{"id":17407,"date":"2022-09-28T10:56:59","date_gmt":"2022-09-28T13:56:59","guid":{"rendered":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/?p=17407"},"modified":"2024-02-04T15:04:37","modified_gmt":"2024-02-04T18:04:37","slug":"a-nova-cara-dos-shoppings-escolas-clinicas-e-grandes-eventos-ganham-espaco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/a-nova-cara-dos-shoppings-escolas-clinicas-e-grandes-eventos-ganham-espaco\/","title":{"rendered":"A nova cara dos shoppings: escolas, cl\u00ednicas e grandes eventos ganham espa\u00e7o"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Virada de chave contempla tamb\u00e9m investimentos pesados em tecnologia, como aplicativos e assistentes virtuais<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Os shopping centers est\u00e3o sempre se reinventando. Mas, com as lojas f\u00edsicas fechadas durante meses por causa da pandemia, essa tend\u00eancia de renova\u00e7\u00e3o se acentuou \u2013 e agora, com a reabertura total do com\u00e9rcio, o que se v\u00ea \u00e9 o surgimento de um shopping de cara nova.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa cara repaginada dos empreendimentos vai da mudan\u00e7a do mix de lojas, incluindo mais presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, como restaurantes, escolas de ensino fundamental e cl\u00ednicas m\u00e9dicas, a espa\u00e7os de lazer para crian\u00e7as e animais de estima\u00e7\u00e3o. Uma nova onda de grandes eventos e exposi\u00e7\u00f5es relacionadas a artistas como Van Gogh, Renoir, Mir\u00f3 ou sobre o mundo da Disney, por exemplo, ganhou for\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>A virada de chave dos shoppings contempla tamb\u00e9m investimentos pesados em tecnologia, como aplicativos e assistentes virtuais. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 facilitar a vida do consumidor, coletar dados sobre os clientes e fazer a ponte entre quem quer comprar e quem quer vender. E, mesmo com o avan\u00e7o do com\u00e9rcio online, que permite compras a dist\u00e2ncia, o foco \u00e9 trazer os consumidores fisicamente para dentro dos empreendimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA proposta do shopping como centro de compras est\u00e1 sendo substitu\u00edda por centro de conviv\u00eancia\u201d, afirma o consultor Luiz Alberto Marinho, s\u00f3cio-diretor da Gouv\u00eaa Malls e colunista da Mercado&amp;Consumo. Ele observa que essa mudan\u00e7a, que \u00e9 global, j\u00e1 ocorria antes mesmo da pandemia, mas foi acelerada por ela.<\/p>\n\n\n\n<p>O que est\u00e1 acontecendo hoje dentro dos shoppings, segundo Marinho, \u00e9 a maior representatividade do padr\u00e3o de gastos da popula\u00e7\u00e3o, com avan\u00e7o da participa\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os \u2013 que respondem pela maior fatia do Produto Interno Bruto (PIB). Tamb\u00e9m est\u00e1 havendo um maior equil\u00edbrio no mix dos shoppings entre setores ligados \u00e0 compra de produtos e ao entretenimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Recente estudo feito pela Multiplan, uma das gigantes do setor de shoppings do Pa\u00eds, mostra exatamente o rearranjo que houve nos \u00faltimos dez anos entre os segmentos na \u00e1rea ocupada dentro dos empreendimentos da companhia.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de ainda representar a maior fatia da \u00c1rea Brutal Loc\u00e1vel (ABL), com 32,7% do total, no segundo trimestre deste ano, as lojas de artigos de vestu\u00e1rio tiveram um recuo 3,5% na ocupa\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2012. Outro segmento que encolheu foi o de artigos para o lar, com queda de 2,5% no per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em contrapartida, opera\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o avan\u00e7aram 3,6% na \u00e1rea ocupada. Na sequ\u00eancia, est\u00e3o artigos diversos, que incluem lojas de conveni\u00eancia, com crescimento de 2,2%, e os servi\u00e7os, que respondem hoje por quase um quarto da \u00e1rea, com avan\u00e7o de 0,2%.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Armando d\u2019Almeida Neto, vice-presidente financeiro e de rela\u00e7\u00f5es com investidores da Multiplan, os shoppings sempre acompanharam as grandes tend\u00eancias de consumo. Mas ele admite que talvez as mudan\u00e7as tenham ficado \u201creluzentes\u201d por conta da interrup\u00e7\u00e3o dos trabalhos no auge da pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Shopping sai at\u00e9 do nome<br><\/strong>O executivo afirma que os shoppings da companhia querem ser um lugar completo, que atenda n\u00e3o s\u00f3 aqueles que v\u00e3o comprar, mas que buscam conveni\u00eancia, alimenta\u00e7\u00e3o e divers\u00e3o, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>Um sinal claro dessas mudan\u00e7as ocorreu em novembro do ano passado, quando a empresa inaugurou um novo shopping em Jacarepagu\u00e1, na zona oeste do Rio. Originalmente, o nome do empreendimento seria ParkShoppingJacarepagu\u00e1. \u201cTiramos shopping do nome, que ficou ParkJacarepagu\u00e1, porque acreditamos que a palavra n\u00e3o definia o empreendimento\u201d, conta o vice-presidente.