{"id":27248,"date":"2024-09-29T09:20:00","date_gmt":"2024-09-29T12:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/?p=27248"},"modified":"2024-09-09T17:26:23","modified_gmt":"2024-09-09T20:26:23","slug":"adaptacao-climatica-e-vital-para-seguranca-alimentar-diz-silvia-massruha-presidente-da-embrapa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/adaptacao-climatica-e-vital-para-seguranca-alimentar-diz-silvia-massruha-presidente-da-embrapa\/","title":{"rendered":"Adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica \u00e9 vital para seguran\u00e7a alimentar, diz Silvia Massruh\u00e1, presidente da Embrapa"},"content":{"rendered":"<p>Em uma era marcada por desafios ambientais globais, o papel da agricultura na mitiga\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas nunca foi t\u00e3o <a href=\"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">importante<\/a>. Em entrevista exclusiva ao Seja Relevante, Silvia Massruh\u00e1, presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa), falou sobre as iniciativas da institui\u00e7\u00e3o para enfrentar esses desafios, desde a implementa\u00e7\u00e3o de tecnologias avan\u00e7adas para monitoramento de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa (GEE) at\u00e9 o desenvolvimento de solu\u00e7\u00f5es inovadoras para a <a href=\"https:\/\/site.cndl.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">recupera\u00e7\u00e3o<\/a> de terras degradadas.<\/p>\n<p>Na lideran\u00e7a da Embrapa desde maio de 2023, sendo a primeira mulher a assumir a presid\u00eancia da empresa, Silvia tem forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de tecnologia, o que faz com que tenha uma vis\u00e3o abrangente sobre como as inova\u00e7\u00f5es podem contribuir para o aumento da produtividade no campo e a maior resili\u00eancia dos cultivares \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Acompanhe os detalhes.<\/p>\n<p><strong>A maior parte das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa do Brasil est\u00e1 associada ao uso da terra. Como a Embrapa avalia as m\u00e9tricas utilizadas para essa conclus\u00e3o e quais as principais a\u00e7\u00f5es a respeito?<\/strong><\/p>\n<p>A maior parte das emiss\u00f5es de GEE do Brasil est\u00e1 relacionada ao uso da terra, especialmente devido ao desmatamento e \u00e0s mudan\u00e7as no uso do solo. A Embrapa desempenha um papel crucial na avalia\u00e7\u00e3o e no monitoramento dessas emiss\u00f5es, bem como na proposi\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es para mitiga\u00e7\u00e3o. Acreditamos que as m\u00e9tricas s\u00e3o essenciais para que o pa\u00eds possa mostrar ao mundo que a agricultura brasileira \u00e9 sustent\u00e1vel. Por isso, estamos investindo R$20,3 milh\u00f5es na constru\u00e7\u00e3o de uma plataforma, cujo desafio dos cientistas \u00e9 definir par\u00e2metros padronizados de mensura\u00e7\u00e3o de emiss\u00e3o e de absor\u00e7\u00e3o de carbono, adaptados \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de clima tropical.<\/p>\n<p>O projeto prev\u00ea o investimento em qualifica\u00e7\u00e3o de infraestrutura e a forma\u00e7\u00e3o de uma rede de coopera\u00e7\u00e3o em PD&amp;I, que nos possibilite elaborar m\u00e9todos de medi\u00e7\u00e3o adequados \u00e0s condi\u00e7\u00f5es e ao modelo de produ\u00e7\u00e3o nacional, a exemplo do que j\u00e1 acontece nos Estados Unidos e em outros pa\u00edses desenvolvidos. Esses indicadores t\u00eam que ser compat\u00edveis com os princ\u00edpios de TACCC (Transpar\u00eancia, Precis\u00e3o, Completude, Comparabilidade, Consist\u00eancia) adotados pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas) e pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas para o desenvolvimento de Invent\u00e1rios Nacionais de Emiss\u00f5es de Gases de Efeito Estufa (Invent\u00e1rio Nacional). Al\u00e9m dessa novidade, a Embrapa trabalha com diversas metodologias e ferramentas para avaliar as m\u00e9tricas relacionadas \u00e0s emiss\u00f5es de GEE.