{"id":31589,"date":"2026-07-09T06:00:33","date_gmt":"2026-07-09T09:00:33","guid":{"rendered":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/?p=31589"},"modified":"2026-07-08T09:42:20","modified_gmt":"2026-07-08T12:42:20","slug":"81-dos-inadimplentes-pedalaram-dividas-no-ultimo-ano-usando-novo-credito-para-quitar-o-anterior-revela-pesquisa-cndl-spc-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/81-dos-inadimplentes-pedalaram-dividas-no-ultimo-ano-usando-novo-credito-para-quitar-o-anterior-revela-pesquisa-cndl-spc-brasil\/","title":{"rendered":"81% dos inadimplentes &#8220;pedalaram&#8221; d\u00edvidas no \u00faltimo ano usando novo cr\u00e9dito para quitar o anterior, revela pesquisa CNDL\/SPC Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Uma pesquisa realizada pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Dirigentes Lojistas (<a href=\"https:\/\/site.cndl.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CNDL<\/a>) e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, acende um alerta vermelho sobre a sa\u00fade financeira do consumidor brasileiro: a pr\u00e1tica de utilizar um cr\u00e9dito para quitar outro \u00e9 quase geral entre os inadimplentes. De acordo com o levantamento, 81% dos consumidores nessa situa\u00e7\u00e3o admitiram ter &#8220;pedalado&#8221; d\u00edvidas no \u00faltimo ano, recorrendo a limites de cart\u00e3o de cr\u00e9dito, cheque especial ou novos empr\u00e9stimos para cobrir compromissos anteriores.<\/p>\n<p>O estudo aponta que, para muitos, essa conduta virou rotina. Entre os que pedalaram d\u00edvidas, 25% declararam fazer isso mensalmente para tentar manter o or\u00e7amento em dia, enquanto 37% utilizam a t\u00e1tica ocasionalmente em momentos de aperto e 19% somente em emerg\u00eancias extremas. O <a href=\"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">h\u00e1bito<\/a> joga o consumidor em um ciclo de endividamento de dif\u00edcil sa\u00edda, onde o cr\u00e9dito emergencial deixa de ser um suporte tempor\u00e1rio e passa a integrar uma engrenagem cont\u00ednua de inadimpl\u00eancia.<\/p>\n<p>Para o presidente da CNDL, Jos\u00e9 C\u00e9sar da Costa, o cen\u00e1rio evidencia que o endividamento no pa\u00eds tem ra\u00edzes estruturais ligadas \u00e0 falta de letramento financeiro e ao desespero em tentar manter uma estabilidade artificial.<\/p>\n<p>&#8220;O ato de cobrir uma linha de cr\u00e9dito com outra \u00e9 o sintoma mais claro de um ciclo de sobreviv\u00eancia financeira reativa. O consumidor, muitas vezes sufocado pela falta de liquidez imediata, busca paliativos que oferecem um al\u00edvio moment\u00e2neo, mas que, no fundo, apenas ampliam o tamanho do problema no longo prazo. Isso nos mostra que o acesso f\u00e1cil ao cr\u00e9dito emergencial, sem o devido acompanhamento de uma reestrutura\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos e gastos, acaba atuando como um catalisador para uma inadimpl\u00eancia cr\u00f4nica e de dif\u00edcil resolu\u00e7\u00e3o&#8221;, analisa o presidente da CNDL.<\/p>\n<p><strong>Descompasso entre percep\u00e7\u00e3o e pr\u00e1tica sobre finan\u00e7as pessoais<\/strong><\/p>\n<p>O levantamento tamb\u00e9m joga luz sobre um forte paradoxo comportamental: o inadimplente brasileiro possui uma percep\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre finan\u00e7as muito superior \u00e0 sua aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica no dia a dia. 78% dos entrevistados classifiquem seu conhecimento financeiro entre regular e \u00f3timo (com 38% avaliando como \u00f3timo ou bom) E embora demonstrem ci\u00eancia que h\u00e1bitos como controle do or\u00e7amento (39%), evitar uso do cart\u00e3o de cr\u00e9dito (36%) e autocontrole emocional (34%) s\u00e3o as principais atitudes que podem evitar o endividamento, quase metade (48%) n\u00e3o realiza um controle efetivo do pr\u00f3prio or\u00e7amento, dependendo exclusivamente da mem\u00f3ria (16%) ou apenas do monitoramento do extrato banc\u00e1rio (20%).<\/p>\n<p>Entre as principais barreiras para a ado\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos organizados, como planilhas ou cadernos de anota\u00e7\u00f5es, os entrevistados citam a falta de disciplina para controlar todos os gastos (20%), a desmotiva\u00e7\u00e3o por n\u00e3o enxergarem resultados r\u00e1pidos (15%) e a falsa cren\u00e7a de que a conta de cabe\u00e7a \u00e9 suficiente (15%).