{"id":16206,"date":"2022-06-01T07:31:22","date_gmt":"2022-06-01T10:31:22","guid":{"rendered":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/?p=16206"},"modified":"2024-02-04T15:05:08","modified_gmt":"2024-02-04T18:05:08","slug":"por-que-as-novas-tecnologias-nao-estao-nos-tornando-mais-produtivos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/por-que-as-novas-tecnologias-nao-estao-nos-tornando-mais-produtivos\/","title":{"rendered":"Por que as novas tecnologias n\u00e3o est\u00e3o nos tornando mais produtivos?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Crescimento da produtividade desde o in\u00edcio da pandemia nos EUA permanece em cerca de 1% ao ano, muito abaixo do per\u00edodo de 1996 a 2004, quando foi de mais de 3% ao ano<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Durante anos, tem sido uma cren\u00e7a no ambiente corporativo americano que a computa\u00e7\u00e3o em nuvem e a intelig\u00eancia artificial ir\u00e3o fomentar um aumento na produtividade que gera riqueza. Essa convic\u00e7\u00e3o inspirou uma enxurrada de financiamentos de risco e despesas de empresas. E a recompensa, insistem seus defensores, n\u00e3o se limitar\u00e1 a um pequeno grupo de gigantes da tecnologia, mas se espalhar\u00e1 por toda a economia.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso ainda n\u00e3o aconteceu.<\/p>\n\n\n\n<p>A produtividade, que \u00e9 definida como o valor das mercadorias produzidas e servi\u00e7os realizados por hora de trabalho, caiu consideravelmente no primeiro trimestre deste ano, informou o governo americano este m\u00eas. Os n\u00fameros do trimestre costumam ser vol\u00e1teis, mas o relat\u00f3rio parecia acabar com as esperan\u00e7as anteriores de que um renascimento da produtividade finalmente estava acontecendo, ajudado pelo investimento acelerado em tecnologias digitais durante a pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>O crescimento da produtividade desde o in\u00edcio da pandemia atualmente permanece em cerca de 1% ao ano, em sintonia com a taxa prec\u00e1ria desde 2010 &#8211; e muito abaixo do \u00faltimo per\u00edodo de melhoria robusta, de 1996 a 2004, quando a produtividade cresceu mais de 3% ao ano.<\/p>\n\n\n\n<p>As economias crescem n\u00e3o apenas por meio da adi\u00e7\u00e3o de mais capital e trabalho. Outro ingrediente vital \u00e9 a capacidade de uma na\u00e7\u00e3o criar e comercializar inova\u00e7\u00e3o, o que torna o investimento e os trabalhadores mais produtivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Aparentemente, ganhos percentuais pequenos na produtividade podem fazer uma grande diferen\u00e7a na riqueza e nos padr\u00f5es de vida de um pa\u00eds ao longo do tempo. At\u00e9 mesmo um aumento anual adicional de 1% na produtividade ao longo de alguns anos, at\u00e9 2024, geraria US$ 3.500 a mais em renda per capita para os americanos, calculou um relat\u00f3rio do ano passado da McKinsey &amp; Co. O ganho m\u00e9dio anual de 3,8% de 1948 a 1972 foi o motor da prosperidade p\u00f3s-guerra dos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>A produtividade n\u00e3o \u00e9 uma cura para todos os males econ\u00f4micos. &#8220;Mesmo que o otimismo em rela\u00e7\u00e3o a essa onda de tecnologia digital se revele justific\u00e1vel, isso n\u00e3o significa que haver\u00e1 um compartilhamento real dos benef\u00edcios&#8221;, disse Laura Tyson, professora da Escola de Neg\u00f3cios Haas da Universidade da Calif\u00f3rnia, em Berkeley, e presidente do Conselho de Consultores Econ\u00f4micos do governo Clinton.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas uma economia menos produtiva \u00e9 uma economia menor e com menos recursos para lidar com desafios sociais como a desigualdade.<\/p>\n\n\n\n<p>O atual quebra-cabe\u00e7a da produtividade \u00e9 objeto de acalorado debate entre os economistas. Robert Gordon, economista da Universidade Northwestern, \u00e9 o l\u00edder dos c\u00e9ticos. Segundo ele, a intelig\u00eancia artificial de hoje \u00e9 essencialmente uma tecnologia de reconhecimento de padr\u00f5es, lendo de forma atenta vastos tesouros de palavras, imagens e n\u00fameros. Suas fa\u00e7anhas, de acordo com Gordon, s\u00e3o &#8220;impressionantes, mas n\u00e3o transformadoras&#8221; do modo como foram a eletricidade e o motor de combust\u00e3o interna.<\/p>\n\n\n\n<p>Erik Brynjolfsson, diretor do Laborat\u00f3rio de Economia Digital da Universidade Stanford, \u00e9 o l\u00edder do lado dos otimistas. Ele confessa estar um pouco decepcionado com o fato de a melhoria da produtividade ainda n\u00e3o ser evidente, por\u00e9m est\u00e1 convencido de que \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Mudan\u00e7as reais est\u00e3o acontecendo. Um maremoto de transforma\u00e7\u00e3o est\u00e1 em curso&#8221;, disse Brynjolfsson. &#8220;Estamos vendo cada vez mais constata\u00e7\u00f5es disso.