{"id":31592,"date":"2026-07-25T11:29:28","date_gmt":"2026-07-25T14:29:28","guid":{"rendered":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/?p=31592"},"modified":"2026-07-16T10:46:45","modified_gmt":"2026-07-16T13:46:45","slug":"perdas-no-varejo-crescem-e-expoem-a-urgencia-de-uma-prevencao-mais-inteligente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/perdas-no-varejo-crescem-e-expoem-a-urgencia-de-uma-prevencao-mais-inteligente\/","title":{"rendered":"Perdas no varejo crescem e exp\u00f5em a urg\u00eancia de uma preven\u00e7\u00e3o mais inteligente"},"content":{"rendered":"<p>As perdas sempre fizeram parte da rotina do varejo. Furtos, erros operacionais, falhas de processos, avarias, vencimentos, rupturas e diverg\u00eancias de invent\u00e1rio acompanham o setor h\u00e1 d\u00e9cadas. O que mudou, no entanto, foi a dimens\u00e3o do problema e a complexidade das opera\u00e7\u00f5es nas quais ele est\u00e1 inserido.<\/p>\n<p>Os dados mais recentes apresentados pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Preven\u00e7\u00e3o de Perdas, a Abrappe, mostram que o \u00edndice m\u00e9dio de perdas do varejo passou de 1,51% em 2024 para 1,65% em 2025. O movimento interrompe a redu\u00e7\u00e3o registrada no ano anterior e refor\u00e7a a necessidade de uma atua\u00e7\u00e3o mais estruturada por parte das empresas.<\/p>\n<p>O hist\u00f3rico do indicador ajuda a dimensionar o desafio. Ap\u00f3s alcan\u00e7ar 1,21% em 2021, o menor patamar da s\u00e9rie apresentada, o \u00edndice avan\u00e7ou para 1,48% em 2022 e 1,57% em 2023. Em 2024, houve uma redu\u00e7\u00e3o para 1,51%, mas o crescimento registrado em 2025 mostra que as perdas permanecem como um problema relevante para o setor.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do impacto percentual, o preju\u00edzo financeiro j\u00e1 atingiu R$ 36,5 bilh\u00f5es, R$ 1,6 bilh\u00e3o a mais do que no levantamento anterior. Os n\u00fameros deixam um recado claro: a preven\u00e7\u00e3o de perdas n\u00e3o pode ser tratada apenas como uma atividade de seguran\u00e7a ou como uma resposta posterior \u00e0 ocorr\u00eancia de um problema. Ela se tornou uma quest\u00e3o de intelig\u00eancia operacional, diretamente ligada \u00e0 rentabilidade, \u00e0 efici\u00eancia dos processos e \u00e0 experi\u00eancia do consumidor.<\/p>\n<p>Outro dado que chama aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a concentra\u00e7\u00e3o das perdas em tr\u00eas grandes causas: quebras operacionais, furtos \u2014 internos e externos \u2014 e diverg\u00eancia de estoque. Embora tenham origens distintas, esses problemas compartilham um ponto em comum: podem ser reduzidos por meio de processos mais consistentes, melhor acompanhamento das opera\u00e7\u00f5es e uso qualificado das informa\u00e7\u00f5es geradas pelas lojas.<\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m mostra que cada segmento enfrenta uma realidade pr\u00f3pria. Em 2025, as lojas de conveni\u00eancia apresentaram o maior \u00edndice de perdas, com 3,80%, acima dos 3,06% registrados no ano anterior. Na sequ\u00eancia aparecem os mercados de vizinhan\u00e7a, com 3,01%, e os supermercados convencionais, com 2,52%.<\/p>\n<p>Embora mercados de vizinhan\u00e7a e supermercados tenham reduzido seus \u00edndices em rela\u00e7\u00e3o a 2024, quando registravam 3,30% e 2,79%, respectivamente, os percentuais continuam elevados. Nos hipermercados, houve relativa estabilidade, com uma pequena redu\u00e7\u00e3o de 2,11% para 2,08%.<\/p>\n<p>Outros segmentos registraram movimentos expressivos. Nas perfumarias, o \u00edndice avan\u00e7ou de 1,01% para 1,55%. O magazine nacional passou de 1,04% para 1,18%, enquanto o segmento de eletrom\u00f3veis subiu de 0,16% para 0,58%.<\/p>\n<p>Em sentido contr\u00e1rio, atacados e atacarejos reduziram o \u00edndice de perdas de 1,85% em 2024 para 1,43% em 2025. Farm\u00e1cias e drogarias tamb\u00e9m apresentaram uma pequena queda, de 1,28% para 1,24%, enquanto materiais de constru\u00e7\u00e3o recuaram de 1,30% para 1,02%.<\/p>\n<p>Essas diferen\u00e7as mostram que n\u00e3o existe uma \u00fanica resposta para a preven\u00e7\u00e3o de perdas. Cada modelo de neg\u00f3cio possui fluxos, produtos, n\u00edveis de exposi\u00e7\u00e3o e vulnerabilidades espec\u00edficos. Uma loja de conveni\u00eancia, marcada por alta circula\u00e7\u00e3o de consumidores e opera\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas, enfrenta desafios diferentes dos encontrados em uma farm\u00e1cia, em um supermercado ou em uma loja de materiais de constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso, mais do que observar o \u00edndice consolidado, \u00e9 necess\u00e1rio compreender onde as perdas acontecem, como se manifestam e quais processos est\u00e3o relacionados a elas. Esse diagn\u00f3stico permite que a empresa deixe de atuar apenas sobre os efeitos e passe a identificar as causas dos desvios.