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Uso inteligente de estacionamentos de shoppings deve seguir como tendência

Ociosos durante pandemia, estacionamentos foram palco de criatividade para novos negócios e formas de rentabilizar esse espaço

Com a pandemia e os comércios total ou parcialmente fechados, os shoppings de repente se viram com seus enormes estacionamentos inutilizados. Além do fechamento do comércio em grande parte das cidades brasileiras, a queda na ocupação desses espaços já era uma realidade existente antes das medidas de distanciamento social, motivadas também pela adesão dos brasileiros a novos modais, como carros de aplicativo e bicicletas.

Essas mudanças no comportamento do público afetaram diretamente o setor, que precisou reinventar o uso desses espaços nos últimos anos. Durante a pandemia, iniciativas como os cinemas drive-in e atrações infantis passaram a ser realizadas nesses ambientes, conferindo a eles uma nova utilidade e atraindo frequentadores para o shopping. Exemplos disso são o Jump Around, castelo inflável que ocupou estacionamentos de shoppings em São Paulo e no Rio de Janeiro, e também o espetáculo drive-in Jurassic Safari, em centros de compras de Curitiba, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo.

“Esse momento de crise fez com que surgissem novas oportunidades. Além de atrações e shows, os espaços de estacionamento também foram utilizados para a realização de testes rápidos de Covid e como pontos drive-thru de vacinação em diversas cidades brasileiras”, comenta Maurício Romiti, que é diretor administrativo e financeiro da Nassau Empreendimentos, empresa que atua há 30 anos na gestão, planejamento e consultoria de centros de compras em todo o Brasil. “Além da forma tradicional, é necessário encontrar novos usos para os espaços de estacionamento e diversificar as formas de rentabilizar esse ambiente”, completa.

Costumeiramente grandes e com capacidade para muitos carros e motocicletas, os estacionamentos dos shoppings são também locais alternativos para a realização de eventos. “Eles não são e não devem ser vistos apenas como espaços vazios, e sim como uma extensão do shopping. Mesmo antes da pandemia, os estacionamentos já vinham sendo utilizados pontualmente para outras funções, como venda de ingressos para eventos, por exemplo, já que é um ambiente que comporta grandes filas”, explica Romiti.

Novos modais
Modais como a bicicleta e os carros de aplicativo podem não ser os principais meios de transporte utilizados pelos brasileiros, mas são duas formas de deslocamento que estão em ascensão no País. De acordo com pesquisa realizada pelo DataFolha e encomendada pela Uber, 38% dos brasileiros consideram a bicicleta o modo mais seguro de se locomover durante esse período, enquanto 35% preferem os aplicativos de viagem. O estudo Future of Mobility indica que cerca de 60% dos brasileiros que fazem uso de serviços como Uber, 99 e apps de bike sharing, como Bike Itaú, já pensam em deixar de ter carro próprio nos próximos dez anos.

A adesão a esses modais, sozinha, não é responsável pelo esvaziamento de estacionamentos, mas já causou algumas mudanças nos shopping centers: “Hoje, muitos shoppings já possuem espaços especiais para os carros de aplicativo, como Uber, 99 e outros, além de um espaço separado para os táxis. Antes da pandemia, isso já acontecia em eventos como shows, festivais e no Carnaval, como um reflexo da adesão dos brasileiros a essa forma de transporte”, diz Romiti.

Outra adaptação que não apenas os shoppings, mas inúmeros estabelecimentos já vêm fazendo há alguns anos é a instalação de bicicletários. Obrigatórios por lei desde 2013 em São Paulo, eles são essenciais para estimular o uso da bicicleta na cidade. Segundo Romiti, os shoppings cada vez mais terão que se adaptar também a esse modal: “O Brasil é um dos países em que a população mais possui bicicletas, mas esse ainda não é o meio de transporte favorito das pessoas. Isso se deve a muitos fatores, como as cidades não serem adaptadas para o ciclismo, por exemplo. Mas a mentalidade sustentável vem ganhando espaço e a bike é uma tendência”, finaliza o diretor.

“Os modais estão mudando, e os shopping centers vão ter que se adaptar a essas tendências”, avalia Romiti. Só em São Paulo, o uso de carros deve diminuir em 28% até 2030, e a bicicleta é o meio de transporte que deve ganhar cada vez mais adeptos, como indica estudo sobre mobilidade urbana realizado em 2020 pela consultoria Kantar. “Se essa previsão se realizar, os estacionamentos em breve serão obsoletos. É muito importante que o setor encontre novos usos para esses espaços.”

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