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Provavelmente levar\u00e1 anos at\u00e9 haver uma resposta definitiva para o debate sobre produtividade. Brynjolfsson e Gordon fizeram uma &#8220;aposta de longo prazo&#8221; no ano passado, com o resultado a ser declarado no final de 2029. Entretanto, estudos da ind\u00fastria e das empresas, utilizando dados que v\u00e3o desde pesquisas do Departamento do Censo dos EUA at\u00e9 listas de vagas de emprego online, mostram o padr\u00e3o de difus\u00e3o da tecnologia e seus obst\u00e1culos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os l\u00edderes s\u00e3o sobretudo grandes estabelecimentos que investem em tecnologia digital h\u00e1 anos e empresas mais jovens de alto crescimento, com frequ\u00eancia apoiadas por capital de risco. A computa\u00e7\u00e3o em nuvem \u00e9 bastante adotada, mas n\u00e3o \u00e9 a tecnologia mais avan\u00e7ada, como os aplicativos de intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n\n\n\n<p>A ado\u00e7\u00e3o limitada, dizem alguns especialistas, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o surpreendente neste est\u00e1gio, j\u00e1 que 75% das empresas dos EUA s\u00e3o pequenas, com menos de dez funcion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Anthem, seguradora de sa\u00fade cujos planos s\u00e3o usados por mais de 45 milh\u00f5es de pessoas, cerca de 75% das d\u00favidas dos clientes agora s\u00e3o resolvidas por meio de seus canais digitais, entre eles um portal da web, um aplicativo para dispositivos m\u00f3veis e um software de reconhecimento de fala. Tr\u00eas anos antes, esse n\u00famero era de aproximadamente 30%. A tecnologia de resposta a perguntas para ajudar as pessoas com tarefas b\u00e1sicas, como verificar o status de uma reclama\u00e7\u00e3o, pagar uma conta ou encontrar um m\u00e9dico, \u00e9 movida em parte pela intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n\n\n\n<p>A automa\u00e7\u00e3o digital eliminou 10 milh\u00f5es de chamadas telef\u00f4nicas que os call centers da Anthem teriam atendido, estimou Rajeev Ronanki, presidente de plataformas digitais.<\/p>\n\n\n\n<p>A Anthem, que no pr\u00f3ximo m\u00eas passar\u00e1 a se chamar Elevance Health, n\u00e3o est\u00e1 reduzindo sua equipe de atendimento ao cliente. No entanto, a atua\u00e7\u00e3o desses profissionais e como o desempenho deles \u00e9 avaliado mudou. A m\u00e9trica tradicional de desempenho em call centers \u00e9 a &#8220;dura\u00e7\u00e3o do atendimento&#8221;, e quanto menos tempo por chamada, melhor. A Anthem agora quer que sua equipe de atendimento ao cliente resolva os problemas daqueles que ligam com apenas um profissional, sempre que poss\u00edvel, em vez de transferir a liga\u00e7\u00e3o para outro departamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos de seus atendentes de call center receberam treinamento extra para se tornar o que a Anthem chama de &#8220;navegadores de atendimento&#8221;. As avalia\u00e7\u00f5es de seu desempenho agora incluem problemas resolvidos e pesquisas de satisfa\u00e7\u00e3o do consumidor. Com esse conjunto mais amplo de medidas, disse Ronanki, os atendentes da empresa est\u00e3o de 30% a 40% mais produtivos. Acrescentar habilidades e reformular o trabalho, disse ele, s\u00e3o t\u00e3o importantes quanto melhorar a tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Desenvolver s\u00f3 a capacidade t\u00e9cnica \u00e9 apenas o come\u00e7o&#8221;, disse Ronanki.<\/p>\n\n\n\n<p>Leva tempo para novas tecnologias se espalharem e para as pessoas entenderem como us\u00e1-las da melhor maneira. Por exemplo, o motor el\u00e9trico, lan\u00e7ado na d\u00e9cada de 1880, n\u00e3o produziu ganhos de produtividade percept\u00edveis at\u00e9 a d\u00e9cada de 1920, quando a linha de montagem de produ\u00e7\u00e3o em massa reorganizou o trabalho em torno da tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o do computador pessoal surgiu na d\u00e9cada de 1980. Mas foi s\u00f3 na segunda metade da d\u00e9cada de 1990 que a produtividade econ\u00f4mica aumentou de verdade, \u00e0 medida que essas m\u00e1quinas se tornaram mais baratas, mais potentes e foram conectadas \u00e0 internet.<\/p>\n\n\n\n<p>O despertar da d\u00e9cada de 1990 foi ajudado por um salto no investimento em tecnologia pelas empresas e capitalistas de risco, principalmente em startups da web e internet. Da mesma forma, na \u00faltima d\u00e9cada, os gastos com software nos EUA mais que dobraram para US$ 385 bilh\u00f5es conforme as empresas investem para digitalizar suas opera\u00e7\u00f5es, informou a empresa de pesquisa IDC.