<\/p>\n<p><strong>Ter c\u00e2meras \u00e9 suficiente?<\/strong><\/p>\n<p>A tecnologia j\u00e1 ocupa uma posi\u00e7\u00e3o importante nas estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o. Segundo a Abrappe, o Circuito Fechado de Televis\u00e3o, o CFTV, \u00e9 a ferramenta mais utilizada pelas empresas, presente em 86,9% das opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Trata-se de um percentual elevado, que demonstra a preocupa\u00e7\u00e3o das redes em manter sistemas de monitoramento nas lojas. Ao mesmo tempo, o dado levanta uma pergunta importante: ter c\u00e2meras \u00e9 suficiente?<\/p>\n<p>Embora essenciais, as c\u00e2meras sozinhas n\u00e3o resolvem o problema. Quando as imagens dependem exclusivamente da observa\u00e7\u00e3o humana ou s\u00e3o acessadas apenas depois de uma ocorr\u00eancia, sua atua\u00e7\u00e3o permanece predominantemente reativa.<\/p>\n<p>O principal desafio est\u00e1 em transformar as imagens e os demais dados produzidos pelas opera\u00e7\u00f5es em informa\u00e7\u00f5es \u00fateis para a tomada de decis\u00e3o. \u00c9 nesse ponto que a tecnologia amplia seu papel, permitindo criar gatilhos autom\u00e1ticos para situa\u00e7\u00f5es de risco, identificar comportamentos fora do padr\u00e3o, cruzar informa\u00e7\u00f5es operacionais e emitir alertas em tempo real.<\/p>\n<p>Essa intelig\u00eancia modifica a pr\u00f3pria fun\u00e7\u00e3o do CFTV. Em vez de servir somente como fonte para investiga\u00e7\u00f5es posteriores, o sistema passa a apoiar a preven\u00e7\u00e3o, ajudando as equipes a identificar poss\u00edveis desvios antes que eles resultem em perdas.<\/p>\n<p>A elevada utiliza\u00e7\u00e3o de ferramentas de Business Intelligence, presentes em 82,8% das opera\u00e7\u00f5es, mostra que o varejo j\u00e1 avan\u00e7a em dire\u00e7\u00e3o a uma gest\u00e3o mais orientada por dados. O BI permite reunir informa\u00e7\u00f5es de diferentes \u00e1reas, acompanhar indicadores, localizar pontos de vulnerabilidade e apoiar decis\u00f5es mais r\u00e1pidas.<\/p>\n<p>As antenas antifurto, adotadas por 54,5% das empresas, tamb\u00e9m permanecem entre as principais tecnologias utilizadas. Al\u00e9m de funcionarem como uma barreira contra a retirada indevida de mercadorias, essas solu\u00e7\u00f5es podem ser integradas a outros sistemas, contribuindo para ampliar o controle e a rastreabilidade dos produtos.<\/p>\n<p>Outras ferramentas j\u00e1 come\u00e7am a complementar essa estrutura. Os relat\u00f3rios de exce\u00e7\u00e3o est\u00e3o presentes em 40,4% das opera\u00e7\u00f5es, o reconhecimento facial aparece em 39,4% e os anal\u00edticos de v\u00eddeo alcan\u00e7am 35,4%.<\/p>\n<p>Os anal\u00edticos de v\u00eddeo representam uma evolu\u00e7\u00e3o importante porque permitem interpretar automaticamente as imagens captadas pelas c\u00e2meras. Em vez de exigir o acompanhamento ininterrupto das telas, os sistemas podem reconhecer situa\u00e7\u00f5es previamente configuradas e direcionar a aten\u00e7\u00e3o dos profissionais para os casos que realmente demandam an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Os softwares de monitoramento de caixas, utilizados por 27,3% das empresas, tamb\u00e9m ajudam a identificar cancelamentos, diverg\u00eancias, opera\u00e7\u00f5es incomuns e outros padr\u00f5es associados a erros, falhas de processo ou poss\u00edveis fraudes.<\/p>\n<p>Solu\u00e7\u00f5es mais recentes ainda aparecem em uma parcela menor das opera\u00e7\u00f5es. As aplica\u00e7\u00f5es de intelig\u00eancia artificial destinadas \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o de atitudes suspeitas ou furtos s\u00e3o utilizadas por 10,1% das empresas. Sistemas de preven\u00e7\u00e3o de perdas baseados em Internet das Coisas est\u00e3o presentes em 7,1%, enquanto as ferramentas de IA voltadas \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o de subescaneamento ou aus\u00eancia de registro no caixa alcan\u00e7am 6,1%.