{"id":15113,"date":"2022-03-03T08:35:00","date_gmt":"2022-03-03T11:35:00","guid":{"rendered":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/?p=15113"},"modified":"2024-02-04T15:50:48","modified_gmt":"2024-02-04T18:50:48","slug":"como-a-sobrecarga-afeta-a-vida-profissional-das-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/como-a-sobrecarga-afeta-a-vida-profissional-das-mulheres\/","title":{"rendered":"Como a sobrecarga afeta a vida profissional das mulheres"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Confira entrevista com duas especialistas em recursos humanos, diversidade e inclus\u00e3o, e conhe\u00e7a formas de empoderar as mulheres da sua equipe<\/em><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Samanta-1024x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15115\" width=\"318\" height=\"318\" srcset=\"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Samanta-1024x1024.jpeg 1024w, https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Samanta-300x300.jpeg 300w, https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Samanta-150x150.jpeg 150w, https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Samanta-768x768.jpeg 768w, https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Samanta-550x550.jpeg 550w, https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Samanta-1100x1100.jpeg 1100w, https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Samanta.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 318px) 100vw, 318px\" \/><figcaption><em>Samanta Lopes: &#8220;Os modelos do que \u00e9 ser mulher e do que \u00e9 ser homem vem mudando h\u00e1 algum tempo, mas as cobran\u00e7as sobre a mulher n\u00e3o&#8221;<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>No Brasil, a maior parte das mulheres est\u00e1 exausta com o ac\u00famulo de responsabilidades. As brasileiras precisam dar conta, muitas vezes sozinhas, do sustento dos filhos e da casa, do trabalho dom\u00e9stico e das refei\u00e7\u00f5es. Segundo o IBGE \u2013 Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica, quase metade das casas brasileiras s\u00e3o chefiadas por mulheres, ou seja, s\u00e3o 34,4 milh\u00f5es de domic\u00edlios que t\u00eam mulheres como respons\u00e1veis financeiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de trabalhar fora para sustentar casa e fam\u00edlia, elas gastam, em m\u00e9dia, mais de 61 horas por semana em atividades n\u00e3o remuneradas, segundo estudo da Think Olga (TO), a partir de dados do IBGE. \u00c9 a famosa \u201cdupla\u201d ou \u201ctripla\u201d jornada de trabalho. \u201cUm esfor\u00e7o que equivale a 11% do PIB \u2013 Produto Interno Bruto\u201d, registrou a TO, em seu relat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Temos uma crescente participa\u00e7\u00e3o feminina na for\u00e7a de trabalho, o que impacta na necessidade de equil\u00edbrio entre homens e mulheres quanto \u00e0s responsabilidades bin\u00e1rias. Por\u00e9m, a participa\u00e7\u00e3o masculina nas demandas familiares n\u00e3o tem evolu\u00eddo na mesma medida cultural. Esse desencontro acaba gerando sobrecarga para as mulheres, que ainda s\u00e3o as maiores respons\u00e1veis pelo cuidado de familiares e nas atividades dom\u00e9sticas&#8221;, explica Julia Piccolomini, l\u00edder de Diversidade e Inclus\u00e3o na Hash, plataforma que oferece solu\u00e7\u00f5es financeiras para empresas.<\/p>\n\n\n\n<p>Desta quantidade de horas, 21,4 horas foram dedicadas exclusivamente para cuidar de familiares e servi\u00e7os dom\u00e9sticos. \u201cO trabalho de cuidados n\u00e3o pago das mulheres equivaleria a US$ 10,8 trilh\u00f5es. Apenas quatro economias no mundo ficariam acima desse valor\u201d, acrescentou a Think Olga.