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FCDL-PI e as lições da pandemia

A Varejo S.A conversou com Sávio Normando para entender como o comércio piauiense está atravessando a crise do coronavírus e de como a solidariedade e valorização do homem vai transformar os empresários no pós-pandemia 

Passados quase 120 dias desde que o estado do Piauí adotou as medidas de isolamento social, o estado começa a dar os primeiros sinais de que o pior já passou. O processo de transmissão da doença já está estabilizado, a quantidade de pessoas imunizadas tem crescido e, desde segunda-feira (6), atividades como a da cadeia de construção civil e o setor industrial foram autorizados a retornar de forma gradativa.

O rastro deixado pelo coronavírus na economia do estado se assemelhou a de outros entes da Federação, com desemprego e fechamento de empresas, mas tudo poderia ter sido pior, não fosse a disposição das entidades de classe em atuar junto aos governos estaduais e municipais.

Uma dessa entidade foi a Federação da Câmara Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Piauí (FCDL – PI), que agilizou projetos e fez campanhas de conscientização e motivação para a população e empresários. Falamos com o presidente da FCDL – PI, Sávio Normando, para saber como a FCDL-PI agiu durante a crise. Confira!

Como o varejo do Piauí está reagindo a essa crise?

A situação dos varejistas do Piauí se assemelha à maioria dos estados brasileiros. Aqui chegamos a mais de 110 dias com todas as atividades não essenciais suspensas. Infelizmente, muitas empresas não retornarão às suas atividades. Elas não suportaram à paralisação. Não temos números, mas sabemos que será um impacto grande na economia. Alguns empreendimentos ainda tentam as linhas de financiamento do governo Federal e as maiores empresas estão preparadas para a retomada. Entendemos que o que vai acontecer por aqui é um pouco do chamado darwinismo econômico. Aqueles que não sobreviverem a essa crise serão substituídos por aqueles que tiveram mais suporte e preparo para atravessar esse período.

E como a FCDL-PI atuou nessa crise?

Dentro da nossa linha de atuação, que está sempre atrelada às orientações da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Procuramos parcerias junto ao governo do estado e criamos o projeto “Piauí Delivery”, no qual pequenas empresas passaram a ter acesso a um sistema online de comercialização. Isso foi muito importante para os comerciantes que estavam alheios a essa sistemática de vendas. Foi uma oportunidade para muitos empresários começarem a trabalhar com o comércio online.  Esse foi um projeto muito positivo, sem custo para os lojistas. Nosso papel foi de intermediação. Desenvolvemos campanhas com o Sebrae e o governo. O projeto alcançou a capital, Teresina, e mais dez municípios e tivemos grande aceitação. Em outra vertente, buscamos trabalhar a autoestima dos empresários e da comunidade em geral. Fizemos uma campanha com lideranças locais com palavras de apoio e incentivo à superação. A hashtag #vamossuperar trouxe grande repercussão na comunidade, na imprensa e no espírito da comunidade.

E como vocês sentiram esse momento de pandemia? Que tipo de desafio encontraram?

Acho que um grande desafio foi trabalhar com o desconhecido. Sem querer comparar com os diferentes períodos da história, mas acho que no que diz respeito ao ineditismo é uma situação que exige bastante de todos nós. É importante frisar que estamos tendo uma presença muito forte do governo do estado e da prefeitura de Teresina. Estamos trabalhando juntos com a questão dos protocolos para a retomada das atividades. Às vezes somos ouvidos, outras não. Evidentemente, temos uma questão importante que é a preservação de vidas. Temos ouvido os argumentos baseados na ciência, mas lembramos que a economia também é uma ciência. Equalizar essa questão é muito difícil e exige a compreensão de todos. Ainda é cedo, por exemplo, para dizer se as medias adotadas até aqui foram as mais corretas. O certo é que nosso estado foi um dos que tiveram menor índice de letalidade do país, mas o comércio e a economia em geral estão sendo bastante sacrificadas.  

Quais são as perspectivas para o comércio, agora que as atividades começam a retornar?

Vamos voltar aos poucos e com todas as restrições, como redução de funcionários nas lojas e horários de funcionamento adaptados. Percebo que existe uma demanda reprimida. Muitos pensam que pode haver uma espécie de estouro de boiada, mas isso deve se dar mais por necessidade de socialização que de consumo. Logo deve haver uma retraída e uma conscientização por parte da população. É uma situação um tanto quanto contraditória. Ao mesmo tempo que precisamos do cliente na loja, não podemos, dentro desse novo paradigma de consumo, fazer aquele borburinho do tipo “queima de estoque” e “corra para comprar!”. Será que as pessoas estarão dispostas a atender esse tipo de apelo?

E o que fazer para conter clientes e lojistas?

Aí vamos ter que buscar criatividade para reinventar o chamamento dos nossos clientes. Aqui, o que temos programado é uma campanha que realizamos todos os anos, a “Liquida Teresina”, realizada pela CDL Teresina e pela FCDL – PI, que neste ano será feita de uma forma diferenciada, mas intensa. Também acho que as empresas já estão se reinventando, entrando no comercio digital.     

Essa crise deixou alguma lição para a entidade?

Dessa experiência entendemos que para que as inovações e projetos aconteçam, é necessário algum estímulo. Ouvi em uma live que três fatores são importantes para desencadear processos: guerras, revoluções e pandemias. Esse projeto “Piauí Dellivery”, por exemplo, estava planejado para ser executado somente no segundo semestre. Dada a pandemia tivemos que antecipar tudo. Acho que temos que pensar agora naquele projeto, pessoal ou profissional, que está parado. Será que não está na hora de colocá-lo em prática? Temos que ficar esperando o melhor momento, ou uma nova pandemia? A melhor hora é agora! É quando aperta no bolso ou dói no sapato.

O senhor acha que teremos um novo tipo de lojista?

Teremos a questão do mundo digital cada vez mais presente no nosso dia. Muitos tinham receio de custo, do não entendimento do processo, mas agora sabe-se que tudo é mais simples do que se imaginava. Mas uma mudança que acho que vai ficar é a importância que damos à figura humana, tanto nas relações comerciais quanto pessoais. Vimos que as empresas procuraram preservar ao máximo o seu quadro de pessoal. Cada vez mais podemos perceber o quão importante é o fator humano. Quem ligou durante esse período para saber do seu colaborador para saber como está a sua família, sua saúde? Isso vai fazer um diferencial enorme na retomada. Veja a importância enorme demos à preservação de vidas nesse período, aos profissionais de saúde e como vamos fazer essa transmutação para nossas organizações. A solidariedade ficou evidente nesse período e nesses momentos pensamos na força do associativismo e na importância de sermos solidários uns com os outros.

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