<\/p>\n<p><strong>Poderia explicar quais s\u00e3o e como funcionam essas ferramentas?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, temos tr\u00eas ferramentas. A primeira delas \u00e9 o Invent\u00e1rio de Emiss\u00f5es de Gases de Efeito Estufa. A Embrapa contribui para o Invent\u00e1rio Nacional de Emiss\u00f5es de GEE, que segue as diretrizes do IPCC. Esse invent\u00e1rio contabiliza as emiss\u00f5es provenientes de diferentes setores, incluindo o uso da terra.<\/p>\n<p>Outra ferramenta utilizada \u00e9 a Modelagem e Sensoriamento Remoto, que, por meio de t\u00e9cnicas para monitorar a cobertura vegetal e as mudan\u00e7as no uso do solo, consegue obter uma avalia\u00e7\u00e3o precisa das \u00e1reas desmatadas e das emiss\u00f5es associadas.<\/p>\n<p>Por fim, a Embrapa realiza estudos de campo para medir diretamente as emiss\u00f5es de GEE em diferentes sistemas de uso da terra, como agricultura, pecu\u00e1ria e florestas.<\/p>\n<p><strong>A Embrapa avalia que h\u00e1 outras formas de medi\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es por atividades produtivas?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, sempre haver\u00e1 novas formas de medir as emiss\u00f5es. Novas tecnologias de sensores e sistemas t\u00eam sido desenvolvidos e podem permitir o desenvolvimento de sistemas mais avan\u00e7ados de monitoramento da mudan\u00e7a do uso da terra e de suas for\u00e7as motrizes \u2013 que podem n\u00e3o estar vinculadas \u00e0 agricultura \u2013 , al\u00e9m de maior efic\u00e1cia na defini\u00e7\u00e3o de medidas mitigadoras.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o na obten\u00e7\u00e3o de dados de campo sobre nossos sistemas produtivos e o desenvolvimento, adapta\u00e7\u00e3o e calibra\u00e7\u00e3o de modelos matem\u00e1ticos que representem melhor a realidade dos sistemas de produ\u00e7\u00e3o tropicais brasileiros podem produzir dados de emiss\u00f5es de GEE integralmente a partir de informa\u00e7\u00f5es e modelos espec\u00edficos e mais pr\u00f3ximos da realidade nacional do que os estimados em aproxima\u00e7\u00f5es baseadas (integral ou parcialmente) em dados e modelos padr\u00e3o do IPCC. \u00c9, por\u00e9m, necess\u00e1rio que esses novos modelos e m\u00e9todos de medi\u00e7\u00e3o ou estimativa sejam publicados e reconhecidos internacionalmente, para dar a credibilidade necess\u00e1ria aos nossos Relat\u00f3rios Bienais de Transpar\u00eancia (BTR, na sigla em ingl\u00eas) e aos cr\u00e9ditos de carbono que o pa\u00eds pretenda comercializar.<\/p>\n<p><strong>Como a Embrapa est\u00e1 envolvida na miss\u00e3o externada pelo Minist\u00e9rio da Agricultura, que tem o objetivo de recuperar 40 milh\u00f5es de hectares de terras degradadas?<\/strong><\/p>\n<p>O Programa Nacional de Convers\u00e3o de Pastagens Degradadas em Sistemas de Produ\u00e7\u00e3o Agropecu\u00e1rios e Florestais Sustent\u00e1veis do Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (Mapa) visa restaurar a produtividade e a sustentabilidade ambiental dessas \u00e1reas. Esse programa \u00e9 fundamental para enfrentar os desafios das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, melhorar a qualidade do solo e aumentar a produtividade agr\u00edcola. A Embrapa estar\u00e1 presente em v\u00e1rias etapas do projeto, desde do Diagn\u00f3stico e Mapeamento, que envolve a identifica\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o do grau de degrada\u00e7\u00e3o, at\u00e9 as tecnologias e pr\u00e1ticas de recupera\u00e7\u00e3o, pois temos um conjunto de solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas que contribuem para uma agricultura sustent\u00e1vel com baixa emiss\u00e3o de carbono: integra\u00e7\u00e3o lavoura-pecur\u00e1ria-floresta (ILPF), bioinsumos, melhoramento gen\u00e9tico de cultivares e de animais, para tornar os plantios e os rebanhos mais resilientes \u00e0s mudan\u00e7as do clima.