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Desigualdade de g\u00eanero<\/strong><br>Nos \u00faltimos dois anos, a sobrecarga de tarefas e obriga\u00e7\u00f5es aumentou mais ainda para as mulheres. Segundo a pesquisa &#8220;Sem parar: o trabalho e a vida das mulheres na pandemia&#8221;, realizada pela G\u00eanero e N\u00famero em parceria com a Sempre Viva Organiza\u00e7\u00e3o Feminista, em 2020, 50% das mulheres brasileiras passaram a cuidar de algu\u00e9m no per\u00edodo. Ainda de acordo com o levantamento, das mulheres que seguiram trabalhando durante a pandemia com manuten\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios, 41% afirmaram trabalhar mais na quarentena.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPoucos foram os casos relatados de homens dividindo tarefas, e em muitos casos, as mulheres cuidaram da fam\u00edlia, dos pais de ambos e ainda dos c\u00f4njuges. Isso exaure o f\u00edsico, mental, emocional e espiritual dessas mulheres, que est\u00e3o sugadas pelas demandas e lutando diariamente para serem \u2018super\u2019 mulheres\u201d, avalia Samanta Lopes, coordenadora MDI \u2013 Mestre de Diversidade Inclusiva da \u2018um.a #DiversidadeCriativa\u2019, ag\u00eancia de<em>\u202flive\u202fmarketing<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Julia_Piccolomini.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15116\" width=\"436\" height=\"280\" srcset=\"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Julia_Piccolomini.jpeg 750w, https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Julia_Piccolomini-300x193.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 436px) 100vw, 436px\" \/><figcaption><em>Julia Piccolomini: &#8220;\u00c9 a partir da atitude de cada pessoa que transformamos uma cultura, por isso acreditamos que o movimento de reduzir a sobrecarga sobre as mulheres parte da conscientiza\u00e7\u00e3o&#8221;<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>No entanto, dados do relat\u00f3rio Progress of the World\u2019s Women 2019-2020, produzido pela ONU Mulheres, revelam que, mesmo antes da pandemia, as mulheres realizavam quase tr\u00eas vezes mais tarefas n\u00e3o remuneradas e trabalho dom\u00e9stico do que os homens. Mais da metade (54,6%) das mulheres casadas ou em uni\u00e3o est\u00e1vel cuidam sozinhas das tarefas dom\u00e9sticas e 34,6% dividem com o c\u00f4njuge.<\/p>\n\n\n\n<p>Metade (50,3%) das que j\u00e1 s\u00e3o m\u00e3es cuidam a maior parte do tempo sozinhas dos filhos quando eles est\u00e3o em casa, principalmente aquelas das classes C\/D\/E (52,7%). Por outro lado, 26,5% dividem igualmente essa responsabilidade com o c\u00f4njuge, com destaque para as que s\u00e3o das classes A\/B (35,4%).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTemos duas situa\u00e7\u00f5es distintas aqui: nos \u00faltimos cinco anos, muitas mulheres precisaram empreender para garantir o sustento da fam\u00edlia, sem sequer terem no\u00e7\u00f5es do que seja um fluxo de caixa, precifica\u00e7\u00e3o, nem como gerir um neg\u00f3cio. Come\u00e7am vendendo algo que sabem fazer muito bem, como bolos e salgados, e v\u00e3o \u2018tateando\u2019 para conseguirem sobreviver dessa renda. Outro grupo, relativamente menor, possui uma vida bem-organizada e consegue fazer escolhas, definir como querem investir em suas carreiras e sua renda lhes permite essa autonomia. O que mudou nos \u00faltimos anos foi a discuss\u00e3o do porqu\u00ea as mulheres t\u00eam de escolher entre carreira e fam\u00edlia. Ser\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ter ambos e ser boa nos dois pap\u00e9is? Algumas mulheres conseguiram mostrar que sim. Sem romantizar, sabemos que n\u00e3o \u00e9 simples nem f\u00e1cil, mas \u00e9 poss\u00edvel\u201d, explica Samanta Lopes, que h\u00e1 alguns anos participa como voluntaria de projetos sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipe da Varejo S.A. conversou com Julia Piccolomini e Samanta Lopes sobre os desafios da mulher brasileira na gest\u00e3o de trabalho, neg\u00f3cios, casa e fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Samanta se define como \u201cpessoa da diversidade, mulher, negra, nascida na periferia da Zona Leste de S\u00e3o Paulo e estudante de escola p\u00fablica, que desde muito pequena era incentivada pelos pais e professores a expor suas ideias\u201d. H\u00e1 cerca de cinco anos, acompanha de perto quest\u00f5es sobre viol\u00eancia dom\u00e9stica contra a mulher e de diversidade nas empresas.