{"id":20884,"date":"2023-09-13T10:59:56","date_gmt":"2023-09-13T13:59:56","guid":{"rendered":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosasa\/?p=20884"},"modified":"2024-02-04T14:53:24","modified_gmt":"2024-02-04T17:53:24","slug":"geracao-eolica-no-mar-pode-acelerar-transicao-energetica-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/geracao-eolica-no-mar-pode-acelerar-transicao-energetica-no-brasil\/","title":{"rendered":"Gera\u00e7\u00e3o e\u00f3lica no mar pode acelerar transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p>Em algumas regi\u00f5es do pa\u00eds, mais notadamente nas dunas do Nordeste, grandes turbinas e\u00f3licas fazem parte da paisagem. Essas esp\u00e9cies de ventiladores gigantes s\u00e3o geradoras de energia el\u00e9trica a partir da for\u00f3li\u00e7a dos ventos. Se depender do que aponta uma pesquisa da CNI (Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria), essas estruturas v\u00e3o ser mais comuns tamb\u00e9m na paisagem mar\u00edtima, com usinas e\u00f3licas offshore (fora de terra firme), com a vantagem de explorar ventos mais constantes e com maiores velocidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa nova fronteira de gera\u00e7\u00e3o de energia limpa pode fazer o Brasil aumentar em 3,6 vezes a capacidade total de produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica e potencializar a transi\u00e7\u00e3o para um mundo com cada vez mais combust\u00edveis renov\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>O cen\u00e1rio \u00e9 tra\u00e7ado pelo estudo Oportunidades e Desafios para Gera\u00e7\u00e3o E\u00f3lica Offshore no Brasil e a Produ\u00e7\u00e3o de Hidrog\u00eanio de Baixo Carbono, elaborado pela CNI, lan\u00e7ado nesta ter\u00e7a-feira (12), em Bras\u00edlia, no evento &#8216;Di\u00e1logo pr\u00e9-COP 28: o papel da Ind\u00fastria na agenda de clima&#8217;.<\/p>\n\n\n\n<p>O encontro tem a participa\u00e7\u00e3o de representantes do setor produtivo, governo e sociedade civil para debater assuntos da COP (Confer\u00eancia da ONU sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1tica), que ser\u00e1 realizada em Dubai, Emirados \u00c1rabes Unidos, entre 30 de novembro e 12 de dezembro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Potencial de gera\u00e7\u00e3o<\/strong><br>De acordo com o estudo, em 2021, o mundo tinha capacidade instalada para a gera\u00e7\u00e3o de 55,9 GW (gigawatt) por meio de usinas e\u00f3licas offshore, basicamente na China e na Europa. A estimativa \u00e9 que o parque e\u00f3lico offshore global alcance o patamar de 260 GW em 2030 e 316 GW dez anos depois. Para isso, est\u00e3o previstos investimentos de at\u00e9 US$ 1 trilh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O levantamento da CNI aponta que o Brasil tem grande potencial ainda inexplor\u00e1vel com capacidade de chegar a 700 GW, ou seja, 3,6 vezes a capacidade total de energia el\u00e9trica j\u00e1 instalada e conectada ao Sistema Interligado Nacional (194 GW). Por\u00e9m, o estudo n\u00e3o indica quando o Brasil alcan\u00e7ar\u00e1 esse patamar. At\u00e9 30 de agosto, havia no Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis) 78 pedidos de licenciamento para usinas e\u00f3licas no mar, somando potencial de gera\u00e7\u00e3o de 189 GW.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica<\/strong><br>A inclus\u00e3o dessa energia limpa na matriz energ\u00e9tica brasileira \u00e9 vista como ponto primordial para o Brasil perseguir o Acordo de Paris &#8211; tratado sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas assinado por 195 pa\u00edses e adotado em 2015. Nele, o Brasil se comprometeu a reduzir as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa em 37% at\u00e9 2025 e em 50% at\u00e9 2030, tendo como base as emiss\u00f5es de 2005. Al\u00e9m disso, no ano passado, o pa\u00eds assumiu o compromisso de alcan\u00e7ar emiss\u00f5es l\u00edquidas neutras at\u00e9 2050, ou seja, n\u00e3o contribuir para o efeito estufa, tanto diminuindo as emiss\u00f5es, quanto capturando carbono da atmosfera.