{"id":29014,"date":"2025-09-28T08:31:01","date_gmt":"2025-09-28T11:31:01","guid":{"rendered":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/?p=29014"},"modified":"2025-06-03T10:40:00","modified_gmt":"2025-06-03T13:40:00","slug":"ceos-devem-voltar-a-adotar-estilo-agressivo-de-comando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/ceos-devem-voltar-a-adotar-estilo-agressivo-de-comando\/","title":{"rendered":"CEOs devem voltar a adotar estilo agressivo de comando?"},"content":{"rendered":"<p>Processos recentes de demiss\u00e3o de funcion\u00e1rios e reestrutura\u00e7\u00f5es significativas em grandes empresas t\u00eam levado o mundo corporativo a indagar se chegou ao fim a era de \u201cCEOs bonzinhos ou simp\u00e1ticos\u201d. O movimento em empresas como Tesla, Amazon e Meta leva a pensar se o estilo agressivo de Jack Welch, da GE, estaria ganhando espa\u00e7o novamente, no lugar de CEOs que adotam uma abordagem mais centrada nas pessoas. Mas n\u00e3o h\u00e1 consenso a respeito, sugerindo que os l\u00edderes mais bem-sucedidos do futuro encontrar\u00e3o o equil\u00edbrio entre as duas modalidades de gest\u00e3o.<\/p>\n<p>Conhecido por medidas duras aplicadas ao comando da empresa, Jack Welch foi presidente e CEO da General Electric (GE) entre 1981 e 2001 e chegou a ser <a href=\"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">apelidado<\/a> como \u201cNeutron Jack\u201d, uma refer\u00eancia \u00e0 bomba de n\u00eautrons, por eliminar funcion\u00e1rios, deixando os pr\u00e9dios intactos. A cada ano, por exemplo, Welch demitia 10% dos subordinados de seus gerentes, <a href=\"https:\/\/site.cndl.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">independentemente<\/a> do desempenho absoluto. Mas, recompensava aqueles no top 20% com b\u00f4nus e op\u00e7\u00f5es de a\u00e7\u00f5es. Sob sua batuta, a GE aumentou o valor de mercado de US$ 12 bilh\u00f5es, em 1981, para US$ 410 bilh\u00f5es quando ele se aposentou, em 2001.<\/p>\n<p><strong>Reestrutura\u00e7\u00f5es na Tesla, Amazon e Meta<\/strong><\/p>\n<p>Mas seria esse estilo de comandar o novo futuro dos CEOs? \u00c9 o que discute mat\u00e9ria no site da Fortune, a partir de depoimentos de representantes do mercado. A discuss\u00e3o come\u00e7ou quando l\u00edderes como Elon Musk, da Tesla, Andy Jassy, da Amazon, e Mark Zuckerberg, da Meta, implementaram cortes abrangentes de empregos e reestrutura\u00e7\u00f5es significativas, eliminaram divis\u00f5es de baixo desempenho e estabeleceram expectativas agressivas de produtividade \u2014 medidas que alguns cr\u00edticos chamaram de implac\u00e1veis.<\/p>\n<p>Esse estilo de lideran\u00e7a p\u00f3s-pandemia \u2013 do tipo \u201ccomando e controle\u201d \u2013 tem uma grande semelhan\u00e7a com a abordagem de gest\u00e3o de alta press\u00e3o de Welch, que priorizava \u201ca efici\u00eancia em detrimento do sentimento\u201d, ao contr\u00e1rio de muitos comportamentos atuais, que colocam a aten\u00e7\u00e3o aos colaboradores da empresa no centro do processo. Mas, \u00e0 medida que a din\u00e2mica do mercado de trabalho transfere o poder de volta para os empregadores, esse modelo de lideran\u00e7a focado em resultados parece estar ganhando for\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Capacidade de se relacionar com as pessoas<\/strong><\/p>\n<p>Por sua vez, Jane Edison Stevenson, vice-presidente global da Korn Ferry, empresa de consultoria organizacional e recrutamento executivo, observa que, embora Welch tenha sido um \u00edcone indiscut\u00edvel como CEO da GE, cujo estilo linha-dura de comando funcionou para a sua \u00e9poca, ele \u00e9 \u201cmuito menos adequado ao cen\u00e1rio empresarial atual\u201d. Dados da Korn Ferry sugerem que muitas m\u00e9tricas de sucesso de CEOs, incluindo a estabilidade, est\u00e3o intimamente ligadas \u00e0 capacidade de se relacionar com as pessoas. A executiva destaca, por\u00e9m, que ser querido n\u00e3o \u00e9 o objetivo, e grandes l\u00edderes n\u00e3o tentam agradar a todos. Em vez disso, eles s\u00e3o curiosos, colaborativos e decisivos. \u201cTrata-se de construir consenso e alinhamento\u201d, explica Stevenson.