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Julia se descreve como \u201cmulher, cis, branca, bissexual, umbandista e possui uma defici\u00eancia f\u00edsica chamada distrofia muscular de cinturas\u201d. Tem forma\u00e7\u00e3o em Artes C\u00eanicas e cursa MBA de Gest\u00e3o de Pessoas na USP \u2013 Universidade de S\u00e3o Paulo. Atualmente, \u00e9 Chief People Officer da ag\u00eancia e produtora Freakout e integra o coletivo Vale PcD em prol da visibilidade e equidade das pessoas com defici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/shutterstock_1730291089-1024x536.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15117\"\/><figcaption><em>Mesmo antes da pandemia, as mulheres realizavam quase tr\u00eas vezes mais tarefas n\u00e3o remuneradas e trabalho dom\u00e9stico do que os homens<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Confira o bate-papo:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>De que forma a sobrecarga de responsabilidades tem impactado a mulher brasileira socialmente e sua sa\u00fade?<\/strong><br><strong>Julia Piccolomini &#8211;<\/strong> Temos uma crescente participa\u00e7\u00e3o feminina na for\u00e7a de trabalho, o que impacta na necessidade de equil\u00edbrio entre homens e mulheres quanto \u00e0s responsabilidades bin\u00e1rias. Por\u00e9m, a participa\u00e7\u00e3o masculina nas demandas familiares n\u00e3o tem evolu\u00eddo na mesma medida cultural. Esse desencontro acaba gerando sobrecarga para as mulheres, que ainda s\u00e3o as maiores respons\u00e1veis pelo cuidado de familiares e nas atividades dom\u00e9sticas.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, diversos estudos demonstram a associa\u00e7\u00e3o entre os efeitos negativos do conflito trabalho-fam\u00edlia com os diversos malef\u00edcios de sa\u00fade f\u00edsica e mental, tais como: depress\u00e3o ou exaust\u00e3o emocional e sa\u00fade cardiovascular. No campo social, a sobrecarga reduz os benef\u00edcios de bem-estar do emprego e fortalece a \u201cs\u00edndrome da impostora\u201d que abala a autoestima de muitas mulheres, fazendo-as acreditarem que \u201cn\u00e3o merecem estar em determinados espa\u00e7os\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Samanta Lopes &#8211;<\/strong> Desde 2018, acompanho mais de perto os v\u00e1rios relatos sobre abusos de todos os tipos envolvendo mulheres por todo o mundo. Organizo com alguns parceiros o Inovathon Combate \u00e0 Viol\u00eancia Dom\u00e9stica, onde h\u00e1 grande participa\u00e7\u00e3o de mulheres, inclusive de outros estados e pa\u00edses e de v\u00e1rias \u00e1reas \u2013 como sa\u00fade, jur\u00eddica, assist\u00eancia social, entre outras \u2013, e algumas foram v\u00edtimas ou conhecem v\u00edtimas de viol\u00eancias diversas. Infelizmente, nos chegam relatos, para al\u00e9m dos dados dispon\u00edveis nas m\u00eddias por pesquisa bibliogr\u00e1fica, sobre sequestros, viol\u00eancia moral, viol\u00eancia psicol\u00f3gica, viol\u00eancia f\u00edsica, abuso sexual, abuso financeiro, feminic\u00eddios e sobrecarga de tarefas e obriga\u00e7\u00f5es que pesam apenas sobre elas.<\/p>\n\n\n\n<p>A pandemia agravou o quadro de isolamento e a falta de possibilidades de den\u00fancias, pois al\u00e9m de estarem contidas convivendo com as pessoas agressoras, muitas foram demitidas ou ficaram sem suas redes de apoio \u2013 como a escola, bab\u00e1s e outras pessoas que ajudavam na organiza\u00e7\u00e3o cotidiana, incluindo as faxineiras, motoristas das vans escolares, entre outros \u2013, que garantem algumas janelas de tempo ou permitem focar em atividades profissionais. Sozinhas, precisaram suprir a maior parte ou todas as tarefas de respons\u00e1veis da casa.