{"id":30733,"date":"2026-04-19T16:15:08","date_gmt":"2026-04-19T19:15:08","guid":{"rendered":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/?p=30733"},"modified":"2026-03-02T15:34:56","modified_gmt":"2026-03-02T18:34:56","slug":"desenvolver-mpes-e-estrategia-de-negocios-e-nao-caridade-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/desenvolver-mpes-e-estrategia-de-negocios-e-nao-caridade-2\/","title":{"rendered":"Desenvolver MPEs \u00e9 estrat\u00e9gia de neg\u00f3cios e n\u00e3o caridade"},"content":{"rendered":"<p>A integra\u00e7\u00e3o de micro e pequenas empresas (MPEs) na estrat\u00e9gia central de grandes corpora\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 caridade e deve ser vista como uma a\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica. A mudan\u00e7a de mentalidade significa reposicionar as MPEs como parte integrante da agenda ESG, de desenvolvimento social, ambiental e de governan\u00e7a.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o resumo do e-book \u201cPot\u00eancia na Cadeia de Valor: Como <a href=\"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">grandes<\/a> empresas podem gerar valor com Micro e Pequenas Empresas\u201c, editado pela Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral (FDC).<\/p>\n<p>De acordo com o material, ao reposicionar o relacionamento com as MPEs, as grandes corpora\u00e7\u00f5es reconhecem que cadeias de valor resilientes s\u00e3o sin\u00f4nimo de diversifica\u00e7\u00e3o de fornecedores e apoio a parceiros locais. O \u201cS\u201d de social, da agenda ESG, por outro lado, precisa de amplia\u00e7\u00e3o para incluir temas como compras respons\u00e1veis, inclus\u00e3o produtiva e impacto na cadeia de suprimentos.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, uma das iniciativas mais importantes \u00e9 destravar as exig\u00eancias de compliance e as pol\u00edticas de <a href=\"https:\/\/site.cndl.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">compras<\/a> gen\u00e9ricas, pensadas para grandes fornecedores, e que acabam excluindo sistemicamente os pequenos.<\/p>\n<p>Segundo o e-book, \u00e9 fundamental que as grandes empresas adotem pol\u00edticas de compras que reconhe\u00e7am o porte e o contexto dos fornecedores, tratando desigualmente os desiguais, em vez de aplicar regras universais.<\/p>\n<p><strong>Cadastro de compras simplificado<\/strong><\/p>\n<p>Um primeiro passo \u00e9 simplificar os processos e cadastros, pois a burocracia excessiva impede o acesso. As empresas devem criar trilhas de homologa\u00e7\u00e3o adaptativas por porte e risco do fornecedor, com interfaces mais simples para cadastro inicial e atendimento em linguagem acess\u00edvel.<\/p>\n<p>Outra recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 reduzir exig\u00eancias formais, incluindo as m\u00faltiplas certifica\u00e7\u00f5es para fornecedores de pequeno porte, aqueles com at\u00e9 R$ 360 mil\/ano de faturamento, e incluir cl\u00e1usulas progressivas de regulariza\u00e7\u00e3o para os que se encontram em transi\u00e7\u00e3o, com prazo e suporte t\u00e9cnico.<\/p>\n<p>A ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas diferenciadas, oferecendo prazos de at\u00e9 14 dias para MPEs locais, \u00e9 uma iniciativa que faz parte de alguns grandes grupos. Essa medida gera um impacto significativo na liquidez e engajamento dos pequenos, com impacto m\u00ednimo no caixa da grande empresa.<\/p>\n<p>Um caso sens\u00edvel \u00e9 a adapta\u00e7\u00e3o do compliance e, nesse caso, a jornada pode envolver medidas escalonadas com base no porte, valor do contrato e categoria de risco do fornecedor. Isso permite a inclus\u00e3o de cooperativas e microempreendedores, por meio de crit\u00e9rios adaptados, combinando mitiga\u00e7\u00e3o de risco com capacita\u00e7\u00e3o e acompanhamento.<\/p>\n<p>Para Edgar Pitta e Daniele Neutzling, autores do livro, a integra\u00e7\u00e3o na estrat\u00e9gia se consolida quando as MPEs s\u00e3o inseridas em fun\u00e7\u00f5es cr\u00edticas do neg\u00f3cio e n\u00e3o apenas em a\u00e7\u00f5es pontuais.<\/p>\n<p><strong>Microempreendedores como clientes<\/strong><\/p>\n<p>Nessa etapa, a atitude das corpora\u00e7\u00f5es de maior porte inclui a\u00e7\u00f5es como o mapeamento e engajamento territorial, ou seja, a identifica\u00e7\u00e3o de fornecedores de acordo com seu tamanho e localiza\u00e7\u00e3o, avaliando a depend\u00eancia operacional que a empresa tem de pequenos neg\u00f3cios, como manuten\u00e7\u00e3o, log\u00edstica local ou vendas indiretas.