{"id":12907,"date":"2021-06-14T10:11:04","date_gmt":"2021-06-14T13:11:04","guid":{"rendered":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/?p=12907"},"modified":"2024-02-04T16:04:50","modified_gmt":"2024-02-04T19:04:50","slug":"compra-em-rede-social-eleva-concorrencia-para-shoppings","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/compra-em-rede-social-eleva-concorrencia-para-shoppings\/","title":{"rendered":"Compra em rede social eleva concorr\u00eancia para shoppings"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Centros de compra buscam formas para se digitalizar sem perder apelo<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O prazer de passear no shopping, olhar vitrines, tomar caf\u00e9, ir ao cinema e, \u00e9 claro, comprar. Em muitos locais, durante 150 dias em 2020 os brasileiros ficaram impedidos de desfrutar dos centros de compras &#8211; contando per\u00edodo em que empreendimentos ficaram fechados ou operaram com hor\u00e1rio reduzido.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com a vacina\u00e7\u00e3o a passos lentos, os shoppings n\u00e3o temem que uma eventual terceira onda de Covid-19 cause estragos ainda maiores do que os observados em 2020, quando as 500 milh\u00f5es de visitas mensais ca\u00edram para menos da metade e 12% dos lojistas (13 mil pontos de venda) fecharam as portas. Mas existe um concorrente que se fortaleceu durante a pandemia: a compra online, com destaque para as redes sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Dados da consultoria Ebit|-Nielsen apontam que, no ano passado, o com\u00e9rcio eletr\u00f4nico faturou R$ 87,4 bilh\u00f5es, uma alta de 41% sobre 2019. S\u00f3 no primeiro trimestre de 2021, o faturamento cresceu 38,2% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2020, para R$ 22,6 bilh\u00f5es. Nesta compara\u00e7\u00e3o trimestral, o n\u00famero de pedidos avan\u00e7ou 19,4%, para 46,3 milh\u00f5es, enquanto o t\u00edquete-m\u00e9dio subiu 15,8%, para R$ 488.<\/p>\n\n\n\n<p>Sites de busca e as redes sociais s\u00e3o o principal caminho para iniciar as compras, diz a consultoria. No ano passado, por exemplo, 29% das compras online de roupas e cal\u00e7ados come\u00e7aram em redes como Instagram e Facebook. O mesmo aconteceu em 27% dos pedidos de alimentos e 22% de perfumaria.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, entre maio de 2020 e abril de 2021, os shoppings amargaram uma queda de 43,3% nas visitas e de 21,3% nas vendas, segundo a pesquisa IPV &#8211; \u00edndices de Performance do Varejo, da FX Data Intelligence. A voltinha no shopping foi substitu\u00edda pelo rol\u00ea no feed do Instagram.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A digitaliza\u00e7\u00e3o do consumidor veio para ficar porque ele v\u00ea vantagens neste canal. Os shoppings t\u00eam que correr para acompanhar este movimento&#8221;, diz Fernanda Rodrigues, analista da consultoria Lafis.<\/p>\n\n\n\n<p>Na opini\u00e3o do consultor em varejo Eug\u00eanio Foganholo, da Mixxer, o setor de shoppings vive uma situa\u00e7\u00e3o desafiadora, porque tem boa parte das suas vendas baseadas na compra por impulso. &#8220;Pela conveni\u00eancia e rapidez, o consumidor vem se adaptando a um modo de fazer compras muito mais digital, o que tira a participa\u00e7\u00e3o do shopping&#8221;, diz. Com a dura\u00e7\u00e3o maior que o esperado da pandemia, a mudan\u00e7a de h\u00e1bito se arraigou. &#8220;N\u00e3o tem mais volta ao normal&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O recuo nas vendas durante a pandemia n\u00e3o foi ainda maior porque os varejistas de shopping t\u00eam partido para a venda digital na tentativa de minimizar os preju\u00edzos, diz o consultor Alberto Serrentino, s\u00f3cio da Varese Retail.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Na internet, o shopping perde a venda por impulso&#8221; diz Vander Gionlano, vice-presidente institucional da Multiplan. &#8220;O setor precisa do avan\u00e7o na vacina\u00e7\u00e3o para o p\u00fablico voltar&#8221;, diz ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Em mar\u00e7o, a Multiplan lan\u00e7ou uma campanha, estrelada pela atriz Gl\u00f3ria Pires e pelo apresentador Evaristo Costa, convidando os consumidores a voltar aos shoppings, apresentando o ambiente como seguro e controlado.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os shoppings gastaram muito dinheiro na compra de EPIs [equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual], na contrata\u00e7\u00e3o da consultoria Hospital S\u00edrio &#8211; Liban\u00eas para elaborar protocolos de opera\u00e7\u00e3o a fim de reabrir as instala\u00e7\u00f5es, e em todos os equipamentos de controle para ir muito al\u00e9m do que \u00e9 exigido pelas autoridades&#8221;, diz Giordano.