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/shutterstock_6316522-683x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15118\" width=\"285\" height=\"428\" srcset=\"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/shutterstock_6316522-683x1024.jpg 683w, https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/shutterstock_6316522-200x300.jpg 200w, https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/shutterstock_6316522-768x1151.jpg 768w, https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/shutterstock_6316522-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/shutterstock_6316522-1366x2048.jpg 1366w, https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/shutterstock_6316522.jpg 1500w\" sizes=\"auto, (max-width: 285px) 100vw, 285px\" \/><figcaption><em>Elas gastam, em m\u00e9dia, mais de 61 horas por semana em atividades n\u00e3o remuneradas, segundo estudo da Think Olga<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Poucos foram os casos relatados de homens dividindo tarefas, e em muitos casos, as mulheres cuidaram da fam\u00edlia, dos pais de ambos e ainda dos c\u00f4njuges. Isso exaure o f\u00edsico, mental, emocional e espiritual dessas mulheres, que est\u00e3o sugadas pelas demandas e lutando diariamente para serem \u2018super\u2019 mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>E devido a heran\u00e7a patriarcal na qual vivemos, se pedem ajuda ou reclamam, s\u00e3o criticadas. E infelizmente, muitas vezes, a fam\u00edlia apoia a pessoa agressora dizendo que a v\u00edtima \u00e9 a parte incompetente. \u00c9 uma luta injusta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Esta sobrecarga \u00e9 o principal motivo pelo qual as mulheres n\u00e3o conseguem investir nos pr\u00f3prios projetos e carreiras e assumir posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a?<\/strong><br><strong>Julia Piccolomini &#8211; <\/strong>A sobrecarga \u00e9 um dos motivos, mas \u00e9 importante ter a consci\u00eancia de que ela \u00e9 fruto da constru\u00e7\u00e3o social do Brasil que parte do patriarcado. Por isso, h\u00e1 muitas barreiras de acesso cultural para as mulheres, ainda mais considerando todas as suas interseccionalidades. Dentre essas barreiras, est\u00e3o a falta de oportunidades de emprego e desenvolvimento de carreira em equidade, viol\u00eancia dom\u00e9stica, transfobia, entre outras. N\u00f3s na Hash temos o compromisso de quebrar essas barreiras do machismo e de desenvolver um mercado de tecnologia cada vez mais inclusivo para as mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Samanta Lopes &#8211; <\/strong>Temos duas situa\u00e7\u00f5es distintas aqui: quando estamos falando da popula\u00e7\u00e3o em geral, principalmente das mulheres no Brasil, mas tamb\u00e9m da Am\u00e9rica Latina e Central, s\u00e3o mulheres com renda entre um ter\u00e7o e metade do que ganham os homens. Muitas com grande depend\u00eancia das fam\u00edlias, c\u00f4njuges ou de projetos sociais, como o Bolsa Fam\u00edlia, que n\u00e3o pagam o suficiente para que consigam autonomia pessoal e uma vida melhor.