{"id":31245,"date":"2026-06-28T07:11:21","date_gmt":"2026-06-28T10:11:21","guid":{"rendered":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/?p=31245"},"modified":"2026-05-04T13:29:57","modified_gmt":"2026-05-04T16:29:57","slug":"moda-e-cinema-puxam-o-soft-power-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/moda-e-cinema-puxam-o-soft-power-do-brasil\/","title":{"rendered":"Moda e cinema puxam o &#8220;soft power&#8221; do Brasil"},"content":{"rendered":"<p>O poder de um pa\u00eds influenciar as decis\u00f5es e comportamento de outras na\u00e7\u00f5es acontece <a href=\"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tradicionalmente<\/a> por meio da coer\u00e7\u00e3o militar ou econ\u00f4mica, movimento conhecido como \u2018hard power\u2019. Mas, n\u00e3o se trata da \u00fanica via para isso, como apontou o cientista pol\u00edtico Joseph Nye, criador do conceito de \u2018soft power\u2019.<\/p>\n<p>Os exemplos do \u201cpoder brando\u201d incluem a influ\u00eancia, entre outros, da ind\u00fastria de entretenimento e da moda. \u00c9 o caso do cinema de Hollywood e do K-pop sul-coreano. Nesse \u00faltimo caso, o investimento em cultura foi uma estrat\u00e9gia nacional da Coreia do Sul para sair de uma <a href=\"https:\/\/site.cndl.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">crise<\/a> econ\u00f4mica nos anos de 1990.<\/p>\n<p>O Brasil aparece agora como um protagonista dessa tend\u00eancia, a partir de v\u00e1rias ind\u00fastrias, entre elas a do entretenimento e do estilo. Em outras palavras, o pa\u00eds est\u00e1 \u2013 literalmente \u2013 na moda.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil est\u00e1 finalmente deixando para tr\u00e1s a hist\u00f3rica \u2018s\u00edndrome de vira-lata\u2019 para assumir um protagonismo multissetorial estrat\u00e9gico. O reconhecimento que vemos hoje no cinema, na ci\u00eancia e no esporte \u00e9 coroado por uma presen\u00e7a sem precedentes na ind\u00fastria do entretenimento, onde o pa\u00eds deixou de ser apenas um mercado consumidor para se tornar um hub de lan\u00e7amentos globais para estrelas como Beyonc\u00e9 e Rosal\u00eda\u201d, disse Camila Moutinho, stylist brasileira com trajet\u00f3ria internacional na moda e na m\u00fasica, que j\u00e1 trabalhou com nomes como SZA e Kendrick Lamar, al\u00e9m de produ\u00e7\u00f5es para o Grammy com Kehlani, FLO e Tinashe. Ela, que atualmente, integra a prepara\u00e7\u00e3o da turn\u00ea internacional da cantora Kali Uchis, destaca que esse novo posicionamento valida nossa cultura como um ativo de exporta\u00e7\u00e3o de alto valor: \u201ca moda brasileira, ao vestir \u00edcones internacionais com marcas como PatBo e Artemisi, prova que nossa autenticidade e diversidade n\u00e3o s\u00e3o apenas tra\u00e7os identit\u00e1rios, mas diferenciais competitivos que tornaram o \u2018produto Brasil\u2019 altamente requisitado e trendy no mercado global.\u201d<\/p>\n<p><strong>O Brasil est\u00e1 na moda<\/strong><\/p>\n<p>No caso do cinema, as premia\u00e7\u00f5es internacionais, inclusive no Oscar, s\u00e3o a ponta do iceberg de um mercado com impacto de R$ 70,2 bilh\u00f5es no PIB em 2024. Essa estimativa \u00e9 de um estudo da Motion Picture Association (MPA) do Brasil sobre a ind\u00fastria do audiovisual.<\/p>\n<p>Como aposta o site Fast Company, para cada R$ 10 milh\u00f5es gerados pelo setor, outros R$ 12 milh\u00f5es s\u00e3o adicionados por outros segmentos.<\/p>\n<p>Apesar de a TV aberta ainda ser a l\u00edder, com 47% do impacto citado do audiovisual no PIB e a gera\u00e7\u00e3o de 44% dos empregos diretos, o cinema, incluindo exibidores, representou 5% da contribui\u00e7\u00e3o no PIB setorial e 22% dos empregos.<\/p>\n<p>O apelo brasileiro vai al\u00e9m das telas, como demonstra o chamado Brazil (ou Brazilian) Core, fen\u00f4meno registrado pela BBC como a tend\u00eancia de \u201cse vestir como brasileiro\u201d. A reportagem mostra que n\u00e3o se trata de um movimento novo, mas que registra algumas caracter\u00edsticas, entre elas o uso da camisa verde e amarela da sele\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com a Copa do Mundo em 2026, essa pegada deve se repetir, turbinada com outros itens, incluindo os chinelos Havaianas e os acess\u00f3rios coloridos, completados por roupas com motivos tropicais.