{"id":30071,"date":"2026-01-17T11:20:45","date_gmt":"2026-01-17T14:20:45","guid":{"rendered":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/?p=30071"},"modified":"2025-11-11T14:10:19","modified_gmt":"2025-11-11T17:10:19","slug":"negocios-em-transicao-energetica-oportunidades-para-medias-empresas-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/negocios-em-transicao-energetica-oportunidades-para-medias-empresas-brasileiras\/","title":{"rendered":"Neg\u00f3cios em transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica: oportunidades para m\u00e9dias empresas brasileiras"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\">A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica deixou de ser uma agenda restrita a grandes corpora\u00e7\u00f5es e governos e, cada vez mais, m\u00e9dias empresas brasileiras percebem que investir em energia renov\u00e1vel e efici\u00eancia <a href=\"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">energ\u00e9tica<\/a> pode significar n\u00e3o apenas redu\u00e7\u00e3o de custos, mas tamb\u00e9m ganho competitivo em mercados nacionais e internacionais. Na verdade, empresas de qualquer porte podem se beneficiar, mas os estudos mostram que as m\u00e9dias t\u00eam maiores <a href=\"https:\/\/site.cndl.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">oportunidades<\/a>.<\/p>\n<p>Relat\u00f3rios recentes da Ag\u00eancia Internacional de Energia (IEA), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) e da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) mostram que o tema entrou de vez no radar do setor produtivo. \u00c0 medida que o mundo acelera esfor\u00e7os para mitigar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, o termo \u201cneg\u00f3cios em transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica\u201d deixou de ser pol\u00edtico para se tornar fonte concreta de vantagem competitiva para empresas no Brasil.<\/p>\n<p>No cen\u00e1rio global, a capacidade instalada de gera\u00e7\u00e3o renov\u00e1vel no mundo cresceu cerca de 50% em 2023, com a energia solar fotovoltaica respondendo por 75% desse acr\u00e9scimo, segundo o relat\u00f3rio da IEA Renewables.<\/p>\n<p>Sob a press\u00e3o de regulamenta\u00e7\u00f5es ambientais mais r\u00edgidas e de consumidores cada vez mais atentos a pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis, as m\u00e9dias empresas brasileiras podem desempenhar um papel central na descarboniza\u00e7\u00e3o da economia brasileira.<\/p>\n<p>Uma pesquisa da consultoria Deloitte, inclusive, revelou que 76% dos consumidores preferem comprar de empresas comprometidas com a sustentabilidade. Al\u00e9m disso, fundos de investimento e bancos observam cada vez mais as m\u00e9tricas ESG (ambiental, social e de governan\u00e7a) na hora de decidir onde alocar recursos \u2014 um fator decisivo para atrair capital e crescer no mercado.<\/p>\n<p><strong>Crescimento das renov\u00e1veis e o papel do Brasil<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com a IEA, a capacidade instalada de gera\u00e7\u00e3o renov\u00e1vel no mundo cresceu 50% em 2023, puxada principalmente pela energia solar fotovoltaica. O Brasil j\u00e1 se destaca nesse cen\u00e1rio: a matriz el\u00e9trica nacional \u00e9 uma das mais limpas entre as grandes economias, com predomin\u00e2ncia de fontes hidrel\u00e9tricas, solar, e\u00f3lica e biocombust\u00edveis, segundo dados do Governo Federal.<\/p>\n<p>Esse avan\u00e7o tamb\u00e9m impactou o setor de g\u00e1s natural. Dados da IEA mostram que o consumo de energia caiu cerca de 9% nos primeiros onze meses de 2023, reflexo do aumento da oferta de fontes renov\u00e1veis e da boa hidrologia.