{"id":28599,"date":"2025-05-16T15:45:54","date_gmt":"2025-05-16T18:45:54","guid":{"rendered":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/?p=28599"},"modified":"2026-02-03T14:45:22","modified_gmt":"2026-02-03T17:45:22","slug":"agro-brasileiro-se-prepara-para-a-nova-regulamentacao-europeia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/agro-brasileiro-se-prepara-para-a-nova-regulamentacao-europeia\/","title":{"rendered":"Agro brasileiro se prepara para a nova regulamenta\u00e7\u00e3o europeia"},"content":{"rendered":"<p>O agro brasileiro enfrenta novos desafios com a nova regulamenta\u00e7\u00e3o europeia, o EUDR (European Union Deforestation Regulation), que deve entrar em vigor em 30 de dezembro de 2025. Para que os produtores brasileiros enquadrem seus produtos \u00e0s novas exig\u00eancias, a padroniza\u00e7\u00e3o da rastreabilidade na cadeia produtiva \u00e9 essencial para garantir o acesso ao <a href=\"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mercado<\/a> europeu.<\/p>\n<p>O EUDR vem para definir um crit\u00e9rio r\u00edgido: nenhum produto proveniente de \u00e1reas desmatadas poder\u00e1 ser comercializado na Uni\u00e3o Europeia. Para garantir essa conformidade, os produtos precisam estar acompanhados de informa\u00e7\u00f5es precisas sobre sua <a href=\"https:\/\/site.cndl.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">origem<\/a>. \u00c9 como se cada lote de soja, caf\u00e9 ou carne precisasse de uma certid\u00e3o de nascimento, detalhando exatamente onde foi produzido.<\/p>\n<p>Sete cadeias produtivas ser\u00e3o diretamente impactadas. S\u00e3o carne e couro, madeira, soja, caf\u00e9, cacau, \u00f3leo de palma e borracha. No Brasil, essas cadeias s\u00e3o fundamentais para a economia. Qualquer barreira de entrada em mercados internacionais pode representar perdas significativas.<\/p>\n<p>A regulamenta\u00e7\u00e3o exige que todos os produtos dessas cadeias forne\u00e7am evid\u00eancias concretas de rastreabilidade para garantir a conformidade com as novas normas ambientais. O grande problema \u00e9 que as cadeias produtivas n\u00e3o s\u00e3o simples.<\/p>\n<p>No caso da carne bovina, um \u00fanico animal pode passar por diversas fazendas ao longo de sua vida, o que torna a rastreabilidade um verdadeiro quebra-cabe\u00e7a. J\u00e1 a soja, muitas vezes \u00e9 transportada e armazenada em grandes lotes misturados, exige um m\u00e9todo diferente de controle.<\/p>\n<p>Essa complexidade pode ser comparada a um pacote de correspond\u00eancias sem rastreamento \u2013 sem um c\u00f3digo de barras ou QR Code padr\u00e3o, ningu\u00e9m sabe exatamente por onde passou e quem foi o respons\u00e1vel por cada etapa.<\/p>\n<p><strong>GS1 e a interoperabilidade<\/strong><\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Automa\u00e7\u00e3o &#8211; GS1 Brasil surge como a solu\u00e7\u00e3o que pode transformar esse emaranhado de informa\u00e7\u00f5es em um sistema padronizado, global e confi\u00e1vel.<\/p>\n<p>Os padr\u00f5es globais da GS1, como o GTIN (Global Trade Item Number), GLN (Global Location Number) e EPCIS (Electronic Product Code Information Services), permitem que as informa\u00e7\u00f5es de rastreabilidade sejam organizadas de forma estruturada e acess\u00edvel.<\/p>\n<p>Isso garante que os dados de um lote de soja ou de um boi abatido possam ser lidos e interpretados corretamente em qualquer parte do mundo. Apesar das vantagens, ainda existem desafios significativos para a ado\u00e7\u00e3o dos padr\u00f5es GS1 no Brasil. Algumas cadeias produtivas j\u00e1 desenvolveram sistemas pr\u00f3prios e podem resistir \u00e0 mudan\u00e7a. \u00c9 como pedir para algu\u00e9m que j\u00e1 fala um dialeto pr\u00f3prio adotar um novo idioma.<\/p>\n<p>O esfor\u00e7o inicial pode ser grande, mas, a longo prazo, a comunica\u00e7\u00e3o se torna mais padronizada, global e eficiente. Apesar dos esfor\u00e7os do setor, \u00e9 necess\u00e1ria maior integra\u00e7\u00e3o dos dados, levando as informa\u00e7\u00f5es de origem at\u00e9 o produto, por exemplo, por meio da identifica\u00e7\u00e3o individual do animal e aprimorando os processos de rastreabilidade dentro do frigor\u00edfico, na distribui\u00e7\u00e3o e no varejo.<\/p>\n<p><strong>O futuro da rastreabilidade e do agro brasileiro<\/strong><\/p>\n<p>Aqui, o setor pode enxergar a rastreabilidade n\u00e3o como um entrave burocr\u00e1tico, mas como um diferencial competitivo. A implementa\u00e7\u00e3o de protocolos de rastreabilidade na cadeia de cacau, por exemplo, pode colocar o Brasil em uma posi\u00e7\u00e3o de vantagem no cen\u00e1rio global, atualmente dominado por pa\u00edses como a Costa do Marfim.<\/p>\n<p>Quem se adapta mais r\u00e1pido \u00e0s novas exig\u00eancias ganha vantagem no mercado internacional. Se pensarmos na rastreabilidade como um jogo de xadrez, cada pe\u00e7a representa um elemento da cadeia produtiva. Aqueles que planejam bem seus movimentos e adotam padr\u00f5es globais conseguir\u00e3o avan\u00e7ar no tabuleiro sem serem bloqueados pelas regulamenta\u00e7\u00f5es. Os padr\u00f5es globais GS1 levam o Brasil a se destacar como refer\u00eancia mundial em rastreabilidade e sustentabilidade.<\/p>\n<p>Mas, para isso, \u00e9 essencial que o setor invista em solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas e padronizadas.<\/p>\n<p>Afinal, em um mundo cada vez mais conectado, a informa\u00e7\u00e3o precisa fluir de forma \u00e1gil e confi\u00e1vel, e a interoperabilidade \u00e9 a chave para abrir as portas do futuro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No fim deste ano deve entrar em vigor o EUDR (European Union Deforestation Regulation)<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":27005,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[5594,5593],"class_list":["post-28599","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-negocios-e-economia","tag-agro","tag-agro-brasileiro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28599","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28599"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28599\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27005"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28599"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28599"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28599"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}