{"id":28514,"date":"2025-07-13T07:40:43","date_gmt":"2025-07-13T10:40:43","guid":{"rendered":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/?p=28514"},"modified":"2025-06-02T07:49:31","modified_gmt":"2025-06-02T10:49:31","slug":"aposentadoria-de-executivos-deve-envolver-apoio-psicologico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/aposentadoria-de-executivos-deve-envolver-apoio-psicologico\/","title":{"rendered":"Aposentadoria de executivos deve envolver apoio psicol\u00f3gico"},"content":{"rendered":"<p>Nem sempre \u00e9 f\u00e1cil realizar a transi\u00e7\u00e3o da atua\u00e7\u00e3o plena, regular e di\u00e1ria no <a href=\"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mercado<\/a> de trabalho para a aposentadoria, especialmente quando o profissional acumula farto capital cultural, social e econ\u00f4mico, como acontece com s\u00f3cios de grandes empresas. O tema foi explorado no artigo \u2018Unbecoming\u2019 a Professional: The Role of Memory during Field Transitions in Japan and the USA, de autoria de Ricardo Azambuja, Lisa Baudot, Saori Matsubara, Takahiro Endo e Dana Wallace, publicado no Journal of Management Studies.<\/p>\n<p>Para investigar o que acontece nessa transi\u00e7\u00e3o e produzir o artigo, o grupo de acad\u00eamicos mergulhou nessa <a href=\"https:\/\/site.cndl.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">realidade<\/a> e entrevistou 48 s\u00f3cios aposentados (26 no Jap\u00e3o e 22 nos EUA) das chamadas Big 4 \u2013 as quatro maiores empresas de auditoria e consultoria do mundo: Ernst &amp; Young (EY), Deloitte, PricewaterhouseCoopers (PwC) e KPMG. O resultado \u00e9 que japoneses e americanos encaram esse processo de maneira bem distinta, mas ambos carregam na chamada mem\u00f3ria profissional uma bagagem importante, um patrim\u00f4nio que proporciona alicerces emocionais de peso para sua nova realidade. O estudo sustenta ainda a relev\u00e2ncia de as empresas passarem a incorporar apoio social e psicol\u00f3gico ao futuro aposentado.<\/p>\n<p>No artigo \u201cDeixando de ser um profissional: o papel da mem\u00f3ria durante as transi\u00e7\u00f5es de campo no Jap\u00e3o e nos EUA\u201d, publicado no Journal of Management Studies, os autores do estudo explicam como tanto os profissionais japoneses, quanto os dos EUA sofrem uma experi\u00eancia de \u201chisterese\u201d, que poderia ser traduzida como ruptura, um desalinhamento entre o capital acumulado por eles e as novas circunst\u00e2ncias. Os autores abordam como esse efeito \u00e9 influenciado pela \u201cnostalgia\u201d sentida pelos profissionais e pelos arranjos espec\u00edficos de cada pa\u00eds. Em resumo, o estudo destaca que, embora contextos culturais e sociais influenciem a maneira como ex-s\u00f3cios vivenciam essa transi\u00e7\u00e3o, nostalgia e mem\u00f3rias de seu passado profissional desempenham um papel significativo em como eles se adaptam.<\/p>\n<p><strong>Diferen\u00e7a entre as culturas<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de ambas envolverem e histerese, o estudo mostra que a forma de encarar a aposentadoria \u00e9 bem diferente entre as duas culturas. Ex-s\u00f3cios japoneses geralmente veem a aposentadoria como uma \u201cgradua\u00e7\u00e3o\u201d ou \u201csotsugyou\u201d, uma transi\u00e7\u00e3o para uma nova fase em vez de um fim completo de suas vidas profissionais. Muitos ex-s\u00f3cios japoneses continuam a trabalhar em cargos de Conselho de Administra\u00e7\u00e3o e mant\u00eam suas credenciais profissionais, alavancando seus conhecimentos, habilidades e rede social anteriores. Isso reflete o conceito cultural de \u201cikigai\u201d, ou ter um prop\u00f3sito na vida, que geralmente inclui trabalho cont\u00ednuo e um compromisso de contribuir para a sociedade.<\/p>\n<p>Ainda no Jap\u00e3o, com rela\u00e7\u00e3o ao capital social, relacionamentos profissionais fortes e lealdade aos ex-colegas persistem na aposentadoria para ex-s\u00f3cios. Eles continuam a se envolver com sua rede profissional, o que os ajuda a garantir posi\u00e7\u00f5es p\u00f3s-aposentadoria e a manter um senso de pertencimento. O estudo destaca que esse trabalho cont\u00ednuo se alinha com as expectativas sociais e estruturas familiares japonesas que enfatizam a contribui\u00e7\u00e3o cont\u00ednua para a casa como parte do prop\u00f3sito individual.