<\/p>\n<p>Importante lembrar que o g\u00e1s natural, embora de origem f\u00f3ssil, tem emiss\u00f5es limpas e vem sendo considerado, no Brasil, um combust\u00edvel de transi\u00e7\u00e3o. A matriz el\u00e9trica brasileira j\u00e1 \u00e9 reconhecida como uma das mais limpas entre as maiores economias, e o biog\u00e1s e o biometano, com caracter\u00edsticas id\u00eanticas ao g\u00e1s f\u00f3ssil, v\u00eam ganhando espa\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>Desafios para m\u00e9dias empresas brasileiras<\/strong><\/p>\n<p>As m\u00e9dias empresas ainda enfrentam barreiras relevantes para avan\u00e7ar em neg\u00f3cios ligados \u00e0 transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. O custo elevado de energia \u00e9 uma delas. De acordo com a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI), o pre\u00e7o do g\u00e1s natural no Brasil chega a US$ 20 por MMBtu (cerca de R$ 112), um dos mais caros do mundo. Al\u00e9m disso, o pre\u00e7o do g\u00e1s natural aqui \u00e9 dez vezes maior que nos Estados Unidos e o dobro da m\u00e9dia europeia, segundo a Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>A tributa\u00e7\u00e3o aparece em segundo lugar como desafio para ind\u00fastrias e empresas criarem neg\u00f3cios em transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. Segundo a CNI, para 60% das ind\u00fastrias, a carga tribut\u00e1ria \u00e9 o fator que mais pesa na conta de luz, seguida por custos de transmiss\u00e3o e subs\u00eddios. O capital inicial elevado tamb\u00e9m figura como desafio neste cen\u00e1rio. Projetos de gera\u00e7\u00e3o renov\u00e1vel ou efici\u00eancia energ\u00e9tica demandam investimentos, o que muitas vezes trava iniciativas em empresas de m\u00e9dio porte.<\/p>\n<p>Mesmo diante dos obst\u00e1culos, h\u00e1 espa\u00e7o para inova\u00e7\u00e3o e competitividade. Entre as principais oportunidades para m\u00e9dias empresas, destacam-se:<\/p>\n<ul>\n<li>efici\u00eancia energ\u00e9tica: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) lan\u00e7ou o FGEnergia, um fundo que tem como objetivo garantir cr\u00e9dito para pequenas e m\u00e9dias empresas investirem em projetos de efici\u00eancia energ\u00e9tica. A iniciativa permite a moderniza\u00e7\u00e3o de equipamentos e redu\u00e7\u00e3o de desperd\u00edcios, com impacto direto nos custos operacionais;<\/li>\n<li>gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda: ainda em 2023, o BNDES aprovou financiamento para 49 usinas fotovoltaicas em 28 munic\u00edpios, beneficiando mais de 4.500 micro, pequenas e m\u00e9dias empresas. A gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda reduz a depend\u00eancia da rede el\u00e9trica e ajuda a mitigar riscos de instabilidade no fornecimento;<\/li>\n<li>hidrog\u00eanio verde e descarboniza\u00e7\u00e3o: segundo a CNI, o hidrog\u00eanio sustent\u00e1vel \u00e9 visto como alternativa para descarbonizar setores como ind\u00fastrias qu\u00edmica, fertilizantes, siderurgia e cer\u00e2mica. Segundo a entidade, essa tecnologia pode se tornar \u201cuma nova fronteira energ\u00e9tica para o Brasil\u201d.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Boa parte do sucesso da transi\u00e7\u00e3o passa pelo investimento em capacita\u00e7\u00e3o. A introdu\u00e7\u00e3o da efici\u00eancia energ\u00e9tica e das renov\u00e1veis exige conhecimento t\u00e9cnico e estrat\u00e9gico, assim como a forma\u00e7\u00e3o de parcerias alinhadas com o setor. Algumas universidades brasileiras e centros de pesquisa t\u00eam desempenhado papel importante nesse processo. Programas de extens\u00e3o, cursos e consultorias especializadas oferecem forma\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada para gestores e colaboradores interessados em implementar pr\u00e1ticas mais sustent\u00e1veis.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, iniciativas de coopera\u00e7\u00e3o p\u00fablico-privada t\u00eam ganhado destaque. Desde 2022, o apoio do Governo Federal a cons\u00f3rcios industriais focados em energias limpas permitiu que empresas de m\u00e9dio porte pudessem dividir custos e riscos associados a projetos de grande escala, como parques e\u00f3licos e projetos fotovoltaicos.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, regulamenta\u00e7\u00f5es globais, como o CBAM (Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira), que come\u00e7a a ser implementado pela Uni\u00e3o Europeia em 2026, trar\u00e1 taxa\u00e7\u00e3o extra para produtos de pa\u00edses com altos n\u00edveis de emiss\u00e3o de carbono. Isso coloca empresas brasileiras, especialmente as exportadoras, em desvantagem caso n\u00e3o invistam na mitiga\u00e7\u00e3o de suas emiss\u00f5es. Por outro lado, isso representa uma oportunidade para empresas que querem trabalhar com a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica.