{"id":16262,"date":"2022-06-06T10:56:39","date_gmt":"2022-06-06T13:56:39","guid":{"rendered":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/?p=16262"},"modified":"2026-01-29T10:26:05","modified_gmt":"2026-01-29T13:26:05","slug":"gasolina-mais-cara-faz-pessoas-trocarem-carro-por-onibus-prova-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/gasolina-mais-cara-faz-pessoas-trocarem-carro-por-onibus-prova-estudo\/","title":{"rendered":"Gasolina mais cara faz pessoas trocarem carro por \u00f4nibus, prova estudo"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00c9 razo\u00e1vel imaginar que, com o aumento do pre\u00e7o dos combust\u00edveis, muitas pessoas deixem de se deslocar de carro e recorram ao transporte p\u00fablico. Pesquisadores da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Paran\u00e1 (PUC-PR) e da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR) resolveram investigar a quest\u00e3o de forma mais aprofundada e criaram modelos matem\u00e1ticos que permitiram provar essa rela\u00e7\u00e3o com base na realidade de Curitiba.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os c\u00e1lculos dos pesquisadores, os \u00f4nibus de tr\u00e2nsito r\u00e1pido (BRT) da capital paranaense lidam com um aumento de 5 mil passageiros mensais cada vez que o litro da gasolina sobe R$ 0,10.<\/p>\n\n\n\n<p>As conclus\u00f5es foram publicados na revista Sustainability, refer\u00eancia internacional em pesquisas interdisciplinares sobre sustentabilidade ambiental, cultural, econ\u00f4mica e social. O estudo reuniu informa\u00e7\u00f5es relativas a um intervalo de dez anos. Dois modelos matem\u00e1ticos foram criados e aplicados para analisar as varia\u00e7\u00f5es no pre\u00e7o dos combust\u00edveis, nas tarifas do transporte p\u00fablico, no n\u00famero de passageiros e no volume de ve\u00edculos nas ruas entre janeiro de 2010 e dezembro de 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o pesquisador Luis Andr\u00e9 Wernecke Fumagalli, do Grupo de Pesquisas em Cidade Digital Estrat\u00e9gica da PUC-PR e um dos autores do estudo, as pessoas levam em conta diversos fatores quando definem como v\u00e3o se deslocar. Entre os fatores, est\u00e3o a dura\u00e7\u00e3o da viagem, a seguran\u00e7a e o conforto. O custo tamb\u00e9m exerce influ\u00eancia determinante. &#8220;Se os pre\u00e7os do combust\u00edvel e da tarifa do transporte p\u00fablico ficarem est\u00e1veis, a tend\u00eancia \u00e9 que as pessoas mantenham sua op\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>As varia\u00e7\u00f5es no n\u00famero de passageiros foram apuradas a partir do hist\u00f3rico das seis linhas do BRT de Curitiba, que cruzam e conectam a capital paranaense em v\u00e1rias dire\u00e7\u00f5es e representam quase 30% do total de usu\u00e1rios transportados diariamente na cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo revela que cada carro na rua representa, em m\u00e9dia, 25 passagens a menos vendidas no transporte p\u00fablico da capital paranaense. Fumagalli observa que muitas pessoas fazem sua escolha conforme a situa\u00e7\u00e3o de momento. &#8220;O propriet\u00e1rio n\u00e3o vende o carro e come\u00e7a a andar de \u00f4nibus. Ele deixa na garagem. E a\u00ed, quando ele volta a achar que vale mais a pena usar o carro, ele para de se locomover por transporte p\u00fablico.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Esse cen\u00e1rio, no entanto, geralmente n\u00e3o ocorre com o motociclista. De acordo com Fumagalli, aqueles que adquirem uma motocicleta tendem a n\u00e3o voltar a usar o transporte p\u00fablico. Diante desse movimento, o volume de motocicletas nas ruas vem aumentando consideravelmente. &#8220;Em Curitiba, isso se observa no dia a dia o tempo inteiro&#8221;, afirma Fumagalli.