{"id":31249,"date":"2026-08-09T16:30:30","date_gmt":"2026-08-09T19:30:30","guid":{"rendered":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/?p=31249"},"modified":"2026-07-01T10:11:09","modified_gmt":"2026-07-01T13:11:09","slug":"empresas-brasileiras-vivem-momento-de-transicao-para-o-uso-da-ia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/empresas-brasileiras-vivem-momento-de-transicao-para-o-uso-da-ia\/","title":{"rendered":"Empresas brasileiras vivem momento de transi\u00e7\u00e3o para o uso da IA"},"content":{"rendered":"<p>As empresas brasileiras vivem um momento de transi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de intelig\u00eancia artificial em suas rotinas corporativas. O \u201cEstudo sobre Intelig\u00eancia Artificial Aplicada \u00e0 Estrat\u00e9gia\u201d, <a href=\"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">conduzido<\/a> pela Meta, empresa de estrat\u00e9gia empresarial, em parceria com a Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral (FDC), mostrou que as organiza\u00e7\u00f5es avan\u00e7aram na compreens\u00e3o conceitual da IA, mas ainda enfrentam desafios significativos para transformar tecnologia em intelig\u00eancia aplicada. Esse intervalo entre inten\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o \u00e9 onde se concentram os principais gargalos e tamb\u00e9m as maiores oportunidades da pr\u00f3xima etapa da transforma\u00e7\u00e3o digital.<\/p>\n<p>O estudo revelou que, neste momento de transi\u00e7\u00e3o, h\u00e1 um elevado n\u00edvel de reconhecimento da IA como estrat\u00e9gia empresarial. Do total de entrevistados, 82,5% classificaram a IA como relevante, sendo que 34,2% a consideram \u201cimportante\u201d, 30% \u201cmuito importante\u201d e 18,3% como \u201cextremamente importante\u201d. Apenas 16,6% dos respondentes consideraram a IA \u201cpouco importante\u201d.<\/p>\n<p>Os resultados consolidam a tecnologia como um dos principais vetores de competitividade no ambiente empresarial brasileiro, mas o alto grau de reconhecimento da import\u00e2ncia da IA ainda n\u00e3o se traduz em investimentos robustos ou estruturas de governan\u00e7a s\u00f3lidas.<\/p>\n<p><strong>Maioria das empresas tem perfil \u201cseletivo\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Dentre os dados pesquisados, 43,3% das empresas destinam menos de 1% de seu or\u00e7amento total \u00e0 IA. Um percentual elevado delas, 68,3%, n\u00e3o possui um n\u00facleo dedicado \u00e0 governan\u00e7a de projetos de IA. Do total estudado, os respondentes foram classificados conforme sua vis\u00e3o deste momento de transi\u00e7\u00e3o para a IA. A maioria das empresas (50,9%) possui um perfil \u201cseletivo\u201d, tratando a inova\u00e7\u00e3o de forma pontual e focada em retornos financeiros imediatos.<\/p>\n<p>Foram considerados \u201cotimizadores\u201d 37,5% dos entrevistados, ou seja, neste patamar a inova\u00e7\u00e3o define os principais investimentos. Mas apenas 11,6% das empresas se classificaram como \u201cvision\u00e1rias\u201d, ou seja, entendem os investimentos em inova\u00e7\u00e3o como determinantes para a organiza\u00e7\u00e3o no futuro, sinalizando uma orienta\u00e7\u00e3o voltada ao longo prazo.<\/p>\n<p>O levantamento ouviu mais de 100 CEOs e executivos de empresas brasileiras e multinacionais, distribu\u00eddas em 20 setores da economia, oferecendo um retrato do est\u00e1gio atual de ado\u00e7\u00e3o da IA nas organiza\u00e7\u00f5es neste momento de transi\u00e7\u00e3o. Dos setores pesquisados, destacaram-se os servi\u00e7os financeiros (13,3%), ind\u00fastria (12,5%) e tecnologia da informa\u00e7\u00e3o (11,6%), que s\u00e3o os mais impactados pela digitaliza\u00e7\u00e3o, automa\u00e7\u00e3o e uso intensivo de dados.