<\/p>\n<p><strong>Novas oportunidades<\/strong><\/p>\n<p>Um dos setores mais promissores \u00e9 o de gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda, especialmente por meio da energia solar fotovoltaica. Com o custo m\u00e9dio dos pain\u00e9is solares reduzindo globalmente em mais de 85% na \u00faltima d\u00e9cada, segundo a BloombergNEF, o modelo se tornou acess\u00edvel para m\u00e9dias empresas. Ao investir em gera\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de energia, essas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o apenas reduzem custos em um pa\u00eds onde a energia el\u00e9trica \u00e9 cara, mas tamb\u00e9m se protegem contra oscila\u00e7\u00f5es no pre\u00e7o das tarifas e riscos de instabilidade de fornecimento. Al\u00e9m disso, a possibilidade de vender o excedente energ\u00e9tico \u00e0 rede representa uma fonte adicional de receita.<\/p>\n<p>Outro grande campo de oportunidades est\u00e1 ligado \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de projetos de efici\u00eancia energ\u00e9tica. De acordo com o Manual de Efici\u00eancia Energ\u00e9tica da CNI, empresas que investem na moderniza\u00e7\u00e3o de equipamentos, como motores el\u00e9tricos e sistemas de refrigera\u00e7\u00e3o, podem reduzir o consumo de energia em at\u00e9 30%. Al\u00e9m da economia, empresas que adotam pr\u00e1ticas energ\u00e9ticas mais racionais conseguem um diferencial competitivo no mercado, ao reduzirem sua pegada de carbono e atenderem \u00e0s exig\u00eancias de consumidores e investidores alinhados a crit\u00e9rios ESG.<\/p>\n<p>A economia circular e a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica tamb\u00e9m est\u00e3o profundamente conectadas e representam oportunidades de neg\u00f3cios complementares. Empresas t\u00eam apostado em solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas que integram a reutiliza\u00e7\u00e3o de materiais a modelos de produ\u00e7\u00e3o mais sustent\u00e1veis. No setor industrial, isso pode significar combinar pain\u00e9is solares ou e\u00f3licos com tecnologias de reciclagem de res\u00edduos ou reaproveitamento de calor em processos fabris. Al\u00e9m disso, iniciativas para o reaproveitamento de baterias de l\u00edtio utilizadas em ve\u00edculos el\u00e9tricos ou sistemas de armazenamento fotovoltaico est\u00e3o ganhando for\u00e7a, permitindo \u00e0s empresas agregar valor em mercados que buscam solu\u00e7\u00f5es completas e de baixas emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>O crescimento da mobilidade el\u00e9trica no Brasil tamb\u00e9m abre novas possibilidades. Empresas que investem na instala\u00e7\u00e3o de esta\u00e7\u00f5es de carregamento para carros el\u00e9tricos j\u00e1 est\u00e3o captando uma fatia importante desse mercado em expans\u00e3o. A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira do Ve\u00edculo El\u00e9trico (ABVE) indica que o Brasil registrou, em 2024, cerca de 173.530 emplacamentos (+ 85% no comparativo com 2023) de ve\u00edculos el\u00e9tricos. Em suma, a perspectiva de aumento da demanda cria novas oportunidades de neg\u00f3cios, tanto para fornecimento de infraestrutura de carregamento quanto para empresas que desenvolvem tecnologias para aumentar a efici\u00eancia e sustentabilidade da mobilidade urbana. Empresas que inovam nesse campo est\u00e3o alinhadas \u00e0s tend\u00eancias globais e preparadas para atender uma demanda crescente do consumidor brasileiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pesquisa da consultoria Deloitte revelou que 76% dos consumidores preferem comprar de empresas comprometidas com a sustentabilidade<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":27714,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1370],"tags":[360],"class_list":["post-30071","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-seja-relevante","tag-negocios"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30071","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30071"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30071\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27714"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30071"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30071"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30071"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}