<\/p>\n\n\n\n<p>A campanha encomendada pela Multiplan &#8211; que tem na carteira 19 empreendimentos, como Morumbi Shopping (SP), Village Mall (RJ) e P\u00e1tio Savassi (MG)- procurou mostrar aos consumidores que a vida est\u00e1 voltando ao normal, diz Giordano.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O tempo m\u00e9dio de perman\u00eancia do p\u00fablico em nossos shoppings diminuiu: era de uma nora antes da pandemia, caiu para meia hora e agora est\u00e1 em 40 minutos&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa Tend\u00eancia de Mobilidade, do Google Community Report, mostra a varia\u00e7\u00e3o no n\u00famero de visitantes em locais de varejo e lazer em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo pr\u00e9-pandemia. Os consumidores do Nordeste do pa\u00eds foram os que mais seguraram as sa\u00eddas: o fluxo caiu 63% em abril de 2020, na compara\u00e7\u00e3o com o ano anterior. No \u00faltimo m\u00eas de abril, essa queda foi suavizada para 38%, sobre o mesmo m\u00eas do ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>No Sudeste, onde se concentra a maior parte dos shoppings, o consumidor tamb\u00e9m est\u00e1 voltando, mas \u00e9 mais receoso: a queda no fluxo foi de 59% em abril de 2020 e passou a 44% em abril deste ano.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 pelos dados da pesquisa IPV, houve uma disparada de 452% no fluxo de visitas aos shoppings em abril, comparado ao mesmo m\u00eas do ano passado, o per\u00edodo mais intenso da quarentena. As vendas, por\u00e9m, cresceram em uma base bem menor, 49,8%.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As pessoas ainda querem sair, fazer compras e utilizar servi\u00e7os em um local seguro. No Brasil, os shoppings fazem parte do estilo de vida&#8221;, diz Renan Manda, analista da XP Investimentos. &#8220;Comer em um restaurante \u00e9 diferente de consumir uma refei\u00e7\u00e3o em uma caixa de papel. O p\u00fablico vai continuar querendo a experi\u00eancia&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Mas a maior exposi\u00e7\u00e3o dos consumidores ao streaming e \u00e0s redes sociais, provocada pela pandemia, deve levar a uma mudan\u00e7a no perfil dos empreendimentos, que veem parte das vendas migrando para o online&#8221;, afirma Manda.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Empresas se aliam a concorrentes em busca do online<\/strong><br \/>Antes mesmo da pandemia, e m 2019, as duas maiores empresas do setor, Multiplan e BR Malls, se tornaram s\u00f3cias do Delivery Center. A startup \u00e9 uma integradora de canais de venda online: recebe o registro da compra, realiza a coleta do produto, a roteiriza\u00e7\u00e3o dos pedidos e a entrega ao cliente.<\/p>\n\n\n\n<p>A Delivery Center possui pontos (hubs) de entrega instalados em shoppings, enquanto concorre -e, ao mesmo tempo, \u00e9 parceira &#8211; de aplicativos como iFood e Rappi, e de marketplaces, como B2W e Mercado Livre.<\/p>\n\n\n\n<p>A empresa centraliza e gerencia os pedidos feitos aos lojistas dos shoppings, sejam eles realizados pelos canais pr\u00f3prios de com\u00e9rcio eletr\u00f4nico ou pelos parceiros.<\/p>\n\n\n\n<p>A Cyrela Commercial Properties (CCP), dona de sete shoppings, entre eles o Tiet\u00ea Plaza e o Shopping D, em S\u00e3o Paulo, tamb\u00e9m \u00e9 s\u00f3cia do Delivery Center, criado pelo empres\u00e1rio Andreas Blazoudakis, o mesmo que deu origem ao iFood e \u00e0 Movile. Em outubro, BR MalLs, Multiplan e CC P fizeram um novo aporte de R$ 30 milh\u00f5es na companhia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Criamos um super aplicativo no ano passado, o Mui ti, em que o cliente pode comprar direto das lojas, com a op\u00e7\u00e3o de compra pelo WhatsApp, fazer o pedido aos restaurantes, participar de promo\u00e7\u00f5es. As compras podem ser entregues por delivery ou drive-thru, a partir do shopping mais pr\u00f3ximo&#8221;, diz Giordano, da Multiplan. Segundo ele, foram 800 mil downloadas at\u00e9 agora.<\/p>\n\n\n\n<p>A BR Malls, que administra 31 shoppings, entre eles shoppings Villa-Lobos (SP), Tijuca (RJ) e Esta\u00e7\u00e3o (PR), criou o e-shopping, um aplicativo vinculado a um programa de relacionamento, o Viva. &#8220;Com ele, o cliente tem benef\u00edcios como estacionamento gr\u00e1tis, caf\u00e9 e cupons de desconto&#8221;, diz Jini Nogueira, diretora comercial do BR Malls.