{"id":28078,"date":"2025-05-04T15:40:29","date_gmt":"2025-05-04T18:40:29","guid":{"rendered":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/?p=28078"},"modified":"2025-02-25T16:49:35","modified_gmt":"2025-02-25T19:49:35","slug":"dinamica-de-mercado-mitiga-distopia-do-tecnofeudalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/dinamica-de-mercado-mitiga-distopia-do-tecnofeudalismo\/","title":{"rendered":"Din\u00e2mica de mercado mitiga distopia do tecnofeudalismo"},"content":{"rendered":"<p>Em Mad Max (2001), Planeta dos Macacos ou na literatura cyberpunk, ang\u00fastias contempor\u00e2neas s\u00e3o levadas ao extremo, menos como predi\u00e7\u00e3o do que advert\u00eancia. A teoria econ\u00f4mica tamb\u00e9m tem esse tipo de modelagem de cen\u00e1rios. Uma dessas distopias foi formulada por Yanis Varoufakis, economista e ex-ministro das Finan\u00e7as da Gr\u00e9cia, principal defensor do conceito de tecnofeudalismo, um sistema em que a domin\u00e2ncia dos oligop\u00f3lios digitais (como Google, Amazon e Meta) torna a concentra\u00e7\u00e3o de recursos e o papel dos agentes econ\u00f4micos inexor\u00e1veis, assim como a condi\u00e7\u00e3o de suserano, servo ou artes\u00e3o.<\/p>\n<p>Para o professor Paulo Vicente Alves, da \u00e1rea de Estrat\u00e9gia de Gest\u00e3o P\u00fablica da FDC, a pr\u00f3pria analogia aponta suas contradi\u00e7\u00f5es. Segundo ele, o feudalismo hist\u00f3rico colapsou conforme os profissionais urbanos, sem dom\u00ednio territorial ou t\u00edtulo de <a href=\"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">nobreza<\/a>, foram da periferia ao centro da ordem econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>\u201cOs mercados s\u00e3o din\u00e2micos. H\u00e1 empresas inaugurais; entram concorrentes se diferenciando em pontos espec\u00edficos; formam-se oligop\u00f3lios com fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es; e surgem outros agentes atuando nas bordas desse mercado\u201d, descreve. \u201cQuando se olha din\u00e2mica do mercado, \u00e9 dif\u00edcil se ter feudos. Sempre vai ter algu\u00e9m que acha que pode fazer melhor. E faz. A estrutura de cloud e <a href=\"https:\/\/site.cndl.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">telecom<\/a> baixa as barreiras e entrar\u00e3o novos jogadores.\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do fortalecimento de agentes econ\u00f4micos \u201cn\u00e3o incumbentes\u201d, outro paralelo hist\u00f3rico \u00e9 que o poder discricion\u00e1rio dos senhores feudais se esvazia \u00e0 medida que os estados nacionais padronizaram moedas, regras de tr\u00e1fego e contratos. \u201cOs feudos s\u00e3o quebrados por entrantes ou por regula\u00e7\u00e3o. Padroniza\u00e7\u00e3o e escala derrubam barreiras\u201d, resume o professor.<\/p>\n<p><strong>Ciclos e supera\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Em entrevista exclusiva ao podcast da FDC, o professor lembra de precedentes hist\u00f3ricos, passados e contempor\u00e2neos, de ciclos de rupturas, desequil\u00edbrios, estabiliza\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7as de paradigmas. Ele menciona que no in\u00edcio da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, os empres\u00e1rios teriam que ter capital para verticalizar a produ\u00e7\u00e3o ou ficavam amarrados aos fornecedores de m\u00e1quinas. \u201cDepois se padronizaram parafusos e conectores. Mais recentemente, at\u00e9 a d\u00e9cada passada, os padr\u00f5es de teclado de celular tamb\u00e9m n\u00e3o eram intercambi\u00e1veis\u201d, exemplifica.<\/p>\n<p>No caso das patentes de medicamentos, o ciclo entre a explora\u00e7\u00e3o da exclusividade e a competi\u00e7\u00e3o em mercado aberto (de gen\u00e9ricos) \u00e9 expl\u00edcito. \u201c\u00c9 claro que qualquer empresa tenta maximizar o tempo dos ganhos por ter uma oferta \u00fanica, mas sabendo que isso \u00e9 finito\u201d, esclarece Paulo Vicente.<\/p>\n<p>Outra contrapartida \u00e0 hegemonia \u00e9 que companhias comprometidas com mercado de grandes volumes acabam deixando lacunas nos nichos. \u201cQuando a Ford abriu o mercado com a oferta do Ford T \u2018para todos\u2019, a GM lan\u00e7ou modelos para uso espec\u00edfico (carga, uso urbano etc.). Com isso, ganhou mercado, e hoje todas as montadoras t\u00eam portf\u00f3lio com produtos para nicho\u201d, ilustra o professor, citando tamb\u00e9m outros produtos: \u201ccom cerveja, a consolida\u00e7\u00e3o de uma gigante com muitas marcas em muitos mercados abriu espa\u00e7o para centenas de produtores artesanais. H\u00e1 tr\u00eas marcas que pegam o n\u00facleo do mercado, mas tem mais gente jogando\u201d.<\/p>\n<p>Essa \u201c\u00e1rvore de evolu\u00e7\u00e3o\u201d, em que um grande modelo ancestral se ramifica nos mercados que se inauguram, \u00e9 um fato para as megacorpora\u00e7\u00f5es e deve ser um objetivo quando se trata de investimentos p\u00fablicos. \u201cO Estado pode ter que entrar em algo importante, com pouca viabilidade de retorno. Depois que estabelece os fundamentos para se desenvolver um mercado, sai\u201d, descreve. \u201cA l\u00f3gica \u00e9 ter o Estado como empreendedor em um momento, e depois como regulador. Mas nas quest\u00f5es que envolvem poder, sempre haver\u00e1 disputa\u201d.<\/p>\n<p>Diferente das fases anteriores da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, as nuvens e outros modelos as a service democratizam o acesso a bens de capital digitais. \u201cH\u00e1 casos em que as barreiras de entrada s\u00e3o muito altas, mas na maioria dos setores a tecnologia as derruba com o tempo. O celular quebrou feudos do varejo e de bancos, que dependiam de pontos f\u00edsicos. Agora, o jogo do bicho foi desmaterializado por bets e jogo do tigrinho\u201d, ironiza.<\/p>\n<p>Entre as predi\u00e7\u00f5es que arrisca, o professor aponta a tend\u00eancia de a IA se consolidar como \u201cservi\u00e7o universal\u201d (como energia e Internet). \u201cA IA precisa de escala. Come\u00e7a por grandes empresas e depois haver\u00e1 provedores atendendo ao mercado\u201d, vislumbra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Concentra\u00e7\u00e3o de poder das big techs \u00e9 ciclo a ser reequilibrado com criatividade de novos players e inova\u00e7\u00f5es que desafiam os incumbentes, explica professor da FDC<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":27840,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1370],"tags":[5543],"class_list":["post-28078","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-seja-relevante","tag-ciclos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28078","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28078"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28078\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27840"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28078"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28078"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28078"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}