{"id":21461,"date":"2023-10-26T16:48:46","date_gmt":"2023-10-26T19:48:46","guid":{"rendered":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosasa\/?p=21461"},"modified":"2024-02-04T13:23:43","modified_gmt":"2024-02-04T16:23:43","slug":"no-brasil-carteira-de-credito-equivale-a-55-do-pib-diz-presidente-da-febraban","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/no-brasil-carteira-de-credito-equivale-a-55-do-pib-diz-presidente-da-febraban\/","title":{"rendered":"No Brasil, carteira de cr\u00e9dito equivale a 55% do PIB, diz presidente da Febraban"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>VI F\u00f3rum Nacional do Com\u00e9rcio promove debate sobre o mercado de cr\u00e9dito; painelistas apontam medidas para o setor aumentar a oferta de recursos destinados ao desenvolvimento do Brasil<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No \u00faltimo dia do VI F\u00f3rum Nacional do Com\u00e9rcio (FNC), evento realizado em Bras\u00edlia nesta ter\u00e7a (24) e quarta-feira (25), os painelistas discutiram o papel do cr\u00e9dito como indutor do desenvolvimento, impulsionando o crescimento econ\u00f4mico, estimulando a inova\u00e7\u00e3o, expandindo os neg\u00f3cios, facilitando o investimento e aumentando a capacidade de estoque. Participaram do painel o presidente do Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o ao Cr\u00e9dito (SPC Brasil), Roque Pellizzaro J\u00fanior; o presidente da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney; o diretor de Varejo do Banco de Bras\u00edlia (BRB), Diogo Il\u00e1rio; e o vice-presidente de Controle Interno e Gest\u00e3o de Riscos do Banco do Brasil, Felipe Prince.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O primeiro convidado a falar foi Isaac Sidney, que mostrou o atrelamento do mercado de cr\u00e9dito com o desenvolvimento e fortalecimento das economias. \u201cTodos os pa\u00edses que t\u00eam uma renda per capita maior e conseguiram endere\u00e7ar problemas importantes relacionados ao ambiente de neg\u00f3cios e o ambiente de cr\u00e9dito passaram a ter um sistema de cr\u00e9dito igualmente desenvolvido\u201d, explicou o presidente da Febraban.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA propor\u00e7\u00e3o do saldo da carteira em rela\u00e7\u00e3o ao PIB (Produto Interno Bruto) \u00e9 forma de identificar se o mercado de cr\u00e9dito \u00e9 pujante. Se olharmos para os Estados Unidos, a gente v\u00ea uma carteira de cr\u00e9dito que hoje j\u00e1 equivale a mais de 200% do PIB. Na Europa, a propor\u00e7\u00e3o \u00e9 da ordem de 100%. J\u00e1 nos pa\u00edses de baixa renda, a propor\u00e7\u00e3o \u00e9 de 20% do PIB; e o Brasil est\u00e1 numa posi\u00e7\u00e3o intermediaria. O saldo da carteira de cr\u00e9dito brasileira d\u00e1 algo em torno de R$ 5,5 trilh\u00f5es, o que equivale a mais ou menos 55% do PIB\u201d, contou Isaac Sidney.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de o mercado de cr\u00e9dito brasileiro ter crescido, desde a implementa\u00e7\u00e3o do Plano Real nos anos de 1990, ainda h\u00e1 muito espa\u00e7o para crescer, especialmente, considerando o trabalho do Banco Central como regulador, que tem tornado o ambiente competitivo abrindo a ind\u00fastria de cr\u00e9dito. \u201cSem d\u00favida nenhuma o cr\u00e9dito \u00e9 uma grande alavanca para o desenvolvimento, pois \u00e9 o cr\u00e9dito que permite ampliar a capacidade produtiva das empresas e o consumo e fomenta o bem-estar da sociedade. Agora, o que \u00e9 necess\u00e1rio para que seja de fato uma alavanca sustent\u00e1vel? Primeiro, insistir na estabilidade macroecon\u00f4mica. O pa\u00eds que tem infla\u00e7\u00e3o baixa e est\u00e1vel, favorecendo a previsibilidade das empresas e das fam\u00edlias, permite o planejamento de longo prazo, e isso \u00e9 inafast\u00e1vel\u201d, afirmou o executivo da Febraban.