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capacita\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicos e da extens\u00e3o rural, a Embrapa atuar\u00e1 na forma\u00e7\u00e3o de multiplicadores, oferecendo cursos, workshops e treinamentos para t\u00e9cnicos que, por sua vez, ir\u00e3o treinar os produtores rurais.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a import\u00e2ncia desse movimento para as metas de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa do Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>O programa ser\u00e1 de fundamental import\u00e2ncia para as metas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa do Brasil. Dentre os resultados, o que se espera \u00e9 que a ado\u00e7\u00e3o das tecnologias j\u00e1 citadas contribua para o aumento do sequestro de carbono, pois o seu conjunto, quando implementado, gera, por exemplo, o aumento da biomassa dispon\u00edvel no solo e a melhora da sua qualidade: pr\u00e1ticas de recupera\u00e7\u00e3o de pastagens aumentam a mat\u00e9ria org\u00e2nica no solo, que \u00e9 uma forma significativa de armazenamento de carbono. Al\u00e9m disso, podemos citar a redu\u00e7\u00e3o do desmatamento, a diminui\u00e7\u00e3o da press\u00e3o sobre as florestas, entre outros ganhos de sustentabilidade ambiental.<\/p>\n<p><strong>Isso tamb\u00e9m visa contribuir globalmente, tanto para a quest\u00e3o das emiss\u00f5es quanto para a seguran\u00e7a alimentar?<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil estabeleceu metas ambiciosas nas suas Contribui\u00e7\u00f5es Nacionalmente Determinadas (NDCs), no \u00e2mbito do Acordo de Paris, e a recupera\u00e7\u00e3o de pastagens degradadas \u00e9 uma das principais a\u00e7\u00f5es para atingir esses prop\u00f3sitos. Estima-se que a recupera\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de hectares de pastagens degradadas possa evitar a emiss\u00e3o de grandes quantidades de CO2 equivalente. Para se ter uma ideia, o governo brasileiro fez, recentemente, uma revis\u00e3o de suas metas para a redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, se comprometendo a reduzir em 48% as emiss\u00f5es at\u00e9 2025, ou seja, at\u00e9 o ano que vem, e, em 53%, at\u00e9 2030, chegando a emiss\u00e3o l\u00edquida zero em 2050. Portanto, o Programa Nacional de Convers\u00e3o de Pastagens Degradadas em Sistemas de Produ\u00e7\u00e3o Agropecu\u00e1rios e Florestais Sustent\u00e1veis, al\u00e9m de ser uma pr\u00e1tica sustent\u00e1vel, garante a seguran\u00e7a alimentar e reduz o impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, pois visa a intensifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de alimentos, sem avan\u00e7ar no desmatamento sobre as \u00e1reas j\u00e1 preservadas e com pr\u00e1ticas que levem \u00e0 n\u00e3o emiss\u00e3o de carbono.<\/p>\n<p>A Embrapa integra o Comit\u00ea Gestor Interministerial do programa, criado justamente para implementar, em parceria com estados e munic\u00edpios, as tecnologias voltadas para a recupera\u00e7\u00e3o de pastagens degradadas. Temos muitas solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas para ofertar, bem como capacita\u00e7\u00e3o de multiplicadores. Acreditamos que a interven\u00e7\u00e3o sobre essas \u00e1reas, com a ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis, proporciona aumento de produtividade, melhor conserva\u00e7\u00e3o do solo e da \u00e1gua, aumento de fertilidade do solo, sequestro de carbono, al\u00e9m de outros benef\u00edcios. Al\u00e9m disso, pode contribuir para promover o desenvolvimento sustent\u00e1vel, a gera\u00e7\u00e3o de renda e a redu\u00e7\u00e3o de pobreza e de desigualdades. A colabora\u00e7\u00e3o com institui\u00e7\u00f5es de pesquisa como a Embrapa garante que as pr\u00e1ticas recomendadas sejam baseadas em evid\u00eancias cient\u00edficas e adaptadas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es locais.