<\/p>\n<p>O RFID, adotado por 15,2% das empresas, oferece possibilidades relevantes para rastreabilidade e controle de invent\u00e1rio. J\u00e1 os sistemas de invent\u00e1rio baseados em intelig\u00eancia artificial aparecem em apenas 4% das opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Esses n\u00fameros demonstram que existe uma dist\u00e2ncia entre a disponibilidade das tecnologias e sua ado\u00e7\u00e3o em escala. Mas essa lacuna n\u00e3o est\u00e1 relacionada apenas ao investimento financeiro. A implanta\u00e7\u00e3o de uma solu\u00e7\u00e3o exige integra\u00e7\u00e3o entre sistemas, qualidade dos dados, processos bem definidos e profissionais preparados para interpretar as informa\u00e7\u00f5es geradas.<\/p>\n<p><strong>Pessoas e processos continuam no centro da preven\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica n\u00e3o reduz a import\u00e2ncia do fator humano. Pelo contr\u00e1rio: quanto maior o volume de dados produzido pelas opera\u00e7\u00f5es, mais relevante se torna a capacidade das equipes de interpretar os sinais, avaliar os riscos e tomar decis\u00f5es.<\/p>\n<p>Essas ferramentas n\u00e3o devem substituir pessoas, mas ampliar sua capacidade de atua\u00e7\u00e3o. Ao automatizar o monitoramento e direcionar os alertas, elas permitem que os profissionais concentrem esfor\u00e7os nas ocorr\u00eancias que exigem investiga\u00e7\u00e3o, an\u00e1lise e interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por esse motivo, o investimento em equipamentos e sistemas precisa caminhar junto com a revis\u00e3o dos processos e a qualifica\u00e7\u00e3o das equipes. N\u00e3o basta produzir mais informa\u00e7\u00f5es se os profissionais n\u00e3o estiverem preparados para compreender os indicadores e transform\u00e1-los em a\u00e7\u00f5es concretas.<\/p>\n<p>No contexto do ecossistema humano das empresas do varejo, \u00e9 essencial ampliarmos essa discuss\u00e3o para dois pilares: inclus\u00e3o e desenvolvimento. Sobre o primeiro fator, enquanto a participa\u00e7\u00e3o feminina em cargos de lideran\u00e7a no mercado brasileiro gira em torno de 35%, na \u00e1rea de preven\u00e7\u00e3o de perdas esse percentual cai para apenas 15,6%.<\/p>\n<p>Estimular a participa\u00e7\u00e3o de profissionais com experi\u00eancias e perspectivas distintas contribui para enriquecer a an\u00e1lise dos problemas e construir respostas mais adequadas \u00e0 complexidade das opera\u00e7\u00f5es. A forma\u00e7\u00e3o de equipes plurais n\u00e3o deve ser tratada apenas como uma quest\u00e3o de representa\u00e7\u00e3o, mas como um elemento capaz de fortalecer a tomada de decis\u00e3o.<\/p>\n<p>O varejo j\u00e1 compreendeu que as perdas n\u00e3o representam somente um percentual no balan\u00e7o. Elas afetam a disponibilidade de produtos, a produtividade das equipes, a efici\u00eancia log\u00edstica, o abastecimento, a experi\u00eancia do consumidor e a margem das empresas.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo \u00e9 entender que a maturidade de uma opera\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser medida pelo n\u00famero de c\u00e2meras, antenas ou sistemas instalados, mas pela capacidade de integrar tecnologia, processos e pessoas para gerar intelig\u00eancia operacional.<\/p>\n<p>Mais do que registrar o que aconteceu, a preven\u00e7\u00e3o de perdas precisa identificar vulnerabilidades, antecipar riscos e orientar decis\u00f5es antes que o preju\u00edzo ocorra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>*Vanessa Urbieta \u00e9 gerente de desenvolvimento de neg\u00f3cios da\u00a0<a href=\"https:\/\/info.inwave.online\/ebook-frente-de-caixa-31-dicas\">Inwave<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00cdndice m\u00e9dio de perdas avan\u00e7ou de 1,51% para 1,65% em 2025, enquanto preju\u00edzo financeiro do setor j\u00e1 alcan\u00e7a R$ 36,5 bilh\u00f5es, mostrando que a preven\u00e7\u00e3o se tornou uma quest\u00e3o de intelig\u00eancia operacional<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":31368,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2234],"tags":[5791,249,6011],"class_list":["post-31592","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-vozes-do-varejo","tag-inwave","tag-varejo","tag-vozes-do-varejo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31592","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31592"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31592\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31368"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31592"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31592"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31592"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}