{"id":29022,"date":"2025-08-23T08:45:19","date_gmt":"2025-08-23T11:45:19","guid":{"rendered":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/?p=29022"},"modified":"2025-06-03T09:52:51","modified_gmt":"2025-06-03T12:52:51","slug":"como-serao-as-empresas-do-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/como-serao-as-empresas-do-futuro\/","title":{"rendered":"Como ser\u00e3o as empresas do futuro?"},"content":{"rendered":"<p>Se fizermos um exerc\u00edcio de imagina\u00e7\u00e3o, podemos nos deslumbrar com <a href=\"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">vis\u00f5es<\/a> de rob\u00f4s andando pelos espa\u00e7os, preenchidos por outros rob\u00f4s, alguns poucos humanos executando atividades nobres e outros em tarefas nas quais n\u00e3o vale a pena designar rob\u00f4s para fazerem. Por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 desse tipo de futuro que este artigo trata, mas, sim, qual deve ser a ess\u00eancia das empresas do futuro. Nesse sentido, vejo tr\u00eas ess\u00eancias combinadas: tecnologia, aprendizado, sa\u00fade.<\/p>\n<p><strong>No futuro, todas as empresas ser\u00e3o de tecnologia<\/strong><\/p>\n<p>Poucas coisas est\u00e3o t\u00e3o claras quanto o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico <a href=\"https:\/\/site.cndl.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">acelerado<\/a> que temos experimentado. Nenhum tipo de organiza\u00e7\u00e3o escapa: de um pequeno com\u00e9rcio a uma grande multinacional, todos vivem diariamente o desafio de se manterem atualizados e colherem os benef\u00edcios \u2013 ou evitarem as armadilhas \u2013 que as novas tecnologias proporcionam. N\u00e3o podemos mais falar em tend\u00eancia, essa mudan\u00e7a j\u00e1 ocorreu e continuar\u00e1 em curso indefinidamente, ou seja, n\u00e3o sabemos \u201conde vai parar e no que isso vai dar\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitos anos, escutei o CEO de um grande banco internacional dizer que \u201cno futuro, n\u00e3o apenas os bancos, mas todas as empresas ser\u00e3o de tecnologia\u201d. Naquele momento, pouco experiente, duvidei. N\u00e3o mais. Na verdade, em um futuro muito pr\u00f3ximo, todas as empresas ser\u00e3o efetivamente empresas de tecnologia, ainda que tenham um suposto core business n\u00e3o tecnol\u00f3gico, pelo simples fato de que se n\u00e3o se tornarem empresas de tecnologia ficar\u00e3o para tr\u00e1s comendo a poeira da concorr\u00eancia e acabar\u00e3o desaparecendo do mercado.<\/p>\n<p>Com o que eu chamo de \u201capag\u00e3o da m\u00e3o-de-obra\u201d que estamos vivendo, \u00e9 imposs\u00edvel falar de produtividade e inova\u00e7\u00e3o sem falar de tecnologia, automa\u00e7\u00e3o e IA. Nenhum neg\u00f3cio vai crescer de forma sustent\u00e1vel se n\u00e3o conseguir escalar seus ativos e inovar em seu pr\u00f3prio modelo, reduzindo a depend\u00eancia de recursos humanos (cada vez mais escassos), e dando mais agilidade e flexibilidade aos processos internos para produzir propostas de valor aos clientes que sejam realmente diferenciadoras.<\/p>\n<p><strong>No futuro, todas as empresas ser\u00e3o escolas<\/strong><\/p>\n<p>\u2060Gosto de definir \u201cempresa\u201d como um conjunto de pessoas que se organizam para produzir algo que sozinhas n\u00e3o conseguiriam. Nesse sentido, e no contexto atual, n\u00e3o me parece muito dif\u00edcil advogar que o ativo mais valioso de uma empresa s\u00e3o as pessoas e seus funcion\u00e1rios. Por\u00e9m, a realidade apresenta enormes desafios para os l\u00edderes das empresas. 100% dos CEOs com quem tenho falado nos \u00faltimos anos colocam \u201cpessoas\u201d como primeira ou segunda prioridade. Os motivos s\u00e3o: \u201cnunca foi t\u00e3o dif\u00edcil atrair pessoas boas\u201d; \u201cnunca foi t\u00e3o dif\u00edcil segurar os talentos na empresa\u201d; \u201cnunca precisamos tanto desenvolver as pessoas\u201d.