{"id":17616,"date":"2022-10-24T15:16:53","date_gmt":"2022-10-24T18:16:53","guid":{"rendered":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/?p=17616"},"modified":"2024-02-04T15:48:52","modified_gmt":"2024-02-04T18:48:52","slug":"um-cenario-positivo-para-o-consumo-e-o-varejo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/um-cenario-positivo-para-o-consumo-e-o-varejo\/","title":{"rendered":"Um cen\u00e1rio positivo para o consumo e o varejo"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Marcos Gouv\u00eaa de Souza<\/em>*<\/p>\n\n\n\n<p>Polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e0 parte, o cen\u00e1rio \u00e0 frente para o consumo e o varejo pode ser encarado de forma bastante positiva. E s\u00e3o fatos, n\u00fameros e tend\u00eancias que suportam essa an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 reconhecido que s\u00e3o 4 fatores b\u00e1sicos fundamentais que determinam a maior parte do comportamento do consumo e do varejo numa determinada geografia, que pode ser um pa\u00eds, uma regi\u00e3o ou cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Renda, emprego, que combinados formam a massa salarial; mais cr\u00e9dito para pessoas f\u00edsicas, considerando oferta, taxas de juros e inadimpl\u00eancia; e, por fim, a confian\u00e7a do consumidor. Sem esquecer a infla\u00e7\u00e3o, que afeta, de forma direta, todos esses vetores.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise do comportamento recente desses fatores no Brasil, como mostraremos adiante, sinaliza uma perspectiva positiva \u00e0 frente, que pode ser potencializada por eventuais repercuss\u00f5es de problemas enfrentados pelas maiores economias do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Se de um lado geram algumas dificuldades para o Pa\u00eds, de outro, e talvez mais forte, criam oportunidades, considerando aspectos estruturais para combater de forma mais madura quest\u00f5es dram\u00e1ticas enfrentadas por essas economias nos aspectos ligados \u00e0 energia, combust\u00edveis, alimentos e infla\u00e7\u00e3o elevada e com menos instrumentos para seu enfrentamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Olhando o cen\u00e1rio global, com uma vis\u00e3o isenta, deve-se atentar o fato de o Brasil ter uma popula\u00e7\u00e3o de 213 milh\u00f5es de habitantes em processo de envelhecimento, mas ainda uma das mais jovens do mundo, com idade m\u00e9dia de 33 anos, que sinaliza um mercado consumidor aberto, em evolu\u00e7\u00e3o e amadurecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Um Pa\u00eds com recursos naturais, \u00e1gua, insola\u00e7\u00e3o e vento que geram energia renov\u00e1vel e n\u00e3o poluente em escala crescente. Com condi\u00e7\u00f5es diferenciadas para amplia\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de alimentos por aumento da produtividade, sem expans\u00e3o significativa da \u00e1rea cultiv\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>E que tem se transformado em aspectos importantes em sua evolu\u00e7\u00e3o como uma sociedade mais madura. Sem esquecer em nada o muito que deve e precisa ser feito em termos de redu\u00e7\u00e3o da desigualdade social, de inseguran\u00e7a, nos temas de sustentabilidade e, principalmente, na melhoria significativa da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Definitivamente tem muito por ser feito e de forma muito mais decisiva e urgente nesses temas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas muito tem a ver com olhar o meio copo cheio ou vazio.<\/p>\n\n\n\n<p>E em tempos de polariza\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica \u00e9 preciso isen\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o para olhar o cen\u00e1rio e as perspectivas de forma mais abrangente e desapaixonada.<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito aos fatores determinantes do comportamento do consumo e do varejo, vamos aos elementos que suportam nossa percep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Emprego, renda, massa salarial e infla\u00e7\u00e3o<br><\/strong>A melhoria do n\u00edvel de emprego \u00e9 o primeiro elemento relevante da an\u00e1lise, j\u00e1 que tem impacto na forma\u00e7\u00e3o da renda, da massa salarial e, de forma acess\u00f3ria, no n\u00edvel de confian\u00e7a do consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p>Como pode ser observado no quadro abaixo, depois de termos atingido o pico do n\u00edvel de desemprego no 3\u00ba trimestre de 2021, vivemos um processo de recupera\u00e7\u00e3o. O n\u00edvel atual, de 8,9%, \u00e9 significativamente melhor em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior e com tend\u00eancia de continuidade de redu\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos trimestres.