{"id":1583,"date":"2020-04-06T14:44:00","date_gmt":"2020-04-06T17:44:00","guid":{"rendered":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/?p=1583"},"modified":"2024-03-07T20:39:05","modified_gmt":"2024-03-07T23:39:05","slug":"e-hora-de-digitalizar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/e-hora-de-digitalizar\/","title":{"rendered":"\u00c9 hora de digitalizar!"},"content":{"rendered":"\n<p><em>O impacto do coronav\u00edrus no varejo f\u00edsico despertou nos varejistas a urg\u00eancia da digitaliza\u00e7\u00e3o dos neg\u00f3cios.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp;pandemia da COVID-19 catalisou um processo que j\u00e1 estava em curso, em menor e maior grau, no Brasil e no mundo: a mudan\u00e7a dos h\u00e1bitos de consumo. O processo aconteceu por onde o coronav\u00edrus passou e seguiu a mesma equa\u00e7\u00e3o. O medo e a incerteza diante da doen\u00e7a fizeram com que as pessoas aumentassem as compras de itens b\u00e1sicos de sa\u00fade e alimenta\u00e7\u00e3o, mas, por outro lado, a recomenda\u00e7\u00e3o foi para que as pessoas n\u00e3o sa\u00edssem de casa. O resultado foi a explos\u00e3o do e-commerce.<\/p>\n\n\n\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Com\u00e9rcio Eletr\u00f4nico (ABComm) registrou esse efeito no Brasil j\u00e1 na segunda semana de mar\u00e7o. \u201cDesde quinta-feira, dia 12 de mar\u00e7o, algumas lojas virtuais chegaram a registrar um aumento de mais de 180% em transa\u00e7\u00f5es nas categorias Alimentos e Bebidas e Beleza e Sa\u00fade\u201d, afirma Mauricio Salvador, presidente da entidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Dados da plataforma de intelig\u00eancia e pesquisa da ag\u00eancia NZN, mostram que 49% dos brasileiros passaram a reconsiderar a maneira como fazem seus gastos depois da chegada da Covid-19. Desses, 71% afirmam que pretendem aumentar o volume de compras online.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas se o e-commerce parece ser o caminho mais seguro para o varejo nesse momento de crise, um outro dado mostra que a transi\u00e7\u00e3o das empresas carece de agilidade. Pesquisa recente do Sebrae mostra que 73% das pequenas empresas n\u00e3o est\u00e3o presentes na Internet. O cen\u00e1rio assusta, na medida em que, no Brasil, 99% dos estabelecimentos s\u00e3o de micro e pequenas empresas (MPE), respons\u00e1veis por 52% dos empregos com carteira assinada no setor privado.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a gestora de Solu\u00e7\u00f5es do Servi\u00e7o Brasileiro de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Louise Alves Machado, a presen\u00e7a digital n\u00e3o \u00e9 mais uma op\u00e7\u00e3o para as empresas de varejo. \u201cEssa \u00e9 uma realidade que se imp\u00f5e ap\u00f3s as mudan\u00e7as nos h\u00e1bitos de consumo provocados pela internet,&nbsp;<em>smartphones<\/em>&nbsp;e redes sociais\u201d, diz Louise.<\/p>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio NeoTrust, que analisa o varejo digital trimestralmente, mostra que a crise passou longe do e-commerce brasileiro no ano passado. As vendas realizadas de janeiro a dezembro de 2019 somaram faturamento de R$ 75,1 bilh\u00f5es, alta nominal de 22,7% em rela\u00e7\u00e3o ao ano de 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, o consumo virtual no pa\u00eds ainda apresenta um crescimento t\u00edmido em rela\u00e7\u00e3o a outros pa\u00edses. Um exemplo \u00e9 a penetra\u00e7\u00e3o do e-commerce no mundo: 30% do volume no mercado chin\u00eas, 18%, no ingl\u00eas, 12%, no americano e apenas 5%, no brasileiro. \u201cO com\u00e9rcio eletr\u00f4nico cresce de maneira vertiginosa e quem n\u00e3o se atualizar ficar\u00e1 para tr\u00e1s\u201d, afirma Louise.