{"id":13422,"date":"2021-08-16T10:52:17","date_gmt":"2021-08-16T13:52:17","guid":{"rendered":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/?p=13422"},"modified":"2024-02-04T16:04:26","modified_gmt":"2024-02-04T19:04:26","slug":"perfil-de-gastos-e-patrimonio-da-geracao-z-refletem-novas-prioridades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/perfil-de-gastos-e-patrimonio-da-geracao-z-refletem-novas-prioridades\/","title":{"rendered":"Perfil de gastos e patrim\u00f4nio da gera\u00e7\u00e3o Z refletem novas prioridades"},"content":{"rendered":"\n<p>Um consumo consciente &#8211; preocupado com a sustentabilidade e com a ajuda aos pequenos com\u00e9rcios &#8211; que se mescla a gastos voltados para novas experi\u00eancias, estudos e lazer em um or\u00e7amento enxuto.<\/p>\n\n\n\n<p>O perfil de gastos e a constru\u00e7\u00e3o de patrim\u00f4nio da gera\u00e7\u00e3o Z (nascidos entre 1995 e 2010) j\u00e1 reflete uma mudan\u00e7a radical de prioridades ao longo dos anos. Segundo especialistas, mesmo entre aqueles que j\u00e1 come\u00e7am a sair debaixo das asas dos pais para ter renda pr\u00f3pria, a expectativa \u00e9 que a casa e o carro pr\u00f3prios fiquem para depois.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Come\u00e7amos a falar cada vez mais da economia compartilhada. Essa \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o vai querer possuir, mas vai querer usar. \u00c9 o caso de usar aplicativos de transporte, por exemplo, o aluguel de bicicletas e at\u00e9 o Airbnb&#8221;, afirmou Alexandre Mutran, diretor de marketing da Aon e professor da ESPM.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o caso de Lucas dos Santos Formigoni, 21, estudante de economia. &#8220;Eu gostaria muito de ter uma casa pr\u00f3pria, mas \u00e9 um plano de longo prazo. Mesmo que eu comece a trabalhar, me estabele\u00e7a e tenha uma renda permanente, acredito que s\u00f3 vou come\u00e7ar a planejar isso daqui 10 ou 15 anos. O que j\u00e1 n\u00e3o acontece em rela\u00e7\u00e3o a transporte, por exemplo. N\u00e3o tenho nenhum interesse em ter carro pr\u00f3prio&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Formigoni, que nunca trabalhou, mudou recentemente para um apartamento no centro de S\u00e3o Paulo. Parte das despesas fixas do im\u00f3vel &#8211; como aluguel, condom\u00ednio, \u00e1gua, luz e internet &#8211; ser\u00e3o pagas com uma reserva financeira feita por ele ao longo dos anos, com o dinheiro vindo de mesadas e presentes da fam\u00edlia. Para os outros gastos, ele deve contar com a ajuda dos pais.<\/p>\n\n\n\n<p>Do total de recursos que tem, o estudante acredita que cerca de 60% ficar\u00e1 reservado para os gastos fixos da nova casa, enquanto o restante ser\u00e1 dividido entre alimenta\u00e7\u00e3o e lazer.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o sou muito consumista, mas gosto de ter um dinheiro guardado para o meu entretenimento, como uma cerveja para beber em casa ou livros, que \u00e9 uma das coisas com as quais eu mais acabo gastando. Tamb\u00e9m quero montar uma reserva para fazer um interc\u00e2mbio daqui uns quatro anos&#8221;, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>O direcionamento de recursos \u00e9 diferente do que o observado em gera\u00e7\u00f5es anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Talvez o meu perfil da juventude seja um pouco diferente porque eu fui pai muito novo. Eu casei com 18 anos e tive que assumir minhas responsabilidades muito cedo, pagar a escola do meu filho e sustentar a casa junto \u00e0 minha esposa. Com 27 anos eu j\u00e1 consegui dar entrada na minha casa, e com 40 [anos], quitei o im\u00f3vel&#8221;, afirmou Fernando C\u00e9sar Ribeiro Bergamo, 49. Ele \u00e9 da gera\u00e7\u00e3o X (nascidos entre meados de 1960 e 1979).