Tendências e Inovação

Start-up mineira anula o impacto ambiental de compras feitas via internet

Com o apoio das lojas parceiras, a Zero Carbon adquire créditos de carbono e elimina o impacto das compras, sem gerar novos custos para o consumidor

Consumimos, anualmente, mais de 30% dos recursos naturais que o planeta tem a oferecer. No atual ritmo de desenvolvimento, em menos de 50 anos, precisaremos de dois planetas para nos atender. Preocupados com o futuro da vida na Terra, jovens de Belo Horizonte criaram a start-up Zero Carbon, cuja ideia é anular, sem custos para o consumidor, o impacto ambiental de compras realizadas on-line. Para colocar a proposta em prática, a Zero Carbon utiliza certificados de compensação ambiental, conhecidos como créditos de carbono, os quais são emitidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). O crédito é designado pela ONU a iniciativas de alto impacto que promovem a sustentabilidade por meio do reflorestamento, da reciclagem de lixo, da substituição de combustíveis fósseis por energia limpa, entre outras medidas.

A Zero Carbon conectou-se a grandes empresas varejistas interessadas em compensar o impacto da fabricação, embalagem e transporte dos produtos comercializados em seus sites. A partir dessa associação, a cada venda realizada nas lojas parceiras, a start-up recebe uma comissão, com a qual apoia projetos ambientais e adquire os créditos. Cada tonelada de dióxido de carbono reduzida ou removida da atmosfera equivale a um crédito de carbono. Os certificados aumentam a credibilidade das empresas perante os consumidores preocupados com o impacto ambiental de suas compras. Tal credibilidade, por sua vez, é revertida em maior interesse por parte de investidores e compradores e, em última análise, em lucratividade.

De acordo com Carlos Versiani, diretor de Marketing da Zero Carbon, a classificação em rankings de “amigas da natureza” é uma boa oportunidade para as instituições diferenciarem-se das concorrentes. “Entre comprar em uma empresa na qual o impacto será compensado e em outra em que não haverá essa compensação, o cliente preocupado com a preservação ambiental certamente escolherá a primeira opção. A tendência é que estejamos cada vez mais atentos à herança ambiental que deixaremos para as futuras gerações”, destaca o fundador da start-up, que completa: “Existem empresas que possibilitam compras com cashback em dinheiro. Também fazemos cashback, mas o nosso é ambiental: devolvemos ao meio ambiente o que consumimos”.

As vendas comissionadas são somente aquelas realizadas por consumidores direcionados pelo site www.zerocarbon.me. Quando o cliente entra no site da loja, ela identifica que ele veio do portal da Zero Carbon e deseja ter compensado o impacto ambiental de sua compra. Apesar de ter grandes empresas entre as parceiras, a start-up também busca associações entre pequenos e médios varejistas do e-commerce. O cálculo do impacto de cada produto adquirido é feito com base no perfil da loja: a produção de um tênis, por exemplo, gera de 15 a 60 kg de carbono. De maneira criativa e sem custos adicionais, a Zero Carbon possibilita que os consumidores unam-se para manter a saúde do planeta. A natureza e as futuras gerações agradecem!

Como funciona

  1. Entre no sitezerocarbon.me.
  2. Clique na logo de uma das empresas conveniadas.
  3. Realize as compras normalmente.
  4. A loja repassa à Zero Carbon uma comissão baseada no valor da compra.
  5. Com a comissão, a start-up apoia projetos ambientais e compensa o carbono emitido na fabricação, embalagem e transporte dos produtos adquiridos.

Saiba mais

O mercado de créditos de carbono, voltado à criação de projetos para redução da emissão dos gases que aceleram o aquecimento do planeta, entrou em cena nos anos 2000. A ideia surgiu com o Protocolo de Quioto, acordo internacional que estabeleceu que os países desenvolvidos deveriam reduzir, entre 2008 e 2012, as emissões de gases de efeito estufa em 5,2% em relação aos níveis medidos em 1990. O protocolo criou o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, que prevê a redução certificada das emissões. Uma vez conquistada essa certificação, quem promove a redução dos gases poluentes tem direito a créditos de carbono e pode comercializá-los com empresas ou países que têm metas de compensação a cumprir.

Compartilhe:
Relacionadas
Tendências e Inovação

Os segredos para ser um líder de sucesso

Para entender as habilidades que um líder precisa para realizar uma boa gestão, a Revista Varejo S.A. conversou com Caio Cunha. Compartilhe:
Tendências e Inovação

Três aplicações eficientes e modernas que podem melhorar a competitividade do varejo

A tecnologia é capaz de tornar o modelo de varejo mais competitivo e lucrativo, além de garantir que os negócios se atualizem e não sejam excluídos do mercado por falta de inovação. Não à toa, sua aplicação em torno da automação de processos em busca de mais eficiência foi batizada como Quarta Revolução Industrial. E, após tantos avanços, ainda há o que ela pode contribuir para melhorar a competitividade das empresas que compõem o ecossistema do consumo e, também, o setor como um todo. Compartilhe:
Tendências e Inovação

Brasileiros querem comprar mais do comércio local

Levantamento da Plataforma Gente, da Globo, aponta que 71% dos consumidores brasileiros pretendem comprar mais de negócios locais porque querem que eles permaneçam abertos. Compartilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.