<\/p>\n<p>Entre os impulsionadores do Brazilian Core est\u00e3o os artistas pop, entre eles Hailey Bieber, esposa de Justin Bieber e filha da brasileira Kennya Deodato, com o ator Stephen Baldwin. Kennya, por sua vez, \u00e9 filha do \u00edcone Eumir Deodato, m\u00fasico internacionalmente reconhecido.<\/p>\n<p>Um dos aspectos dessa tend\u00eancia \u00e9 ressignificar uma est\u00e9tica praieira para ambientes urbanos mais formais, caso da Noruega, que misturou as Havaianas com alfaiataria na semana de moda de Copenhague.<\/p>\n<p>Ter sangue brasileiro como Hailey Bieber necessariamente n\u00e3o \u00e9 importante. Beyonc\u00e9, por exemplo, funcionou como vitrine VIP da marca brasileira PatBO, criada pela mineira Patricia Bonaldi.<\/p>\n<p>Segundo o site oficial da marca, a pr\u00f3pria stylist da cantora americana foi quem acionou Patr\u00edcia para vestir a artista. O trabalho de confec\u00e7\u00e3o de uma pe\u00e7a \u00fanica levou cerca de 60 dias de trabalho artesanal. O resultado pode ser visto na turn\u00ea Renaissance: um vestido todo bordado \u00e0 m\u00e3o e extremamente brilhante.<\/p>\n<p>As not\u00edcias mais recentes incluem a participa\u00e7\u00e3o da marca brasileira na famosa semana de moda de Nova Iorque. N\u00e3o \u00e9 a primeira vez da PatBO no evento, um dos mais importantes do mundo, mas ela \u00e9 a \u00fanica do Brasil da edi\u00e7\u00e3o de 2026.<\/p>\n<p>Embora as refer\u00eancias da cole\u00e7\u00e3o sejam latinas, incluindo Frida Kahlo, v\u00e1rias personalidades nacionais foram inspira\u00e7\u00e3o da marca, entre elas Carmen Miranda, a maior artista brasileira com carreira na Hollywood dos anos 1940 e 1950, e Carmen Mayrink Veiga, socialite conhecida nos c\u00edrculos de alta costura, como exemplo da eleg\u00e2ncia brasileira.<\/p>\n<p>Outra marca nacional, a Artemisi, tamb\u00e9m faz o papel de embaixadora do pa\u00eds no exterior. Ela foi a primeira empresa brasileira a colaborar com a Adidas Originals. Na avalia\u00e7\u00e3o do site Consumidor Moderno, essa participa\u00e7\u00e3o \u201ccruza a fronteira entre moda, arte e tecnologia\u201d, entregando mais do que design para a cria\u00e7\u00e3o do primeiro t\u00eanis de Mayari Jubini, l\u00edder criativa da Artemisi, para a fabricante alem\u00e3.<\/p>\n<p>A proje\u00e7\u00e3o internacional da designer vai al\u00e9m: nomes como Julia Fox, Katy Perry e Demi Lovato j\u00e1 usaram roupas de Mayari. Outra cliente recorrente \u00e9 Anitta, que por si s\u00f3, \u00e9 uma refer\u00eancia do soft power do Brasil, sendo a primeira brasileira a alcan\u00e7ar o topo da parada global da Spotify.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da moda e cinema, em 2025, o Brasil foi eleito Creative Country of the Year em Cannes Lions e bateu recorde de turismo, com 9,2 milh\u00f5es de visitantes. Em publica\u00e7\u00e3o recente, a revista brit\u00e2nica The Economist aponta o Brasil como for\u00e7a emergente da cultura latino-americana. At\u00e9 a tradicional obra \u201cMem\u00f3rias p\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas\u201d viralizou, impulsionada pela tiktoker americana Courtney Henning Novak, que aprendeu portugu\u00eas e declarou que esse \u00e9 seu livro favorito. Sim, o Brasil est\u00e1 na moda, e em muitos segmentos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil est\u00e1 assumindo um protagonismo multissetorial estrat\u00e9gico<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":31268,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1370],"tags":[5999],"class_list":["post-31245","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-seja-relevante","tag-soft-power"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31245","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31245"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31245\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31268"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31245"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31245"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31245"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}