<\/p>\n\n\n\n<p>E sem esquecer que temos um contingente de 13,5 milh\u00f5es de MEIs (microempreendedores individuais), que cresceu de forma marcante nos \u00faltimos anos, por conting\u00eancia ou op\u00e7\u00e3o, e que representam quase 70% das empresas ativas no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Eram menos de 800 mil em 2010. Passaram para 5,7 milh\u00f5es, em 2015, e chegam a 13,5 milh\u00f5es no presente. A tend\u00eancia \u00e9 continuar crescendo, como reflexo de uma reconfigura\u00e7\u00e3o do quadro estrutural do emprego do Pa\u00eds, que avan\u00e7a dentro dos princ\u00edpios do que se convencionou chamar Gig Economy em todo o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>E que pode tamb\u00e9m ser entendida como para parte da voca\u00e7\u00e3o empreendedora e inovadora da comparativamente jovem popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro elemento das mudan\u00e7as recentes de cen\u00e1rio envolve a evolu\u00e7\u00e3o da renda real m\u00e9dia dos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se percebe no quadro, a renda real vinha declinante pela combina\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio econ\u00f4mico, sanit\u00e1rio e social adversos, os impactos nos sal\u00e1rios pagos e a corros\u00e3o do seu valor real pela infla\u00e7\u00e3o. No \u00faltimo trimestre, iniciou-se um processo de recupera\u00e7\u00e3o do rendimento real com forte tend\u00eancia de permanecer nos pr\u00f3ximos trimestres incentivado pela recupera\u00e7\u00e3o da economia, redu\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o e retomada dos investimentos do setor privado. Potencialmente ainda beneficiada por investimentos externos diretos pelas oportunidades que o Pa\u00eds oferece.<\/p>\n\n\n\n<p>A combina\u00e7\u00e3o da recupera\u00e7\u00e3o do emprego com o aumento da renda real determina a melhoria da massa salarial real, como se observa no quadro abaixo, que atingiu R$ 263,5 bilh\u00f5es no trimestre findo em agosto, o seu maior patamar nominal dos \u00faltimos anos 10 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Elemento fundamental na equa\u00e7\u00e3o de consumo e, consequentemente, do varejo, a infla\u00e7\u00e3o tem poder corrosivo nos sal\u00e1rios e forte impacto tamb\u00e9m na confian\u00e7a dos consumidores, em especial nos segmentos de classe mais baixos.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de atingir picos nos \u00faltimos meses por conta do rescaldo dos problemas da pandemia, incluindo a escassez de produtos e os custos log\u00edsticos, agravados pelas consequ\u00eancias da invas\u00e3o russa e seus desdobramentos, temos um cen\u00e1rio de redu\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de infla\u00e7\u00e3o no curto prazo e a perspectiva reconhecida de sua continuidade no futuro pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p>De todos os componentes da infla\u00e7\u00e3o, nenhum \u00e9 mais sens\u00edvel do que o da alimenta\u00e7\u00e3o, considerando seu impacto e participa\u00e7\u00e3o no disp\u00eandio das fam\u00edlias de forma geral, em especial, para os segmentos de classe mais baixa.<\/p>\n\n\n\n<p>E como se observa, superado o per\u00edodo mais dram\u00e1tico da infla\u00e7\u00e3o para o setor de alimenta\u00e7\u00e3o, no lar e fora do lar, existe uma tend\u00eancia declinante com perspectiva de continuidade de sua redu\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se compara com o cen\u00e1rio internacional, o quadro atual no Brasil de revers\u00e3o dos n\u00edveis elevados de infla\u00e7\u00e3o s\u00e3o bastante distintos do observados na Europa e nos Estados Unidos, principalmente com sua tend\u00eancia declinante e seus impactos positivos na renda real, na confian\u00e7a do consumidor e no consumo de forma ampla, com reflexos diretos no comportamento do varejo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cr\u00e9dito, inadimpl\u00eancia e confian\u00e7a do consumidor<br><\/strong>Elemento fundamental no desempenho do varejo e consumo na realidade da popula\u00e7\u00e3o brasileira, com elevada participa\u00e7\u00e3o das classes baixa e m\u00e9dia, s\u00e3o a disponibilidade de cr\u00e9dito \u00e0s fam\u00edlias e o seu custo, medido pela taxa de juros.