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Mudar para seguir<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Lourdes Ferolla \u00e9 propriet\u00e1ria da DiFerolla, uma das principais lojas de acess\u00f3rios femininos do Esp\u00edrito Santo. Nessas tr\u00eas d\u00e9cadas, a marca chegou a ter dez pontos f\u00edsicos. H\u00e1 sete anos, ap\u00f3s condi\u00e7\u00f5es adversas do mercado e da economia, foi reduzida a quatro pontos de venda. \u201cEnfrentamos um per\u00edodo que foi prejudicial para a empresa, associado a uma gest\u00e3o inadequada dos neg\u00f3cios\u201d, diz a empres\u00e1ria. O rev\u00e9s obrigou Lourdes a seguir o caminho da digitaliza\u00e7\u00e3o das suas opera\u00e7\u00f5es. Entre idas e vindas, ela apostou no&nbsp;<em>e-commerce<\/em>, criou perfis em redes sociais e passou a ter outra postura diante dos seus clientes.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, a DiFerolla \u00e9 um&nbsp;<em>case<\/em>&nbsp;de sucesso, com clientes em pa\u00edses como Tail\u00e2ndia, Jap\u00e3o, Canad\u00e1 e Chile. \u201cA ideia de partir para a digitaliza\u00e7\u00e3o veio da minha filha, que sugeriu um caminho que sab\u00edamos existir h\u00e1 algum tempo, mas que n\u00e3o consider\u00e1vamos uma quest\u00e3o relevante\u201d, explica Lourdes, que mant\u00e9m p\u00e1ginas na internet, no Instagram, Facebook e ainda tem presen\u00e7a em uma plataforma de&nbsp;<em>e-commerce<\/em>. \u201cEles fizeram o dever de casa. T\u00eam presen\u00e7a digital e foco no treinamento de equipe. \u00c9 o que se espera no atual momento do varejo\u201d, diz Louise, que orientou a DiFerolla durante a transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas nem todos fazem o processo corretamente. A gigante americana Macy\u00b4s \u00e9 um exemplo. Em mar\u00e7o, a marca fechou 125 endere\u00e7os e demitiu dois mil funcion\u00e1rios por n\u00e3o ter se adequado ao novo modelo. \u201cA transforma\u00e7\u00e3o digital pegou muita gente de surpresa. Hoje, existe, inclusive, a diminui\u00e7\u00e3o da vida \u00fatil das empresas, que caiu de 60 para 18 anos\u201d, explica F\u00e1bio Miranda, especialista da Hi Platform, plataforma de relacionamento e experi\u00eancia do consumidor.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Mito do alto custo<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A grande maioria dos varejistas brasileiros parece estar atenta ao que acontece ao seu redor. A pesquisa Desafios do Varejo, conduzida em agosto do ano passado pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), mostrou que nove em cada dez empres\u00e1rios do varejo garantem acompanhar as novidades do setor. No entanto, os mesmos empres\u00e1rios seguem adotando estrat\u00e9gias de gest\u00e3o ultrapassadas, baseadas, sobretudo, na pr\u00e1tica e viv\u00eancia do dia a dia.<\/p>\n\n\n\n<p>A explica\u00e7\u00e3o para essa paralisia costuma ser financeira. Para a maioria dos entrevistados, a implanta\u00e7\u00e3o de tecnologias esbarra nos custos da transi\u00e7\u00e3o digital. Essa \u00e9 uma percep\u00e7\u00e3o dos empres\u00e1rios refutada pelos especialistas. \u201cAlegar falta de recursos para digitalizar uma loja n\u00e3o \u00e9 uma desculpa plaus\u00edvel\u201d, diz Miranda. \u201cExistem muitos caminhos para viabilizar um neg\u00f3cio na internet, sem que seja necess\u00e1rio um investimento muito alto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o t\u00e9cnico da Hi Platform, o que falta ao empres\u00e1rio brasileiro \u00e9 um pouco de criatividade. Ele cita experi\u00eancias como os&nbsp;<em>marketplaces<\/em>, que s\u00e3o formas baratas e eficientes de encontrar um p\u00fablico que s\u00f3 consome no universo&nbsp;<em>on-line.