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos cinco anos, muitas precisaram empreender para garantir o sustento da fam\u00edlia, sem sequer terem no\u00e7\u00f5es do que seja um fluxo de caixa, precifica\u00e7\u00e3o, nem como gerir um neg\u00f3cio. Come\u00e7am vendendo algo que sabem fazer muito bem, como bolos e salgados, e v\u00e3o \u201ctateando\u201d para conseguirem sobreviver dessa renda. Algumas faturam um sal\u00e1rio-m\u00ednimo ou pouco mais, no entanto, todas sofrem com diversos reveses: a incerteza de gerar neg\u00f3cios todos os dias e as responsabilidades do lar, que n\u00e3o \u2018desaparecem\u2019 porque est\u00e3o trabalhando. Por isso, sempre que podem, continuam buscando recoloca\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho formal, em busca de seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro grupo, relativamente menor, possui uma vida bem-organizada e consegue fazer escolhas, definir como querem investir em suas carreiras e sua renda lhes permite essa autonomia. Elas definem como querem seguir e, em sua maioria, iniciam com forma\u00e7\u00e3o superior, casamento, um afastamento para cuidar dos filhos e a retomada da carreira depois que eles passam dos 10 anos ou pouco antes.<\/p>\n\n\n\n<p>O que mudou nos \u00faltimos anos foi a discuss\u00e3o do porqu\u00ea as mulheres t\u00eam de escolher entre carreira e fam\u00edlia. Ser\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ter ambos e ser boa nos dois pap\u00e9is? Algumas mulheres conseguiram mostrar que sim e isso tem motivado outras a encontrarem formas de atender a seus anseios profissionais e pessoais em paralelo sem enlouquecerem. Sem romantizar, sabemos que n\u00e3o \u00e9 simples nem f\u00e1cil, mas \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/shutterstock_1892546380-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15119\" width=\"369\" height=\"246\" srcset=\"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/shutterstock_1892546380-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/shutterstock_1892546380-300x200.jpg 300w, https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/shutterstock_1892546380-768x512.jpg 768w, https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/shutterstock_1892546380.jpg 1500w\" sizes=\"auto, (max-width: 369px) 100vw, 369px\" \/><figcaption><em>Samanta Lopes: &#8220;Todas as pessoas precisam colaborar nos cuidados m\u00fatuos. Dividir tarefas dom\u00e9sticas, vale desde tirar p\u00f3, arrumar a cama at\u00e9 cozinhar e lavar roupas&#8221;<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Como superar esta \u201csobrecarga\u201d de forma que as mulheres possam investir mais em suas carreiras\/neg\u00f3cios e conquistar cargos de lideran\u00e7a?<br>Julia Piccolomini \u2013<\/strong> Na Hash temos uma \u00e1rea de D&amp;I \u2013 Diversidade e Inclus\u00e3o onde a pauta de igualdade de g\u00eanero \u00e9 emergencial e um dos principais pilares estrat\u00e9gicos para a sustentabilidade da Hash. Temos um comit\u00ea de g\u00eanero com v\u00e1rias pessoas embaixadoras da causa realizando a\u00e7\u00f5es de conscientiza\u00e7\u00e3o e pertencimento, como a \u201cConta mais, Mulher!\u201d que \u00e9 uma roda de conversa de acolhimento e apoio s\u00f3 para mulheres, assim constru\u00edmos uma cultura cada vez mais atenta \u00e0s quest\u00f5es de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, temos a\u00e7\u00f5es afirmativas em parceria com o time Jur\u00eddico, auxiliando na pol\u00edtica D&amp;I e no canal de escuta; com <em>Hiring<\/em>, onde olhamos para a equidade nos processos seletivos, como o Programa Apodera, voltado para prestar apoio \u00e0s pessoas de grupos minorizados que participam dos nossos processos seletivos; com o Desenvolvimento e Performance, <em>workshop<\/em> sobre protagonismo feminino e lideran\u00e7a para as mulheres neste m\u00eas de mar\u00e7o; e o <em>Rewards<\/em>, com sal\u00e1rios em equidade e licen\u00e7as-maternidade inclusivas. A nossa estrutura <em>remote first<\/em> tamb\u00e9m garante que mulheres realizem suas atividades de forma flex\u00edvel, tendo mais tempo para si, estando mais pr\u00f3ximas de quem amam e conquistando mais qualidade de vida. Sabemos que ainda temos um caminho a trilhar, mas seguimos celebrando nossas conquistas e estruturando objetivos estrat\u00e9gicos de forma s\u00f3lida