<\/p>\n<p>O mercado de trabalho brasileiro, onde a taxa de desemprego atingiu uma baixa hist\u00f3rica de 6,9% no segundo trimestre de 2024, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), torna cada vez mais dif\u00edcil para as empresas encontrar e reter trabalhadores qualificados, especialmente porque as gera\u00e7\u00f5es mais jovens, como a Gera\u00e7\u00e3o Z, demonstram um n\u00edvel mais alto de troca de emprego.<\/p>\n<p>Um estudo recente da consultoria Mercer constatou que a taxa de rotatividade anual no Brasil gira em torno de 21%, significativamente superior \u00e0 m\u00e9dia global de 15%. Esse alto n\u00edvel de rotatividade de funcion\u00e1rios n\u00e3o apenas interrompe a continuidade organizacional, mas tamb\u00e9m sobrecarrega os recursos das empresas, com o custo estimado de substitui\u00e7\u00e3o de um funcion\u00e1rio brasileiro estimado em cerca de 1,5 vezes seu sal\u00e1rio anual.<\/p>\n<p>Sinais evidentes, portanto, apontam para um acirramento cada vez maior na competi\u00e7\u00e3o por talentos, em todos os n\u00edveis, em praticamente todos os setores. O comportamento das novas gera\u00e7\u00f5es ingressantes no mercado de trabalho tende a aumentar a rotatividade e reduzir o tempo de perman\u00eancia nos empregos. Tamb\u00e9m podemos esperar uma sofistica\u00e7\u00e3o cada vez maior nas tarefas dos colaboradores, \u00e0 medida que a digitaliza\u00e7\u00e3o, automa\u00e7\u00e3o, robotiza\u00e7\u00e3o e IA cumprem as tarefas rotineiras.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1, portanto, um caminho melhor a ser seguido pelas empresas e organiza\u00e7\u00f5es globais, regionais e locais do que se transforarem em verdadeiras escolas.<\/p>\n<p>As empresas do futuro ir\u00e3o mudar seu modelo de neg\u00f3cio para incluir o desenvolvimento de pessoas como pilar primordial, ir\u00e3o adotar uma abordagem tipo \u201cempresa-escola\u201d (ou, como costumo dizer, \u201cm\u00e1quinas de formar pessoas, e n\u00e3o tritura-las\u201d), com amplos e inovadores programas de treinamento de funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Nas empresas do futuro, os colabores poder\u00e3o rapidamente aprender sobre suas tarefas e adquirir compet\u00eancias para realiz\u00e1-las, de forma cada vez mais eficiente. Empresas que se desenvolvam dentro desse paradigma podem esperar uma capacidade maior de formar mais pessoas em maior velocidade, com a consequente redu\u00e7\u00e3o no turnover, maior tempo de perman\u00eancia, menor absente\u00edsmo, o que dever\u00e1 levar, por \u00f3bvio, a processos e opera\u00e7\u00f5es internas mais eficientes, produtos e servi\u00e7os mais adequados ao mercado, clientes melhor atendidos e satisfeitos e, no bottom line, melhores resultados financeiros.<\/p>\n<p><strong>No futuro, todas as empresas ser\u00e3o institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade<\/strong><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, a quest\u00e3o da sa\u00fade mental e f\u00edsica ganhou destaque nas discuss\u00f5es sobre bem-estar no ambiente de trabalho.<\/p>\n<p>Com o aumento dos casos de transtornos mentais e a crescente press\u00e3o por produtividade, as empresas t\u00eam se deparado com um desafio: como melhorar a qualidade de vida de seus colaboradores e, consequentemente, aumentar a produtividade e a satisfa\u00e7\u00e3o geral no trabalho.