<\/p>\n<p><strong>O fator emocional e o consumo como compensa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>As barreiras psicol\u00f3gicas exercem um papel crucial na manuten\u00e7\u00e3o do endividamento. O estudo revela um verdadeiro embate entre a disciplina e o esgotamento emocional ao se depararem com d\u00edvidas de dif\u00edcil quita\u00e7\u00e3o: enquanto 50% afirmam manter a resili\u00eancia e cortar gastos n\u00e3o essenciais para sobreviver, 50% lidam de forma prejudicial com a situa\u00e7\u00e3o. Desse total, 18% confessam desmotiva\u00e7\u00e3o para economizar, por julgarem que pequenos cortes n\u00e3o alteram o tamanho da grande d\u00edvida; 17% sofrem reca\u00eddas e gastam por impulso devido \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de priva\u00e7\u00e3o; e 16% admitem utilizar o consumo sup\u00e9rfluo como uma forma de compensa\u00e7\u00e3o ou anest\u00e9sico para aliviar o estresse gerado pela pr\u00f3pria cobran\u00e7a financeira.<\/p>\n<p>Essa barreira emocional tamb\u00e9m se reflete nas rela\u00e7\u00f5es sociais e familiares. Mais da metade dos inadimplentes (54%) j\u00e1 escondeu alguma compra ou o valor real de uma d\u00edvida de seus familiares ou pessoas pr\u00f3ximas por vergonha, sendo que 29% fazem essa omiss\u00e3o de forma frequente.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 C\u00e9sar da Costa ressalta que as pol\u00edticas de combate \u00e0 inadimpl\u00eancia precisam transpor o ensino meramente t\u00e9cnico de matem\u00e1tica financeira e focar na intelig\u00eancia comportamental e de riscos.<\/p>\n<p>&#8220;A educa\u00e7\u00e3o financeira tradicional falha ao focar apenas no preenchimento de tabelas e planilhas, ignorando as vulnerabilidades psicol\u00f3gicas de quem est\u00e1 endividado. Precisamos entender que o consumo muitas vezes atua como um ref\u00fagio para o estresse e a ansiedade gerados pelas pr\u00f3prias cobran\u00e7as. O caminho para a recupera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito e para a sustentabilidade econ\u00f4mica dessas fam\u00edlias passa, obrigatoriamente, por um suporte que desenvolva a intelig\u00eancia emocional e a gest\u00e3o de riscos cotidianos, permitindo ao cidad\u00e3o quebrar esse ciclo psicol\u00f3gico de depend\u00eancia e omiss\u00e3o&#8221;, conclui.<\/p>\n<p><strong>Aprendizado reativo e o valor do nome limpo<\/strong><\/p>\n<p>Apesar dos riscos do cen\u00e1rio, o estudo mostra que a experi\u00eancia da inadimpl\u00eancia gera um aprendizado reativo significativo. Ter o &#8220;nome limpo&#8221; \u00e9 apontado por 79% dos consumidores como um dos bens mais preciosos da vida.<\/p>\n<p>Como reflexo direto disso, 92% dos entrevistados garantem que alteraram radicalmente sua forma de administrar o dinheiro ap\u00f3s entrarem na inadimpl\u00eancia. Entre as principais mudan\u00e7as adotadas est\u00e3o o controle rigoroso das despesas dom\u00e9sticas (32%), o ato de refletir profundamente antes de qualquer nova compra (30%), a realiza\u00e7\u00e3o constante de pesquisas de pre\u00e7o (29%) e a limita\u00e7\u00e3o do uso do cart\u00e3o de cr\u00e9dito (25%).<\/p>\n<p><strong>Metodologia<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>P\u00fablico-alvo: Consumidores com contas em atraso h\u00e1 mais de 3 meses, de todas as capitais brasileiras, homens e mulheres, com idade igual ou maior a 18 anos, de todas as classes econ\u00f4micas.<\/li>\n<li>M\u00e9todo de coleta: Pesquisa realizada via web e p\u00f3s-ponderada por sexo, idade, estado, renda e escolaridade.<\/li>\n<li>Tamanho amostral da Pesquisa: 609 casos, gerando uma margem de erro no geral de 4 p. p. para um intervalo de confian\u00e7a a 95%.<\/li>\n<li>Data de coleta dos dados: 06 a 17 de mar\u00e7o de 2026.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais da metade dos inadimplentes (54%) j\u00e1 escondeu alguma compra ou o valor real de uma d\u00edvida de seus familiares ou pessoas pr\u00f3ximas por vergonha <\/p>\n","protected":false},"author":10,"featured_media":25841,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[70,2277],"tags":[698],"class_list":["post-31589","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-pesquisa","tag-educacao-financeira"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31589","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31589"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31589\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25841"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31589"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31589"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31589"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}