<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7os financeiros, ind\u00fastria e TI s\u00e3o destaque na pesquisa<\/strong><\/p>\n<p>A maturidade e os objetivos variaram conforme o setor. Na ind\u00fastria, o foco \u00e9 na automa\u00e7\u00e3o de processos e redu\u00e7\u00e3o de custos, mas h\u00e1 limita\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s infraestruturas f\u00edsicas. J\u00e1 a \u00e1rea de tecnologia \u00e9 o setor mais avan\u00e7ado em diversidade de uso (IA generativa, agentes aut\u00f4nomos), mas sofre com a alta rotatividade e dificuldade de escalar compet\u00eancias internas. Nos servi\u00e7os financeiros, h\u00e1 busca por equil\u00edbrio entre efici\u00eancia e experi\u00eancia do cliente, com sua evolu\u00e7\u00e3o condicionada por rigorosas exig\u00eancias de conformidade e governan\u00e7a.<\/p>\n<p>De uma forma geral entre os setores, alguns dados retratam a falta de maturidade das corpora\u00e7\u00f5es para implementa\u00e7\u00e3o do uso estrat\u00e9gico da IA de forma efetiva neste momento de transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O estudo descobriu que, do total pesquisado, 80% das organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o realizam an\u00e1lises recorrentes de maturidade em IA; 74% n\u00e3o possuem pr\u00e1ticas estruturadas de gest\u00e3o de riscos; 23,2% n\u00e3o definiram m\u00e9tricas formais para avaliar resultados; e 66,7% n\u00e3o utilizam t\u00e9cnicas avan\u00e7adas de machine learning ou deep learning, indicando que a maioria das empresas consome ferramentas prontas, mas ainda n\u00e3o desenvolve intelig\u00eancia propriet\u00e1ria baseada em seus pr\u00f3prios dados.<\/p>\n<p><strong>Obst\u00e1culos para implementa\u00e7\u00e3o da IA<\/strong><\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m mostra que muitas empresas utilizam a IA principalmente para automa\u00e7\u00e3o e ganhos incrementais de efici\u00eancia operacional, sem avan\u00e7ar para aplica\u00e7\u00f5es transformacionais com novos modelos de neg\u00f3cio. De acordo com as lideran\u00e7as que participaram do estudo, existem quatro principais obst\u00e1culos para a ado\u00e7\u00e3o de IA.<\/p>\n<p>1. Falta de conhecimento especializado<\/p>\n<p>Citada por 42,7% dos executivos, a falta de conhecimento \u00e9 apontada como o maior entrave para avan\u00e7ar na ado\u00e7\u00e3o da IA. Desafios relacionados \u00e0 integra\u00e7\u00e3o com sistemas legados, custos de implementa\u00e7\u00e3o e preocupa\u00e7\u00f5es com seguran\u00e7a e conformidade tamb\u00e9m figuram entre as principais barreiras.<\/p>\n<p>2. Maturidade organizacional limitada<\/p>\n<p>43,3% das empresas investem menos de 1% do or\u00e7amento total em IA, e uma parcela relevante n\u00e3o conta com estruturas dedicadas \u00e0 gest\u00e3o dessas iniciativas. A presen\u00e7a de especialistas em intelig\u00eancia artificial na alta lideran\u00e7a ainda \u00e9 restrita, o que dificulta a consolida\u00e7\u00e3o da tecnologia como eixo estrat\u00e9gico transversal \u00e0s \u00e1reas de neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>3. Dados subutilizados<\/p>\n<p>Embora a base tecnol\u00f3gica seja tratada como prioridade por 70% das empresas e metade delas j\u00e1 tenha adotado arquiteturas como data lakes, apenas 10% utilizam essa infraestrutura como base para an\u00e1lise avan\u00e7ada e IA.<\/p>\n<p>4. Falta de letramento e capacita\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O capital humano especializado \u00e9 um dos principais gargalos desse processo, j\u00e1 que a IA ainda n\u00e3o figura como prioridade nas agendas de capacita\u00e7\u00e3o e desenvolvimento de pessoas de 55,8% das empresas.