<\/p>\n<p>A pandemia de COVID-19 s\u00f3 exacerbou essa necessidade, ao trazer consigo uma s\u00e9rie de desafios sem precedentes que impactaram profundamente diversos aspectos da vida humana, incluindo a sa\u00fade mental e f\u00edsica. No futuro, nada distante, toda empresa dever\u00e1 se tornar uma institui\u00e7\u00e3o focada na promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade mental e f\u00edsica de seus colaboradores e familiares, integrando essa prioridade em sua cultura organizacional e estrat\u00e9gia corporativa.<\/p>\n<p>Historicamente, a sa\u00fade mental foi um tema relegado a um segundo plano nas discuss\u00f5es corporativas. At\u00e9 recentemente, as empresas n\u00e3o reconheciam a import\u00e2ncia de cuidar do bem-estar mental de seus funcion\u00e1rios. Entretanto, a crescente evid\u00eancia de que a sa\u00fade mental est\u00e1 diretamente relacionada \u00e0 produtividade e ao engajamento dos colaboradores mudou essa perspectiva.<\/p>\n<p>Dados da Pesquisa Nacional de Sa\u00fade (PNS) revelam que 18,6% da popula\u00e7\u00e3o brasileira sofre de ansiedade e 9,3% apresentam sintomas de depress\u00e3o. Esses n\u00fameros, em conjunto com a evid\u00eancia de que ambientes de trabalho que priorizam a sa\u00fade mental t\u00eam colaboradores mais produtivos, podem ser vistos como catalisadores para as mudan\u00e7as que se aproximam.<\/p>\n<p>A transforma\u00e7\u00e3o das empresas em institui\u00e7\u00f5es de promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade mental e f\u00edsica n\u00e3o \u00e9 apenas uma tend\u00eancia, mas uma necessidade emergente. Assim, ao reconhecer que a sa\u00fade mental \u00e9 uma responsabilidade coletiva, as empresas est\u00e3o come\u00e7ando a adotar pr\u00e1ticas que englobam o bem-estar emocional e f\u00edsico como parte de sua miss\u00e3o. A ideia \u00e9 que, al\u00e9m de cumprirem suas obriga\u00e7\u00f5es trabalhistas, as empresas se tornem ativamente respons\u00e1veis pela sa\u00fade e bem-estar de seus colaboradores e de suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Essa mudan\u00e7a se reflete na implementa\u00e7\u00e3o de variadas pr\u00e1ticas que abrangem bem-estar emocional, programas de promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade f\u00edsica e preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as e redu\u00e7\u00e3o de depend\u00eancias e estilo de vida saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>Aos leitores, empres\u00e1rios, empreendedores, executivos, termino com algumas \u201cquest\u00f5es-gatilho\u201d:<\/p>\n<ul>\n<li>Se o Sundar Pichai (CEO do Google fosse conselheiro ou consultor da minha empresa, o que ele certamente faria?<\/li>\n<li>Se o Sidney Klajner (cirurgi\u00e3o e presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein) fosse consel<\/li>\n<li>Se o Jonathan Haidt (psic\u00f3logo e professor e Lideran\u00e7a \u00c9tica na Stern School of Business da Universidade de Nova Iorque) fosse conselheiro ou consultor da minha empresa, o que ele certamente faria?<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No futuro, as organiza\u00e7\u00f5es ir\u00e3o mudar seu modelo de neg\u00f3cios para incluir o desenvolvimento de pessoas como pilar primordial<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":29040,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1370],"tags":[5666,2263],"class_list":["post-29022","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-seja-relevante","tag-empresa-do-futuro","tag-futuro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29022","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29022"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29022\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29040"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29022"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29022"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29022"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}