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Panorama macroeconômico aponta para a retomada

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Palavra de Especialista

Cinara Lima

Quatro vetores econômicos e reformas em discussão no Congresso darão o tom para a saída da crise, na avaliação do doutor em Economia e secretário de Planejamento e Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, Marcos Adolfo Ferrari. Acompanhe a conversa do especialista com a Revista Varejo s.a.

Qual é sua expectativa para a conjuntura ao longo de 2017?

Nossa projeção oficial de crescimento é de 0,5%, mas meu feeling permite crer que teremos um resultado melhor. Não vai ser um crescimento robusto, porque estamos saindo de uma queda muito forte e teremos uma retomada que foi iniciada agora em 2017, mas em 2018 será bastante positiva. Primeiramente, observamos que houve já um ajuste de estoques. Avaliando os dados de comércio exterior, visualizamos crescimento da importação de bens intermediários, que são justamente aqueles usados para produzir. Isso também significa crescimento da produção. Os dados de fevereiro da indústria apontam um crescimento de 1,1 neste ano de 2017.

Existe espaço para mais investimentos?

Depois de três anos seguidos de queda na taxa de investimentos, sua retomada é notada nos dados da produção industrial. Este é o segundo fator relevante. Em terceiro lugar, o setor externo demonstra que estamos tendo uma recuperação bastante forte, uma vez que as importações e exportações também estão aumentando. Em 2016 e 2015, a baixa demanda interna pesava mais que a contribuição positiva do setor externo. Essa diferença não será tão grande em 2017.

A estabilização da inflação entra nesses fatores positivos?

Sim, claro. O quarto vetor é o ambiente benigno inflacionário. A projeção de mercado da inflação para o fim do ano é de 4,1% e isso naturalmente abre espaço para a redução de juros. A redução da taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), que estava em 14,25%, pode chegar ao fim do ano com 8,5%, abrindo espaço para reduzir várias taxas. Também houve redução da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) de 7,5% para 7% e, principalmente, nos juros do crédito consignado.

Os saques das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) podem impulsionar o varejo?

Fizemos uma projeção do impacto da liberação do FGTS no Produto Interno Bruto (PIB) e essa estimativa gerava um impacto positivo de 0,5%. Só teremos certeza quando saírem os dados de março, mas já percebemos um aumento da venda de supermercados. Na simulação, estimamos R$ 34 bilhões de saque, mas os dados até agora nos levam a crer que esse valor possa ser maior, chegando perto do estoque, que é R$ 43 bilhões, ou seja, o impacto positivo vai ser maior ainda.

Na sua avaliação, qual será, em médio e longo prazo, o impacto da reforma da Previdência na economia?

O principal motivo da reforma da Previdência é ter a sustentabilidade das contas públicas e a redução da relação dívida-PIB. Hoje, os gastos com a Previdência somam 45% do total das despesas. Se nada for feito, em dez anos, isso poderá chegar a 80%. Haverá comprometimento de outras ações e políticas de governo, como saúde, educação e segurança. A mudança também é importante para o lado empresarial, uma vez que não irá comprometer as contas e resultar em futuro disparo inflacionário.

E quanto à reforma trabalhista, também em trâmite no Congresso Nacional, de que forma refletirá na economia nacional?

Precisamos modernizar nossa legislação trabalhista. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é uma lei dos anos 1950 e, como hoje estamos vivenciando um forte avanço tecnológico que impacta no mundo do trabalho, não pode ficar como se fosse naquela época. A atualização representa justamente o aumento das possibilidades de emprego, uma vez que a reforma permite que os acordos coletivos prevaleçam sobre a legislação. É um ganho de flexibilidade para empresários e trabalhadores, que, por meio de seus sindicatos, poderão firmar acordos de forma segura e com garantia jurídica. A regulação do trabalho temporário e do trabalho em regime parcial poderá dar mais garantias para as empresas e capacidade de atender ao maior número de pessoas possível.

 

Fatores econômicos sinalizam saída positiva

  • Ajuste de estoques e maior produção na indústria.
  • Importações e exportações.
  • Maior investimento.
  • Inflação estável e juros reduzidos.
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