Tendências e Inovação

Varejo ganha curadoria que ajudará na busca de investidores para startups

Em funcionamento há seis meses graças à parceria entre dois megaespecialistas – Caio Camargo e João Kepler – a Hub Pro Varejo nasceu para preencher um gap entre startups criadas para o setor e investidores com vontade de embarcar em Facebook, Twitter, Instagram. “A maioria dessas empresas precisa de investimento na fase inicial ou para aumentar a produtividade de alguma forma”, afirma Caio. A Hub Pro funciona, então, como uma curadoria, buscando investidores para uma startup. Por isso, a imagem de duas peças de quebra-cabeça conectadas ilustra bem o propósito dos sócios na página www.hubprovarejo.com.br.

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Totalmente virtual, a empresa cuida de cinco clientes e analisa a entrada de outros 20 para o mercado de varejo digital: “Fazemos uma mentoria sobre o negócio, o comercial e os contatos com o mercado, ou seja, a rede de networking”, explica Caio. “Acompanhamos a startup, orientamos, avaliamos o produto e a capacidade de venda. É feito um reajuste para tornar o produto atraente também ao investidor. Encontramos empreendedores com boas ideias, mas uma boa ideia nem sempre vira um bom negócio, ela precisa ser trabalhada.”

Hub significa ponto de encontro e de união, e pro remete a profissional, a algo em prol do varejo e que ajude no desenvolvimento do setor. A linha de atuação consiste em captar investimento e moldar melhor as empresas para os investidores, avaliando o dia a dia do ponto de venda. Segundo o especialista, até grupos de crowdfunding conseguem participar de uma startup, que, tecnicamente, deveria apresentar uma inovação ao iniciar negócios em canais digitais e não ser apenas mais uma empresa no ramo. “Achar uma startup que dê certo no mercado é como encontrar uma agulha no palheiro”, compara.

“Nunca estivemos tão conectados.” O alerta de Caio Camargo é dirigido aos varejistas, especialmente aos mais conservadores, cautelosos em apostar nas novidades do mundo digital. “O e-commerce não vai matar a lojinha, isso não muda”, afirma ele, lembrando que o conceito de startup, nova denominação para empreendedorismo, surgiu por volta de 1970 com a Apple, a IBM e a Microsoft.

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“O e-commerce trafega ao lado do comércio e não apartado, pois é mais uma porta que se abre no varejo, está dentro do sistema de venda”, esclarece o especialista. “Vender alguma coisa para o varejo não é difícil, difícil é vender para o varejista.” Para Caio, essa dificuldade vem da insegurança, porque, de um ano para o outro, aquele comércio pode ser engolido, e isso amedronta o varejista, que tem medo de perder o negócio. Por isso, o foco de preocupação do varejista deve ser em se manter atualizado, atento aos riscos e sabendo quando inovar.

Geralmente, existe o receio de apostar em uma proposta muito rápida, mas, mais arriscado ainda é ficar à margem da evolução de mercado. O empresário lembra que há um ano no Brasil não se falava tanto em WhatsApp nem em Uber e cita outro exemplo: “Em julho, tivemos o boom do Pokémon Go e, três meses depois, ninguém mais fala sobre isso. Quem apostou muito dinheiro nessa história pode amargar um negócio negativo”.

Outro exemplo vem do aplicativo Uber, responsável por chacoalhar o mercado de táxis no mundo inteiro. Segundo Caio, na capital paulista, moradores das classes A e B já analisam a possibilidade
de não ter mais carros próprios e adotar de vez o aplicativo por questões de segurança e de custo.
Tal postura pode provocar um processo disruptivo sequenciado, pois quebra uma cadeia. “Ele muda a rota sem dar seta, sem avisar ninguém e, de repente, o mercado morre. O cara do estacionamento vai sentir isso, a seguradora, o guincho e por aí vai.”

E, pelo jeito, o varejo quer ser o último a mudar. Agir apenas quando todo mundo estiver nos mesmos trilhos e com risco mínimo. Mas o risco maior é perder mercado. Enquanto isso, o varejista ainda sonha: “Ele quer saber quando o Uber do varejo vai aparecer no negócio dele, mudando da noite para o dia, provocando rápido crescimento”, avalia Caio.

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Para informar e incentivar posturas modernas de mercado, uma das palestras do especialista é sobre atitude e desempenho, pois, para Caio, o varejista tem possibilidade de vender mais se for mais produtivo. “O varejo conserva uma posição muito passiva”, define. “O vendedor não entende o que é trabalhar para esse segmento, precisa enxergar o trabalho como um showroom de possibilidades. Ele deve ser mais jogador de futebol do que de pebolim. O de futebol corre atrás da bola enquanto o de pebolim fica parado esperando a bolinha bater nele.”

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A Bome, plataforma de fidelidade digital, é um dos clientes da Hub Pro. Há dois anos, começou as atividades com um aplicativo para celular e, desde maio, conta com site próprio. Esse passo, segundo o idealizador da startup, foi essencial para o aumento da produtividade da empresa: o movimento passou a ser de cerca de R$ 4 milhões, 80 clientes e 10 mil pessoas. “A Hub foi fundamental para esse resultado. Ela nos dá conhecimento sobre as necessidades do mercado, além de acompanhamento e feedbacks. E é uma ponte para captar investidores para o meu negócio”, afirma Levi Macario, 23 anos.

A boa ideia surgiu de uma observação no mercado de micro e pequenos varejistas: substituir os cartões-fidelidade em papel para o registro digital. “Os tíquetes de papel trazem problemas. Entre eles, a necessidade de o cliente sempre tê-los à mão. Além disso, os lojistas não acompanham o processo nem firmam relacionamento com o comprador. Sequer sabem o nome do seu consumidor”, destaca.

Por meio da Bome, o comerciante tem o próprio programa de fidelidade com registro de ticket médio, dados de consumidores, gráfico de recorrência, relacionamento automatizado via e-mail e SMS e integração com o software do estabelecimento. O leque da clientela é bastante amplo: de sorveterias a pet shops. As vantagens para os varejistas são a retenção dos clientes, o aumento de vendas e a potencialização da publicidade. “Funciona da seguinte forma: a cada R$ 1, a pessoa adquire 1 ponto. O atendente registra o CPF e o valor gasto. Em seguida, o consumidor consulta pontos e os troca na loja de prêmios”, explica Levi.

[sc name=”titulo-secao” size=”18px” cor=”#007A74″ titulo=”Os Sócios”]

Caio Camargo, paulista de 38 anos, tem duas décadas de experiência em varejo e atua como diretor de Relações Institucionais da Virtual Gate.Faz palestra sobre produtividade e experiência de compra e é colunista do Portal Administradores. Em 1º de dezembro, lançará o livro Arroz, feijão & varejo na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi, em São Paulo. Nele, estarão dezenas de artigos acumulados ao longo de oito anos e distribuídos em quatro temas: passo a passo do ponto de venda; para onde vai o varejo; gestão bem-aplicada; e vendas e atendimento.

Especialista em e-commerce, marketing, empreendedorismo e vendas, João Kepler faz palestras na área de inovação e convergência digital no Brasil, além de ter sido premiado com o Spark Awards, o Oscar das startups, como o Anjo-Investidor do ano (2015). É autor dos livros O vendedor na era digital, Vendas &atendimento e do recém lançado Educando os filhos para empreender.

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