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA e\u00f3lica offshore vem para somar rumo a essa expans\u00e3o de renov\u00e1veis e com o objetivo de manter a matriz energ\u00e9tica el\u00e9trica do Brasil cada vez mais limpa e sustent\u00e1vel\u201d, avalia o gerente executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo.<\/p>\n\n\n\n<p>O levantamento identificou que as regi\u00f5es do litoral brasileiro com maior potencial para a gera\u00e7\u00e3o est\u00e3o na costa nordestina, entre Piau\u00ed, Cear\u00e1 e no Rio Grande do Norte; entre os estados do Rio de Janeiro e do Esp\u00edrito Santo, no Sudeste; e na Lagoa dos Patos, litoral do Rio Grande do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hidrog\u00eanio verde<\/strong><br>Se o Brasil viabilizar a gera\u00e7\u00e3o de todo o potencial apontado no estudo da CNI, o pa\u00eds ter\u00e1 excesso de energia. Al\u00e9m de deixar a matriz energ\u00e9tica mais limpa e sustent\u00e1vel, haver\u00e1 a chance de vender o super\u00e1vit para outros pa\u00edses, assim como avan\u00e7ar na chamada economia do hidrog\u00eanio de baixo carbono.<\/p>\n\n\n\n<p>O hidrog\u00eanio verde, como tamb\u00e9m \u00e9 conhecido, \u00e9 produzido a partir das fontes renov\u00e1veis de energia, como a e\u00f3lica, e pode ser utilizado como combust\u00edvel em setores intensivos de consumo energ\u00e9tico, como o petroqu\u00edmico, sider\u00fargico e de cimento. Outra utiliza\u00e7\u00e3o do hidrog\u00eanio verde \u00e9 na fabrica\u00e7\u00e3o de fertilizantes, produto muito importado pelo Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Como o hidrog\u00eanio tem grande desempenho comparado \u00e0s baterias convencionais utilizadas na ind\u00fastria de ve\u00edculos el\u00e9tricos, pode ganhar cada vez mais escala na nova ind\u00fastria automotiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra caracter\u00edstica do hidrog\u00eanio \u00e9 a capacidade de poder armazenar energia. Isso permitiria ao sistema de gera\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o de energia el\u00e9trica do pa\u00eds manejar mais adequadamente a oferta de acordo com a demanda. De acordo com a CNI, isso refor\u00e7a a ideia de que a economia do hidrog\u00eanio de baixo carbono \u00e9 potencial consumidora do combust\u00edvel limpo gerado pelas e\u00f3licas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Competidor global<\/strong><br>O fato de o Brasil ser visto pela CNI como forte competidor no mercado global de energia e\u00f3lica offshore fez com que a confedera\u00e7\u00e3o tratasse o tema como prioridade no plano de retomada da ind\u00fastria, apresentado ao governo federal neste ano.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA consolida\u00e7\u00e3o dessa cadeia de valor no Brasil pode impulsionar a economia e facilitar a retomada da industrializa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de oferecer uma fonte de energia limpa e renov\u00e1vel, o setor deve gerar empregos, estimular o desenvolvimento tecnol\u00f3gico e cient\u00edfico, reduzir a depend\u00eancia de fontes n\u00e3o renov\u00e1veis e colaborar para a seguran\u00e7a energ\u00e9tica do pa\u00eds\u201d, diz o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.<\/p>\n\n\n\n<p>A possibilidade de exportar o hidrog\u00eanio verde para outros pa\u00edses, especialmente do Hemisf\u00e9rio Norte, \u00e9 um dos fatores que favorecem a instala\u00e7\u00e3o de e\u00f3licas offshore na costa norte nordestina, pela proximidade de portos que fariam esse com\u00e9rcio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA voca\u00e7\u00e3o principal da regi\u00e3o Nordeste para produ\u00e7\u00e3o de hidrog\u00eanio de baixo carbono e seus derivados seria para exporta\u00e7\u00e3o para o continente europeu. A dist\u00e2ncia entre o Porto do Pec\u00e9m (S\u00e3o