<\/p>\n<p>Em contraste, ex-s\u00f3cios dos EUA tendem a encarar a aposentadoria como um momento para se desligar completamente da vida profissional e dedicar-se a outras esferas da vida. Para muitos, a aposentadoria \u00e9 vista como uma recompensa por d\u00e9cadas de trabalho duro, alinhando-se ao chamado \u201cSonho Americano\u201d. Em rela\u00e7\u00e3o ao capital econ\u00f4mico, ex-s\u00f3cios dos EUA redirecionam seu foco para lazer, fam\u00edlia e interesses pessoais. Para eles, a aposentadoria tem menos a ver com manter v\u00ednculos com seu passado profissional e mais com alcan\u00e7ar uma vida de conforto e prazer. Com rela\u00e7\u00e3o ao capital social, os relacionamentos profissionais geralmente diminuem ap\u00f3s a aposentadoria para ex-s\u00f3cios dos EUA. Eles enfrentam o desafio de construir novas redes sociais fora do trabalho.<\/p>\n<p><strong>Fatores psicol\u00f3gicos<\/strong><\/p>\n<p>O estudo sustenta que uma boa transi\u00e7\u00e3o de carreira para a aposentadoria vai muito al\u00e9m de as empresas proporcionarem boas remunera\u00e7\u00f5es aos executivos nesta nova fase de sua vida. Muitos dos programas tendem a se concentrar apenas em considera\u00e7\u00f5es financeiras. O trabalho dos professores fornece insights sobre como a nostalgia e os valores culturais influenciam as transi\u00e7\u00f5es de campo e de vida, enfatizando o impacto duradouro da hist\u00f3ria profissional. Portanto, entender essas din\u00e2micas pode ajudar as organiza\u00e7\u00f5es e a sociedade a apoiar melhor os profissionais em suas transi\u00e7\u00f5es para a aposentadoria, considerando fatores psicol\u00f3gicos e culturais.<\/p>\n<p>\u201cDado que muitas vezes os profissionais contam com as firmas, a carreira e o trabalho como sistemas de apoio abrangente, n\u00e3o apenas para cumprir ambi\u00e7\u00f5es financeiras e profissionais, mas tamb\u00e9m necessidades sociais e psicol\u00f3gicas, nossa an\u00e1lise aponta para outros aspectos da aposentadoria que tamb\u00e9m devem ser levados em considera\u00e7\u00e3o, como incorporar apoio social e psicol\u00f3gico e reconhecer a import\u00e2ncia de arranjos profissionais e sociais do contexto do aposentado\u201d, sustenta o estudo.<\/p>\n<p><strong>Cen\u00e1rios desafiadores<\/strong><\/p>\n<p>A import\u00e2ncia da bagagem profissional, da mem\u00f3ria, da nostalgia e outros aspectos psicol\u00f3gicos \u00e9 traduzida de v\u00e1rias formas no contexto p\u00f3s-aposentadoria. Por exemplo, os ex-s\u00f3cios japoneses podem descobrir que, embora suas habilidades e t\u00edtulos tenham valor social, esse valor nem sempre se reflete em suas novas fun\u00e7\u00f5es nos Conselhos de Administra\u00e7\u00e3o. Esse desalinhamento pode criar uma \u201csensa\u00e7\u00e3o de desorienta\u00e7\u00e3o\u201d, pois eles se esfor\u00e7am para redirecionar sua experi\u00eancia a fim de se adequar a novas responsabilidades. J\u00e1 os ex-s\u00f3cios dos EUA vivenciam a histerese como uma desconex\u00e3o repentina das redes profissionais e ambientes estruturados nos quais estavam profundamente inseridos. Eles podem, por exemplo, achar desafiador construir novos c\u00edrculos sociais fora do trabalho. Como se v\u00ea, a transi\u00e7\u00e3o de carreira para a aposentadoria envolve um quadro de desafios nas duas culturas.<\/p>\n<p>O estudo foi conduzido pelos professores Ricardo Azambuja, Lisa Baudot, Saori Matsubara, Takahiro Endo e Dana Wallace.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo mostra que o suporte financeiro n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico fator a determinar uma transi\u00e7\u00e3o tranquila <\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":28115,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1370],"tags":[827],"class_list":["post-28514","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-seja-relevante","tag-aposentadoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28514","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28514"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28514\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28115"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28514"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28514"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28514"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}