<\/p>\n<p>Outra frente de fortalecimento da cadeia \u00e9 permitir maior agilidade no atendimento a emerg\u00eancias, reposi\u00e7\u00e3o de estoque ou execu\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os pontuais, especialmente em locais de dif\u00edcil acesso, reduzindo custos log\u00edsticos e emergenciais.<\/p>\n<p>A substitui\u00e7\u00e3o de fornecedores distantes por prestadores locais pode, inclusive, reduzir emiss\u00f5es de carbono, segundo os autores, que tiveram duas colabora\u00e7\u00f5es especiais na escrita do livro eletr\u00f4nico, as especialistas Uyara de Salles Gomide e Elis\u00e2ngela Prado Furtado.<\/p>\n<p><strong>Grandes organiza\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Os grandes grupos tamb\u00e9m podem ser mais estrat\u00e9gicos ao utilizarem sua estrutura interna como pontos de venda e comunica\u00e7\u00e3o, para impulsionar pequenos neg\u00f3cios. O Assa\u00ed, por exemplo, viu seus microempreendedores como clientes centrais e motores de crescimento, desenhando seu modelo de autosservi\u00e7o e atendimento personalizado para eles.<\/p>\n<p>Sem governan\u00e7a, no entanto, o processo pode ficar estanque. A recomenda\u00e7\u00e3o dos autores \u00e9 de que as \u00e1reas de sustentabilidade, compras e opera\u00e7\u00f5es sejam integradas em grupos de trabalho interdepartamentais. O tema, inclusive, deve ser tratado como pauta transversal de competitividade em conselhos e comit\u00eas estrat\u00e9gicos.<\/p>\n<p><strong>Financiamento e acesso a cr\u00e9dito<\/strong><\/p>\n<p>E, para haver governan\u00e7a, dados s\u00e3o necess\u00e1rios \u2013 o que pode ser feito com a inclus\u00e3o de metas e indicadores-chave de desempenho (KPIs) no relacionamento com as MPEs. Uma sugest\u00e3o \u00e9 incluir metas ligadas \u00e0 inclus\u00e3o produtiva nos KPIs de suprimentos e ESG, como o percentual de compras com micro e pequenas empresas locais.<\/p>\n<p>Os autores igualmente destacam a necessidade de oferecer forma\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas, com linguagem simples e segmentada, mas que estejam vinculadas com oportunidades reais de fornecimento.<\/p>\n<p>O financiamento \u00e9 um cap\u00edtulo \u00e0 parte na agenda e as grandes empresas tamb\u00e9m podem fazer diferen\u00e7a nesse campo. Um exemplo \u00e9 o uso de sua for\u00e7a institucional para atuar como parte da solu\u00e7\u00e3o no acesso a cr\u00e9dito, inclusive reduzindo prazos de pagamento ou antecipando receb\u00edveis com taxas negociadas.<\/p>\n<p>Elas tamb\u00e9m podem agir coletivamente, com a cria\u00e7\u00e3o de fundos de cr\u00e9dito com garantias ou subs\u00eddios cruzados, al\u00e9m de estabelecerem parcerias com fintechs, bancos p\u00fablicos e cooperativas, com a meta de garantir cr\u00e9dito assistido com taxas vi\u00e1veis.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia de grupos como Assa\u00ed, Natura e Ambev, tr\u00eas dos exemplos do e-book, mostra a l\u00f3gica de neg\u00f3cio sustent\u00e1vel e um diferencial de competitividade da nova mentalidade. Diferente da a\u00e7\u00e3o social, que \u00e9 pontual e sujeita a cortes, a estrat\u00e9gica garante resili\u00eancia, estabilidade e crescimento cont\u00ednuo n\u00e3o s\u00f3 das MPEs, mas de todo o ecossistema.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>E-book mostra como as grandes corpora\u00e7\u00f5es podem ser estrat\u00e9gicas para as MPEs, aposentando a vis\u00e3o de caridade<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":17013,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1370],"tags":[303],"class_list":["post-30733","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-seja-relevante","tag-mpes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30733","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30733"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30733\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17013"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30733"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30733"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30733"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}