Gon\u00e7alo do Amarante-CE) e o Porto de Rotterdam, na Holanda, \u00e9 cerca de 7,5 mil quil\u00f4metros ou de nove dias por transporte mar\u00edtimo\u201d, cita o documento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Licenciamento<\/strong><br>Quando o assunto \u00e9 licenciamento ambiental, s\u00e3o levadas em conta quest\u00f5es como processos migrat\u00f3rios de aves e esp\u00e9cies marinhas. A CNI acrescenta preocupa\u00e7\u00f5es com os m\u00faltiplos usos do espa\u00e7o oce\u00e2nico, como pesca, navega\u00e7\u00e3o, turismo e a extra\u00e7\u00e3o de \u00f3leo e g\u00e1s. O documento explica que a complexidade log\u00edstica e os custos associados \u00e0 instala\u00e7\u00e3o e \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de parques e\u00f3licos offshore requerem aportes significativos e um ambiente regulat\u00f3rio favor\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>O Decreto 10.946, de janeiro de 2022, regulamenta a cess\u00e3o de uso de espa\u00e7os f\u00edsicos e o aproveitamento dos recursos naturais em \u00e1guas da Uni\u00e3o para o desenvolvimento da energia el\u00e9trica a partir de empreendimento offshore. Mas, segundo a CNI, n\u00e3o \u00e9 suficiente para trazer seguran\u00e7a jur\u00eddica aos investidores. A confedera\u00e7\u00e3o lembra que tramita no Congresso Nacional um projeto de lei que regulamenta o modelo de cess\u00e3o de \u00e1reas, a cobran\u00e7a de outorgas e os crit\u00e9rios para a realiza\u00e7\u00e3o dos leil\u00f5es, como funciona na ind\u00fastria do petr\u00f3leo.<\/p>\n\n\n\n<p>Davi Bomtempo defende a cria\u00e7\u00e3o de um marco regulat\u00f3rio das e\u00f3licas offshore. \u201c\u00c9 importante para orientar todo o desenvolvimento dessa atividade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Experi\u00eancia no offshore<\/strong><br>A CNI observa que a tend\u00eancia \u00e9 que os projetos de gera\u00e7\u00e3o e\u00f3lica offshore sejam implementados em locais cada vez mais distantes da costa, o que representa desafios e oportunidades para empresas que atuam no mercado de \u00f3leo e g\u00e1s no Brasil, \u201cdevido a sua expertise em opera\u00e7\u00f5es realizadas em \u00e1guas profundas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A Petrobras indica ter interesse nesse desafio. Em mar\u00e7o, a estatal firmou uma parceria com a multinacional norueguesa Equinor para avaliar sete projetos de e\u00f3lica offshore no Brasil, com potencial para gerar at\u00e9 14,5 GW.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsse acordo vai abrir caminhos para uma nova fronteira de energia limpa e renov\u00e1vel no Brasil, aproveitando o expressivo potencial e\u00f3lico offshore do nosso pa\u00eds e impulsionando nossa trajet\u00f3ria em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica\u201d, disse \u00e0 \u00e9poca o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Essa nova fronteira de gera\u00e7\u00e3o de energia limpa pode fazer o Brasil aumentar em 3,6 vezes a capacidade total de produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica e potencializar a transi\u00e7\u00e3o para um mundo com cada vez mais combust\u00edveis renov\u00e1veis.<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":20885,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[51],"tags":[747,1681,1682,1683],"class_list":["post-20884","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-inovacao","tag-cni","tag-energia-eolica","tag-energia-verde","tag-transicao-energetica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20884","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20884"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20884\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20885"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20884"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20884"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20884"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}