{"id":12642,"date":"2021-05-17T12:00:00","date_gmt":"2021-05-17T15:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/?p=12642"},"modified":"2024-02-04T17:27:28","modified_gmt":"2024-02-04T20:27:28","slug":"o-apetite-insaciavel-do-estado-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/o-apetite-insaciavel-do-estado-brasileiro\/","title":{"rendered":"O apetite insaci\u00e1vel do Estado brasileiro"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>STF valida a incid\u00eancia do IR sobre dep\u00f3sitos banc\u00e1rios; a decis\u00e3o ser\u00e1 utilizada pela RFB para presumir a omiss\u00e3o de receitas com origem n\u00e3o comprovada<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Por Roberto Folgueral*<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O Supremo Tribunal Federal (STF) validou a incid\u00eancia do Imposto de Renda (IR) sobre dep\u00f3sitos banc\u00e1rios. A decis\u00e3o vale para os casos em que a Receita Federal presumir que tais valores tratavam-se de receita ou faturamento e houve uma omiss\u00e3o por parte da pessoa f\u00edsica ou jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa decis\u00e3o ser\u00e1 utilizada pela Receita Federal do Brasil (RFB) para presumir a omiss\u00e3o de receitas com origem n\u00e3o comprovada. A import\u00e2ncia que devemos dar aos cruzamentos das informa\u00e7\u00f5es pela RFB\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>O contribuinte, pessoa jur\u00eddica ou pessoa f\u00edsica, que intimado para comprovar sua movimenta\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria e n\u00e3o o fizer, sofrer\u00e1 incid\u00eancia do IR e da Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre o Lucro L\u00edquido, se for o caso.<\/p>\n\n\n\n<p>Observem a sutileza do julgado: presun\u00e7\u00e3o de omiss\u00e3o de receita.<\/p>\n\n\n\n<p>O julgamento dessa \u201caberra\u00e7\u00e3o\u201d encerrou-se no \u00faltimo dia 30 de abril de 2021, quando a maioria dos ministros seguiram os votos divergentes do Ministro Alexandre de Moraes.<\/p>\n\n\n\n<p>Este tema, de tributar dep\u00f3sitos banc\u00e1rios sem a devida origem, se arrasta desde 2015, questionando a aplicabilidade do artigo 42 da lei 9430\/96, que disp\u00f5e sobre a legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, do processo administrativo entre outras.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote alignwide\"><blockquote><p><em>&#8220;Art. 42. Caracterizam-se tamb\u00e9m omiss\u00e3o de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de dep\u00f3sito ou de investimento mantida junto a institui\u00e7\u00e3o financeira, em rela\u00e7\u00e3o aos quais o titular, pessoa f\u00edsica ou jur\u00eddica, regularmente intimado, n\u00e3o comprove, mediante documenta\u00e7\u00e3o h\u00e1bil e id\u00f4nea, a origem dos recursos utilizados nessas opera\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/em><\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>Na mat\u00e9ria origin\u00e1ria, o Tribunal Regional Federal (TRF) da 4\u00aa Regi\u00e3o manteve a tributa\u00e7\u00e3o sobre dep\u00f3sitos de origem n\u00e3o comprovada, autorizando o Fisco a constituir cr\u00e9dito tribut\u00e1rio sobre o total dos dep\u00f3sitos sem comprova\u00e7\u00e3o. Nesse caso, caracterizou a omiss\u00e3o de proventos. Destarte, pela decis\u00e3o, os valores em quest\u00e3o constitu\u00edram acr\u00e9scimo patrimonial do contribuinte, caracterizando fato gerador do IR.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Seja cauteloso<\/strong><br>O primeiro sofisma que devemos ser cautelosos: pelo entendimento, n\u00e3o s\u00e3o os dep\u00f3sitos o objeto da tributa\u00e7\u00e3o, mas sim o acr\u00e9scimo patrimonial n\u00e3o declarado.<\/p>\n\n\n\n<p>Caso n\u00e3o bastasse todo absurdo que envolve o caso, o STF decide, agora, tributar dep\u00f3sitos banc\u00e1rios, igualando-os \u00e0 proventos ou ainda pior A LUCRO OU ACR\u00c9SCIMO PATRIMONIAL!<\/p>\n\n\n\n<p>O STF ignorou os princ\u00edpios da capacidade contributiva, da proporcionalidade e da razoabilidade, autorizando a RFB a tributar POR PRESUN\u00c7\u00c3O.<\/p>\n\n\n\n<p>Acredito que n\u00e3o restando outra alternativa para o contribuinte, deve ter um cuidado extremado com suas contas, lembrando a inexist\u00eancia de sigilo banc\u00e1rio, desde a implanta\u00e7\u00e3o da Declara\u00e7\u00e3o de Informa\u00e7\u00f5es sobre Movimenta\u00e7\u00e3o Financeira (Dimof), hoje chamada de e-Financeira, que determina \u00e0s institui\u00e7\u00f5es financeiras informar para a RFB toda a movimenta\u00e7\u00e3o do seu cliente. Qualquer diverg\u00eancia entre o declarado e a informa\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o financeira levar\u00e1 o Fisco a entender, por PRESUN\u00c7\u00c3O, um lucro ou acr\u00e9scimo patrimonial omitido, levando o pobre contribuinte \u00e0 malha fina sob an\u00e1lise de cinco anos pret\u00e9ritos.<\/p>\n\n\n\n<p>Necessitamos urgentemente devolver ao cidad\u00e3o de bem o princ\u00edpio da inoc\u00eancia, avisando \u00e0 RFB que n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel conviver com o crit\u00e9rio de que todo contribuinte \u00e9 sonegador e culpado at\u00e9 se prova o contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabemos da necessidade de arrecada\u00e7\u00e3o do Estado, mas est\u00e1 insuport\u00e1vel manter saciado o crit\u00e9rio de POL\u00cdCIA ARRECADADORA DO ESTADO BRASILEIRO!<\/p>\n\n\n\n<p><em>*Roberto Folgueral \u00e9 contador, vice-presidente da Federa\u00e7\u00e3o das C\u00e2maras de Dirigentes Lojistas do Estado de S\u00e3o Paulo e presidente da C\u00e2mara de Dirigente Lojista da Cidade de S\u00e3o Paulo (CDL).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Supremo Tribunal Federal (STF) validou a incid\u00eancia do Imposto de Renda (IR) sobre dep\u00f3sitos banc\u00e1rios. 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