<\/p>\n\n\n\n<p>Com 39 mil metros quadrados (m\u00b2) de ABL, o novo empreendimento tem um parque com 6 mil m\u00b2 integrado ao shopping, pista de patina\u00e7\u00e3o, anfiteatro ao ar livre com tel\u00e3o de 150 m\u00b2, parque de divers\u00f5es, espa\u00e7o para pets, centro de conven\u00e7\u00f5es e restaurantes. \u201cO Jacarepagu\u00e1 mostra que o shopping n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um para\u00edso de compras como era visto d\u00e9cadas atr\u00e1s.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>No pico da pandemia e com o avan\u00e7o da digitaliza\u00e7\u00e3o do varejo, Marcos Carvalho, copresidente da Ancar Ivanhoe, outra importante companhia do setor de shoppings, lembra que o que se ouvia era que os consumidores iriam se afastar das lojas f\u00edsicas e optar pelo online apenas. No entanto, com o arrefecimento da covid-19, isso n\u00e3o se comprovou, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs consumidores voltaram com muita for\u00e7a para os espa\u00e7os f\u00edsicos e os shoppings acrescentaram v\u00e1rios ambientes de lazer, entretenimento, servi\u00e7os, conveni\u00eancia, para que essas experi\u00eancias de prazer fossem agregadas \u00e0s compras\u201d, explica o executivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, o mix dos shoppings do grupo tem se ajustado bastante para atender \u00e0s novas demandas, com espa\u00e7os para clinicas de est\u00e9tica, cl\u00ednicas m\u00e9dicas e mais restaurantes, por exemplo. Neste ano, os shoppings do grupo devem bater o recorde de comercializa\u00e7\u00e3o de pontos de venda. \u201cIsso mostra que a loja f\u00edsica \u00e9 muito importante para gerar experi\u00eancias\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Investimentos em tecnologia<br><\/strong>Por outro lado, a heran\u00e7a da digitaliza\u00e7\u00e3o acelerada deixada pela pandemia tamb\u00e9m ganhou relev\u00e2ncia dentro da companhia, que est\u00e1 investindo dezenas de milh\u00f5es de reais em tecnologia nos shoppings para facilitar a vida do consumidor. O pacote de investimentos do Shopping 5.0, como foi batizado pela empresa, inclui aplicativo, uma assistente virtual e um hub com informa\u00e7\u00f5es sobre o perfil dos frequentadores para promo\u00e7\u00f5es direcionadas que se convertem em aumento de vendas.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo aplicativo, o p\u00fablico que frequenta os shoppings do grupo fica sabendo dos eventos \u2013 outro pilar dos novos tempos -, como a exposi\u00e7\u00e3o de Renoir, no Shopping P\u00e1tio Paulista, que teve recorde de visita\u00e7\u00e3o, ou do pintor espanhol Mir\u00f3, no Shopping Rio Design Barra, no Rio.<\/p>\n\n\n\n<p>No Shopping Eldorado, administrado pela Aliansce Sonae, o lazer e o entretenimento est\u00e3o entre os principais pilares do neg\u00f3cio. O Mundo Pixar, por exemplo, exposi\u00e7\u00e3o que ocorre no shopping sobre o universo das produ\u00e7\u00f5es Disney, trouxe grande fluxo de clientes em meses que geralmente s\u00e3o de menor n\u00famero de visitantes, diz a gerente de marketing o shopping, Lilian Piva, sem revelar n\u00fameros. Para os lojistas, a introdu\u00e7\u00e3o de novos segmentos de neg\u00f3cios nos shoppings s\u00e3o extremamente produtivos. \u201cO fluxo de pessoas aumenta e, aumentando o fluxo, seguramente as vendas melhoram\u201d, afirma o diretor de rela\u00e7\u00f5es institucionais da Associa\u00e7\u00e3o de Lojistas de Shopping (Alshop), Luis Augusto Ildefonso. Ele argumenta que os lojistas est\u00e3o se beneficiando desse novo consumidor que vai ao shopping \u00e0 procura de servi\u00e7os, que ocuparam espa\u00e7os que ficaram vagos na pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o executivo, o fluxo de pessoas nos shoppings tem crescido m\u00eas a m\u00eas e de forma mais acelerada do que o esperado. Por\u00e9m, ainda abaixo da m\u00e9dia mensal pr\u00e9-pandemia, que era de 430 milh\u00f5es de pessoas por m\u00eas. Em julho deste ano, por exemplo, o fluxo de visitantes nos shoppings brasileiros atingiu a marca de 397 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fluxo de pessoas ganha espa\u00e7o na receita<br><\/strong>Um dos desafios do novo modelo de shoppings \u00e9 como monetizar esse novo neg\u00f3cio, ressalta o consultor Luiz Alberto Marinho, s\u00f3cio-diretor da Gouv\u00eaa Malls. Tradicionalmente, os shoppings viviam da receita de alugu\u00e9is dos espa\u00e7os e do porcentual sobre as vendas f\u00edsicas. Agora, no entanto, o fluxo recorrente de pessoas em busca e servi\u00e7os tamb\u00e9m tem valor para o shopping. \u201cO shopping vai virar um canal de m\u00eddia, no qual os anunciantes e lojistas v\u00e3o ter de pagar para administradoras para falar com o cliente\u201d, prev\u00ea o consultor.