para a equidade de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Samanta Lopes &#8211;<\/strong> Creio que precisamos criar nossas crian\u00e7as de outra forma. Os modelos do que \u00e9 ser mulher e do que \u00e9 ser homem vem mudando h\u00e1 algum tempo, mas as cobran\u00e7as sobre a mulher n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos levar essa conversa para a inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, fases em que as mentes est\u00e3o abertas a entender que equidade n\u00e3o \u00e9 igualdade, somos diferentes e isso \u00e9 \u00f3timo, por isso mesmo precisamos garantir que todas as pessoas tenham oportunidades e qualidade de vida, independentemente de seu g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>Filhos e casa s\u00e3o para a fam\u00edlia, todas as pessoas precisam colaborar nos cuidados m\u00fatuos. Dividir tarefas dom\u00e9sticas, vale desde tirar p\u00f3, arrumar a cama at\u00e9 cozinhar e lavar roupas. Saber cuidar de uma casa garante autonomia para qualquer pessoa, ela saber\u00e1 viver bem em qualquer lugar do mundo e, se necess\u00e1rio, saber\u00e1 cuidar de algu\u00e9m ou orientar para que a pessoa seja cuidada. Fazer permitir\u00e1 que ela saiba o quanto \u00e9 relevante o tempo e o esfor\u00e7o das outras pessoas e, certamente, ela ir\u00e1 colaborar mais para manter a ordem, que \u00e9 boa para todas as pessoas que est\u00e3o naquele lugar. Isso a acompanhar\u00e1 pela vida, seja nas rela\u00e7\u00f5es ou no trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir desse senso de autonomia desde a inf\u00e2ncia, a pessoa se torna mais corajosa para enfrentar desafios. Quando encorajamos tarefas pequenas e celebramos, formamos a autoconfian\u00e7a dos cidad\u00e3os que ir\u00e3o conduzir os anos futuros como jovens e adultos. A colabora\u00e7\u00e3o que \u00e9 fomentada quando dividimos tarefas seguir\u00e1 como uma habilidade natural, assim como um entendimento do que \u00e9 criar listas, planejar, dividir esfor\u00e7os para chegar a resultados e celebrar quando est\u00e1 tudo feito.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, a depender de como ensinamos, veremos jovens chegando \u00e0 idade adulta em condi\u00e7\u00f5es de fazer melhores escolhas, porque saber\u00e3o como \u00e9 trabalhoso cuidar de uma fam\u00edlia. A crian\u00e7a absorve exemplos mais do que palavras, ent\u00e3o, se queremos que sejam corajosas, ativas, gostem de realizar atividades, temos de abrir espa\u00e7o para que sejam assim desde pequenas.<\/p>\n\n\n\n<p>Se as meninas s\u00f3 forem incentivadas a brincar de casinha e boneca sempre servindo, evitarem confrontos, sempre se sentarem de pernas fechadas como pequenas damas sem exigirem seus espa\u00e7os, aceitando \u2018intera\u00e7\u00f5es\u2019 que n\u00e3o gostam para \u2018serem educadas\u2019, nunca agirem com energia, como poder\u00e3o ser futuras gestoras, financistas, economistas, presidentes de empresas ou de na\u00e7\u00f5es, astronautas e cientistas?<\/p>\n\n\n\n<p>Se os meninos s\u00f3 forem incentivados a esportes que geram competi\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia, confrontos, jogos de guerra, sem exercitarem a fala, a express\u00e3o corporal, as rela\u00e7\u00f5es baseadas em cuidado, a escrita, habilidades manuais, como poder\u00e3o se tornar bons donos de suas casas, poetas, dan\u00e7arinos, educadores de crian\u00e7as pequenas, bons pais?<\/p>\n\n\n\n<p>E sobre as mulheres crescidas, neste momento h\u00e1 v\u00e1rias iniciativas de cursos e forma\u00e7\u00f5es em segmentos diversos. \u00c9 importante buscar refer\u00eancias, ler mat\u00e9rias e artigos e buscar pessoas, at\u00e9 mesmo no Linkedin, pois muitas fazem parte de projetos e vale a pena conhecer melhor as propostas. No geral, s\u00e3o grupos que t\u00eam feito trabalhos incr\u00edveis e a rede de networking \u00e9 excelente para os avan\u00e7os na carreira e, muitas vezes, na vida.