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ela, por meio do Viva, foram realizadas 200 mil transa\u00e7\u00f5es, entre agosto de 2020 e mar\u00e7o de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Tamb\u00e9m criamos uma solu\u00e7\u00e3o via WhatsApp, o assistente de compras, que oferece op\u00e7\u00f5es de acordo com as necessidades do cliente&#8221;, afirma Jini. &#8220;O consumidor recebe um link para compra e a entrega pode ser feita dentro de uma hora&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao comparar os primeiros trimestres de 2021 e de 2019, os shoppings da BR Malls est\u00e3o operando com 70% do seu hor\u00e1rio de funcionamento, 82% do tempo de perman\u00eancia do cliente e 63% do t\u00edquete m\u00e9dio, considerando mesmas lojas. Para Jini, o pior da pandemia j\u00e1 passou. &#8220;No primeiro trimestre de 2021, somamos 120 novos contratos comerciais, contra 79 contratos do mesmo per\u00edodo de 2020&#8221;, diz ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos primeiros tr\u00eas meses do ano, a taxa de vac\u00e2ncia da BR Malls ficou em 3,7%. A do Multiplan atingiu 5,4% e, a do Iguatemi, 9,7% -esse \u00faltimo administra 14 shoppings, entre eles o Iguatemi S\u00e3o Paulo e o P\u00e1tio Higien\u00f3polis (SP), e dois outlets, o Novo Hamburgo (RS) e o Santa Catarina (SC). Procurado, o Iguatemi n\u00e3o quis dar entrevista.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a Aliansce Sonae, que tem 39 shoppings no seu portf\u00f3lio, entre eles Shopping West Plaza (SP), Boulevard Shopping Bras\u00edlia (DF) e Shopping Leblon (RJ), informou, por meio da sua assessoria, que deseja &#8220;ampliar sua presen\u00e7a omnichannel [uso simult\u00e2neo de v\u00e1rios canais de compras]&#8221; para &#8220;impulsionar as vendas dos seus lojistas&#8221;. &#8220;A companhia vem criando uma base \u00fanica e completa de dados e um sistema exclusivo de cruzamento e an\u00e1lise dessas informa\u00e7\u00f5es para entender os padr\u00f5es de comportamento dos clientes e mapear novas solu\u00e7\u00f5es&#8221;, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a Aliansce, foi criado um marketplace com uma plataforma integrada ao estoque do lojista, que automatiza o processo de vendas e unifica a loja f\u00edsica com os canais de venda online. A companhia estruturou tamb\u00e9m um hub log\u00edstico, que permite novos formatos de retirada das compras feitas pela internet, via drive-thru e arm\u00e1rios inteligentes (&#8220;lockers&#8221;).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Enquanto os shoppings ficaram fechados, tivemos que procurar adaptar as opera\u00e7\u00f5es para o mundo virtual, via aplicativos, sites, televendas, delivery e lockers&#8221; diz Glauco Humai, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Shopping Centers (Abrasee). Segundo ele, algumas alternativas vieram para ficar, como as compras por drive-thru.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;No auge da pandemia, esta op\u00e7\u00e3o foi usada por 92% dos shoppings. Agora, no Dia das M\u00e3es, esteve presente em 70% dos empreendimentos&#8221;, afirma. No caso dos lockers, a alternativa foi usada por 40% dos shoppings em 2020 e, neste Dia das M\u00e3es, por 23%.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Humai, h\u00e1 uma percep\u00e7\u00e3o de que a loja vem servindo como show room e hub log\u00edstico para as vendas online, uma vez que dois ter\u00e7os dos lojistas n\u00e3o t\u00eam centro de distribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As maiores empresas t\u00eam transferido suas vendas do presencial para o online. Mas nada substitui o shopping do ponto de vista de lazer e servi\u00e7os&#8221;, diz o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Nabil Sahyoun.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ele, os shoppings v\u00eam se reinventando. &#8220;Nasceram como centro de compras, mas se tornaram espa\u00e7os de lazer e entretenimento&#8221;, diz. Nabil acredita que, a partir do controle da pandemia, 80% do p\u00fablico deve voltar aos shoppings, enquanto um quinto, aproximadamente, continuar\u00e1 no home office.<\/p>\n\n\n\n<p>O tempo m\u00e9dio de perman\u00eancia do p\u00fablico em nossos shoppings diminuiu: era de uma hora antes da pandemia, caiu para meia hora e agora est\u00e1 em 40 minutos<\/p>\n\n\n\n<p><em>Fonte: Folha de S. Paulo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dados da consultoria Ebit|-Nielsen apontam que, no ano passado, o com\u00e9rcio eletr\u00f4nico faturou R$ 87,4 bilh\u00f5es, uma alta de 41% sobre 2019. S\u00f3 no primeiro trimestre de 2021, o faturamento cresceu 38,2% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2020, para R$ 22,6 bilh\u00f5es. 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