{"id":31508,"date":"2026-10-03T08:00:17","date_gmt":"2026-10-03T11:00:17","guid":{"rendered":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/?p=31508"},"modified":"2026-08-03T13:46:43","modified_gmt":"2026-08-03T16:46:43","slug":"temos-uma-geracao-com-excesso-de-informacao-e-escassez-de-sabedoria-diz-subi-rangan","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/temos-uma-geracao-com-excesso-de-informacao-e-escassez-de-sabedoria-diz-subi-rangan\/","title":{"rendered":"\u201cTemos uma gera\u00e7\u00e3o com excesso de informa\u00e7\u00e3o e escassez de sabedoria\u201d, diz Subi Rangan"},"content":{"rendered":"<p>Refer\u00eancia global em estrat\u00e9gia e \u00e9tica empresarial, o professor Subi Rangan, membro-executivo do Programa de Gest\u00e3o Avan\u00e7ada (PGA) e integrante do Conselho Curador da Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral (FDC), levou ao FDC Alumni Experience \u2013 Legados que criam futuros uma <a href=\"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">reflex\u00e3o<\/a> sobre o s\u00e9culo XXI. Em sua an\u00e1lise, questionou se esse per\u00edodo foi predominantemente positivo, misto ou profundamente traum\u00e1tico.<\/p>\n<p>A proposta, segundo ele, \u00e9 estimular uma reflex\u00e3o que nos ajude a compreender melhor o mundo atual. \u201cGuerra, fome, desertifica\u00e7\u00e3o e infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o problemas do passado. O s\u00e9culo XXI nos ensinou que a estabilidade \u00e9 uma fragilidade e que o futuro exige l\u00edderes capazes de gerenciar n\u00e3o o triunfo, mas a constante incerteza.\u201d<\/p>\n<p>Subi Rangan lembrou que na virada do ano 2000, a palavra-chave n\u00e3o era <a href=\"https:\/\/site.cndl.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">trauma<\/a>, mas sim triunfo, quando o mundo encerrava o s\u00e9culo XX com a sensa\u00e7\u00e3o de ter resolvido os grandes problemas da humanidade. \u201cAcredit\u00e1vamos ter encontrado as duas respostas definitivas para a exist\u00eancia coletiva: a democracia para garantir a paz e o capitalismo para garantir a prosperidade. Havia o sentimento confort\u00e1vel de que t\u00ednhamos chegado ao \u2018fim da hist\u00f3ria\u2019. Bastava adotar o modelo, relaxar e aproveitar. O s\u00e9culo XXI, contudo, revelou ter um prop\u00f3sito pedag\u00f3gico muito mais cruel: destruir a ilus\u00e3o da paz permanente, o mito da seguran\u00e7a e a promessa de prosperidade linear para todos.\u201d<\/p>\n<p>Para o professor, que tamb\u00e9m \u00e9 docente na \u00e1rea de estrat\u00e9gia no Insead, a paz \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o que precisa ser cultivada e renovada todos os dias. Ela n\u00e3o \u00e9 um estado natural da geopol\u00edtica, mas sim um esfor\u00e7o cr\u00f4nico. E as ferramentas julgadas infal\u00edveis para garanti-la come\u00e7aram a falhar.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria democracia tornou-se uma grande inc\u00f3gnita global. \u201cDos Estados Unidos ao Brasil, da \u00cdndia \u00e0 Europa, percebemos que reduzir a democracia a um processo eleitoral a cada poucos anos n\u00e3o \u00e9 suficiente para sustent\u00e1-la. Quando as institui\u00e7\u00f5es se esvaziam, a estabilidade desmorona\u201d, afirmou.<\/p>\n<p><strong>Choques que redesenharam o cen\u00e1rio global<\/strong><\/p>\n<p>Esse processo de ruptura, ressalta Rangan, ocorreu por meio de uma sucess\u00e3o de choques estruturais que redesenharam a realidade contempor\u00e2nea em cinco grandes atos: o choque da seguran\u00e7a (2001); o choque clim\u00e1tico (2006); o choque da confian\u00e7a financeira (2008); o choque da ascens\u00e3o da China e Desglobaliza\u00e7\u00e3o (2008-2012) e o choque da autocracia sanit\u00e1ria (2020).<\/p>\n<p>O atentado \u00e0s Torres G\u00eameas fragmentou os EUA, transformou a seguran\u00e7a interna em uma obsess\u00e3o e alimentou divis\u00f5es que persistem at\u00e9 hoje nas discuss\u00f5es sobre fronteiras e soberania. A crise clim\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 uma previs\u00e3o, mas uma realidade, com inc\u00eandios florestais devastadores. Embora a transi\u00e7\u00e3o para a energia verde seja not\u00e1vel, o mundo ainda depende de 60% de combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>A crise financeira global destruiu mais de 100 milh\u00f5es de empregos e, junto com eles, a confian\u00e7a no livre mercado. A abertura da China tirou quase um bilh\u00e3o de pessoas da pobreza, mas o desequil\u00edbrio estrutural entre a China produzir para o mundo e o Ocidente consumir gerou o esvaziamento da ind\u00fastria manufatureira na Europa e nos EUA. \u201cO livre com\u00e9rcio provou-se desigual\u201d, apontou Rangan.