um tempo com o mesmo conjunto de vídeos e fotos.

Os dados do Tinder sugerem que usuários mais jovens valorizam em um parceiro a autenticidade e a abertura. Há também mais menções à saúde mental e a palavras como “ansiedade e” normalizar ” nos perfis.

Menos drinks, mais trilhas
No entanto, o diretor afirma que a pandemia tirou as pessoas da trajetória linear do namoro que, em princípio, envolvia buscar candidatos no Tinder, dar “match”, combinar um encontro, ter um relacionamento e se casar.

“No verão passado (no hemisfério norte), quando houve uma flexibilização antes da próxima onda (de covid-19) chegar, a tendência mudou muito rapidamente. Foram menos encontros para tomar um drink, e mais para fazer uma trilha juntos.”

Fonte: BBC