{"id":25569,"date":"2024-05-04T11:49:37","date_gmt":"2024-05-04T14:49:37","guid":{"rendered":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/?p=25569"},"modified":"2024-04-29T11:54:57","modified_gmt":"2024-04-29T14:54:57","slug":"relacao-china-brasil-envolve-desafios-e-oportunidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/relacao-china-brasil-envolve-desafios-e-oportunidades\/","title":{"rendered":"Rela\u00e7\u00e3o China-Brasil envolve desafios e oportunidades"},"content":{"rendered":"<p>O an\u00fancio de investimentos de empresas chinesas no Brasil deixou de ser frequente como era h\u00e1 alguns anos, mas isso n\u00e3o significa o enfraquecimento da rela\u00e7\u00e3o entre os dois pa\u00edses. A mudan\u00e7a decorre de novos mecanismos de controle de capital implementados pelos chineses em anos recentes, o que torna mais complexo o envio de d\u00f3lares para o exterior. Uma das <a href=\"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/?city=756\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">oportunidades<\/a>, inclusive, \u00e9 a possibilidade de empr\u00e9stimos chineses para projetos de infraestrutura, mostrando que a rela\u00e7\u00e3o China-Brasil \u00e9 din\u00e2mica.<\/p>\n<p>Esse foi um dos pontos do semin\u00e1rio global Leadership in the New Geopolitical Order: China and Brazil, que reuniu os professores Rodrigo Zeidan, da New York University Shanghai e da <a href=\"https:\/\/sejarelevante.fdc.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral<\/a> (FDC), e Patricio Giusto, da Universidad de la Defensa Nacional (UNDEF) e da Universidad Nacional de La Plata.<\/p>\n<p>Zeidan, que est\u00e1 baseado em Xangai, lembrou que as reservas chinesas, que j\u00e1 chegaram a US$ 4 trilh\u00f5es, hoje se estabilizaram por volta de US$ 3 trilh\u00f5es, sendo que boa parte da diferen\u00e7a est\u00e1 nos investimentos feitos no exterior por companhias chinesas. Hoje, . A maior parte deles envolve o fornecimento de insumos fabricados naquele pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Exemplos da rela\u00e7\u00e3o China-Brasil<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com Zeidan, eventos recentes, como o investimento da BYD no pa\u00eds, precisaram de autoriza\u00e7\u00e3o do governo chin\u00eas para o envio de capital, diferentemente de outras \u00e9pocas. As restri\u00e7\u00f5es explicariam a menor participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 na Am\u00e9rica Latina, como a desacelera\u00e7\u00e3o em outras regi\u00f5es, como na Europa, onde os chineses compraram participa\u00e7\u00e3o em empresas como Pirelli e Volvo.<\/p>\n<p>O especialista destacou ainda que a China \u00e9 o maior parceiro de neg\u00f3cios do Brasil, sendo que n\u00f3s somos um dos poucos pa\u00edses no mundo com super\u00e1vit na balan\u00e7a comercial. Para ele, a China tem sido subestimada a curto prazo e superestimada a longo prazo.<\/p>\n<p>Zeidan explica seu ponto de vista com dados, caso da produtividade do trabalhador chin\u00eas, que seria 20% do seu contraponto nos Estados Unidos. Segundo o pesquisador, \u00e9 improv\u00e1vel que a China continue crescendo, na pr\u00f3xima d\u00e9cada, nos mesmos n\u00edveis do passado.<\/p>\n<p>Outro exemplo para ilustrar o ponto de vista do professor brasileiro \u00e9 o consumo de min\u00e9rio de ferro: o pa\u00eds sozinho compra 70% da produ\u00e7\u00e3o mundial dessa commodity, sendo a maior parte dele importado do Brasil, o que refor\u00e7a a import\u00e2ncia do relacionamento entre as duas na\u00e7\u00f5es. Zeidan aposta que a neutralidade brasileira \u00e9 um ativo importante no futuro, principalmente se a rela\u00e7\u00e3o dos chineses com os Estados Unidos escalar mais em rela\u00e7\u00e3o a um tema complexo, que envolve Taiwan.<\/p>\n<p>Assim como ele, o argentino Patricio Giusto, que \u00e9 diretor executivo do Observat\u00f3rio Sino-Argentino e especialista na China, acredita que o conflito regional, envolvendo a ilha citada, pode evoluir. O assunto, que n\u00e3o estava mapeado como prioridade por outros governos, pode ter entrado em uma nova fase para as gera\u00e7\u00f5es atuais.<\/p>\n<p><strong>Geopol\u00edtica na rela\u00e7\u00e3o China-Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Na lista de temas geopol\u00edticos importantes que podem pautar a rela\u00e7\u00e3o China-Brasil, o especialista argentino destacou que o ano de 2024 deve ser complexo em fun\u00e7\u00e3o da expans\u00e3o mundial de conflitos, com reflexo na economia e d\u00e9ficit de lideran\u00e7as mundiais significativas. Ele tamb\u00e9m chama a aten\u00e7\u00e3o para problemas econ\u00f4micos estruturais entre os chineses, incluindo o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, o decr\u00e9scimo da produ\u00e7\u00e3o fabril e do consumo dom\u00e9stico.<\/p>\n<p>O Brasil, como grande produtor de alimentos e de mat\u00e9rias primas como min\u00e9rio de ferro, continua sendo um parceiro preferencial da China, de acordo com ele. Giusto, assim como Zeidan, v\u00ea oportunidades em \u00e1reas como infraestrutura e energia verde, al\u00e9m da possibilidade de investimentos em base tecnol\u00f3gica. Nesse \u00faltimo caso, o Brasil pode aproveitar melhor essa janela do que seus vizinhos na Am\u00e9rica Latina, at\u00e9 pela pujan\u00e7a da economia e m\u00e3o de obra qualificada em \u00e1reas t\u00e9cnicas.<\/p>\n<p>O aprofundamento da rela\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m acontece com a mudan\u00e7a de governo, sendo que a gest\u00e3o atual de Lula mant\u00e9m um relacionamento mais pragm\u00e1tico do que ideol\u00f3gico com a China. O chamado fator Milei \u2013 de afastamento da Argentina \u2013 \u00e9 outro ponto que pode aproximar ainda mais os chineses do Brasil.<\/p>\n<p>Para Zeidan, a China est\u00e1 mais agressiva em termos de competitividade. Internamente, o pa\u00eds oriental enfrenta o desafio de estar num cen\u00e1rio de Middle Income Trap, ou seja, da passagem para uma economia de maior renda \u2013 ou n\u00e3o. Ele v\u00ea dois caminhos: ou o pa\u00eds ficar\u00e1 estagnado nesse quadro ou evoluir\u00e1 para um modelo similar ao da Coreia do Sul.<\/p>\n<p>Giusto, por sua vez, v\u00ea oportunidades de o Brasil aproveitar o crescimento da China, e tamb\u00e9m se posicionar melhor no mundo via parcerias, como a dos BRICs, com participa\u00e7\u00e3o ativa em grupos como o G20.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialistas alertam que rela\u00e7\u00e3o entre os dois pa\u00edses tem boas expectativas no momento atual<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":25602,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1370],"tags":[520,2270,502,341,317,5251,1648,443],"class_list":["post-25569","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-seja-relevante","tag-brasil","tag-china","tag-comunicacao","tag-economia","tag-empreendedorismo","tag-fundacao-dom-cabral","tag-lideranca","tag-trabalho"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25569","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25569"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25569\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25602"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25569"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25569"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25569"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}