<\/p>\n<p><strong>Desafio est\u00e1 nos custos operacionais<\/strong><\/p>\n<p>Um dos respons\u00e1veis pela pesquisa, Hugo Tadeu, diretor do N\u00facleo de Inova\u00e7\u00e3o, IA e Tecnologias Digitais da FDC e p\u00f3s-doutor pela Sauder School of Business, Canad\u00e1, pontuou que verifica-se um grande aquecimento e percep\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica para o uso da IA nas empresas brasileiras, mas com desafios consider\u00e1veis sobre o real impacto destas iniciativas nos custos operacionais e medidas de retorno sobre o investimento.<\/p>\n<p>\u201cMuito se fala sobre o futuro tecnol\u00f3gico, mas ainda existe uma lacuna sobre os benef\u00edcios registrados. As empresas de grande porte conseguem gerar resultados, pois tamb\u00e9m t\u00eam desafios enormes em melhorias de processos e aloca\u00e7\u00e3o de recursos em atividades rotineiras. J\u00e1 para as empresas de m\u00e9dio porte, o caminho ainda \u00e9 longo, em busca da maturidade digital, riscos cibern\u00e9ticos e uma cultura real para a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica\u201d, analisou o professor.<\/p>\n<p>No atual momento de transi\u00e7\u00e3o, a intelig\u00eancia artificial deixou de ser experimental, mas ainda n\u00e3o atingiu um n\u00edvel de institucionaliza\u00e7\u00e3o compat\u00edvel com sua relev\u00e2ncia estrat\u00e9gica. O desafio central j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 acesso \u00e0 tecnologia, mas capacidade de decis\u00e3o, coordena\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o em n\u00edvel executivo.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 preciso integrar a IA ao modelo de neg\u00f3cio<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA IA j\u00e1 aparece no discurso estrat\u00e9gico da maioria das empresas, mas ainda necessita se consolidar como uma capacidade organizacional estruturada. Muitas organiza\u00e7\u00f5es permanecem presas a pilotos ou aplica\u00e7\u00f5es pontuais voltadas \u00e0 efici\u00eancia operacional. Esses usos s\u00e3o importantes, mas o potencial da IA vai al\u00e9m. O pr\u00f3ximo ciclo n\u00e3o ser\u00e1 liderado por quem adota IA, mas sim por quem a integra ao modelo de neg\u00f3cio com governan\u00e7a, m\u00e9tricas claras e responsabilidade executiva. A diferen\u00e7a entre tratar IA como projeto ou como estrat\u00e9gia \u00e9 o que vai definir a vantagem competitiva nos pr\u00f3ximos anos\u201d, concluiu Telmo Costa, CEO da Meta.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Hugo Tadeu, foram respons\u00e1veis pela pesquisa Jersone Tasso, professor associado do N\u00facleo de Inova\u00e7\u00e3o, IA e Tecnologias Digitais da FDC e p\u00f3s-doutor pela University of Texas at El Paso, EUA; Marianna Almeida, pesquisadora do N\u00facleo de Inova\u00e7\u00e3o, IA e Tecnologias Digitais e graduanda em Administra\u00e7\u00e3o pela FDC; e Rafael Cavalcante, pesquisador do N\u00facleo de Inova\u00e7\u00e3o, IA e Tecnologias Digitais e graduando em Administra\u00e7\u00e3o pela FDC.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa revela que mais de 80% das corpora\u00e7\u00f5es classificam as ferramentas como importantes, mas 43% destinam a elas menos de 1% de seus or\u00e7amentos<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":30142,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1370],"tags":[933],"class_list":["post-31249","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-seja-relevante","tag-ia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31249","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31249"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31249\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30142"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31249"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31249"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31249"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}