{"id":31401,"date":"2026-06-21T11:27:20","date_gmt":"2026-06-21T14:27:20","guid":{"rendered":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/?p=31401"},"modified":"2026-06-10T13:59:34","modified_gmt":"2026-06-10T16:59:34","slug":"da-china-ao-nordeste-o-retorno-da-forca-regional-no-varejo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/da-china-ao-nordeste-o-retorno-da-forca-regional-no-varejo\/","title":{"rendered":"Da China ao Nordeste: o retorno da for\u00e7a regional no varejo"},"content":{"rendered":"<p>Por muito tempo, a expans\u00e3o foi tratada como a principal medida de sucesso no varejo. Crescer significava ocupar novos territ\u00f3rios, padronizar opera\u00e7\u00f5es, replicar formatos e buscar relev\u00e2ncia nacional. Quanto maior a cobertura geogr\u00e1fica, maior a percep\u00e7\u00e3o de for\u00e7a da <a href=\"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">marca<\/a>.<\/p>\n<p>Enquanto muitos dos holofotes continuam voltados para grandes grupos nacionais, uma nova gera\u00e7\u00e3o de empresas demonstra que relev\u00e2ncia nem sempre nasce da escala territorial. Em muitos casos, ela nasce da profundidade.<\/p>\n<p>No Brasil, esse fen\u00f4meno pode ser observado com clareza no crescimento de varejistas regionais que constru\u00edram opera\u00e7\u00f5es bilion\u00e1rias sem depender necessariamente de expans\u00e3o nacional. Empresas como Ferreira Costa, Nordest\u00e3o, Mercadinhos S\u00e3o Luiz, Novo Atacarejo, Atakarejo e Supermercados Queiroz se tornaram refer\u00eancias n\u00e3o apenas pelo faturamento, mas pela capacidade de desenvolver uma compreens\u00e3o extremamente sofisticada dos mercados onde atuam.<\/p>\n<p>Existe uma diferen\u00e7a importante entre estar presente em uma regi\u00e3o e compreender profundamente uma regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Essas empresas conhecem h\u00e1bitos de consumo, sazonalidades, prefer\u00eancias culturais, din\u00e2mica econ\u00f4mica local e at\u00e9 mesmo particularidades que dificilmente aparecem em pesquisas nacionais. Essa proximidade cria uma vantagem competitiva dif\u00edcil de replicar por organiza\u00e7\u00f5es que operam a partir de uma l\u00f3gica mais centralizada.<\/p>\n<p>O aspecto mais interessante \u00e9 que esse movimento n\u00e3o acontece apenas no Brasil.<\/p>\n<p>Ao estudar recentemente o varejo chin\u00eas e o crescimento de marcas locais no pa\u00eds, chamou minha aten\u00e7\u00e3o como uma din\u00e2mica semelhante vem ganhando for\u00e7a em um dos mercados mais competitivos do mundo.<\/p>\n<p>Durante muito tempo, a China foi vista como uma pot\u00eancia da produ\u00e7\u00e3o em massa e da padroniza\u00e7\u00e3o. No entanto, parte das marcas que mais crescem atualmente segue uma dire\u00e7\u00e3o diferente. Muitas delas constru\u00edram relev\u00e2ncia cultural antes mesmo de conquistar escala comercial.<\/p>\n<p>Plataformas como Xiaohongshu e Bilibili permitiram o surgimento de comunidades altamente engajadas em torno de estilos de vida, identidades culturais e interesses espec\u00edficos. Nesse ambiente, a credibilidade passou a ser constru\u00edda primeiro dentro de grupos muito bem definidos para, somente depois, alcan\u00e7ar p\u00fablicos mais amplos.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 o surgimento de marcas que crescem sem abrir m\u00e3o de suas origens.<\/p>\n<p>Mais do que incorporar elementos culturais de forma superficial, muitas empresas chinesas passaram a explorar refer\u00eancias regionais, tradi\u00e7\u00f5es artesanais, sistemas filos\u00f3ficos e patrim\u00f4nios locais como parte central de suas estrat\u00e9gias de constru\u00e7\u00e3o de marca.<\/p>\n<p>Um exemplo emblem\u00e1tico \u00e9 a Qeelin, joalheria fundada por Dennis Chan que transformou s\u00edmbolos da cultura chinesa em ativos de posicionamento global. O valor da marca n\u00e3o est\u00e1 apenas no produto em si, mas na capacidade de traduzir patrim\u00f4nio cultural em narrativa contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>Existe uma discuss\u00e3o cada vez mais presente na China sobre qual \u00e9 a responsabilidade das marcas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s comunidades e tradi\u00e7\u00f5es das quais se inspiram. A pergunta \u00e9 relevante porque desloca a conversa da simples apropria\u00e7\u00e3o cultural para a constru\u00e7\u00e3o de valor compartilhado entre empresas e territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>Em alguma medida, o que observamos no Nordeste brasileiro dialoga com essa mesma l\u00f3gica.<\/p>\n<p>Os varejistas regionais mais bem-sucedidos n\u00e3o cresceram apesar de suas origens locais. Cresceram justamente por causa delas.<\/p>\n<p>A for\u00e7a dessas empresas n\u00e3o est\u00e1 em reproduzir modelos desenvolvidos em grandes centros. Est\u00e1 na capacidade de transformar conhecimento territorial em estrat\u00e9gia empresarial.<\/p>\n<p>Durante muito tempo, o mercado associou relev\u00e2ncia \u00e0 abrang\u00eancia geogr\u00e1fica. Mas os movimentos mais interessantes do varejo contempor\u00e2neo sugerem outra interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em um mundo cada vez mais homog\u00eaneo, entender profundamente uma comunidade pode ser mais valioso do que tentar falar com todas elas ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>No fim, a grande li\u00e7\u00e3o \u00e9 que crescimento e identidade n\u00e3o precisam ser for\u00e7as opostas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>*Vivianne Vilela \u00e9 Diretora de Conte\u00fado do E-Commerce Brasil.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto muitos dos holofotes continuam voltados para grandes grupos nacionais, uma nova gera\u00e7\u00e3o de empresas demonstra que relev\u00e2ncia nem sempre nasce da escala territorial<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":27841,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2234],"tags":[5853,5871],"class_list":["post-31401","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-vozes-do-varejo","tag-ecbr","tag-ecommerce-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31401","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31401"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31401\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27841"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31401"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31401"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31401"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}