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O segundo aspecto \u00e9 o acesso a informa\u00e7\u00f5es em quantidade e qualidade para medir o risco das opera\u00e7\u00f5es; e o terceiro, um ambiente regulat\u00f3rio. Tudo isso o Brasil possu\u00ed. O maior gargalo para o crescimento do setor tem sido o custo do cr\u00e9dito, avaliou o presidente da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bancos. \u201cA cada R$ 100 que cada um de n\u00f3s paga de spread banc\u00e1rio, R$ 80 s\u00e3o destinados a custos da intermedia\u00e7\u00e3o financeira, ou seja, R$ 20 \u00e9 margem de lucro dos bancos e R$ 80 tem a ver com custos do cr\u00e9dito\u201d, detalhou o especialista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso do Brasil, o spread \u2013 a diferen\u00e7a entre os juros que o banco paga para captar recursos e os juros cobrados para emprestar dinheiro \u2013 \u00e9 alto e a taxa de juros \u00e9 elevada, porque segundo o presidente da Febraban, temos o pior sistema de recupera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito e de garantias. \u201cQuando a gente vai para a recupera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito de empresas por meio de processo judicial, s\u00f3 recuperamos de 15 a 20% de cada d\u00f3lar dado em garantia. Ent\u00e3o, a nossa capacidade de recuperar garantias \u00e9 baixa e o tempo que demoramos para recuperar a garantia impacta no cr\u00e9dito tamb\u00e9m, e o custo disso \u00e9 alto, sem falar na pesada carga tribut\u00e1ria incidente sobre o custo do cr\u00e9dito\u201d, destacou Isaac Sidney.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Febraban tem se movimentado junto ao Congresso e o Executivo federal para melhorar o mercado de cr\u00e9dito e baratear o custo, por meio de altera\u00e7\u00f5es microecon\u00f4micas a fim de, por exemplo, facilitar a recupera\u00e7\u00e3o e garantia e permitindo empr\u00e9stimos guarda-chuvas de um financiamento j\u00e1 realizado. Enquanto essas medidas n\u00e3o saem, o montante de cr\u00e9dito concedido este ano deve crescer na ordem dos 8% &#8212; superior a previs\u00e3o de 3% para o PIB. \u201cA inadimpl\u00eancia mais contida, a infla\u00e7\u00e3o arrefecendo e a Selic caindo s\u00e3o aspectos positivos para o crescimento do mercado de cr\u00e9dito\u201d, concluiu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Prote\u00e7\u00e3o ao cr\u00e9dito<\/strong><br>O presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Jr., tamb\u00e9m tratou sobre o alto custo do cr\u00e9dito no Brasil. Segundo o especialista em prote\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito, dentro daqueles R$ 80 reais de custo do cr\u00e9dito, est\u00e3o embutidos os tributos, a opera\u00e7\u00e3o em si e o risco. Os bir\u00f4s de cr\u00e9ditos surgem, justamente, para reduzir os ricos de inadimpl\u00eancia, ofertando informa\u00e7\u00f5es em qualidade e quantidade sobre o tomador de cr\u00e9dito, tornando a concess\u00e3o de cr\u00e9dito mais segura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO Brasil antes do Cadastro Positivo trabalhava por m\u00e9dias de inadimpl\u00eancia, ou seja, havia um risco m\u00e9dio de determinado financiamento e o custo do dinheiro, independentemente de quem tomava, tinha o mesmo risco, porque n\u00e3o era individualizado\u201d, explicou o presidente do SPC Brasil, entidade que comp\u00f5e o Sistema CNDL.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA m\u00e9dia \u00e9 muito ruim, pois poucos realmente ser\u00e3o considerados. Com o Cadastro Positivo, que n\u00e3o olha mais a m\u00e9dia, \u00e9 poss\u00edvel individualizar a vida de cada um e deixa-se de olhar uma fotografia, que \u00e9 o Cadastro Negativo. D\u00e1 uma vis\u00e3o ampla do hist\u00f3rico daquele tomador de cr\u00e9dito. Com isso, \u00e9 poss\u00edvel ter acesso a taxas e prazos diferenciados com base no perfil individual de risco\u201d, acrescentou Pellizzaro Jr.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O especialista em prote\u00e7\u00e3o ao cr\u00e9dito ainda comentou sobre a tributa\u00e7\u00e3o da concess\u00e3o de cr\u00e9dito, e disse que a pr\u00e1tica inibe o desenvolvimento do Brasil. \u201cQuando eu tributo a opera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito em si, eu tributo a origem do desenvolvimento e inibo a gera\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o, seja na Ind\u00fastria, no Agro, nos Servi\u00e7os. A renda resultante da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 que deveria ser tributada. Mas quando se tributo o insumo que vai gerar riqueza, na verdade, impede a cria\u00e7\u00e3o de riqueza\u201d, resumiu Roque Pellizzaro Jr.