<\/p>\n<p><strong>Nos \u00faltimos anos, o agroneg\u00f3cio figurou como um dos principais setores econ\u00f4micos do Brasil. Dado o movimento com compras de m\u00e1quinas e equipamentos, al\u00e9m de outras tecnologias, alguns especialistas dizem que o setor foi o principal motor da economia. Como voc\u00ea avalia esse cen\u00e1rio e o que a Embrapa espera para o futuro pr\u00f3ximo, em termos de participa\u00e7\u00e3o do agro na economia brasileira?<\/strong><\/p>\n<p>O agroneg\u00f3cio vai continuar participando ativamente da economia brasileira. Ele foi respons\u00e1vel por 24% do PIB em 2023, e a perspectiva para 2024 \u00e9 de que fique em aproximadamente 21%. Segundo o Centro de Estudos Avan\u00e7ados em Economia Aplicada da USP (CEPEA\/USP), a performance do agroneg\u00f3cio foi impactada pela diminui\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os e pela queda na produ\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios dos principais produtos. Mas, o ramo pecu\u00e1rio atenuou esse resultado, principalmente devido ao bom desempenho dos segmentos agroindustrial e de agrosservi\u00e7os.<\/p>\n<p>Quanto mais investimento tivermos na ci\u00eancia agropecu\u00e1ria, mais o PIB agropecu\u00e1rio impactar\u00e1 a economia brasileira. O desenvolvimento de tecnologias no campo nas \u00faltimas cinco d\u00e9cadas possibilitou um aumento de produtividade de 580%, com uma expans\u00e3o de apenas 140% na \u00e1rea utilizada, o chamado efeito poupa-terra. Em 2023, a Fixa\u00e7\u00e3o Biol\u00f3gica de Nitrog\u00eanio (FBN), adotada em 43 milh\u00f5es de hectares, gerou uma economia de R$ 9,5 bilh\u00f5es para os produtores.<\/p>\n<p><strong>Poderia citar alguns exemplos de aplica\u00e7\u00f5es de tecnologia no campo?<\/strong><\/p>\n<p>O BiomaPhos, bioinsumo lan\u00e7ado recentemente pela Embrapa e parceiro, \u00e9 considerado um dos mais significativos casos de sucesso de ado\u00e7\u00e3o de tecnologia da Embrapa nos \u00faltimos anos. Em 2019 o produto foi utilizado em cerca de 281 mil hectares. Em 2020 essa \u00e1rea foi de 1,4 milh\u00f5es de hectares. Em 2021, em cerca de 2,6 milh\u00f5es de hectares, em 2022, 5 milh\u00f5es de ha. Para 2023-24, a expectativa \u00e9 de que o mesmo tenha sido utilizado em cerca de 7 milh\u00f5es de hectares. Ou seja, em 3,5 anos de comercializa\u00e7\u00e3o, o produto dever\u00e1 ter sido utilizado em cerca de 9 milh\u00f5es de hectares no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Sua expans\u00e3o de uso em novas culturas como soja, feij\u00e3o e cana-de-a\u00e7\u00facar dever\u00e1 refor\u00e7ar de forma mais positiva esses n\u00fameros. A agricultura de precis\u00e3o e a Intelig\u00eancia Artificial na agricultura chegaram para ficar e est\u00e3o trazendo \u00f3timos resultados para o agro brasileiro, no que diz respeito ao uso mais racional da \u00e1gua e de insumos como fertilizantes e agrot\u00f3xicos. Portanto, a contribui\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio para o PIB ser\u00e1 cada vez maior, com o investimento em pesquisas e gera\u00e7\u00e3o de novas tecnologias. Lembrando que temos grandes desafios pela frente, como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, a necessidade de promovermos uma agricultura cada vez mais sustent\u00e1vel e resiliente, com tecnologias que possam ser acessadas por todos os agricultores, principalmente os pequenos e m\u00e9dios.<\/p>\n<p><strong>Como os pequenos agricultores \u2013 respons\u00e1veis pela maior parte do setor no Brasil \u2013 est\u00e3o sendo considerados na vis\u00e3o de m\u00e9dio prazo da Embrapa, tanto acerca da representatividade econ\u00f4mica do agro quanto sobre as quest\u00f5es clim\u00e1ticas?