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/shutterstock_1859826772-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15120\" width=\"360\" height=\"203\" srcset=\"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/shutterstock_1859826772-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/shutterstock_1859826772-300x169.jpg 300w, https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/shutterstock_1859826772-768x432.jpg 768w, https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/shutterstock_1859826772.jpg 1500w\" sizes=\"auto, (max-width: 360px) 100vw, 360px\" \/><figcaption><em>Julia Piccolomini: &#8220;As empresas que tamb\u00e9m carregam essa responsabilidade social, podem acelerar todo o processo social de inclus\u00e3o das mulheres&#8221;<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>De que maneira conscientizar a sociedade sobre a import\u00e2ncia de dividir as responsabilidades sociais e familiares, reduzindo a sobrecarga para as mulheres?<br>Julia Piccolomini \u2013<\/strong> Todas as pessoas carregam uma responsabilidade diante de uma sociedade inclusiva. \u00c9 a partir da atitude de cada pessoa que transformamos uma cultura, por isso acreditamos que o movimento de reduzir a sobrecarga sobre as mulheres parte da conscientiza\u00e7\u00e3o. Todas as pessoas t\u00eam um papel fundamental neste movimento onde \u201co lugar da mulher \u00e9 onde ela quiser\u201d, e as empresas que tamb\u00e9m carregam essa responsabilidade social, podem acelerar todo o processo social de inclus\u00e3o das mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s na Hash acreditamos que \u00e9 a partir da consci\u00eancia de falhas do passado e do presente que poderemos construir uma repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica mais efetiva, ent\u00e3o estimulamos que toda empresa, independentemente de seu segmento, foque no pilar estrat\u00e9gico de D&amp;I, pois al\u00e9m de ser uma forma de otimizar seus neg\u00f3cios, tamb\u00e9m \u00e9 a coisa certa a se fazer. Crie comit\u00eas de diversidade para ouvir e criar planos de a\u00e7\u00e3o com mulheres que atuam em sua empresa; direcione espa\u00e7os para as falas delas e \u00e0s reconhe\u00e7a; crie a\u00e7\u00f5es de conscientiza\u00e7\u00e3o para formar aliades e desenvolver uma cultura inclusiva; crie espa\u00e7os de pertencimento para sororidade e redes de apoio; implemente treinamentos para forma\u00e7\u00e3o de l\u00edderes inclusivos e equipes colaborativas; revise as pol\u00edticas da empresa e c\u00f3digos de condutas para a prote\u00e7\u00e3o das mulheres no ambiente de trabalho; revise todos os processos de pessoas buscando a equidade de g\u00eanero em todas as a\u00e7\u00f5es que envolvam a experi\u00eancia das colaboradoras, desde o <em>employer branding<\/em> at\u00e9 o programa de desenvolvimento e performance; desenvolva produtos para consumidoras e clientes; se posicione e dissemine a pr\u00e1tica de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia da inclus\u00e3o. Vamos juntes acelerar essa luta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Samanta Lopes &#8211;<\/strong> Volto \u00e0 inf\u00e2ncia: se queremos que todas as crian\u00e7as cres\u00e7am respeitando a si mesmas e as outras pessoas, precisamos dar essa base desde a primeira inf\u00e2ncia, elas precisam conviver com o diverso e aprender a respeitar as diferen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Elas precisam experimentar, descobrir do que mais gostam, entender que \u00e0s vezes temos de fazer tarefas que nos cabem, mesmo n\u00e3o gostando porque \u00e9 preciso para garantir o bem-estar maior; entender que cada um fazendo um pouco, todos ganham.