<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, a \u00fanica renda de Bergamo vem do Emp\u00f3rio Casa e Decora\u00e7\u00e3o, loja da qual \u00e9 dono e que possui duas unidades em S\u00e3o Paulo. Uma parcela do dinheiro vai para sustentar as despesas fixas da casa onde mora com a esposa e um dos filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Agora a minha situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 confort\u00e1vel. N\u00e3o preciso mais me preocupar em pagar a presta\u00e7\u00e3o da casa, do carro ou a faculdade dos meus filhos. Meu custo de vida \u00e9 muito baixo e o que sobra n\u00f3s guardamos &#8211; metade fazemos uma poupan\u00e7a e a outra metade gastamos para viajar ou comer em restaurantes&#8221;, disse o empres\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Para especialistas ouvidos pela Folha, por\u00e9m, a mudan\u00e7a nos padr\u00f5es de consumo tamb\u00e9m \u00e9 relativa e, al\u00e9m do momento de vida, tamb\u00e9m podem envolver quest\u00f5es como a cria\u00e7\u00e3o e a classe social.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Existe uma disparidade de realidades que tamb\u00e9m precisa ser considerada&#8221;, afirmou Mutran, da Aon.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Enquanto o jovem da classe m\u00e9dia aluga uma bicicleta para lazer, o jovem da periferia talvez precise faz\u00ea-lo para ir trabalhar como entregador de aplicativos, por exemplo. E isso se estende para a constru\u00e7\u00e3o de patrim\u00f4nio. Enquanto algu\u00e9m que tenha condi\u00e7\u00f5es de pagar Uber possa n\u00e3o almejar um carro pr\u00f3prio, ter uma moto pode ser aspiracional para o jovem de periferia. \u00c9 algo para que ele possa ir ao trabalho, mas que tamb\u00e9m use para sair com os amigos&#8221;, completou o executivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra tend\u00eancia que refor\u00e7a a diferen\u00e7a entre perfis \u00e9 a maior preocupa\u00e7\u00e3o com o consumo consciente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o caso de Fernanda Rocha Zogheib, 19, professora particular e vestibulanda. Ela afirma que usa metade de sua renda para ajudar nas casas dos pais, onde mora. A outra metade, vai para um investimento em renda fixa e para consumo pr\u00f3prio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Este \u00faltimo ano de pandemia foi o que eu menos gastei. Eu sempre fui de ir no mercado e cozinhar ao inv\u00e9s de pedir comida, o que n\u00e3o mudou. De resto, compro livros e roupas, mas sempre prefiro comprar de brech\u00f3 e n\u00e3o de lojas grandes de departamento. Assim, pelo menos, ajudo os empres\u00e1rios com neg\u00f3cios menores&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o planejador financeiro Carlos Castro, da Planejar, outro aspecto relevante para tra\u00e7ar as diferen\u00e7as do perfil de consumo e de gastos entre as gera\u00e7\u00f5es \u00e9 a ado\u00e7\u00e3o da tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os millennials [nascidos entre 1980 e 1994] s\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o de transi\u00e7\u00e3o da tecnologia, tendo passado parte da sua inf\u00e2ncia j\u00e1 se adequando a essa realidade. Da outra ponta, temos os dois extremos: enquanto aqueles da gera\u00e7\u00e3o X demoraram alguns anos para conseguirem se adequar ao mundo tecnol\u00f3gico, a gera\u00e7\u00e3o Z \u00e9 completamente nativa digital. E isso tamb\u00e9m se traduz em h\u00e1bitos de consumo, por exemplo&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>M\u00f4nica Nepomuceno Baeta, 56, concorda que a maior parte das diferen\u00e7as pode ser explicada pela tecnologia. &#8220;Aos 20 anos, como eu n\u00e3o tinha a responsabilidade de uma casa, meu dinheiro era todo para passeios e viagens. Mas diferente da gera\u00e7\u00e3o de hoje, eu n\u00e3o tinha Uber. Se eu n\u00e3o quisesse usar o metr\u00f4 ou o \u00f4nibus, eu tinha que me esfor\u00e7ar para ter o meu carro. O acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o aumentou muito e isso muda muito a consci\u00eancia das novas gera\u00e7\u00f5es&#8221;, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, Baeta \u00e9 aposentada, mas atua junto ao marido como representante oficial de grandes empresas do segmento de refei\u00e7\u00e3o e conv\u00eanio. Al\u00e9m dos gastos fixos da casa, a renda que tiram tamb\u00e9m \u00e9 dividida entre os dependentes: um filho de 15 anos e suas respectivas m\u00e3es.