<\/em>&nbsp;\u201cN\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio nenhum grande investimento ou conhecimento t\u00e9cnico para aderir a esse sistema\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p>Miranda explica que existem&nbsp;<em>startups<\/em>&nbsp;cujo neg\u00f3cio \u00e9 fazer parcerias com pequenos e m\u00e9dios empres\u00e1rios que n\u00e3o sabem como se movimentar nesse mundo do varejo digital e que as redes sociais tamb\u00e9m s\u00e3o muito eficientes. \u201cWhatsApp, Facebook e Instagram s\u00e3o redes praticamente gratuitas. Com R$ 90 por m\u00eas, \u00e9 poss\u00edvel contratar ferramentas que conseguem tra\u00e7ar o perfil do p\u00fablico da marca. N\u00e3o existe desculpa para n\u00e3o se adaptar\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso da DiFerolla, o investimento mais caro da transi\u00e7\u00e3o digital foi a cria\u00e7\u00e3o de uma p\u00e1gina na internet para garantir o espa\u00e7o virtual da loja. \u201cA manuten\u00e7\u00e3o dessas p\u00e1ginas \u00e9 feita pela minha filha, que passou por diversos cursos, muitos deles gratuitos\u201d. Ela se refere aos servi\u00e7os prestados pelo Sebrae e entidades de classe, como a Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Esp\u00edrito Santo, em que \u00e9 poss\u00edvel encontrar qualifica\u00e7\u00e3o a pre\u00e7os acess\u00edveis e, muitas vezes, gratuita.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Da tela para as ruas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Engana-se tamb\u00e9m quem acha que o futuro do varejo se limitar\u00e1 \u00e0s telas de celular, computadores e&nbsp;<em>tablets<\/em>. \u201cEssa \u00e9 outra ideia distorcida. O com\u00e9rcio&nbsp;<em>on-line<\/em>&nbsp;n\u00e3o vai suplantar o com\u00e9rcio f\u00edsico\u201d, afirma Louise, que trabalha com a orienta\u00e7\u00e3o de pequenas e m\u00e9dias empresas. \u201cAs marcas que est\u00e3o se sobressaindo no varejo est\u00e3o presentes nas duas formas de com\u00e9rcio. O esfor\u00e7o que deve existir \u00e9 para que n\u00e3o haja fric\u00e7\u00e3o entre um e outro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Louise se refere a um novo modelo de ponto de venda cujo conceito atende pelo nome de&nbsp;<em>phygital<\/em>, uma combina\u00e7\u00e3o das palavras em ingl\u00eas para f\u00edsico e digital. O exemplo mais acabado desse modelo no pa\u00eds \u00e9 o Magazine Luiza, rede varejista fundada em 1957, no interior paulista, que sempre foi associada \u00e0s lojas de rua. Desde 2017, a companhia passou a investir pesado em sua transforma\u00e7\u00e3o digital. Ao contr\u00e1rio da Macy\u2019s, soube fazer a transi\u00e7\u00e3o de forma harm\u00f4nica com seus pontos f\u00edsicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, a empresa adotou um modelo de venda que mistura o&nbsp;<em>e-commerce<\/em>&nbsp;com lojas f\u00edsicas e permite que o cliente resgate produtos comprados&nbsp;<em>on-line<\/em>&nbsp;em pontos f\u00edsicos de venda. S\u00e3o 1.113 lojas espalhadas pelo Brasil. \u201cA gente fez as coisas certas na hora certa. N\u00f3s acreditamos numa proposta de n\u00e3o separar o .com das lojas f\u00edsicas. Sempre pensamos que era uma coisa s\u00f3\u201d, diz Luiza Helena Trajano, CEO da rede.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Magazine Luiza investiu na identifica\u00e7\u00e3o do seu p\u00fablico,&nbsp;<em>omnichannel<\/em>, boas experi\u00eancias de compra, integra\u00e7\u00e3o do f\u00edsico com o digital e um autosservi\u00e7o que resolve at\u00e9 70% dos problemas do cliente\u201d, diz Miranda.