<\/strong><\/p>\n<p>O governo federal lan\u00e7ou, neste ano, o Plano Safra da Agricultura Familiar, e a Embrapa tem participado ativamente de articula\u00e7\u00f5es e desenvolvimento de parcerias que visam o fortalecimento da agricultura familiar, com foco em inova\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a alimentar. No ano passado, assinamos v\u00e1rios acordos com os minist\u00e9rios para a execu\u00e7\u00e3o de conv\u00eanios, totalizando R$ 34 milh\u00f5es em transfer\u00eancia de tecnologia e inova\u00e7\u00e3o para assentados da reforma agr\u00e1ria, povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m vamos desenvolver a\u00e7\u00f5es de fomento \u00e0 pesca, beneficiando milhares de pescadores artesanais. Entendemos que os pequenos produtores precisam ter acesso a tecnologias. Temos de incentivar a transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica e a diversifica\u00e7\u00e3o de cultivos de alimentos no Brasil, em um momento de impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, como assistimos \u00e0s consequ\u00eancias das enchentes no Rio Grande do Sul. Para aquele estado, o governo acabou de liberar para a Embrapa cerca de R$ 20 milh\u00f5es, para o Recupera Rural RS, de forma a impulsionar as a\u00e7\u00f5es emergenciais que j\u00e1 est\u00e3o sendo desenvolvidas pela Embrapa, com o apoio de parcerias estrat\u00e9gicas, em prol da recupera\u00e7\u00e3o da agropecu\u00e1ria ga\u00facha.<\/p>\n<p><strong>O uso de estrat\u00e9gias como o melhoramento gen\u00e9tico tamb\u00e9m \u00e9 uma alternativa para combater os danos decorrentes de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. A Embrapa investe em programas de melhoramento, visando a obten\u00e7\u00e3o de cultivares mais tolerantes ao calor, ao d\u00e9ficit h\u00eddrico e ao estresse por inunda\u00e7\u00e3o; tamb\u00e9m em programas de melhoramento que visam a obten\u00e7\u00e3o de cultivares mais resistentes a doen\u00e7as e pragas relevantes em cen\u00e1rios de altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, al\u00e9m de programas de melhoramento gen\u00e9tico para obten\u00e7\u00e3o de cultivares com menor necessidade de uso de agroqu\u00edmicos. Tamb\u00e9m estamos trabalhando no desenvolvimento de estufas e sistemas ambientais controlados melhor adaptados \u00e0s condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas projetadas, desenvolvimento e melhoria de sistemas de cultivo regenerativos, como plantio direto para hortali\u00e7as, sistemas agroflorestais, sistemas org\u00e2nicos, sistemas aquap\u00f4nicos, entre outros. Em maio deste ano, a Embrapa coordenou o MACS G20, encontro que reuniu representantes de institui\u00e7\u00f5es de pesquisa, ci\u00eancia e agricultura dos pa\u00edses do G20. Seguran\u00e7a alimentar e adapta\u00e7\u00e3o de sistemas agroalimentares \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas foram os principais pilares apontados pelos l\u00edderes mundiais em agricultura do G20 para garantir um futuro mais igualit\u00e1rio e sem fome para as novas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Presidente da Embrapa falou sobre as estrat\u00e9gias da institui\u00e7\u00e3o para impulsionar a agricultura sustent\u00e1vel no Brasil<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":27258,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1370],"tags":[5477,336,717],"class_list":["post-27248","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-seja-relevante","tag-embrapa","tag-gestao","tag-sustentabilidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27248","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27248"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27248\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27258"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27248"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27248"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27248"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}