{"id":29655,"date":"2025-10-30T09:10:45","date_gmt":"2025-10-30T12:10:45","guid":{"rendered":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/?p=29655"},"modified":"2025-09-09T17:22:30","modified_gmt":"2025-09-09T20:22:30","slug":"ia-nao-e-inimiga-de-trabalhos-escritos-mas-demanda-cautela-e-etica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/ia-nao-e-inimiga-de-trabalhos-escritos-mas-demanda-cautela-e-etica\/","title":{"rendered":"IA n\u00e3o \u00e9 inimiga de trabalhos escritos, mas demanda cautela e \u00e9tica"},"content":{"rendered":"<p>Para o professor Christopher McVey, do programa de escrita da Universidade de Boston, a intelig\u00eancia artificial (IA), em especial os grandes modelos de linguagem (LLMs), n\u00e3o \u00e9 inimiga dos trabalhos escritos, que s\u00e3o uma tradi\u00e7\u00e3o do ensino de gradua\u00e7\u00e3o. O ponto de vista do pesquisador foi refor\u00e7ado por um projeto-piloto realizado em 2024, que envolveu a aplica\u00e7\u00e3o de LLMs do qual foram extra\u00eddas tr\u00eas li\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A primeira delas destaca a import\u00e2ncia de focar no processo de escrita e na chamada \u201cengenharia de prompts\u201d. Neste \u00faltimo caso, de forma simplificada, trata-se de entender como fazer as perguntas certas para que as ferramentas de IA sejam um co-piloto eficiente para os <a href=\"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">alunos<\/a> de gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com McVey, a engenharia de prompts \u00e9 uma habilidade importante a ser aprimorada, mas os estudantes s\u00f3 conseguem fazer boas perguntas se tiverem tempo para identificar seus objetivos e refletir sobre como usar melhor a IA generativa em cada etapa do <a href=\"https:\/\/site.cndl.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">processo<\/a> de escrita.<\/p>\n<p>Ele ressalta que essas habilidades sempre foram importantes em cursos de escrita e pesquisa, e permanecem essenciais. E que existem m\u00e9todos que permitem aplic\u00e1-las no uso de IAs, entre eles a orienta\u00e7\u00e3o inicial dos professores sobre o uso delas na pesquisa de t\u00f3pico, formula\u00e7\u00e3o de perguntas, busca de fontes, cria\u00e7\u00e3o de um esbo\u00e7o, desenvolvimento do rascunho e revis\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Pol\u00edticas de uso de IA em trabalhos escritos<\/strong><\/p>\n<p>A segunda li\u00e7\u00e3o apontada por McVey envolve o estabelecimento de pol\u00edticas claras para o uso da IA, discutidas em comum acordo com os estudantes. Trata-se de uma discuss\u00e3o importante, pois muitos deles se preocupam com a possibilidade de que qualquer uso de IA possa levar rapidamente a acusa\u00e7\u00f5es de fraude. A incerteza sobre a pol\u00edtica de uso \u2013 ou sobre como atribu\u00ed-la corretamente \u2013 tem levado alguns estudantes a evitar completamente a tecnologia, segundo o pesquisador.<\/p>\n<p>Ele destaca que os estilos de cita\u00e7\u00e3o padr\u00e3o para uso da IA ainda est\u00e3o em est\u00e1gio inicial e frequentemente n\u00e3o conseguem capturar as diversas formas como os estudantes interagem com o software.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia do projeto-piloto coordenado por McVey mostrou que, quando os estudantes t\u00eam \u201cum lugar \u00e0 mesa\u201d para discutir o uso permitido ou proibido da IA generativa, eles frequentemente superam as expectativas em termos de transpar\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Transpar\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Um dos exemplos foi a identifica\u00e7\u00e3o do texto gerado por IA com uma cor de fonte diferente nos trabalhos, al\u00e9m de uma declara\u00e7\u00e3o de uso ao final dos textos, detalhando o software utilizado e de que maneira foi empregado. Alguns estudantes chegaram a enviar registros das conversas (\u201cchatlogs\u201d) e notas sobre o que gostaram ou n\u00e3o ao trabalhar com a IA.<\/p>\n<p>Essa abordagem mudou, de acordo com McVey, a atmosfera de policiamento para uma de colabora\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o. Ele lembra, no entanto, que \u00e9 recomend\u00e1vel estabelecer um limite para o uso da IA na constru\u00e7\u00e3o dos textos acad\u00eamicos.<\/p>\n<p>A terceira e \u00faltima li\u00e7\u00e3o do pesquisador \u00e9 que a \u201cvoz humana\u201d no texto escrito est\u00e1 mais valorizada do que nunca. Uma das observa\u00e7\u00f5es feitas por ele \u00e9 que, mesmo quando foi permitido o uso da IA para composi\u00e7\u00e3o, muitos estudantes acharam os textos gerados muito \u201cfrios\u201d ou \u201cinaut\u00eanticos\u201d. Em outras palavras: \u201cn\u00e3o soavam como se fossem eles que os tivessem escrito\u201d.<\/p>\n<p>As avalia\u00e7\u00f5es foram resumidas pelo pesquisador no artigo publicado por ele na Harvard Business Review. Segundo McVey, a fun\u00e7\u00e3o de co-piloto da IA tamb\u00e9m ajudou os estudantes a encontrarem valor na linguagem produzida por seres humanos reais e informada pela experi\u00eancia vivida. Para ele, o experimento mostrou uma valoriza\u00e7\u00e3o crescente da pr\u00f3pria voz por parte dos alunos.<\/p>\n<p>Outro ponto importante foi a discuss\u00e3o sobre o vi\u00e9s da linguagem escrita na academia. Na avalia\u00e7\u00e3o do professor, o estilo de escrita padr\u00e3o do ChatGPT se assemelha ao de homens brancos. Ao refletirem sobre isso, os estudantes foram incentivados a usar seu pr\u00f3prio estilo antes de recorrer \u00e0 IA como ferramenta auxiliar. Em resumo: a cultivarem uma escrita \u201cimperfeitamente humana\u201d.<\/p>\n<p>O projeto-piloto tamb\u00e9m apontou que \u00e9 poss\u00edvel transformar a crise gerada \u2013 pelo uso da IA nos trabalhos escritos \u2013 em oportunidade. Dentro dessa proposta, o estudo refor\u00e7ou o papel fundamental dos professores na prepara\u00e7\u00e3o dos alunos para utilizarem a IA como suporte na escrita, tanto dentro quanto fora do ambiente acad\u00eamico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em projeto-piloto de um programa da Universidade de Boston, estudantes aprenderam a aplicar grandes modelos de linguagem (LLMs) sem perder o estilo pessoal<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":27307,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1370],"tags":[933],"class_list":["post-29655","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-seja-relevante","tag-ia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29655","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29655"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29655\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27307"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29655"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29655"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29655"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}