<\/p>\n\n\n\n<p>A tend\u00eancia de um perfil de consumo cada vez mais voltado para o mundo digital, por\u00e9m, tem evolu\u00eddo para todas as idades. Um estudo recente feito pela CNDL (Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Dirigentes Lojistas) e pelo SPC Brasil apontou que nove em cada dez pessoas realizaram uma compra online nos \u00faltimos 12 meses.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esse movimento mais voltado para o digital j\u00e1 era uma tend\u00eancia, mas foi acelerado pela pandemia&#8221;, afirmou a especialista em finan\u00e7as da CNDL, Merula Borges.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;E \u00e9 uma tend\u00eancia que deve se manter para todas as idades. As pessoas devem se sentir cada vez mais confiantes, principalmente diante de novas tecnologias de pagamento, como o Pix.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa ouviu 958 pessoas, todas maiores de idade e de todas as classes econ\u00f4micas. Do total de entrevistados, 55% tamb\u00e9m afirmaram que pediram comida por aplicativos de delivery, 45% compraram artigos de vestu\u00e1rio, 37% adquiriram com celulares e 36% gastaram com streaming de filmes e s\u00e9ries.<\/p>\n\n\n\n<p>Do lado dos millennials, a caracter\u00edstica de ser uma gera\u00e7\u00e3o de transi\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m transparece nos gastos.<\/p>\n\n\n\n<p>Marina Bravo Spessoto, 29, afirma que, aos 20, tamb\u00e9m dependia completamente dos pais. &#8220;Eu n\u00e3o trabalhava e tinha um cart\u00e3o de cr\u00e9dito controlado, para alimenta\u00e7\u00e3o e o que mais eu precisasse gastar&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela atualmente mora em Atibaia com o filho de quatro anos, Bernardo, e trabalha como assistente de uma empresa de tecnologia. Segundo Spessoto, cerca de 60% do que recebe vai para gastos fixos da casa e 30% vai para Bernardo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O resto, uns 10%, eu consigo guardar. Esse dinheiro eu deixo na poupan\u00e7a e ele serve principalmente para pagar os gastos de in\u00edcio do ano, como os materiais da creche do meu filho, matr\u00edcula e todos os pagamentos para o meu carro&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Situa\u00e7\u00e3o semelhante acontece com Leonardo Felix dos Santos, 33. Ele, que trabalha com gest\u00e3o de benef\u00edcios, tamb\u00e9m divide a renda principalmente entre os gastos fixos da casa e com educa\u00e7\u00e3o (sua e da sua filha de sete anos).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Cerca de 30% do que recebo hoje vai para a casa e outros 40% v\u00e3o para as escolas. Tem uns 20% que separo para gastos mais de passeio e compras de final de semana com a minha fam\u00edlia, mas esses eventos, a maioria das vezes quem paga \u00e9 minha esposa&#8221;, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Fonte: Folha de S. Paulo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jovens deixam a compra da casa e do carro pr\u00f3prios para depois e buscam consumo consciente<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":13423,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1836],"tags":[1561,717],"class_list":["post-13422","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-marketing-e-vendas","tag-geracao-z","tag-sustentabilidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13422","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13422"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13422\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13423"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13422"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13422"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13422"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}