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto crucial dessas mudan\u00e7as \u00e9 que uma parte da venda online, que hoje acontece na loja f\u00edsica, escapa do faturamento do shopping. \u00c9 uma mudan\u00e7a do modelo financeiro do shopping.<\/p>\n\n\n\n<p>Procurada a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), que re\u00fane os empreendedores de shoppings, n\u00e3o se manifestou.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A escola vai para o shopping<br><\/strong>Em 2020, a empres\u00e1ria Melissa Fukuda estava no fim do contrato de loca\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel onde funcionava o col\u00e9gio do qual \u00e9 s\u00f3cia e diretora, a Sunrise School. A escola bil\u00edngue de ensino fundamental ficava numa avenida movimentada de Osasco, na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo. Sempre \u00e0s voltas com problemas de embarque e desembarque das crian\u00e7as e tamb\u00e9m de seguran\u00e7a, ela decidiu n\u00e3o renovar a loca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cComo est\u00e1vamos no meio da pandemia, veio um estalo: ser\u00e1 que os shoppings, com muitas lojas fechando, n\u00e3o teriam um espa\u00e7o maior para alugar para uma escola?\u201d A partir dessa percep\u00e7\u00e3o, a empres\u00e1ria come\u00e7ou a procurar \u00e1reas em v\u00e1rios empreendimentos, mas nem todos tinham espa\u00e7os vagos com as dimens\u00f5es necess\u00e1rias. O casamento aconteceu com o Continental Shopping, que fica em S\u00e3o Paulo, na divisa com Osasco.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1 existia uma \u00e1rea de 1.500 metros quadrados, distribu\u00edda em dois andares. \u201cEra um espa\u00e7o morto\u201d, diz Melissa. No passado, parte do local era ocupado por um rinque de patina\u00e7\u00e3o e outro por uma ag\u00eancia banc\u00e1ria. Em maio do ano passado, a escola fechou um contrato de loca\u00e7\u00e3o com o shopping por dez anos. \u201c\u00c9 30% mais caro estar no shopping em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 rua, mas compensa pela comodidade, seguran\u00e7a, parcerias.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O investimentos para dar cara de col\u00e9gio \u00e0 \u00e1rea ociosa, com 14 salas de aula e quadra coberta, por exemplo, somou R$ 3 milh\u00f5es. Em janeiro deste ano, a escola come\u00e7ou a funcionar regularmente. Recebe diariamente 120 alunos, com idades entre 5 e 12 anos, que s\u00e3o levados pelos pais ou respons\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Se cada pai que leva a crian\u00e7a na escola entrar no shopping, ser\u00e3o ao final do m\u00eas 2.400 pessoas a mais circulando no empreendimento em fun\u00e7\u00e3o do col\u00e9gio. \u00c9 um fluxo recorrente de pessoas que podem consumir e ampliar as venda das demais opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cJ\u00e1 sentimos um fluxo maior de pessoas, na contram\u00e3o de outros shoppings\u201d, afirma Agn\u00e9rio Carvalho, superintendente do Continental Shopping. Ele pondera que o shopping tamb\u00e9m agregou 30 novas opera\u00e7\u00f5es nos \u00faltimos 16 meses, como Casa Bauducco e Sodi\u00ea Doces. A conjuga\u00e7\u00e3o de todos esses fatores levou ao crescimento de 10% no fluxo de pessoas no empreendimento em agosto ante o mesmo m\u00eas de 2019, antes da pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o superintendente, o Continental, um shopping controlado por uma fam\u00edlia, n\u00e3o ligado a grandes grupos e o segundo mais antigo da cidade de S\u00e3o Paulo, depois do Iguatemi, vem passando por uma transforma\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m do col\u00e9gio, em outubro do ano passado foi inaugurada a terceira academia de gin\u00e1stica no empreendimento. Em dezembro deste ano abre as portas o primeiro cinema autossustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNeste momento, h\u00e1 muito potencial ao trazermos um col\u00e9gio, a terceira academia e um cinema\u201d, afirma. Isso n\u00e3o significa, segundo o executivo, que o shopping esteja deixando de ter lojas. \u201cQueremos os dois: lojas e servi\u00e7os.\u201d Mas ele ressalta que todo servi\u00e7o agrega uma compra secund\u00e1ria ao faturamento do shopping \u2013 mas, no momento, ele diz n\u00e3o ter como medir esse acr\u00e9scimo.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Fonte: Mercado&amp;Consumo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os shopping centers est\u00e3o sempre se reinventando. 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