<\/p>\n<p>J\u00e1 Rick Western, da Kotter, acredita que as empresas americanas est\u00e3o voltando a avaliar l\u00edderes com base em resultados tang\u00edveis que beneficiam Wall Street e os investidores, mas tamb\u00e9m todos os stakeholders.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se trata de habilidades interpessoais calorosas e aconchegantes, mas sim de saber se o CEO realmente consegue gerar resultados que sejam bons para o neg\u00f3cio no sentido mais amplo, e se est\u00e1 disposto a ser avaliado em rela\u00e7\u00e3o a essas metas\u201d, explicou Western.<\/p>\n<p>Para Luciana Ferreira, professora da Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral (FDC), \u201csempre haver\u00e1 espa\u00e7o para muitos estilos de lideran\u00e7a\u201d. Por\u00e9m, segundo ela, desde a pandemia parecia haver menos espa\u00e7o para l\u00edderes autocr\u00e1ticos ou no estilo Jack Welch.<\/p>\n<p>\u201cIsso aconteceu porque o melhor estilo de lideran\u00e7a sempre ser\u00e1 aquele contingente ao contexto dos liderados, ao contexto organiza\u00e7\u00e3o e o contexto macro. Hoje, como temos um contexto macro marcado por dissenso e at\u00e9 alguma rejei\u00e7\u00e3o por modelos mais democr\u00e1ticos, h\u00e1 espa\u00e7o para que lideran\u00e7as do estilo comando-controle voltem a surgir\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Ainda assim, na vis\u00e3o de Luciana esse espa\u00e7o \u00e9 relativamente pequeno quando comparado com aquele que estimula lideran\u00e7as mais humanizadas e lideran\u00e7as que promovem desenvolvimento.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante dizer que ambos estilos de lideran\u00e7a s\u00e3o capazes de trazer resultados e o que difere o processo sob o qual tais resultados s\u00e3o obtidos. Sempre acho importante que as pessoas l\u00edderes se perguntem: que tipo de lideran\u00e7a eu gostaria de ser? Na medida do poss\u00edvel, fa\u00e7a a sua escolha\u201d, orienta.<\/p>\n<p>Luciana alerta que n\u00e3o d\u00e1 para romantizar diante de tantas evid\u00eancias: \u00e9 claro que alguns l\u00edderes ir\u00e3o preferir um modelo autocr\u00e1tico. Por\u00e9m, cada vez menos as pessoas ir\u00e3o se sujeitar a esse tipo de relacionamento interpessoal e, por isso, tais lideran\u00e7as estar\u00e3o circunscritas a alguns poucos contextos espec\u00edficos.<\/p>\n<p><strong>Afabilidade \u00e9 fundamental<\/strong><\/p>\n<p>Seja o futuro dos CEOs focado na linha dura de comando ou na abordagem mais humanista da gest\u00e3o, a mat\u00e9ria da Fortune destaca que algumas caracter\u00edsticas dos l\u00edderes, como a afabilidade, continuam tendo papel fundamental. O texto menciona, por exemplo, o CEO da Thrive Capital, Joshua Kushner, descrito em um perfil da Fortune de 2023 como \u201cpatologicamente educado\u201d, com uma \u201cespessa camada de gentileza\u201d. J\u00e1 Greg Abel, o prov\u00e1vel sucessor de Warren Buffett na Berkshire Hathaway, foi recentemente descrito na Fortune como \u201cpopular\u201d e \u201csuper simp\u00e1tico\u201d.<\/p>\n<p>Como se v\u00ea, a gentileza \u00e9 sempre bem-vinda e, com base nessa premissa, o artigo da Fortune conclui que \u201cos CEOs mais eficazes conseguir\u00e3o encontrar o ponto de equil\u00edbrio entre as duas modalidades de lideran\u00e7a\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reestrutura\u00e7\u00f5es em grandes empresas levam \u00e0 discuss\u00e3o se o modelo implac\u00e1vel de Jack Welch, da GE, deve ganhar espa\u00e7o novamente, em oposi\u00e7\u00e3o ao \u201cCEO bonzinho\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":27746,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1370],"tags":[5083],"class_list":["post-29014","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-seja-relevante","tag-ceo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29014","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29014"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29014\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27746"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29014"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29014"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29014"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}