<\/p>\n<p>A pandemia da COVID-19 devastou o planeta, ceifando milh\u00f5es de vidas e desafiando a premissa de que a sa\u00fade p\u00fablica global estava sob controle. Diante do colapso, o Estado surgiu como salvador. O governo voltou com for\u00e7a total, e a m\u00e1xima de que \u201cquanto menos governo, melhor\u201d foi soterrada pela necessidade de sobreviv\u00eancia. Isso deixou como heran\u00e7a uma infla\u00e7\u00e3o global cr\u00f4nica e um Estado muito mais intervencionista.<\/p>\n<p>Logo, conclui o especialista, o verdadeiro teste para a elite n\u00e3o \u00e9 o tamanho do portf\u00f3lio de investimentos ou o faturamento da empresa no pr\u00f3ximo trimestre. A quest\u00e3o central, segundo Rangan, \u00e9 responder a uma pergunta simples: o que voc\u00ea escolheu abra\u00e7ar e proteger em um mundo que parece estar se desfazendo?<\/p>\n<p>Citando como exemplo alguns alunos que utilizam intelig\u00eancia artificial (IA) para escrever artigos, mas se recusam a ler o texto que a pr\u00f3pria ferramenta produziu, Rangan afirma que estamos diante de um \u201cdeslizamento cognitivo\u201d, criando uma gera\u00e7\u00e3o com excesso de informa\u00e7\u00e3o e escassez absoluta de sabedoria.<\/p>\n<p><strong>Vantagem competitiva da intelig\u00eancia humana<\/strong><\/p>\n<p>as nem tudo est\u00e1 perdido, ressalta Rangan, pois existe o setor quatern\u00e1rio, da reconex\u00e3o humana. \u201c\u00c9 o espa\u00e7o onde a intelig\u00eancia mec\u00e2nica falha miseravelmente, porque ela n\u00e3o tem cora\u00e7\u00e3o, ela tem dados. N\u00f3s temos empatia. Ela tem algoritmos, n\u00f3s temos car\u00e1ter.\u201d<\/p>\n<p>Para ele, reconstruir a confian\u00e7a no capitalismo e nas institui\u00e7\u00f5es passa por parar de perseguir apenas o PIB e as m\u00e9tricas quantitativas de desempenho (outputs), para priorizar resultados (outcomes) que devolvam a dignidade \u00e0s pessoas. \u201cIsso se resume a quatro pilares: justi\u00e7a absoluta, bem-estar real, economia regenerativa e integra\u00e7\u00e3o entre performance e progresso\u201d.<\/p>\n<p>Encerrando suas reflex\u00f5es, Subi Rangan ressaltou que o termo alumni (alunos) vem da raiz latina que significa \u201caqueles que foram nutridos\u201d, trazidos \u00e0 luz do conhecimento.<\/p>\n<p>Logo, se fomos nutridos pelas melhores institui\u00e7\u00f5es, nossa responsabilidade n\u00e3o \u00e9 buscar o sucesso individual. O sucesso nos d\u00e1 uma carreira e dinheiro. A contribui\u00e7\u00e3o nos d\u00e1 alegria.<\/p>\n<p>Ele lembra que as institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o perfeitas, pois s\u00e3o feitas de decis\u00f5es di\u00e1rias de indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>Se a elite e os mais velhos cruzarem os bra\u00e7os por medo ou conveni\u00eancia, o futuro ser\u00e1 exatamente o pesadelo da Torre de Babel, uma constru\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica massiva, fria, onde ningu\u00e9m se entende e ningu\u00e9m sabe para quem ela foi constru\u00edda.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o de Rangan, \u00e9 preciso construir espa\u00e7os onde as pessoas queiram viver e onde as futuras gera\u00e7\u00f5es desejem construir suas vidas. \u201cCorram o risco de falhar servindo. Tenham coragem de escolher uma causa e fiquem com ela at\u00e9 o fim. O futuro \u00e9 uma escolha que fazemos hoje\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre crises geopol\u00edticas, colapso da confian\u00e7a institucional e avan\u00e7o da IA, Subi Rangan alerta para o que considera um \u201cdeslizamento cognitivo\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":27004,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1370],"tags":[],"class_list":["post-31508","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-seja-relevante"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31508","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31508"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31508\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27004"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31508"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31508"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31508"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}