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao conviver em grupos, devem ser incentivadas a entender que todos os trabalhos s\u00e3o dignos e necess\u00e1rios, que todas as pessoas t\u00eam talentos e podem fazer bem ao mundo quando os exercitam, \u00e9 importante perceberem que uma casa precisa de gest\u00e3o, de quem paga as contas. S\u00e3o pontos importantes, mas tamb\u00e9m \u00e9 importante quem ajuda em outras atividades, porque por exemplo, se o lixo n\u00e3o for retirado, n\u00e3o houver limpeza, tudo vira um caos.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pessoa s\u00f3 ir\u00e1 dividir tarefas com quem ela respeita. Se achar que a obriga\u00e7\u00e3o \u00e9 do outro, certamente ficar\u00e1 acomodada, e se a outra pessoa est\u00e1 acostumada a servir, absorver\u00e1 todas as tarefas, estar\u00e1 sempre cansada e nunca haver\u00e1 um respeito m\u00fatuo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, ensinar a todas as crian\u00e7as e jovens o b\u00e1sico ser\u00e1 fundamental para que sejam adultos conscientes do quanto tudo isso demanda, e de que dividir tarefas \u00e9 criar um ambiente saud\u00e1vel, seja em casa, na escola, no trabalho e no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas mulheres ser\u00e3o firmes em exigir o que lhes cabe, porque aprender\u00e3o a negociar, inclusive a lutar quando necess\u00e1rio, assim n\u00e3o haver\u00e1 sobrecarga, porque elas saber\u00e3o dizer n\u00e3o e reconhecer\u00e3o suas potencialidades.<\/p>\n\n\n\n<p>E para aquelas que est\u00e3o crescendo ou crescidas, \u00e9 hora de come\u00e7ar a fazer escolhas. Isso d\u00f3i porque temos de sair da zona de conforto, gera medo, inseguran\u00e7a, mas sem essa determina\u00e7\u00e3o pessoal de serem senhoras de seus caminhos, continuar\u00e3o deixando que outras pessoas definam at\u00e9 onde podem chegar, e nesse caso, geralmente n\u00e3o ser\u00e1 em um lugar de autonomia, prosperidade e independ\u00eancia, mas de servid\u00e3o e muito cansa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto aos que n\u00e3o s\u00e3o mulheres, deixo um lembrete: segundo dados da PNAD Cont\u00ednua \u2013 Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua 2019, no Brasil as mulheres s\u00e3o 51,8% da popula\u00e7\u00e3o, e \u201cde acordo com uma pesquisa realizada em 2019, pelo Data Popular e pelo Instituto Patr\u00edcia Galv\u00e3o, 85% das decis\u00f5es sobre o consumo dom\u00e9stico s\u00e3o tomadas pelas mulheres, o que tem levado muitas marcas a repensarem suas estrat\u00e9gias de marketing\u201d. Se as empresas entenderam que as mulheres t\u00eam poder de escolha e devem ser respeitadas em suas decis\u00f5es, \u00e9 uma quest\u00e3o de omiss\u00e3o pessoal n\u00e3o abrir espa\u00e7o para que sejamos parte integrante de um mundo mais humanizado e sustent\u00e1vel, digno para todas as pessoas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confira entrevista com duas especialistas em recursos humanos, diversidade e inclus\u00e3o, e conhe\u00e7a formas de empoderar as mulheres da sua equipe<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":15114,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1836],"tags":[1539,1063,3416,2513,3417,2571,620,360,1337],"class_list":["post-15113","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-marketing-e-vendas","tag-diversidade-e-inclusao","tag-empreendedorismo-feminino","tag-feminismo","tag-jornada-de-trabalho","tag-machismo","tag-mes-das-mulheres","tag-mulheres","tag-negocios","tag-recursos-humanos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15113","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15113"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15113\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15114"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15113"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15113"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15113"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}