<\/p>\n\n\n\n<p>O investimento de risco em startups de intelig\u00eancia artificial em todo o mundo aumentou mais de 80% no ano passado, para US$ 115 bilh\u00f5es, de acordo com o PitchBook, que acompanha o mercado de capital privado.<\/p>\n\n\n\n<p>A Cresta \u00e9 uma startup de intelig\u00eancia artificial que tenta resolver o problema moderno da produtividade. Em 2020, ela apresentou seu produto inicial: um software de aconselhamento e treinamento em tempo real para atendentes de call center. Sua tecnologia absorve grandes volumes de conversas de texto e voz para identificar padr\u00f5es de comportamento e respostas a perguntas que resolvem os problemas dos clientes ou geram vendas.<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo n\u00e3o \u00e9 substituir os trabalhadores, mas melhorar seu desempenho, disse Zayd Enam, cofundador e CEO da empresa. Segundo ele, o que a Cresta oferece \u00e9 possibilitado pelos recentes avan\u00e7os na pot\u00eancia e na velocidade do software de intelig\u00eancia artificial, que ele descreveu como um &#8220;divisor de \u00e1guas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A Cresta tem 200 funcion\u00e1rios, levantou mais de US$ 150 milh\u00f5es em fundos de risco e tem v\u00e1rias dezenas de clientes corporativos, entre eles Verizon, Cox Communications e Porsche.<\/p>\n\n\n\n<p>A CarMax, a maior varejista de carros usados dos EUA, come\u00e7ou a testar o software da Cresta em dezembro. A experi\u00eancia com intelig\u00eancia artificial veio ap\u00f3s anos de investimento para fazer as opera\u00e7\u00f5es por computador da empresa rodarem em sistemas mais flex\u00edveis e baseados na nuvem, disse Jim Lyski, vice-presidente executivo de estrat\u00e9gia, marketing e produtos.<\/p>\n\n\n\n<p>As consultas dos clientes da CarMax via call center tendem a ser demoradas. Os carros usados abrangem diferentes anos, modelos, caracter\u00edsticas e hist\u00f3ricos de uso, e os planos de financiamento para o que \u00e9 uma grande compra variam. A variedade de perguntas \u00e9 quase ilimitada, disse Lyski, portanto, a comunica\u00e7\u00e3o completamente automatizada n\u00e3o era uma op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas um assistente computacional que pudesse ajudar a classificar toda a complexidade automotiva, oferecendo sugest\u00f5es e informa\u00e7\u00f5es em tempo real, parecia interessante. A Cresta primeiro estudou os dados do call center da CarMax, e o experimento come\u00e7ou com seus atendentes de bate-papo, que conversam por mensagens de texto com os clientes.<\/p>\n\n\n\n<p>A experi\u00eancia tem se mostrado promissora, disse Lyski. Houve uma melhoria de cerca de 10% no tempo de resposta, convers\u00e3o em vendas e redu\u00e7\u00e3o do tempo de atendimento. E o sistema continua aprendendo e melhorando. A empresa iniciou um projeto piloto com profissionais que atendem chamadas de voz, aumentando o n\u00famero total de atendentes usando a tecnologia de intelig\u00eancia artificial para 200.<\/p>\n\n\n\n<p>Lyski disse que havia a preocupa\u00e7\u00e3o de como os funcion\u00e1rios reagiriam ao ter a intelig\u00eancia artificial de olho neles. Seria uma experi\u00eancia boa o suficiente para ser vista com uma ajuda bem-vinda ou uma distra\u00e7\u00e3o irritante? A resposta tem sido positiva, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>A Cresta focou primeiro nos call centers como um mercado grande e inicial porque \u00e9 um campo de trabalho intenso, onde a intelig\u00eancia artificial pode ser aplicada de forma relativamente r\u00e1pida e produtiva. Mas Enam acredita que seu &#8220;servi\u00e7o de intelig\u00eancia artificial em tempo real&#8221; possa ser possivelmente \u00fatil em uma ampla gama de trabalhos n\u00e3o bra\u00e7ais, atuando como um assistente inteligente em tudo, desde a contrata\u00e7\u00e3o at\u00e9 o desenvolvimento de produtos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Essa tecnologia tem um prop\u00f3sito mais amplo do que vemos agora&#8221;, disse ele.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Fonte: Estad\u00e3o Conte\u00fado<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante anos, tem sido uma cren\u00e7a no ambiente corporativo americano que a computa\u00e7\u00e3o em nuvem e a intelig\u00eancia artificial ir\u00e3o fomentar um aumento na produtividade que gera riqueza. Essa convic\u00e7\u00e3o inspirou uma enxurrada de financiamentos de risco e despesas de empresas. 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