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Muito al\u00e9m da tecnologia<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Outra quest\u00e3o que muito varejista n\u00e3o entendeu \u00e9 que o com\u00e9rcio n\u00e3o mudou apenas com o uso da tecnologia. A inova\u00e7\u00e3o no varejo passa pela forma como ela se apresenta. Existem empresas que conseguem se reinventar e se reposicionar, identificando uma miss\u00e3o, um prop\u00f3sito muito claro para ela, os funcion\u00e1rios e consumidores. \u201cAcredito que o primeiro passo para quem quer a adapta\u00e7\u00e3o aos novos tempos passa por a\u00ed. O neg\u00f3cio tem que ser emp\u00e1tico para quem trabalha e para quem consome\u201d, diz Louise.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa postura de valorizar o material humano foi a base de todas as discuss\u00f5es na maior feira de varejo do mundo, a NRF 2020. Nas palavras de Kevin Johnson, CEO da Starbucks, \u201cem dez anos, o varejista de sucesso dever\u00e1 ter presen\u00e7a f\u00edsica e digital, com um bom relacionamento com os seus clientes. Esses v\u00e3o sair ganhando o jogo!\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para que a rela\u00e7\u00e3o de uma empresa e seus clientes se estreite, a tecnologia, com suas ferramentas de capta\u00e7\u00e3o de dados, \u00e9 importante, mas n\u00e3o absoluta. O chamado prop\u00f3sito, que mostra a preocupa\u00e7\u00e3o da empresa com quest\u00f5es sociais e de diversidade, por exemplo, \u00e9 uma maneira de falar com o novo consumidor. \u201cIncluir pessoas que est\u00e3o \u00e0 margem do mercado por quest\u00f5es sociais, ou est\u00e9ticos, por exemplo, \u00e9 t\u00e3o inovador e eficiente quanto qualquer&nbsp;<em>software<\/em>&nbsp;de gest\u00e3o\u201d, explica Louise.<\/p>\n\n\n\n<p>Liliane Rocha, CEO da Gest\u00e3o Kair\u00f3s, consultoria de Sustentabilidade e Diversidade, este momento de crise epidemiol\u00f3gica e restri\u00e7\u00f5es globais \u00e9 crucial para as empresas mostrarem seu compromisso com os preceitos e pr\u00e1ticas de sustentabilidade, responsabilidade empresarial e diversidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO cen\u00e1rio atual desta crise \u00e9 fundamental para pensarmos e valorizarmos as pessoas. N\u00e3o se trata apenas da nossa sa\u00fade f\u00edsica, de um poss\u00edvel adoecimento, mas sim da nossa sa\u00fade ps\u00edquica, mental, emocional\u201d, diz Liliane.<\/p>\n\n\n\n<p>Como diz a dona da DiFerolla, o desafio de verdade est\u00e1 em olhar diferente a maneira de fazer com\u00e9rcio e de lidar com as pessoas. \u201cAchamos que todos devem estar apaixonados pela nossa marca, funcion\u00e1rios e clientes. S\u00f3 assim poderemos proporcionar uma experi\u00eancia de compra agrad\u00e1vel. Para n\u00f3s, o cliente deve sair da loja melhor do que entrou, mesmo que n\u00e3o tenha comprado nada\u201d. Isso, sim, \u00e9 inova\u00e7\u00e3o barata.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"760\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/graficos-1-760x1024-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1584\" srcset=\"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/graficos-1-760x1024-1.jpg 760w, https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/graficos-1-760x1024-1-223x300.jpg 223w\" sizes=\"auto, (max-width: 760px) 100vw, 760px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O impacto do coronav\u00edrus no varejo f\u00edsico despertou nos varejistas a urg\u00eancia da digitaliza\u00e7\u00e3o dos neg\u00f3cios. 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