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O dirigente lojista tamb\u00e9m lembrou sobre a onda de varejistas entregando suas carteiras de cr\u00e9ditos para bancos, seja por falta de tecnologia suficiente para tomar o risco e conceder o cr\u00e9dito, seja por falta de estrutura de funding para fazer suas carteiras de vendas crescerem e acompanhar o ritmo de expans\u00e3o de suas lojas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cMuitos fizeram isso, e hoje, pagam um pre\u00e7o: um dos maiores problemas que os varejistas est\u00e3o enfrentando \u00e9 de, ao terceirizar suas carteiras de cr\u00e9dito, terem perdido a possibilidade de abrir e fechar a \u2018torneira do cr\u00e9dito\u2019 como indutor das suas vendas. Isso ficou l\u00e1 com o banco, a financeira. Perderam a m\u00e3o disso\u201d, afirmou o presidente do SPC Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando o lojista reduz a oferta de cr\u00e9dito, automaticamente, diminui as chances de aumentar as suas vendas. Neste cen\u00e1rio, o concorrente que consegue unir boas condi\u00e7\u00f5es de venda e de pagamento, pode tomar um risco maior de cr\u00e9dito e, consequentemente, melhorar as suas vendas\u201d, complementou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pellizzaro Jr. concordou que o Banco Central tem feito um excelente trabalho na melhoria e crescimento do mercado de cr\u00e9dito, contribuindo para a competitividade dentro do segmento. \u201cPor exemplo, a antecipa\u00e7\u00e3o de receb\u00edveis antigamente era feita basicamente por bancos. Agora, os FIDCs (Fundos de Investimentos em Direitos Credit\u00f3rios) est\u00e3o se expandindo Brasil a fora, e com custos operacionais menores e ambientados em nichos, trazendo resultados muito melhores de estrutura de funding para as opera\u00e7\u00f5es dos varejistas\u201d, ressaltou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda de acordo com o executivo, o BC est\u00e1 construindo uma nova estrutura de registro e escritura\u00e7\u00e3o de receb\u00edveis, contribuindo para a redu\u00e7\u00e3o das fraudes no ambiente de antecipa\u00e7\u00e3o. \u201cVai praticamente zerar as fraudes, que \u00e9 o pior dos mundos. O risco de inadimpl\u00eancia \u00e9 grande, mas ainda pode-se recuperar o cr\u00e9dito. a fraude \u00e9 dinheiro perdido. Com a nova estrutura\u00e7\u00e3o, voc\u00ea azeita o mercado e traz novos concorrentes\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO varejo brasileiro deve retornar a estrutura de ele tomar o risco das opera\u00e7\u00f5es. O ambiente de funding deve melhorar muito nos pr\u00f3ximos anos\u201d, projetou Roque Pellizzaro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, falou sobre como os micro e pequenos neg\u00f3cios tomam cr\u00e9dito de maneira errada, e isso tamb\u00e9m encarece a concess\u00e3o de cr\u00e9dito no pa\u00eds. \u201cMobiliza o pr\u00f3prio dinheiro e usa o dinheiro de terceiros para capital de giro, que tem os juros mais caros e o prazo mais curto. J\u00e1 o investimento tem o prazo mais longo e. juros mais barato\u201d, definiu. \u201cEnt\u00e3o, precisamos melhorar a consci\u00eancia de quem toma emprestado, a competitividade de quem empresta dinheiro e gera funding para outros emprestarem e ainda a quest\u00e3o tribut\u00e1ria do mercado financeiro\u201d, listou o presidente do SPC Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cOs varejistas pagam ICMS sobre o financiamento. Isso \u00e9 uma aberra\u00e7\u00e3o! Voc\u00ea embute esse valor no pre\u00e7o do produto, e a\u00ed o imposto incide sobre o financiamento. Essa quest\u00e3o precisa ainda ser muito bem discutida&#8221;, finalizou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VI F\u00f3rum Nacional do Com\u00e9rcio promove debate sobre o mercado de cr\u00e9dito; painelistas apontam medidas para o setor aumentar a oferta de recursos destinados ao desenvolvimento do Brasil.<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":21462,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[247,299,1261,341,480,1262,522,266,249],"class_list":["post-21461","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-negocios-e-economia","tag-comercio","tag-credito","tag-desenvolvimento","tag-economia","tag-emprestimo","tag-febraban","tag-financiamento","tag-inadimplencia","tag-varejo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21461","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21461"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21461\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21462"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21461"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21461"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21461"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}