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gest\u00e3o estrat\u00e9gica<\/strong><br>Obter conclus\u00f5es que contribuam para pensar uma gest\u00e3o estrat\u00e9gica da cidade foi uma das principais preocupa\u00e7\u00f5es dos pesquisadores. Para Fumagalli, a partir dos dados levantados, \u00e9 poss\u00edvel discutir melhores pr\u00e1ticas para a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, envolvendo, por exemplo, a aloca\u00e7\u00e3o de recursos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O munic\u00edpio precisa investir no transporte p\u00fablico, na estrutura vi\u00e1ria, na gest\u00e3o do tr\u00e2nsito para acomodar, por exemplo, as motocicletas. Com maior n\u00famero de motocicletas nas ruas, normalmente, ocorrem mais acidentes. No caso do transporte p\u00fablico, o n\u00famero de passageiros \u00e9 cada vez menor. E o servi\u00e7o precisa ser vi\u00e1vel economicamente\u201d, observa o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele ressalta que n\u00e3o se pode imaginar que tirar pessoas dos \u00f4nibus \u00e9 bom. \u201cCom menos passageiros, a passagem vai precisar ser mais cara para manter o funcionamento do transporte p\u00fablico. E carro demais tamb\u00e9m \u00e9 problema, porque passa a ter muito engarrafamento.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos desafios dos munic\u00edpios \u00e9 avaliar como o aumento do pre\u00e7o dos combust\u00edveis impacta na sustentabilidade do transporte p\u00fablico. Isso porque o servi\u00e7o passa a ter simultaneamente mais despesas, para abastecer os ve\u00edculos, e maior arrecada\u00e7\u00e3o, com o aumento do n\u00famero de passageiros que passam a deixar o carro na garagem. Para os pesquisadores, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer generaliza\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que cada cidade lida de forma diferente com o sistema de transporte p\u00fablico. Ainda que a opera\u00e7\u00e3o seja realizada por concession\u00e1rias privadas na maioria das grandes cidades, muitas vezes, elas recebem subs\u00eddios municipais.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Em Curitiba, quando o pre\u00e7o do combust\u00edvel sobe, h\u00e1 uma compensa\u00e7\u00e3o feita pela prefeitura. Eventualmente, alguns aumentos acabam sendo repassados para o usu\u00e1rio nos reajustes da tarifa, mas n\u00e3o \u00e9 algo linear&#8221;, pontua Fumagalli. Segundo o pesquisador, a s\u00e9rie hist\u00f3rica das tarifas revela que estas n\u00e3o acompanham a frequ\u00eancia de aumentos do pre\u00e7o dos combust\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por sa\u00fade e economia, brasilienses t\u00eam trocado o carro pela bicicleta<\/strong><br>Para permitir o aprofundamento das an\u00e1lises, o estudo ter\u00e1 continuidade. A pr\u00f3xima etapa pretende incluir as bicicletas na equa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Fumagalli, a bicicleta \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica e sustent\u00e1vel do ponto de vista ambiental, mas a amplia\u00e7\u00e3o das ciclovias pode acabar gerando impactos sociais e econ\u00f4micos, se resultar, por exemplo, na subtra\u00e7\u00e3o de passageiros de \u00f4nibus. &#8220;O desafio de gerenciamento \u00e9 encontrar uma uni\u00e3o \u00f3tima entre o \u00f4nibus, o carro, a bicicleta, que se complementam&#8221;, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Paran\u00e1 (PUC-PR) e da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR) resolveram investigar a quest\u00e3o de forma mais aprofundada e criaram modelos matem\u00e1ticos que permitiram provar essa rela\u00e7\u00e3o com base na realidade de Curitiba.<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":16263,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5891],"tags":[3994,315,3500,3995,3996,3997],"class_list":["post-16262","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-empreendedorismo","tag-brt","tag-inflacao","tag-mobilidade-urbana","tag-transporte-coletivo","tag-transporte-particular","tag-transporte-publico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16262","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16262"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16262\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16263"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16262"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16262"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16262"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}