<\/p>\n\n\n\n<p>Para melhor entender o comportamento desse elemento, \u00e9 preciso olhar o cen\u00e1rio de forma mais abrangente, considerando a forte evolu\u00e7\u00e3o que tivemos ao longo do tempo, tanto na tomada desse cr\u00e9dito como na inadimpl\u00eancia, medida pelo dado do Banco Central, para contas com atraso h\u00e1 mais de 90 dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Como pode ser observada, a evolu\u00e7\u00e3o nominal do cr\u00e9dito tomado pelas fam\u00edlias evoluiu 104% de agosto de 2015 a agosto de 2022, passando de R$ 1480,2 bilh\u00f5es para os atuais R$ 3015,4 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Sempre importante relembrar que o cr\u00e9dito \u00e0s fam\u00edlias e ao consumo no Brasil representa algo como 32% do PIB, n\u00famero muito inferior ao de outras economias mais ou menos desenvolvidas que a nossa e com ampla possibilidade de aumento pela desconcentra\u00e7\u00e3o dessa oferta e pela redu\u00e7\u00e3o estrutural dos custos desse cr\u00e9dito, sem d\u00favida um dos maiores do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo desse tempo, a inadimpl\u00eancia tem oscilado e \u00e9 ineg\u00e1vel um crescimento mais recente desse percentual, como resultado do quadro econ\u00f4mico mais amplo envolvendo os dramas vividos na pandemia e seus impactos no emprego, na renda, nas taxas de juros e na infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas se atentarmos para a varia\u00e7\u00e3o da inadimpl\u00eancia ao longo desse per\u00edodo mais amplo, percebe-se que os percentuais atuais, de 3,7% para atrasos superiores a 90 dias, segundo dados do Banco Central, s\u00e3o menores do que no passado recente. E, com a melhoria da renda real, do emprego e da redu\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o, al\u00e9m do conjunto de medidas adotadas pelas institui\u00e7\u00f5es financeiras p\u00fablicas e especialmente as privadas, \u00e9 poss\u00edvel antecipar a tend\u00eancia ao seu decl\u00ednio nos pr\u00f3ximos per\u00edodos.<\/p>\n\n\n\n<p>A melhoria do n\u00edvel do emprego e da renda real combinada com a redu\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o, em especial dos alimentos, tem efeito direto e positivo no n\u00edvel de confian\u00e7a da consumidor-cidad\u00e3o, que mostra tend\u00eancia de aumento. O \u00edndice de confian\u00e7a \u00e9 resultado da combina\u00e7\u00e3o dos fatores percebidos em rela\u00e7\u00e3o ao curto e mais longo prazo e, nesse caso, a melhoria \u00e9 percebida principalmente pela expectativa futura mais positiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos \u00edndices atuais de confian\u00e7a estarem ainda abaixo do passado, eles mostram importante recupera\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade anterior vivida durante a pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>E a confian\u00e7a mais positiva e o emprego ampliam a disposi\u00e7\u00e3o para uso do cr\u00e9dito para antecipar o consumo, em especial nas categorias de bens dur\u00e1veis, que tendem a se beneficiar dos est\u00edmulos de curto prazo advindos com a proximidade da Copa do Mundo e das iniciativas promocionais envolvendo Black Friday e o Natal.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise desse conjunto de elementos avaliza a perspectiva de um per\u00edodo mais positivo \u00e0 frente para os setores de consumo e varejo e devem estimular a continuidade dos investimentos das empresas ligadas diretamente a esses segmentos, envolvendo as ind\u00fastrias fornecedoras de produtos para revenda, servi\u00e7os, em especial os financeiros, os associados a produtos e tudo o que envolve a expans\u00e3o de lojas, centros log\u00edsticos e canais digitais.<\/p>\n\n\n\n<p>Que por sua vez tem efeito multiplicador no comportamento desses e outros segmentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Se aprofundarmos um pouco mais a an\u00e1lise, \u00e9 poss\u00edvel entender que, setorial e geograficamente, esse crescimento ter\u00e1 comportamentos distintos considerando a evolu\u00e7\u00e3o recente desses mesmos segmentos e o comportamento futuro gerado pelas vari\u00e1veis que discutimos.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale a reflex\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><em>*Marcos Gouv\u00eaa de Souza \u00e9 fundador e diretor-geral da Gouv\u00eaa Ecosystem.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Fonte: Mercado&amp;Consumo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e0 parte, o cen\u00e1rio \u00e0 frente para o consumo e o varejo pode ser encarado de forma bastante positiva. 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